30 October 2007

TOU CHEGANDO





Como o prometido é devido, aqui fica então o que me parece importante saber-se sobre o Halloweewn e contar-vos como é vivido nos Estados Unidos.
Eu sei que disse que era amanhã, mas imaginem que também vou comemorá-lo amanhã à noite. Embora de forma diferente, mas não estarei por aqui.
Portanto, começo por dizer que o facto de não se gostar do Carnaval, não implica que não se goste do Halloween.
São coisas completa e totalmente diferentes.
Desde logo pelas suas origens mais remotas: no caso do Carnaval tem a ver com a Quaresma, e Halloween com os Celtas e com o Dia de todos os Santos.
Depois, porque enquanto o Carnaval é para toda a gente, miúdos e graúdos, o Halloween é especialmente, hoje em dia, que não nos seus primórdios, uma festa para os miúdos dos 5 aos 13 anos.
E enquanto as partidas no Carnaval não têm limites, ao abrigo do " É carnaval, ninguém leva a mal", o Halloween está delimitado às brincadeiras a que se chama "Treat or Trick".
Mas comecemos do começo:
As raízes mais antigas do Halloween remontam quase a dois mil anos atrás, ao Festival Celta chamado Samhain. ( Lê-se sow-in).
Nessa altura os Celtas viviam na região agora conhecida como Irlanda e comemoravam o Ano Novo, no dia 1 de Novembro. Este dia marcava o fim do Verão e das colheitas e o começo do longo Inverno, época do ano em que morriam mais pessoas.
Acreditavam que na véspera, o mundo dos vivos e dos mortos se misturava.
Para honrar a data faziam fogueiras onde queimavam em sacrifício aos seus Deuses, para que eles os ajudassem no longo e escuro Inverno, caveiras e animais.
Por volta do ano 43 D.C., os Romanos conquistaram a maior parte do território Celta e durante os 400 anos em que os governaram, misturaram a sua civilização com a deles e naturalmente também os seus costumes.
Assim, os Romanos que tinham dois Festivais parecidos aglutinaram-nos com os dos Celtas.
O 1º chamado Feralia ( mais tarde Feira ) lembrava os que já tinham morrido.
O 2ºera em honra de Pomona ( Pomme/ Maçã ) a deusa das árvores e dos frutos. Daí a actual costume de “ bobbing apples” que explicarei mais à frente.
No ano 800 D.C. o Papa Bonifácio IV designou o dia 1º de Novembro dia de Todos-os Santos. A celebração chamava-se ALL – HALLOWMAS ( do inglês antigo ALHOLOWMESSE –TODOS OS SANTOS. A véspera começou a ser conhecida por ALL- HALLOWS EVE, e com o passar do tempo deu-se a aglutinação e chegou-se ao HALLOWEEN de hoje.
E assim, o Festival pagão dos Celtas da Irlanda foi transportado para os Estados Unidos pelos emigrantes Irlandeses do séc.XIX, e tornou-se a festa mais popular dos americanos, a seguir ao Natal.

As cores do Halloween são o Preto ( da morte, da noite, das bruxas, dos gatos pretos, dos morcegos e dos vampiros ), e o Laranja ( do fogo, do Outono, das folhas caídas, da abóbora e de Jack da Lanterna ) e estes os seus símbolos.

Jack-O'Lantern é o símbolo mais famoso do Halloween e a sua história remonta também a muitos séculos atrás e aos Irlandeses.
Baseia-se numa lenda Irlandesa àcerca de um homem com a alcunha de “ Stingy Jack” ( Jack o Avarento )que reza assim:
Era uma vez um velho agricultor, ganancioso, jogador, bêbado e avarento.
Um dia convidou o Diabo para tomar umas bebidas com ele, mas não as queria pagar.
Pediu então ao Diabo que se transformasse numa moeda, e assim ele podia pagar tudo com essa moeda.
Acontece que depois não quis devolver a moeda, e para isso pô-la num bolso onde tinha uma cruz em prata, o que impedia o Diabo de voltar a assumir a sua forma.
Passado muito tempo, libertou – o com a condição de só lhe aparecer de novo daí a um ano.
No ano seguinte, enganou de novo o Diabo, subindo a uma árvore onde desenhou uma cruz para o impedir de descer.
Desta vez a condição foi que não lhe apareceria durante 10 anos e que, se morresse entretanto, não reclamaria a sua alma.
Só que, de facto, Jack morreu.
Ao chegar ao Céu, Deus recusou-lhe a entrada e como o Diabo prometera não reclamar a sua alma, ele ficou condenado a vaguear para sempre, como uma alma penada.
Como luz para lhe indicar o caminho só tinha um pedaço de carvão incandescente que colocou dentro de uma abóbora.
Os Irlandeses começaram por lhe chamar “Jack of the Lantern” e com o tempo transformou-se em “Jack o’ Lantern”
Hoje colocam-se as abóboras iluminadas a enfeitar as casas para que a alma de Jack encontre o caminho, e não entre em casa.

TRICK OR TREAT
As crianças, com idades compreendidas entre os 5 e os 13 anos, mascaram-se e vão de porta em porta pedindo Treats. Quando lhes abrem a porta, cantam uma canção típica de Halloween, sempre com o refrão Treat or Trick, o que significa que, ou as pessoas lhes dão guloseimas, ou eles pregam uma partida.
Seguem uma regra: só batem à porta das casa que estão enfeitadas.

BOBBING THE APPLE
É um jogo que consiste em pôr maçãs cobertas de caramelo vermelho a boiar em recipientes cheios de àgua, que têm que se apanhar com a boca, sem a ajuda das mãos.



As casas começam a ser decoradas mais ou menos com um mês de antecedência e chega a haver concursos para decidir qual a mais gira do bairro.
Agora imaginem: eu achava que pôr 8 séries de lâmpadas na árvore de Natal me dava imenso trabalho. Quando percebi que tinha que iluminar uma vivenda inteira ia morrendo!
Para isso, como não tinha nada de decorações fui comprar.
Indicaram-me a loja e certifiquei-me que tinha a lista das coisas necessárias na carteira.
Chego lá e deparo-me com uma loja do tamanho do nosso maior Continente, só com decorações de HAllOWEEN. Não sabia se chorava se ria. Os meus filhos saltavam à minha volta e iam pondo coisas para dentro do carrinho, que era maior que os dos nossos supermercados.
Garanto que eles não tinham culpa: até a mim me apetecia comprar tudo. Até brincos em forma de abóboras pequeninas havia. Parecia que estávamos num mundo encantado.
Mas o pior estava para vir: a secção de TREATS. Aí foi a loucura absoluta. É que nada se vende que não seja em sacos, no mínimo de 1kg. Um kg de tudo, das mais variadas formas, cores, sabores, desde chocolates a jellies, passando por marshmallows, rebuçados, tudo o que a vossa imaginação possa pensar, lá há. Mas claro que 1 kg não chega, porque as crianças que batem à porta são muitas, portanto chegámos a casa parecia que vínhamos da Casa dos Doces das histórias de crianças.
Fora a imensidade de luzes, os lençóis que se põem por cima dos candeeiros de jardim que ficam imediatamente transformados em fantasmas, dezenas de abóboras de todos os tamanhos ( o trabalho que dá escavá-las e fazer os olhos, o nariz e a boca...), homenzinhos de palha vestidos a rigor como camponeses, os sempre em pé insufláveis que ficam a guardar a porta, enfim, um mundo de imaginação e sonho.
Por um mês tornamo-nos todos crianças, ansiando pela noite de Halloween.
Normalmente faz-se um jantar em que se convida a família e amigos mais chegados, todos mascarados e de caras pintadas. O jantar tem muita coisa feita à base de abóbora...e depois é só esperar pelas crianças que nos batem à porta.
Se não vos consegui transmitir o ambiente peço desculpa, mas de facto, há coisas que só vistas.

29 October 2007

PAULA REGO, THANKS, BUT NO THANKS!





Esta semana vão aparecer aqui uns escritos politicamente incorrectos, mas como isso está mesmo abaixo do meu nome no Blog, estou de consciência tranquila.
Para início de conversa, para mim os mitos são discutíveis.
Que é isso de um Mito? Afinal, quem os constrói são os homens, e logo aí há que desconfiar.
O homem não é confiável.
A humanidade não é confiável.
Portanto eu discuto mitos, e de alguns, não gosto mesmo nada.
Mas tenho algum cuidado ao fazê-lo. Pergunto-me sempre, se todo o Mundo acha que certa pessoa é tão boa que se tornou um mito, porquê que eu não gosto dela? Então leio e estudo tudo sobre ela, e só depois de bem documentada me permito emitir a opinião que já tinha na cabeça, e sobretudo no coração.
Foi o que fiz com Paula Rego.
Não vou aqui fazer a biografia da pintora, embora conheça a sua história desde criança.
Tenho para mim que os pintores são contadores de histórias, e que as histórias que contam nem sempre são bonitas. Como as nossas.
Mas há maneiras bonitas de contar histórias, e venha quem vier explicar-me as suas técnicas de colagem dos anos 50 e 60, o que querem dizer os quadros de animais que pintou nos anos 80, ou mesmo justificar que isso foi uma forma de fugir ao cheiro das tintas de que não gosta.
Isso eu já sei tudo.
Faço aqui um pequeno parêntesis: Uma vez numa exposição de pintura, ouvi uma senhora dizer para o senhor que a acompanhava: Nah, daqui não serve nenhum. Não dá com a decoração lá de casa.
Fiquei estarrecida. Como? Os quadros compram-se para dar com a mobília? Talvez então ir ao Continente, digo eu.
Para mim um quadro tem que ser lindo. Tem que falar comigo. Tenho que ver nele uma história sem que me expliquem o que o pintor quis dizer. Tem que me apetecer ficar horas a olhar para ele.
Eu sei que o conceito de beleza é uma coisa um pouco variável, muda com as épocas, com as modas, com os nossos olhos, mas provocar-nos repulsa?
E é isso que me provocam os quadros de Paula Rego. Pior, é o que me provocam as suas explicações.
Na dúvida, ou melhor, para não ficar com dúvida nenhuma, há semanas estive em Madrid e fui ver a exposição dela no Museu Reina Sofia.
Quando saí, tive que respirar o ar frio da rua para me sentir mais limpa.
Ora atentem nalgumas das suas afirmações:
Acerca dos bichos:
Um sardão, ao sol, à hora do almoço. Depois aparecia outro sardão. Eram enormes. Depois desapareceram e vieram duas cobras pôr-se ao sol. Devem ter comido os sardões, com certeza...Estávamos a almoçar no terraço e a ver as cobras...
Ah, a maior parte dos bichos que pinto são pessoas conhecidas. É mais fácil pintar bichos. Joaninhas não pinto, porque não tem nada. É uma bolinha com bolinhas em cima.
Caracol? Não. Isso faz-me imenso nojo.
Porco, porco é que gosto. Tivemos um porco. Lembro-me de ver a matança do porco. Levou imenso tempo a morrer, aos gritos. Uma coisa medonha.
Acerca do pelicano:
O pelicano é um símbolo do cristianismo, e o bico é muito importante porque ele fura e rompe. Quando rasga perde-se a virgindade. Mais do que isso. É uma espécie de morta viva. A pessoa não morre, mas anda completamente furada. Tem a ver com a penetração.
Sobre o facto de em Inglaterra onde vive, não venderem galinhas ou coelhos com cabeça:O espanto das amigas da minha filha quando vieram à quinta e viram as galinhas a correr e depois veio a Luzia buscar uma galinha e cortou-lhe o pescoço...Foi uma revelação. Nunca pensaram que aquilo que vinha congelado do supermercado andava.
Não comento nada disto. Cada um que tire as suas conclusões.
Há um quadro dela, muito famoso, em que se vê uma menina a engraxar uma bota de um polícia. Data de 1987.
Eis a sua explicação para o mesmo:O braço todo enfiado dentro da bota é outra penetração. Ela está a fazer isso por causa do pai. É uma vítima.
Há um outro, com um ganso que está entre as pernas de uma menina.A filha do polícia é o ganso.
Definitivamente ela pode ser genial, mas eu não gosto.
É sabido que foi buscar à infância inspiração para os seus quadros. É-me lícito perguntar que infância foi essa.
Mas tenha sido o que tiver sido, a forma como ela a pôs cá para fora em termos de pintura, a mim, afasta-me.
Não gosto.
Causa-me repulsa.
Durante anos, tive em minha casa, 6 quadros dela, da fase dos bichos.
Estavam no salão, na parte da sala de jantar.
Ora ficava de costas para eles, ora os mudava de sítio.
Não porque não dessem com a mobília. Não davam era comigo.
Um dia, numa situação especialmente dolorosa para mim, saíram com muitas outras coisas.
Quando vi a parede vazia, dei um enorme suspiro de alívio.

Halloween nos States

A 31 conto tudo.
A origem do nome, como se vive, o que se come, o que se veste, tudo, tudo, tudo.......Boo...Boo...Boo...


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27 October 2007

CERTAS SURPRESAS FAZEM-ME FLUTUAR


Flutuo
Consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá
E eu não contesto
O meu destino está fora de mim
Eu aceito
Sou eu despida de medos e culpas
Confesso

Hoje eu vou fingir
Que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer
Que as coisas vão mudar
Amanhã

Flutuo
Consigo deslindar o meu gosto sem esforço
Balanço é o que a maré me dá
E eu não contesto
Amanhã pensar nisso sempre me dá mais jeito
Fazer de mim Pretérito Mais Que Perfeito.

Hoje eu vou fingir
Que não vou voltar
Despeço-me do que mais quero
Só para não te ouvir dizer
Que as coisas vão mudar
Amanhã
Amanhã

Hoje eu vou fugir
Para não me dar a vontade de ser tua
Só para não me ouvir dizer
Que as coisas vão mudar
Amanhã
Amanhã
Amanhã

26 October 2007

SEM MÁSCARA, UM GRITO DE SOCORRO


Este Post vai ser uma perfeita anarquia.
Não vou nem relê-lo.
Vai sem máscara.
Sempre tive um imenso pudor em falar da minha vida no seu lado mais íntimo.
Só meia dúzia de pessoas sabem, exactamente como sou, como sinto, pelo que estou passando, aquilo que estou sofrendo.
Quando comecei este Blog, tive a ilusão que nele poderia pôr os meus mais íntimos pensamentos, dado que ninguém me conhecia.
Mas, com o passar do tempo, há ligações que se vão estabelecendo, empatias que se vão descobrindo, e aí, sempre volta na minha cabeça aquela frase repetida vezes sem conta pela minha avó inglesa que dizia "uma senhora não mostra as suas emoções em público". Então, vem-me sempre à cabeça uma terrível recordação de infância: A minha outra avó tinha uma quinta em Óbidos, e grande parte da minha infância foi passada na praia do Baleal, que não tinha nada a ver com o Baleal de hoje. Era uma aldeia de pescadores, onde as crianças como eu se misturavam com as crianças pobres que ali viviam. Não iam só passar férias.
Uma noite, fomos acordados pelos gritos desumanos de uma mulher, dita do povo, cujo filho se tinha afogado no mar, e que gritava com voz aguda aquele grito que bem conhecemos:" Ai o meu rico filho". E enrodilhava-se na areia, com um bicho.
Não dormi durante noites a fio, e ainda hoje, esse grito ecoa na minha cabeça.
Anos passados, muitos, o melhor amigo do meu filho mais velho, morreu num terrível acidente, quando o avião em que seguia se despenhou em Tires.
Teve honras de abertura em todos os telejornais, e a imagem que me ficou foi os ténis que tinha calçados, jogados um para cada lado, no meio dos destroços.
O funeral foi das coisas mais terrivelmente emotivas a que alguma vez assisti.
A mãe, dopada pela imensidade da perda, e espartilhada pela educação recebida, deixava rolarem-lhe pela cara lágrimas lentas e silenciosas. E nem, quando o corpo desceu à cova se descontrolou, e gritou: Ai meu rico filho.
Sofria ela menos que a outra? Não. Não acredito.
Ambas eram mães. Ambas eram mulheres.
Mas uma era genuína.
A outra estava condicionada desde a infância, a não mostrar as suas emoções em público.
E a mais espantosa manifestação disso a que assisti, foi no funeral do Prof. Sousa Franco, meu professor, quando a mulher, sem uma lágrima, na missa de corpo presente, fez o elogio do marido.
Todos nós, de alguma forma somos o resultado da educação que tivemos, da influência das ideias políticas dos nossos pais, das muitas viagens que fizemos ou do facto de nunca termos saído da santa terrinha.
Pomos então uma máscara, para que os outros possam ver em nós aquilo que querem ver.
Mas há dias em que não dá.
Há dias em que chutamos tudo para o alto, e pensamos: que se lixe. Outra coisa que uma senhora não faz:usar termos pouco educados.
E hoje é um deles.
Viver todos os dias cansa, alguém já escreveu.
E eu estou cansada.
Tudo aquilo que tenho escrito no meu Blog sou eu. Não há mentiras.
Mas há o reverso da medalha.

Há o dia, em que tudo o que está arrumadinho na minha cabeça, em gavetas meticulosamente fechadas, sai cá para fora, também eles, os conteúdos das gavetas, cansados de estarem fechados.
Hoje é o dia.
Estou cansada de viver.
De lutar.
De ser magoada.
De ser uma sombra que não se projecta na vida das pessoas que mais amo.
De ser incómoda.
As pessoas,têm os seus próprios problemas, e pagam para não levar com os dos outros.
Como escreveu Mário Quintana, que citei no Post anterior "Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?" ou, mais grave "O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso." Já escrevi, já falei, já chorei e gritei, e ninguém me ouviu.
E hoje, absolutamente sózinha, percebi que é isso mesmo: Estou completamente sózinha à deriva num mar tempestuoso de vagas enormes, num pequeno barco a remos.
Não tenho vida, futuro ou esperança.
Os meus gritos de alerta ninguém ouviu, e os meus pedidos de socorro, ninguém percebeu.
E agora, hoje e aqui, capitulei.
Louca? Serei
Mas como disse o grande poeta:“ Em todos os manicómios há doidos, malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho certeza nenhuma, sou certo, ou menos certo?”*.

25 October 2007

No Centenário de Mário Quintana

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade.
Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.
Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu..
Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura.


Tenho uma profunda admiração pela obra de Mário Quintana.Depois de vos deixar, no começo, um excerto da sua Autobiografia, onde se pode ter uma pequena idéia da ironia, sarcasmo e ao mesmo tempo a profundidade dos seus pensamentos, que por vezes, me fazem lembrar Agostinho da Silva, aqui ficam algumas das citações de que mais gosto, escolhidas das centenas que existem num livro que é isso mesmo: um livro de Citações de Mário Quintana.

Enjoy!!!

"Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?"
"Amar é mudar a alma de casa."
"Com seus OO de espanto, seus RR guturais, seu hirto H, HORROR é uma palavras de cabelos em pé, assustada da própria significação."
"O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso."
" Quem não compreende um olhar, tão pouco compreenderá uma boa explicação".
" Não importa saber se a gente acredita em Deus; importa saber se Deus acredita na gente".
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem."
"Não te irrites, por mais que te fizerem... Estuda, a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, Teu mais amável e sutil recreio..."
"Quando a gente vê dois bêbados, pode apostar: um bebeu porque tem mulher, o outro porque não tem."
"Se eu fosse acreditar mesmo em tudo o que penso, ficaria louco."
"Esta vida é uma estranha hospedaria,
de onde se parte quase sempre às tontas,
pois nunca as nossas malas estão prontas,
e a nossa conta nunca está em dia."

24 October 2007

LEMBRAM-SE?




Há certas frases que me encanitam, os adoráveis canitos que me perdoem.
Uma delas é " No meu tempo"...
Até parece que no século passado já cá andavamos,o que não deixa de ser verdade...hihihi
O facto é que há dias o Luis fez um post sobre os livros da infância e adolescência dele. E desafiava-nos a enumerar os nossos.
Desde esse dia tenho andado a pensar em coisas "do meu tempo", como brinquedos, brincadeiras,livros também, música portuguesa que os miúdos cantavam, roupas e séries de televisão.
E pus-me a recordar:
Nos livros claro que Os Cinco, Os Sete, Uma Aventura, Astérix, Tintin, a Mafalda que eu chamava de Mafaldinha e claro o Princípezinho. Mas esse é de todas as idades. Ele e os olhos do coração
Na televisão via-se A Abelha Maia, a Heidi, O sítio do Pica pau Amarelo, o Dartacão, o Topo Gigio, o Vitinho que mandava os meninos para a cama, o Willy Fog, e claro, os Marretas, também para todos.
Brincavamos às escondidas, à apanhada, ao toque e foge, à macaca, andavamos de bicla e os putos jogavam à carica, ao berlinde, ao monopólio e ao pião.
Nessa altura apareceram os Kispos e a partir daí qualquer anorak é um Kispo, o que também me encanita, as saias de pregas e as calças de bombazina com joelheiras, e as meias pelo joelho.
Eu vi um sapo, Bem Bom, Sobe, Sobe Balão Sobe todos sabíamos de cor.
Como brinquedos havia os Legos com a sua Superfície Lunar, a Aldeia dos Strumpfes ( eu, os meus amigos e penso que muitos outros, inventamos uma linguagem em que todos falavamos a estrumfar), o Playmobil, o hula-hoop em que as meninas brilhavam, os calquitos com que eu me deliciava e aquilo que mais perto se aproximava dos computadores/playstation de hoje: o célebre ZX Spectrum 48k.
Belos tempos aqueles, lembram-se?

PS:Nos Estados Unidos, nos Estados de Rhode Island, Nova Iorque e Vermont, o ano passado, foi aprovada uma lei que proíbe as crianças do sexo oposto de terem brincadeiras em que tenham que se tocar ( por causa do assédio sexual!!!).
Pergunto eu que sou muito perguntadeira: Como é que eles brincam à apanhada ou ao toca e foge?

22 October 2007

TUDO ISTO SOU EU


TIRA A TEIMA

Se um dia me aproximar de ti
Não penses que é só um flirt
Não julgues que é um filme
Que já viste em qualquer parte
Pensa bem antes de agires
Evita ser imprudente
Faz a carta do meu signo
E vê à lupa o ascendente
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou

Tem cuidado e tira a teima
Que sou tu não sonhas ao que venho
Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás
Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim

Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Diz-me se vês o granito
Onde a cidade, os grandes temas
Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas

CHUVA

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Fácil de Entender

Talvez por não saber falar de cor, Imaginei
Talvez por saber o que não será melhor, Aproximei
Meu corpo é o teu corpo o desejo entregue a nós
Sei lá eu o que queres dizer

Obrigado por saberes cuidar de mim,
Tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou,
e se ao menos tudo fosse igual a ti

ADEUS TRISTEZA

Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano
A entrevista que era boa
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar

Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num couplé pra começar
Com muita força no refrão que é popular
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu

Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade
Não ando cá para sofrer mas para viver
E o meu futuro há-de ser o que eu quiser

BEIJO

Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar e vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.

Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.

Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.

Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

GRITO DE ALERTA
Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca
Um gosto amargo de fel...

Depois
Vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar
Um bocado de mel...

Não vê que então eu me rasgo
Engasgo, engulo
Reflito e estendo a mão
E assim nossa vida
É um rio secando
As pedras cortando
E eu vou perguntando:
Até quando?...

São tantas coisinhas miúdas
Roendo, comendo
Arrasando aos poucos
Com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
De gritos e gestos
Num jogo de culpa
Que faz tanto mal...

Não quero a razão
Pois eu sei
O quanto estou errado
E o quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o momento
Em que o copo está cheio
E que já não dá mais
Prá engolir...

Veja bem!
Nosso caso
É uma porta entreaberta
E eu busquei
A palavra mais certa
Vê se entende
O meu grito de alerta
Veja bem!
É o amor agitando o meu coração
Há um lado carente
Dizendo que sim
E essa vida da gente
Gritando que não...

DEVOLVA-ME

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim será melhor meu bem

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me
Deixe-me sozinho
Porque assim eu viverei em paz
Quero que sejas bem feliz
Junto do seu novo rapaz

Rasgue as minhas cartas
E não me procure mais
Assim vai ser melhor meu bem

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver
devolva-me,

O retrato que eu te dei
Se ainda tens não sei
Mas se tiver devolva-me

Devolva-me,
Devolva-me

VAMBORA

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas

21 October 2007

UMOJA-A ALDEIA DAS MULHERES


Umoja é uma vila situada no Norte do Kenya a 380 kms de Nairobi.
Foi fundada em 1991 e o seu nome significa “ União” em swahili.
Não existiria, e portanto não estaria em mapa nenhum se não existisse uma mulher chamada Rebecca Lolosoli.
Rebecca, uma indígena Samburu, hoje é conhecida como uma activista que defende os Direitos das Mulheres, já discursou nas Nações Unidas e sabe quem é Oprah.
Mas, melhor que isso, o Mundo sabe que ela existe.
Tudo começou há dez anos, e nada fazia prever que chegasse onde chegou.
Rebecca Samaria Lolosoli é uma mulher de idade indefinida que fundou a aldeia de Umoja, dando abrigo a outras mulheres que, como ela, foram ou são vítimas de violação ou de abusos sexuais, ou que querem fugir de casamentos forçados ou de uma escravidão diária.
Um dia, na sua aldeia, enfrentou o poder patriarcal e familiar ao decidir que o casamento de um irmão seu com uma rapariga de 13 anos não iria ter lugar. Agarrou na mão da menina, que tremia, e disse-lhe: “És uma criança. Ele é um velho. As mulheres já não têm de aturar este tipo de disparates.”
E ordenou ao irmão que regressasse a casa. Só.
Assim. Enfrentando tudo e todos.
E tudo começou assim!

Umoja é uma aldeia imaginada e construída por um grupo de 15 mulheres lideradas por Rebecca Lolosoli, que travaram uma dura luta com as autoridades britânicas para que se fizesse justiça por terem sido violadas, várias delas repetidamente, por soldados britânicos durante exercícios militares no Quénia, nos anos 80 e 90.
Algumas exibiram como prova os filhos mestiços. A justiça acabou por ser feita e pagas indemnizações.
Ainda assim, os maridos repudiaram-nas por elas constituírem uma mancha na sua honra de homens.
Abandonadas, decidiram fundar um lugar só para mulheres, Umoja, e viver pelos seus meios.
Passados 17 anos, vivem independentes, algumas com filhos nascidos de uniões recentes com os namorados que visitam a aldeia.
Quando as mulheres erigiram a aldeia de Umoja, os homens, que se sentiram abandonados construíram uma outra aldeia do outro lado da estrada, de forma a melhor poderem controlar as vidas e os actos das suas mulheres, noivas ou familiares que decidiram viver na comunidade feminina.
Como na cultura samburu não existe o divórcio, muitos dos homens irrompiam pela aldeia exigindo o regresso a casa das esposas.
Mas já tinham perdido qualquer hipótese de se imporem ao grupo das destemidas mulheres. Quando se tornavamm violentos face à resistência delas, as mulheres recorriam às autoridades locais.
A independência em Umoja faz com que sejam as mulheres a eleger os seus parceiros sexuais.
Uma delas afirmou alto e bom som: “Nós não dizemos que não precisamos dos homens. Somos humanas e temos as nossas necessidades. Mas os homens que aqui entram ficam por pouco tempo. São meros namorados.”

Rebecca fundou também o Movimento Umoja Uaso Women’s Group, uma organização que ajuda as mulheres que vivem numa pobreza extrema, sem acesso a qualquer informação sobre a Sida, sobre cuidados de saúde ou educação.
Sob a sua orientação, Umoja ensinou-lhes que existem os Direitos das Mulheres, que não têm que deixar que as mutilem genitalmente e que podem combater a violência doméstica.
Arranjou forma de se tornarem auto-suficientes quer economicamente, quer tendo acesso à Educação e a cuidados de Saúde.
O seu Movimento, hoje é membro da Indigenous Information Network in Kenya.
Ao contrário do que acontece na restante África, as mulheres circulam livremente em Umoja, sem receio de poderem ser assaltadas sexualmente. Segundo o relatório de uma ONG ao serviço da Organização das Nações Unidas, as distâncias extremas que as mulheres africanas são forçadas a percorrer para se abastecerem de alimentos, de água, ou de lenha para elas e para os filhos, propiciam as violações sexuais.
Alerta esse documento: “As mulheres têm de caminhar longas distâncias, por vezes no interior das florestas, apenas para encontrar água. Durante a caminhada elas são, muitas vezes, vítimas de violação.”
Até nisto, Umoja é um reduto de liberdade.
Rebeca Lolosoli e as suas companheiras de luta e de vida em comum têm motivos para se sentirem felizes. O que elas conseguiram é um pequeno paraíso comparado com a dramática realidade das demais mulheres africanas. Em Março deste ano, Alpha Oumar Konaré, presidente da Comissão da União Africana (UA), denunciou que a violência contra mulheres e raparigas em África atingiu níveis sem precedentes, e isto inclui a violação sexual de mulheres de todas as idades e de bebés menores de um ano. O exemplo de Umoja é difícil de repetir num continente onde se intensifica a feminização da pobreza e se dissemina de forma assustadora o vírus da Sida nas mulheres.
A independência adquirida pelas mulheres de Umoja tornou-as tão respeitadas que mulheres de outros pontos do Quénia têm procurado refúgio na aldeia, e a sua matriarca, Rebecca Lolosoli, participou numa importante conferência internacional sobre género e igualdade de oportunidades entre os sexos, realizada em Nova Iorque.
Lolosoli tem razão quando afirma: “Nós, as mulheres, estamos sempre debaixo dos homens. Tratam-nos como se não existíssemos. Só servimos para lhes dar filhos. É como se fôssemos propriedade deles, e, ainda por cima, somos maltratadas.”
Só que em Umoja isso já faz parte do passado e Rebecca Lolosoli garante que assim se irá manter.
Cerca de meia centena de mulheres vivem hoje em Umoja e passaram a subsistir de artesanato e de elaborados colares de contas que fabricam e vendem a mulheres samburu e a turistas que viajam para a Reserva Nacional de Samburu.
Estão ligadas ao mundo exterior pelas novas tecnologias, e até têm celulares.
Desde que passaram a viver pelos seus próprios meios, as mulheres de Umoja têm ganho proventos suficientes para subsistirem com os filhos e com os escassos homens que optaram pela “submissão” às leis da comunidade. Com as mulheres no comando, as crianças passaram a frequentar a escola da aldeia em vez de tomarem conta do gado, como ordenariam os homens se vivessem num outro lugar.
Rebecca Lolosoli disse ao The New York Times: “Temos visto tantas mudanças positivas nestas mulheres. Estão mais saudáveis e felizes. Vestem-se melhor. Dantes costumavam pedir alimentos. Agora, são elas que dão comida a outros.”
Sebastian Lesinik, o chefe da aldeia dos homens, quando Rebecca fundou a aldeia, afirmou: “ O homem é a cabeça e a mulher o pescoço. Ora, a cabeça não pode receber ordens do pescoço.”
Rebecca chegou a ver a sua vida ameaçada, mas hoje, ele próprio reconhece que ela ganhou. “ Se calhar temos algo a aprender com o pescoço. Nem que seja um bocadinho “. Tudo está a mudar, sobretudo por causa de mulheres como Rebecca, que são verdadeiras “ Troublemakers”.
Depois de ler tudo isto, e de ter tomado conhecimento desta realidade, e sabendo o que se passa no nosso País, onde mulheres ainda se referem ao acto de ter relações com os maridos, como” Ele serviu-se de mim” e que não têm a menor ideia por onde nascem as crianças, pensando que a urina sai pelo mesmo sítio, onde as crianças são espancadas, por vezes até morte, só posso sentir um enorme sentimento de vergonha.
Afinal nós temos todos os meios à nossa disposição.
E não fazemos absolutamente nada.
É um facto que deveria ser o governo a fazê-lo, mas se não faz, todos nós nos deveríamos tornar Troublemakers.

Rebecca Lolosoli tem um site onde pede apoio e ajuda financeira ao seu louvável projecto em www.jambosafaris.com/umojacharity.htm.
Tem uma loja on-line de venda de artefactos destas mulheres, cujos proventos revertem a favor da causa, que pode ser consultada em www.samburucouncil.co.uk.
Os contactos com Lolosoli podem ser feitos através do e-mail paranlolo@africaonline.co.ke.



Este Post foi redigido com informação recolhida em:Edições on-line de The Washington Post, The New York Times, BBC News, Organização das Nações Unidas, União Africana e site de Leigh Day & Co.

19 October 2007

BEIJE MUITO, ABRACE MUITO, AME MUITO, RIA E VIVA...