Fui eu que lhe dei esse nome. Não é um supermercado, nem uma mercearia. Não sei porquê pus-lhe o nome de mercadinho, e assim ficou.
As frutas sabem a fruta. As cenouras a cenouras e os grelos são mesmo grelos. Lá não há aquela coisa de à 2ª feira não haver legumes frescos. Não sei de onde vêm, mas as alfaces são repolhudas, tenras e verdes.
E as empregadas, todas raparigas novas, são de uma simpatia comovente, quando pensamos que começam a trabalhar às 7 da manhã e só terminam às 8 da noite, para ganharem o ordenado mínimo nacional.
Adiante.
De todas elas, havia uma de quem gostava especialmente. O seu nome era Ruth e embora soubesse que ela escrevia Rute eu sempre o imaginei escrito como na Bíblia.
Estive cerca de 2 meses sem lá ir e ontem fui.
Procurei-a e não a vendo, perguntei por ela.
- Já cá não está. Foi-se embora.
- Foi? Mas porquê? Despediram-na?
- Não. Foi ela que se depediu.
- Mas porquê?
- Foi atrás do sonho dela.
Agradeci, fiz as minhas compras e vim para casa com aquelas palavras a martelarem-me na cabeça.
Atrás do sonho...atrás do sonho...

I DREAM OF MY PAINTINGS, AND THEN I PAINT MY DREAMS.
Vincent Van Gogh