Showing posts with label Veludinhos de indignação. Show all posts
Showing posts with label Veludinhos de indignação. Show all posts

7 December 2010

OS PERIGOS DA TEIA




Como sabe quem me lê não é muito meu costume comentar acontecimentos neste blog, a menos que sejam coisas que considero de alguma forma importantes.
Este é o caso.

Chegou-me por mail a notícia de que Oprah Winfrey num dos seus programas mais recentes, entrevistou Tommy Hilfiger, o estilista da roupa que tem o seu nome.
No programa, Oprah ter-lhe-ia perguntado se era verdade que ele tinha feito o seguinte comentário:

'Se eu tivesse sabido que os negros americanos, os judeus, os latinos, Espanhóis, Venezuelanos, cubanos, os Argentinos, Chilenos, mexicanos, Bolivianos, Peruanos e os asiáticos comprariam a minha roupa, não a tinha desenhado tão boa. Gostava que esse tipo de gente não comprasse a minha roupa, pois esta é feita para gente branca, de classe alta... e preferia doar aos porcos...'

Ante a pergunta de Winfrey de se ele tinha feito tão crua afirmação, Hilfiger respondeu com um simples e sucinto
SIM.
Também admitiu o seu ódio pelos judeus e sua admiração por Hitler.
Imediatamente, Oprah lhe exigiu que abandonasse seu show.

Perante tão inusitada e espantosa notícia dei-me ao trabalho de ir ao youtube ver se por acaso lá estava a dita entrevista. Não estava. Mas estava esta que vos deixo, em que após este mail ter sido posto a circular Oprah convidou o costureiro e onde ele desmente tudo e ela afirma que desde que tem o show, JAMAIS tinha convidado Tommy antes, portanto não poderia tê-lo posto fora do estúdio.

Por aqui se vêem os malefícios da net, da Rede ou como eu lhe chamo, da Teia.
Ai de quem caia nela. Ai de quem ao cair nela fique à mercê das intrigas, dos falsos amigos, das pessoas que emprenham pelos ouvidos ( detesto esta frase. Nem sei como a escrevi, mas não conheço outra melhor) dos mails que passam em corrente entre todos os contactos de cada um, dos invejosos, dos fundamentalistas, enfim, das pessoas que usam uma máscara para esconderem quem de facto são.
Citando o tristemente célebre Goebbels: Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade!
Citando o povo: A verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima...
Infelizmente nem tem todos podem ir ao programa da Oprah contar a sua verdade!

22 October 2010

A QUINTA MALDITA



Por várias vezes e por razões que não estas que hoje aqui invoco, me tenho arrependido de não ter sido socióloga em vez de advogada.
Há imensos comportamentos do ser humano, sobretudo quando em grupo, ( já Fernão Lopes se lhe referiu) que me confundem e que gostava de entender.
Um deles é, por exemplo, porquê que antes de ser do Sporting tenho que ser anti-Benfica.
O outro, por analogia com o anterior porquê que pelo facto de não fazermos determinada coisa atacamos e marginalizamos quem a faz.
Vem esta introdução a propósito dos comentários violentos de pessoas que até são cultas e civilizadas sobre a quinta e as pessoas que nela jogam.
Não, não estou a falar da Quinta das Celebridades ou dos Segredos porque, como já sabia que eram programas que não me interessavam, nunca vi.
Estou a referir-me à famosa e muito querida ou muito mal quista Farmville.
Não percebo que mal vem ao mundo por milhões de pessoas se entreterem ludicamente, na verdadeira acepção da palavra, a plantar legumes ou alimentar animais. Não existe nada de reprovável no jogo, nem pornográfico, nem moralmente censurável, enfim, nada que seja socialmente inaceitável.
Por outro lado, é uma actividade que em pessoas bem formadas, até desenvolve os sentimentos de solidariedade e entre-ajuda, já que muitas das coisas que lá se fazem se tornam quase impossíveis de realizar sem a participação dos vizinhos.
Mas muito mais do que isso, o que me revolta e me deixa encanitada ( já sabem que quando me encanito é porque a coisa está brava) é que a maioria das pessoas que goza com quem joga ou se junta em grupinhos com o título " Eu não jogo Farmville" não faz a mais pequena ideia de quem são as pessoas que o fazem.
Dou de barato que 10% possam ser dondocas desocupadas que não têm nada para fazer embora isso continue a ser problema delas.
Os restantes 90% estão divididos entre:

- Homens e mulheres trabalhadores que à noite, para descontrair, jogam Farmville

- Reformados que para matarem a solidão dos dias, jogam Farmville, como podiam jogar às cartas num banco de jardim

- Desempregados que para não enlouquecerem a pensar como vão pagar as contas da luz ou da àgua ou mesmo a renda da casa, enganam o tempo plantando umas flores ou alimentando umas vacas

- Pessoas com doenças gravíssimas, desde depressões a cancros, ou a viverem outros dramas pessoais, que ao jogarem interagem com aquele que para elas, naquele momento, é o mundo exterior.

Só para que conste há psiquiatras que aconselham o jogo a alguns dos seus pacientes.
Nenhum de nós tem o direito de marginalizar seja quem for por fazer algo que a nós não nos interessa, menos ainda se nem conhece o jogo, muito menos ainda se desconhece ( e eu conheço alguns) os dramas que se escondem por trás dos "donos" de algumas quintas.
Metam na cabeça que há pessoas neste País cujo único momento de paz é enquanto está a jogar Farmville.
Desçam da vossa arrogância de pseudo-intelectuais e respeitem o sofrimento dos outros, mesmo que esse sofrimento, às vezes, se esconda por trás de um jogo de computador.
As máscaras e os palhaços pobres, existem!
Enjoy!




PS: Em tempo - eu jogo Farmville e até já vou no nível 80. E daí? Desci muito na vossa consideração?