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29 November 2008

PSE DON'T SHOOT HIM



Numa entrevista dada à cadeia de televisão ABC e divulgada 4ª feira, o Presidente eleito Barack Obama declarou:

- Os executivos dos grandes bancos devem renunciar aos bónus milionários e os da indústria automóvel devem parar de utilizar aviões particulares no contexto da actual de crise.

- Alguns empresários e patrões mostram-se alheios à realidade do país. A desistência por parte de dirigentes de bancos das compensações anuais, num momento em que o governo precisa avançar com ajudas financeiras deveria ser um exemplo de responsabilidade - continuou.

- Se já possuem 10 milhões de dólares e precisam colocar no desemprego funcionários, o mínimo que podem fazer é dizer "estou pronto para fazer sacrifícios eu também, porque reconheço que há pessoas que estão em pior situação e passam por um período muito mais difícil", disse ainda Obama.
O presidente eleito também reprovou com severidade os dirigentes dos três grandes grupos automóveis norte-americanos, por se terem deslocado a Washington em aviões particulares para pedir dinheiro ao Congresso, para evitar a falência das suas empresas.

Pensei a princípio que eles estivessem talvez surdos ao que se passa nos Estados Unidos, declarou Obama. É um problema crónico, não apenas na indústria automóvel (...) (mas) entre os líderes da indústria em geral, considerou. Quando pessoas recebem centenas de milhões de dólares de bónus em Wall Street e arriscam o dinheiro dos outros, isso mostra que não têm nenhuma ideia de como vivem os americanos comuns. E, (...) quando os fabricantes de automóveis (americanos) recebem salários mais elevados do que os colegas (asiáticos) da Toyota ou Honda, e perdem, no entanto, muito mais rapidamente que os construtores japoneses, significa que não vêem nada do que acontece.

Em 1963, também em Novembro, declarações do género, nas quais também se falava de desigualdades sociais, de pobres e de muito ricos, levou um Vice-Presidente à Presidência.

Dizem que a história se repete. Espero e desejo que esta seja uma excepção à regra.

Notinha: Este post foi descaradamente inspirado no do meu vizinho Jotabê, com a devida autorização.

18 July 2008

AFINAL HAVIA OUTRA...MULHER!


Quem me costuma ler está a pensar:
-A BlueVelvet gosta da Mónica Sintra?
Pois é. A menina que me desculpe, mas não gosto dela. Ou melhor, do que ela canta e do que ela simboliza.
De facto o título do meu post não tem nada a ver com a Mónica mas sim com a Ingrid Betancourt.
Desde a libertação da senhora, com a qual muito me congratulei ( babyvelvet 3/07), que uma coisa me andava a incomodar: a posição do Partido Comunista.
Como nunca acreditei que os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço, e sei que não são pessoas diferentes de nós, ou seja, não têm as orelhas em bico como o Dr. Spock, nem escondem mais segredos inconfessáveis que qualquer outro grupo partidário ( política é política), começou por me fazer confusão o facto de o Grupo Parlamentar não ter votado na Assembleia o voto de congratulação pela libertação de Ingrid Betancourt. Mais confusão me fez quando passando por alguns blogs que sei estarem ligados ao Partido Comunista via uma espécie de alegria envenenanda.
Até parecia que não estavam contentes com a libertação da refém.
Como sempre gostei dos pontos nos iis e dos traços nos tts, tratei de ir investigar.
E descobri que:
O Grupo Parlamentar do PCP apresentou no passado dia 4 um voto de congratulação na Assembleia da República sobre «Ingrid Betancourt em liberdade».
Nele se diziam, entre outras coisas que:

«Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana.»
E após uma série de considerandos, terminava:
«1. Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.
2. Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
3. Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4. Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5. Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.
6. Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.»
Portanto, o Partido Comunista apresentou sózinho um voto de congratulação, mas tal não foi referido pelos meios de comunicação social. Ou, se foi, não o foi com o mesmo destaque que deram ao facto de não ter votado o outro.

Agora pergunto eu:
Porquê? A quem incomodam aquelas palavras? Só pode ter sido por uma de duas razões: ou anticomunismo primário ou censura.
Qualquer das coisas não me agrada e uma delas, a censura, preocupa-me muitíssimo.
Descobri também que a alegria que faltava nos tais blogs, se devia à preocupação com todos os outros reféns e com uma outra mulher também de apelido Betancour( escrito assim, por ser hispânica), de seu primeiro nome Sónia, que desde 22 de Abril vivia horas, dias, semanas e meses de angústia e de dor com a sua pequena filha Chiara Rivera.
É que, desde aquela data, não sabiam do paradeiro, estado ou situação de Guillermo Rivera Fúquene, seu marido e pai, comunista e membro do Polo Democrático Alternativo que governa o munícipio de Bogotá, e ainda e sobretudo Presidente do Sindicato dos funcionários da autarquia da capital do país.
Tinha sido visto pela última vez no já referido dia 22 de Abril, às 6.30 da manhã, numa rua do bairro «El Tunal» onde tinha ido levar a filha à escola, em Bogotá, onde residia. Uma testemunha e câmaras de video instaladas no local atestam que foi abordado por um grupo de agentes policiais e foi forçado a entrar num carro da Polícia Metropolitana.
Apesar de todas as iniciativas da família e dos seus companheiros e dos apelos de organizações sindicais internacionais, quatro meses depois do seu desaparecimento, as autoridades dependentes do Presidente Álvaro Uribe não tinham prestado nenhum esclarecimento cabal sobre este drama
Apareceu agora, assassinado e abandonado na rua.

Como não gosto nem de 2 pesos e 2 medidas nem de histórias mal contadas, aqui fica reposta a verdade quanto ao voto de congratulação do PCP, e aqui apresento as minhas condolências a Sónia Betancour.

27 May 2008

NÃO ME DEITEM FUMO PARA OS OLHOS!


Estou cansada desta história, sobretudo pelas razões que passo a expor.

Já sei que não sabem de que estou a falar, mas vão já adivinhar:

De um facto que tem sido amplamente noticiado nos media.

De um facto que tem sido comentado por tudo o que são analistas políticos.

De um facto que anda na boca de todos os portugueses. Bem, de quase todos.

Já perceberam não já?

O aumento do preço dos combustíveis? Não.

O aumento do preço dos cereais? Não.

O desemprego que aumenta no nosso País? Não.

Ah, alguém descobriu: o facto de termos 10 milhões de habitantes e 2 milhões viverem abaixo do limiar de pobreza. Também não.

Não me digam que ainda não descobriram.
Tem que ser algo importante, algo que mude a vida dos portugueses para melhor, algo que realmente valha a pena levar as cabeças pensantes desta terra a falarem tanto de um assunto.
Pois!
Mas não é nada disso. É um fait divers, uma coisinha que num País a sério não gastaria mais que 10 minutos do nosso tempo, um facto que não merece a importância que se lhe deu a menos que se queira desviar a atenção das pessoas daquilo que é verdadeiramente importante.

Falo do facto do 1º Ministro ter fumado no avião que o transportava de Caracas para Lisboa.

Antes que comecem já a afiar a língua para me trucidarem, deixem-me dizer que não gosto do senhor nem um bocadinho.

Mas tento analisar as situações à luz da razão.

Vejamos:

É sabido, e se não é devia ser por quem fala no assunto, que nos aviões fretados não se aplicam as mesmas leis que nos voos regulares.

Portanto, a lei que proibe que se fume a bordo de aeronaves, não se aplicava ao caso concreto.

Ou seja, o cigarro que o Engº Sócrates fumou a bordo, foi tão legal como se o tivesse fumado num restaurante onde se pode fumar, nas zonas do Corte Inglês onde se pode fumar, no seu carro ou em sua casa.

É só isto que está em causa. Nada mais.

O homem não tem que dar exemplo nenhum.

O homem é fumador e fumou num sítio onde se pode fumar, tout court .

Se o vissem numa das zonas de fumadores que acima mencionei, o que diriam?

- Olha, está ali o Sócrates.

- Olha, o Socrates também fuma.

- Bem feita, também teve que ir para o quadradinho dos drogaditos fumar o seu cigarrinho.

E acabava ali a questão.

Porquê todo este carnaval à volta de uma coisa que não tem nada de ilegal?

Porque foi o Governo dele que fez a lei que nos dificulta a vida? ( digo nos, porque eu também fumo, e bastante me chateia não o poder fazer num restaurante após uma boa refeição)

Isso continua a não fazer o menor sentido, menos ainda que afirmem:

- Ah, se me apanharem a fumar num sítio onde não devo, não pago a multa se ele não pagar.

Mas o homem podia fumar no avião.

Portanto, algo está errado nesta história:

Ou o jornalista que ia a bordo e fez correr a história é da oposição e contou com a cegueira dos portugueses, ou os portugueses ainda andam a dormir mais do que eu pensava.

Preocupem-se com tudo o que vai mal neste País:
com a miséria, o desemprego, a corrupção, a desigual distribuição da riqueza, o absurdo da In Justiça que se faz nos nossos tribunais, vão para a rua manifestar-se, façam greves, parem o País, votem em branco nas próximas eleições ou votem noutros Partidos se assim o entenderem, mas deixem o homem fumar o seu cigarro em paz.

Caso contrário, farão jus à frase que diz que cada povo tem o País que merece.

13 May 2008

É PRECISO CUIDADO COM OS BÊBADOS!


O País político (e económico) tremeu com as afirmações proferidas pelo músico Bob Geldof quando participava, a convite do Expresso e do Bes num almoço-conferência sobre Futuro Sustentável. Só por curiosidade, acresce dizer que o senhor convidado o ano passado foi Koffi Annan, ex-Secretário Geral das Nações Unidas. Outro marginal!
O ex-Boomtown Rats, conhecido por ter organizado mega-eventos de solidariedade como o Live Aid, afirmou num discurso de 20 minutos subordinado ao tema «Fazer a Diferença», que "estão a ser construídas no litoral angolano, casas mais caras do que em Chelsea e Park Lane" e que "Angola é um país gerido por criminosos".
O BES emitiu, rapidamente, um comunicado para declarar «formal e inequivocamente» que é «totalmente alheio» ao conteúdo do discurso de Bob Geldof e que não se identifica com as afirmações «injuriosas» do ex-Boomtown Rats.

Ora não percebo tanta comoção por causa das afirmações de um bêbado e charrado músico como Sir Geldof.

Todos sabemos que Angola é um País democrático cujo Presidente está no poder desde 1979! Sempre eleito pelo povo que o ama, claro.

Todos sabemos que Angola está entre os países mais corruptos do mundo e em última posição num índice elaborado pela ONG Save the Children, que avalia as condições sociais da população em função da riqueza dos países (Wealth and Survival Index).

Neste relatório inédito de Fevereiro deste ano, Angola, "rica em petróleo", é o país pior classificado no que diz respeito à mortalidade infantil. "A taxa de mortalidade infantil de 260 para 1000 é 162 vezes superior àquilo que seria previsível face à dimensão da economia do país". E não melhorou desde o fim da guerra!

"Tendo em conta estes dados e a enorme discrepância entre uma elite muito rica e uma vasta maioria ainda a viver na pobreza, é legítimo levantar questões sobre o destino dado ao dinheiro do petróleo, " afirmou o director da Global Witness, Simon Taylor. Esta organização que, em 1999 e 2004, publicou relatórios acusando personalidades da hierarquia do Estado angolano de corrupção e desvio de fundos, incluindo o Presidente José Eduardo dos Santos, lamenta "as oportunidades perdidas" destes últimos seis anos de paz.

Mas claro que quando fez estas afirmações devia ter estado a snifar umas linhas de coca.

A Human Rights Watch tem sido uma das organizações mais activas nas denúncias de abusos das forças de segurança em Cabinda ou dos despejos forçados das populações dos bairros desfavorecidos dos arredores de Luanda para a construção de condomínios.

Estas situações começaram por ser denunciadas por associações angolanas - a Mpalabanda, entretanto extinta, para o caso de Cabinda e a SOS Habitat para os despejos forçados e a violação dos direitos humanos na perspectiva dos direitos económicos e sociais.

A partir de Londres, a investigadora da Amnistia Internacional para Angola, Muluka-Awne Miti, reconheceu: "É importante que alguém, seja quem for, levante a questão dos direitos humanos. Estamos sempre à procura de alguém que o faça para que o Governo possa ter isso em consideração e tome medidas para melhorar a situação".

Um dos aspectos que as organizações angolanas e internacionais, que trabalham na área da transparência das contas públicas e direitos das populações mais lamentam é o "silêncio" a que se remetem governantes de Portugal e de outros países europeus, um silêncio "conivente" com situações "graves" para não comprometer os interesses económicos.

Vários activistas aplaudiram a iniciativa de Geldof, considerando-a "absolutamente legítima e louvável" e comparando o músico irlandês ao actor George Clooney enquanto figura que "usa a sua notoriedade para fazer activismo político". O "efeito de surpresa", sendo Bob Geldof alguém que fala muito sobre África mas falou pela primeira vez de forma tão específica sobre Angola, também "fez a diferença".

Mas todos sabemos que estes senhores adoram uma champanhota e que não se pode ligar ao que dizem, porque a maior parte das vezes, estão alcoolizados.

Também sabemos que não vem nada a propósito Bob Geldof aproveitar para para tecer fortes críticas aos dirigentes angolanos em Portugal, porque o nosso País não tem qualquer ligação histórica com Angola. Pois!

Também nos deve surpreender muito que o Bes se tenha demarcado das afirmações do músico, porque afinal não é a única instituição bancária que se move em Luanda, como se estivesse em Lisboa. Porque será?

Para o casamento da sua filha Tchizé, o Presidente Eduardo dos Santos não olhou a gastos e deu luz verde para três dias de festas dignas de uma princesa. Participaram nelas distintos convidados, entre os quais o então primeiro-ministro Durão Barroso e Cinha Jardim. Na altura, algumas fontes asseguraram que Tchizé fretara um avião especialmente para vir buscar os convidados portugueses, que teriam as despesas todas pagas.
Em Luanda disse-se então que a faustosa boda teria ficado em mais de um milhão de dólares. Nesta cifra não se inclui o valor da fabulosa tiara de diamantes que a noiva ostentou. Este casamento de arromba durou três dias e envolveu 600 convidados.
Mas, não contente com isso, repetiu o casamento em Lisboa, numa cerimónia em que, por ter sido convidada, sei que só em flores, foram gastos 15.000€.

Em 2001, numa visita ao Rio de Janeiro para ir às compras, Ana Paula, mulher de José Eduardo dos Santos, gastou só na conta do seu hotel, o equivalente a toda a verba anual do Programa Nacional Micro-Crédito, que ela própria dirige.
Isto, quando no seu País a população vive em condições de extrema pobreza, com menos de 2 dólares americanos por dia, a esperança de vida é de 40 anos, a taxa de alfabetização de 42% e 31% das crianças tem peso abaixo do que deveria.

Portanto, em sinal de solidariedade para com o Governo de Angola vou partir e deitar fora o disco " I don't like Mondays", embora me custe, porque também nisso concordo com Bob Geldof: não gosto de 2ªs feiras!

Se quiserem atacar-me pelo que escrevi, aviso já que ainda estou sob o efeito dos copos que bebi ontem nos Globos de Ouro.

22 September 2007

E dura, dura, dura



http://www.kiwee.com/?c=kw3sn6391

17 September 2007

E OS BONS? ONDE ESTÃO?

" A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores". PLATÃO


O 25 de Abril apanhou-me muito nova, para perceber exactamente o que se estava a passar.

E curiosamente, devo ter sido das primeiras pessoas ( públicas), a saber que tinha havido uma Revolução. ( Hoje, acho que foi mais um golpe de Estado, mas enfim...).

Ia a caminho do aeroporto, aí pelas 6 da manhã, quando à chegada à Portela, fui barrada por um soldado ( que me perdoe se era um capitão, mas não percebo nada de patentes), que encostando o cano da G3 à janela aberta do meu carro me disse: " a menina vá pra casa, que houve uma Revolução". Respondi-lhe, pouco ralada com o acontecimento: "pois, tá bem, mas eu não tenho nada com isso, e tenho que ir apanhar um avião". Aí, já com cara de poucos amigos, ele respondeu-me: " Não há aviões nenhuns, e trate de ir pra casa depressa, antes que se magoe". Resignada, resolvi seguir a ordem, não sem antes lhe perguntar " e, olhe lá, já agora, você é dos bons ou dos maus?". Espantado, ele respondeu-me: " dos bons, claro ".

Galguei os degraus de casa dos meus pais, e entrei espavorida no quarto deles gritando: " Acordem. Houve uma Revolução".

Aí, percebi que a coisa devia ser séria, porque deram ambos um salto da cama, e a minha mãe que não é de grandes demonstrações, tinha lágrimas nos olhos.

Lá fui seguindo tudo aquilo, e mais o que veio a seguir, embora não me lembre de nada de mau de antes do 25 de Abril: não tenho irmãos, ninguém da família foi para a guerra de Africa, nunca senti que não tinha liberdade para isto ou para aquilo, e só com tempo e com as explicações de minha mãe, alentejana e sendo uma Catarina Eufémia ferrenha, fui percebendo que algo tinha mudado.

Com o ambiente de esquerda que se vivia em minha casa e levada a reboque pela dita mãe, votei orgulhosamente no PC para a Assembleia Constituinte, e disso não me arrependo, e depois fui votando sempre em partidos de esquerda.

Não porque defendesse sistemas como o soviético, mas porque acredito firmemente que todas as pessoas devem ter os mesmos direitos, e que o Estado se deve encarregar de pôr à disposição de todos os mesmos recursos básicos: educação, saúde, etc. Algo assim como a canção do Sérgio Godinho " Paz, Pão, Educação".

Com o passar dos anos, tive amigos que são hoje considerados cantores de intervenção, conheci o Zé Carlos Ary dos Santos, assisti à estreia da 1ª Revista post 25 de Abril, da sua autoria, " Uma no Cravo outra na Ditadura", fui militante de um Partido Político, e estive muito perto dos corredores do Poder.

Hoje em dia, não voto, não leio jornais nem vejo tele jornais.

Não sei o nome de nenhum Ministro e tanto se me faz que esteja no Governo o PS, PSD, o PP ou qq outro grupelho político.

Tanto se me faz que a Câmara caia ou se levante. Agora então com o Sr. António Costa lá!!! Esse sei o nome. Acho mesmo que nunca o esquecerei.

Todos, todos, escória. Ladrões, tachistas, vígaros, de esquerda ou direita, se é que essa diferença ainda faz algum sentido, são todos iguais. E garanto que sei do que falo.

Para mim, simplesmente este País não tem remédio. É ingovernável. É uma anedota.

Estou farta de Casas Pias, de Apitos Dourados, de Carolinas Salgados, de Leonores Belezas e seu mefistofélico advogado que habilidosamente a livrou do processo dos Hemofílicos, de João Nabais a casar por Igreja, de reality shows cujos concorrentes se tornam estrelas nas revistas, de todos os que encheram os bolsos à custa da Expo98, dos lobbys gay, dos Hermans e sus muchachos, enfim, se pudesse fugia daqui pra fora para nunca mais voltar.

Como diz um amigo do meu pai, com imensa graça, a quem chamamos Salazarento, e que se refere a Salazar como " o meu primo António" embora nunca tenha conhecido o senhor, como ele diz " Então não era muito melhor no tempo dele? A gente não sabia da escandaleira, portanto não nos indignávamos. Agora, sabemos, e vivemos num stress enorme, porque sabemos, mas não acontece nada..."

Pois, se calhar...


Vem toda esta restemenga a propósito de uns textos que que li, o primeiro de um poeta russo, de princípios do século xx, de nome Maiakovsky, que se " suicidou" no tempo de Lenine, e que diz assim:


Na primeira noite, eles se aproximam,
colhem uma flor do nosso jardim,
e não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sózinho, em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E, porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Ele que tinha feito propaganda pela Revolução Bolchevique por toda a Europa, acabou a escrever isto!
Depois dele, outros se lhe seguiram.
Bertholt Brecht ( 1898-1956 ) foi um deles.



Primeiro levaram os negros,
mas não me importei com isso,
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários,
mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.

Depois, prenderam os miseráveis,
mas também não me importei.
Eu não era miserável.

Depois, agarraram uns desempregados,
mas como tenho meu emprego,
Eu também não me importei.

Agora, também estão a levar-me,
mas é tarde,
como não me importei com ninguém,
também ninguém se importa comigo.


Outros se seguiram, mas passados mais de cem anos, continuamos amorfos, inertes e submetidos aos caprichos e à ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário público, aniquilam as instituições, e nos deixam,apenas os ossos roídos,e o direito a um dia a dia sem ilusões e sem futuro.

Pergunto eu: Onde andam os BONS?

Nota: a 2ª parte do texto foi escrita com a ajuda do Google:)