O Sebastião, que como sabem é a minha sombra branca, ( há quem tenha uma negra...) é muito meigo. Meigo demais. É assim uma espécie de melga.
Para alguém saber onde estou em determinada parte da casa, basta procurar por ele. Eu estarei a dois passos.
Bastas vezes já aconteceu eu tropeçar nele e quase me esparramar no chão, porque tem a mania de se meter debaixo dos meus pés. E também já tem acontecido de lhe pisar a cauda, coisa a que ele não acha muita graça.
Quando há dois anos e quase meio, o meu fiel companheiro de treze anos partiu para um jardim que eu imagino infinito e cheio de flores, onde pode brincar com todos os amiguinhos que partiram antes dele, a tristeza e a saudade instalaram-se no meu coração.
Assim, foi com algumas reticências que recebi o Sebastião quando os meus filhos me fizeram a surpresa de mo oferecer.
Surpresa tanto maior porque ele é um Terrier do Tibete, cão sagrado do Dalai Lama, a raça mais cara e rara do mundo. Não existem em Portugal e só em Nova Iorque se encontram os melhores exemplares. Por isso, um bébé, com o transporte e o seguro ronda os dois mil euros.
Mas, ou não estivesse ele no coração de Wall Street, o meu filho está sempre pronto para fazer bons negócios.
Descobriu o Sebastian em Nova Iorque, mas tinha um senão: tinha 2 anos e ele sabia que eu queria um bébé. Mas, os donos preparavam-se para se mudar para uma penthouse num prédio que não admitia animais, pelo que o pobrezinho foi para um canil.
Estranhando não ver no elevador a dog-sitter do cão informou-se e soube que o mesmo já estava no canil há 3 meses.
Daí a ir buscá-lo, tratar da papelada e enviar-mo foi um àpice.
Acontece que esperto como é, mal cá chegou, embora assustado com a viagem e com o ambiente desconhecido, tratou de conquistar-me e a toda a família.O que, diga-se de passagem, conseguiu.
Não sei se é pelas mordomias que tem: dorme em cima da minha cama, exactamente em cima dos meus pés, só come ração vegetariana,os biscoitos, também vegetarianos, vêm de Nova Iorque, vai passear no jardim 4 vezes ao dia, tem brinquedos, tem direito a uma fatia de bolo e 2 lambidelas de champanhe em dias de festa, e muitos outros mimos.
Vai daí, que além de estar sempre ao pé de mim, faz palhaçadas quando quer atenção e dá-me linguados que vão do queixo à testa. Ou seja, é meigo. Dá e quer carinhos, a toda a hora.
Ora, li hoje no blog do vizinho Pedro que um casal que estava em processo de adopção, devolveu a criança, porque ela era muito meiga. Segundo parece, dava e pedia muitos carinhos. O que é, evidentemente, anormal numa criança, mais ainda adoptada!!!
Sendo que o Sebastião é um cão, o meu dilema é:
Devolvo-o ou atiro-o pela conduta do lixo?


