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11 July 2008

(3) POST POLITICAMENTE INCORRECTO



Isto de fazer um post que a vizinhança gosta é complicado, porque depois pensam que pode ser todos os dias e não pode.
Até para não ficarem mal habituados.
Assim sendo aproveito já para fazer este que me anda entalado há uma semana, e aqui estou eu prontinha para apanhar.
É que tenho que confessar que às vezes estou do lado dos maus.
Ah, pois é.
Tenho uma tendência doentia para gostar de vígaros charmosos, inteligentes e com bom gosto. Ou pelo menos inteligentes e com classe.
Por exemplo, acho fantástica a burla do Alves dos Reis.
O homem quis-se fazer passar por engenheiro, mas não se ficou por uma universidadezita moderna. Nah, quis uma com tradição: Oxford.
Com um cheque sem cobertura, comprou a maioria das acções da companhia dos Caminhos de Ferro Transafricanos de Angola em Moçâmedes.
Tornou-se rico e ganhou prestígio. Quando estava em Paris hospedava-se no Hotel Claridge e o seu carro era um espectacular Hispano-Suiza.
O assalto ao comboio-correio em Inglaterra em 1963: foi roubada a incrível quantia de 2,3 milhões de libras, em Buckinghamshire e o dinheiro nunca apareceu. Torci sempre para que Mr. Biggs não fosse extraditado para Inglaterra.
E o Thomas Crown Affair? Primeiro com o Steve Mac Queen e a Faye Dunway com o jogo de xadrez mais sensual que vi em cinema ( aqueles olhos azuis dele ), e depois com o Pierce Brosnan, ( entre os dois venha o diabo e escolha).
Que venha de lá a mais pintada dizer-me que não torceu por eles.
E no Body Heat. Queriam que ele fosse preso? Queriam? Pois é, não queriam.
Então, lá vai bomba.
Não sou do Benfica.
Não gosto do Dr. Vale e Azevedo como pessoa nem me seduz enquanto homem.
Sou amiga desde a infância de Pedro Dantas da Cunha.
Isto dito não restarão dúvidas a ninguém que não há qualquer hipótese de tendenciosismo no que a seguir vou escrever.
Julgo não estar enganada se afirmar que meio Portugal assistiu à entrevista dada pelo Dr. Vale e Azevedo à Sic e eu fiz parte desse grupo.
E sabem que mais?
Na minha opinião o homem está carregado de razão.
Senão vejamos, analisando friamente os factos:
Está a ser julgado há 7 anos. Cumpriu 4 de prisão efectiva e foi um recluso exemplar. Saíu de Portugal à vista de todos, não foi enfiado na mala de um carro.
Quando ele pergunta: Mas só há EU para julgar, eu pergunto com ele: então e a Casa Pia que se arrasta há anos e que, mais coisa menos coisa, deve dar em nada.
E o Apito Dourado? E o Sr. Pinto da Costa? Querem que recue? Então e o Saleiro? Querem mais? O Torres Couto e a absolvição que nunca engoli. O Albarran? A Fátima Felgueiras? O Melancia?
E pior. Estes só cometeram crimes contra o património.
No caso da pequena Maddie, o caso está à beira do arquivamento.
Então, porquê só o Vale e Azevedo? Porque , embora de charmoso não tenha nada, ( pelo menos para mim ), mora em Belgravia e conduz um Bentley? Só prova que tem bom gosto. Podia comprar um Rolls e perdia metade da classe.
E pergunto mais, porque quem me lê há mais tempo, sabe que sou muito perguntadeira:
Ficaram todos muito ofendidos e foi frase de 1ª página nos jornais o facto de ele ter dito:
-Pelo meu pé não vou. Se quiserem, venham-me buscar.
Então e vocês? Vinham?

Nota:Parem a música do blog, para verem o vídeo. Vale a pena.

17 April 2008

DE LUTO POR GISBERTA

Este blog hoje não tem música.

Este País devia estar negro de vergonha.







Caso Gisberta: arguido condenado a oito meses de prisão efectiva por omissão de auxílio Público on-line 14.04.2008 - 16h12 Ana Cristina Pereira, com Lusa

"Foi condenado a oito meses de prisão efectiva. Se quiser, pode cumpri-los em casa. O juiz-presidente lamentou que o jovem Vítor S., agora com 18 anos, tivesse assistido impávido ao "definhar de um ser humano" motivado por uma "agressão selvática e desumana". A sua culpa é, no entender do magistrado, "intensa" e "merecedora de censura ética elevadíssima".
O Tribunal de São João Novo, Porto, condenou ontem, um dos jovens envolvidos na morte de Gisberta – transexual, imigrante, sem-abrigo, seropositiva, toxicodependente, em Fevereiro de 2006 agredida com paus, pedras, pontapés por um grupo de rapazes e atirada a um poço.
O Ministério Público não pedira tanto.
A procuradora Maria José Fernandes queria que o jovem fosse condenado a acompanhar o trabalho de uma instituição de apoio aos sem-abrigo, todas as sexta-feiras, durante meio ano, em alternativa ao cumprimento de meio ano de prisão.
Contudo, à pena aplicada - o máximo permitido para aquele crime praticado por jovens - são descontados dois meses e cinco dias de prisão preventiva que Vítor S. já cumpriu.
O tribunal "não acreditou nos menores", mas o certo é que, "face à míngua de prova" "não foi possível apurar a actuação concreta do Vítor" no que toca a eventuais agressões a Gisberta, lamentou. Já quanto à omissão de auxílio, a "atitude covarde" ficou provada, segundo o magistrado.
Embora, como advogada saiba que sem prova não é possível haver condenação, e também saiba que os juízes só podem aplicar a lei, embora ridícula a pena para este crime não é aquela que é invocada, porque o crime também não deveria ser este.
O monstro agora julgado autonomamente, incorreu nos crimes de ofensa à integridade física qualificada e de um crime de omissão de auxílio, penalizado com prisão até dois anos ou multa.

No entanto, o jovem - diz o Ministério Público (MP) - não estava no local do crime quando o corpo do transsexual foi atirado ao fosso, o que o iliba de responder por ofensa à integridade física, agravada pelo resultado, e ocultação de cadáver.
Mas ficou provado que enquanto decorriam as agressões, o jovem que agora foi julgado "gritava para baixarem as calças ao ofendido porque queria ver se era homem ou mulher".

No fundo, a acusação, no caso o MP, porque Gisberta, morta, não teve advogado de acusação mas só o MP, não se esforçou muito para encontrar as provas necessárias para condenar exemplarmente este assassino.
Porque é isso que ele e o seu bando são. Nem mais, nem menos.
As notícias passaram em nota de rodapé e não mais que 2 minutos nos noticiários. Gisberta não pertencia ao jet-set.
Eu sei que a Justiça é cega, mas não precisava de ser tão cega.

PARA GISBERTA

Eu tenho uma espécie de dever, de dever de sonhar
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que
um espectador de mim mesmo,
Eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas,
invento palco,
cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas
e músicas invisíveis
Fernando Pessoa

29 January 2008

TELEFONEMA DA MINHA MÃE

08.30!!

TRIM...TRIM...TRIM...

Entre uma torrada e um chá atendo o telefone:

Então, está a ouvir o programa?

........

Estão a falar da Justiça, quer dizer das poucas vergonhas

..........

Está a ouvir?

Claro que estou, mãe.

Está? E o que me diz a isto?

Ó mãe, estou a ouvi-la a si.

Logo vi. Não é a mim. É à Antena 1.

Estão a falar da pouca vergonha do Caso UGT, da Casa Pia, enfim, destas poucas vergonhas todas.
........

Vá, despache-se, vá ouvir.

CLIC

...........


FUI.




14 December 2007

A ESMERALDA, AFINAL, NÃO É UMA PEDRA PRECIOSA!

Tinha pensado não pôr nenhuma fotografia neste post, mas vinda do Brasil, mão amiga fez-me chegar esta doçura.
Para adoçar um pouco a tristeza do meu coração.
Pela Esmeralda.
Sei que prometi só escrever posts bem dispostos até ao fim do ano, mas infelizmente tenho que abrir uma excepção.
A indignação, a que todos temos direito, como disse uma vez o então Presidente da República, Dr. Mário Soares, não me permite ficar calada.
Se em alguns pontos uso os meus conhecimentos jurídicos devido à minha profissão, não escrevo estas linhas na qualidade de advogada: escrevo-as como cidadã deste País e como Mãe, usando do direito à liberdade de expressão que a C.R.P. me concede, portanto sem qualquer desrespeito pelos Srs. Doutores Juízes.
Imagino que já todos tenham ouvido falar do caso Esmeralda, uma criança que foi dada ( sem os intermediários do Estado ) para adopção, a um casal, quando tinha meses de idade.
Eles criaram-na com todo o amor e na iminência de terem que a entregar ao pai biológico que nunca quis saber da sua existência, o pai adoptivo, num acto de desespero e defesa da criança, escondeu-a com a mãe adoptiva, e por isso, foi preso, julgado e condenado pelo crime de sequestro!
Ora, é suposto, como dizia o grande Ary, que quem faz uma criança, fá-lo por gosto.
Pois, é suposto, mas nem sempre é o caso!
E daí, que quando uma criança é gerada sem ser planeada, há quem resolva levar a gravidez adiante e acolher o novo bebé com todo o amor, há quem decida abortar, e ainda quem decida dá-la para adopção, deitá-la na sanita, pô-la no caixote do lixo ou...matá-la.
Há uma situação em que nunca se pode pôr em dúvida que a criança vai ter pais POR AMOR: no caso da adopção.
Portanto comecemos do começo:
A mãe entregou a menina (filha de pai incógnito, apesar das inúmeras vezes que a mãe lhe disse que era dele!!!) com uma declaração de plena adopção. Onde está o crime???? Quem a obrigava a entregar a filha a uma instituição (sujeita a esperas e sem família, com falta de amor e atenção) se a podia entregar a um casal que a trataria com amor e dedicação???
Eu teria feito o mesmo que ela (sou mãe e sei do que falo). Era preferível tê-la abandonado num caixote do lixo ou coisa parecida e deixá-la à sua triste sorte???
Quer dizer, o pai biológico, só por ter dado uma curva com a mãe biológica da criança, poderia ter aos 9 meses alguma legitimidade para querer assumir o poder paternal, mas do meu ponto de vista, podia ter pedido direito de visita, mas a guarda já não.
Tinham passado 9 meses, o que na vida daquela bebé era 2/3 do tempo de vida dela. E não tem nada a ver com o facto de o homem ser pobre. Fosse ele rico e o outro pobre a minha posição era ainda mais severa, porque se tinha condições de ter ajudado a desgraçada da brasileira logo de início, devia tê-lo feito.
A presente situação é esta: engravida-se uma tipa qualquer, recusa-se ajudá-la quando ela pede e depois aparece-se não sei quantos anos depois a reclamar os seus direitos.
Acho desde o início que dão muita importância ao espermatozóide que em má hora foi fecundar aquele óvulo, tal como avaliam com muita leviandade o papel de um pai. O pai biológico até podia não querer saber da brasileira para nada, mas o facto de ter ignorado a gravidez dela, podia por si só ter obrigado a senhora a abortar por falta de meios para criar o bebé.
Já que tanto se tem discutido o aborto nos últimos tempos, não acham que a senhora teria toda a legitimidade para abortar na situação em que se encontrava, grávida de uma relação ocasional, de um fulano que não a parecia levar minimamente a sério? Se ela tivesse nessa altura abortado, não havia Esmeralda nem Safira nem Rubi, nem criança nenhuma, e o senhor pai biológico tinha que arranjar outro meio de ganhar dinheiro.
E os direitos paternais dele teriam ficado resolvidos de uma vez por todas, sem que ele sequer tivesse sentido uma beliscadura.
Mas a brasileira teve a bebé e até tentou criá-la sózinha uns tempos.
Concluiu que não dava conta do recado e entregou-a a alguém que tomou conta dela, que a acarinhou e criou durante 9 meses.
De forma ilegal, é verdade, mas fê-lo com o maior zelo que lhes foi possível. Em termos práticos, a criança existe para disputar, porque três pessoas se sacrificaram e lutaram por ela: os pais adoptivos e a mãe biológica!
O senhor Nunes só aos 9 meses é que soube que havia uma menina que passeava os seus genes , mas aos 9 meses a criança já era filha de outros.
Ponto final.
Faça outra.
Não percebo como é que alguém considera devolver a criança ao homem, só porque ele contribuiu com um espermatozóide. Se é isso que para os Tribunais é ser Pai, Deus me livre de homens assim todos os dias da minha vida.
Têm uma noção muito ligeira do trabalho que dá pôr uma criança no mundo e criá-la, seja até aos 9 meses ou até aos cinco anos.
Só quem nunca criou um bebé (não é pari-lo, é criá-lo mesmo) é que não pode apreciar o nível de sacrifício que isso implica, as noites mal dormidas, os dias no emprego a bater com a cabeça nas paredes porque se está dias e dias em privação de sono, o que é abdicar de ir aqui e ali, de ter isto e aquilo por causa de uma criança.
São os muitos sacrifícios que se fazem pelos filhos que consolidam o amor que se lhes tem, e por isso, acho interessante o Sr. pai biológico aparecer a pedir uma indemnização depois do casal lhe ter criado a filha durante quase 5 anos. Se fosse um pai responsável, perguntaria ao senhor quanto lhes devia ele, em horas, em fraldas, em médico, em roupa ao fim daqueles anos todos.
Nem sei se não será boa ideia…entrego os meus filhos agora, que dão um trabalho do caraças a criar, e depois aos cinco ou seis anos, quando em princípio já não dão grande trabalho, vou buscá-los e peço uns euritos para mim, por conta dos transtornos que tive.
Pode ser que dê certo.
Que pai é o Sr. Baltazar que só reconheceu a filha porque foi obrigado a fazer os testes de ADN, impostos pelo tribunal ?
Germinar não basta.
E agora que a criança vai ser dada ao Baltasar como decidiu a Justiça que parece estar moralmente cega, com que bases se vai ela adaptar a um homem que só a considera filha pelo ADN? Porque não me venham dizer que por ela tem um amor de pai…
Antes de me pronunciar sobre este assunto, tive o cuidado de ler o Acórdão que entrega Esmeralda ao pai biológico e ainda mais consternada fiquei.
Resulta para mim que de facto a decisão nele contida, padece de uma errada consubstanciação dos factos no direito.
Quanto à prisão e condenação do pai adoptivo:
Desde logo o Tribunal não entendeu serem aplicáveis quaisquer circunstâncias que diminuíssem por forma acentuada a ilicitude do facto (denominada atenuação especial da pena), quando no meu entendimento, e após ter lido e relido os factos dados como provados, haveria aqui lugar à aplicação da mesma porque a conduta do arguido foi determinada por motivo honroso, como seja no caso sub judice o de considerar que estava a velar pelo interessa da menor ao fazer com que a mesma permanecesse consigo e com a sua esposa, circunstancialismo esse que, aliás, é integralmente corroborado pelos relatórios da Segurança Social de Santarém datado de início de 2004 (que referiu que a menor estava bem integrada na família do arguido tendo estabelecido laços de afectividade e vinculação) e do Prof. Dr. Oliveira Pereira (que referiu que a menor Esmeralda se identifica social, cultural, afectiva e psicologicamente com a família do arguido ); adianta ainda aquele relatório (que sublinhe-se por relevante, foi elaborado por um especialista que dispõe de conhecimentos técnicos e científicos acerca da matéria em causa, pelo que o seu juízo se encontra subtraído à livre apreciação do julgador) que a ruptura com os padrões da referência da identidade actual poderá colocar em perigo a integridade psicológica identitária da criança.
Ora, daqui resulta que ainda que, in casu, tivesse lugar a aplicação do crime de sequestro agravado, a pena teria de ser especialmente atenuada pelo facto da conduta do arguido ter sido cometida no pressuposto de que com a prática da mesma estava a velar pelo interesse da menor, atenuação especial essa (art. 72 n.º 2b do Cód. Penal) que teria os efeitos preconizados no art.º 73.º daquele Código, isto é, acarretaria que o limite máximo da pena de prisão fosse reduzido de um terço (art.º 73 nº 1a) do Cód. Penal), e o limite mínimo fosse reduzido a um quinto (al. b) daquele preceito, donde resultaria que no caso concreto a moldura penal do crime de sequestro agravado passasse a ter como limite mínimo 4 meses de prisão e como limite máximo 6 anos e 7 meses, pelo que, como facilmente se percepcionará, in casu, a ter tido lugar este entendimento, ao arguido nunca seria aplicada a pena de prisão de 6 anos mas com certeza, e sem estar aqui a fazer o papel de justiceira, uma pena substancialmente menor.
Por outro lado, do meu humilde ponto de vista, no caso concreto, os factos praticados pelo arguido não são consubstanciadores da prática de um crime de sequestro (onde o bem jurídico protegido é a liberdade de locomoção, a liberdade física ou corpórea de mudar de lugar, de se deslocar de um sítio para o outro).
É que uma vez que aquele Tribunal sufragou a tese de que as crianças podem ser vítimas de sequestro, sendo que para tal a sua vontade não tem de ser actual mas pode ser potencial ou presumida, não se vislumbra como pôde ter aqui aplicabilidade tal tipo legal de crime na medida em que, dos factos carreados para os autos, resulta a dúvida se a vontade actual, potencial ou presumida da criança aponta no sentido de que a mesma se oporia ao acto de impedimento da sua deslocação por acção de terceiro, e isto porque conforme resultou provado à saciedade, a dita criança não tem qualquer vínculo afectivo ou pessoal com o seu progenitor, bem pelo contrário, a criança identifica claramente o arguido como sendo o seu verdadeiro pai biológico!!
Assim sendo, dificilmente se percepciona como pôde o arguido ser condenado pela prática de um crime de sequestro agravado!
Pretende-se que a Justiça seja cega, imparcial e impoluta.
Mas também JUSTA.
Por outro lado, só pode ser uma piada de imenso mau gosto a indignação das pessoas que estão á espera para lhes ser dada uma criança para adoptarem. Parecem aquelas pessoas que estão nas filas para pagar e reagem violentamente quando alguém lhes passa á frente, para depois se encolherem um bocado quando se apercebem que a pessoa afinal tinha só que entregar um papel para terminar um processo ou se vira de frente, e concluem que está grávida e tem prioridade como está escrito nas caixas.
Se a Sr. Aidida Porto tivesse entregue a criança à Segurança Social, provavelmente o que tinha acontecido era a bebé ir parar a uma instituição ou família de acolhimento até alguém muito douto decidir quem era a melhor pessoa para tomar conta dela.
Se calhar, tinham seguido o caminho normal e intimado o Sr. Não sei quê Nunes a fazer o dito teste de paternidade que lhe acordou os instintos adormecidos, e ele, se lhe tivesse dado jeito, tinha-a assumido logo e não estávamos a discutir isto aqui.
Mas entretanto, a desgraçada estava meses sem uma figura de referência, numa instituição onde não são nem mal tratadas, nem bem, e os primeiros meses de vida dela eram passados de Herodes para Pilatos sem se ter os direitos dela em consideração.
Os bebés, embora não pareça, têm direitos, sabem?
Isso satisfazia os senhores pais na fila á espera de adoptar? Satisfá - los pensar que a criança que lhes irá parar eventualmente às mãos terá que passar por esse processo todo? Satisfá - los pensar que se a deles vai ter que estar meses á espera da definição do processo, então todas têm que passar por isso?
Não seria mais razoável e menos egoísta lutar verdadeiramente para que as crianças desamparadas tenham um colo o mais rapidamente possível, quer sejam as mães a dá-las, ou a Segurança Social (com luvas ou sem elas) a entregá-las?
Mas não, aparecem todos indignados porque o Sr. Luís e a D. Adelina lhes passaram à frente, completamente insensíveis ao facto de, na perspectiva da criança, estes serem os únicos pais que conheceu, que a estimaram, que a cuidaram, e que separá-la deles é uma violência desumana.
O mal, não está no facto de o casal ter acolhido a menina aos três meses só com a declaração da mãe.
O mal é que a lei sobre a adopção não está feita a pensar nas crianças, nem existe mecanismo nenhum que funcione para as proteger de facto.
Eu também sou mãe e, ( Deus me guarde de me ver em tal situação) faria o MESMO que a senhora brasileira fez.
Entregar a uma família que CUIDASSE do meu filho. Antes uma FAMILIA, que uma Casa Pia!.
Em pouco tempo resolveu e encontrou uma solução para uma filha que não podia criar.
Para terminar deixo só uma pergunta, para reflexão: quem é o pai?
O que cuidou, acarinhou, adormeceu e se responsabilizou, ou o que involuntariamente cedeu esperma a um óvulo?
Ponha-se o assunto assim: O que é que mais importa, o bem estar desta criança que tem PAIS, os tais que a amam e cuidam, ou os caprichos do Estado, dos tribunais e do esperma fertilizante?
Especialmente quando digo que não é o facto de se ser dador de óvulos ou espermatozóides que legitima alguém como progenitor. O que se passa normalmente é que com mais ou menos condições, os pais biológicos criam os filhos. Têm nesse caso uma dupla legitimidade em reclamar o poder paternal. Ninguém nega isso.
Mas, pais biológicos que abdicam do dever de criar, não podem vir mais tarde arrogar direitos que só continuam a ter porque alguém tomou a seu cargo os deveres que eram deles. Uma criança só se dá uma vez, e o não se reconhecer em tempo útil é uma decisão por omissão. Não foi por o pai coitadinho não saber que ela era dele que a bebé deixou de ter necessidades que outros se encarregaram de satisfazer. Ao pai biológico ela deve uma milionésima parte da existência dela. Os direitos dele devem ser equivalentes a isso.
Haja vergonha e sobretudo bom senso.
No meio de tudo isto a vítima continua a ser a menina, que não tem que pagar pelos ERROS do Estado, nem pelas ilegalidades cometidas pelos adultos (pais adoptivos/biológicos).
A menina deve ser protegida. Para mim é simplesmente monstruoso que haja um órgão de soberania, que friamente ordene a retirada da criança aos únicos pais que ela conheceu, e que o faça no dia 26 de Dezembro.
Já agora porque não no dia 25?
Para comemorar o nascimento de Jesus, oferece-se de mão beijada uma filha a um qualquer dador de espermatozóides ( presente de Natal ), e um saquinho com dinheiro ( como fazia o Pai Natal ).
A frase melhor que li até agora sobre os Juízes que assim decidiram foi:
” será mulher?, será gente?, gente não é certamente pois gente não decide assim “


1. Só por curiosidade, aqui fica um excerto de uma entrevista dada por Gomes Canotilho ( considerado um dos nossos maiores constitucionalistas ), ao “Jornal de Leiria”:
“Tem seguido o caso Esmeralda? A lei foi aplicada sem ter em conta o factor humano? ”
“Aplicar a lei não é só o que vem nos livros ou o que vem na “lei”. A CRP é clara sobre estes problemas: há que defender o interesse das crianças. No caso Esmeralda, houve “pecados” na constituição da relação adoptiva, mas também os houve do pai biológico que, até aos testes de ADN, nunca se interessou por aquela filha. Quase tínhamos aqui uma solução salomónica ou do juiz do Círculo de Giz Caucasiano, de Brecht, de cortar a criança ao meio. Parte do problema resulta também da lentidão do processo. A criança foi adoptada aos 3 meses. Como é que chegamos aos 5 anos sem ter estas questões definidas? Para aplicar bem o Direito, penso que, havendo “pecados” dos pais que receberam e trataram bem a criança, estes não são “mortais”. Esmeralda está melhor protegida, em termos afectivos, anímicos, sociais e familiares, com eles. Em relação à questão do sequestro, acredito que o senso-comum vê as diferenças entre esse crime e a situação que aqui temos, sem querer engrossar o coro de vozes que querem crucificar os juízes e os magistrados do Ministério Público”.

19 September 2007

Inconstitucionalidade da Prisão Preventiva e a revisão do CPP

Há uns bons anos, um colega meu conseguiu a condenação de um assassino num processo muito mediático. Passados uns tempos, o dito fugiu do estabelecimento prisional onde cumpria pena, e, naturalmente, a sua fuga foi noticiada em tudo o que eram televisões e jornais.
Liguei logo para esse colega, e disse-lhe:-Olhe lá, depois do trabalho que lhe deu conseguir que ele fosse condenado, o quê que sente, agora que ele se pirou?
- Nada. Fez ele muito bem.A minha obrigação como advogado era conseguir que ele fosse condenado. A obrigação dele era fugir.Ninguém gosta de estar preso.
Pois!!!
Quando desliguei não sabia se ria ou se achava que o tipo é maluco. Quer dizer, eu sei que ele é maluco, mas mesmo assim...
O facto é que se as pessoas gostassem de estar presas, não se lhes dava como castigo pelos crimes que cometem, penas privativas de liberdade, portanto...
Portanto pus-me a pensar, e desde então que afirmo que a prisão preventiva, fora de flagrante delito ou sem haver confissão, é inconstitucional.
Ora vejamos:
Diz a Constituição:
2. Ninguém pode ser total ou parcialmente privado da liberdade, a não ser em consequência de sentença judicial condenatória pela prática de acto punido por lei com pena de prisão ou de aplicação judicial de medida de segurança.

3. Exceptua-se deste princípio a privação da liberdade, pelo tempo e nas condições que a lei determinar, nos casos seguintes:

a) Detenção em flagrante delito;

b) Detenção ou prisão preventiva por fortes indícios de prática de crime doloso a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos;

4. Todos têm direito a que uma causa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo razoável e mediante processo equitativo.

5. Para defesa dos direitos, liberdades e garantias pessoais, a lei assegura aos cidadãos procedimentos judiciais caracterizados pela celeridade e prioridade, de modo a obter tutela efectiva e em tempo útil contra ameaças ou violações desses direitos.

2. A prisão preventiva tem natureza excepcional, não sendo decretada nem mantida sempre que possa ser aplicada caução ou outra medida mais favorável prevista na lei.

Muito bem, isto é o que a lei diz. Mas não é o que acontece.
1º A prisão preventiva não tinha até agora natureza excepcional.Bem pelo contrário.
2º Celeridade é coisa que não há desde que um processo começa até que termina definitivamente, após sentença transitada em julgado.
3º Quem afere do que é "um prazo razoável"? O preso ou quem o mantém preso?

2. Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias de defesa.

Há anos que este assunto me persegue e é inclusivé tema de uma tese de Mestrado.
Não quero maçar quem me lê com termos incompreensíveis, mas afirmo que:
- quase todos os arguidos sujeitos a prisão preventiva não gozam da presunção de inocência.
- embora haja prazos limite para a duração da prisão preventiva, são quase sempre esgotados, o que deita a tal ideia de celeridade por terra.
- até agora a regra era a prisão preventiva, e a caução a excepção, além do que, para haver caução é preciso haver dinheiro. Quase nunca há. Ou melhor, há para os privilegiados, logo o direito constitucional da igualdade dos cidadãos independente da sua situação económica, vai prás cucuias ( é um local muito distanteeeeeeee, em brasileiro :)).

Portanto, quando agora se ouve e lê nos orgãos de comunicação social que muitas centenas de presos preventivos, alegadamente culpados de crimes horrendos foram postos em liberdade, acreditem que a culpa não é deles. Nem da lei. Nem de quem a aplica.É culpa do sistema, e não sejamos ingénuos,o sistema tem cara: é o Governo que temos e os que já tivemos. Os juízes trabalham desalmadamente mas não dão vazão aos processos que se amontoam nas suas secretárias. Os funcionários que trabalham nos Tribunais até há uns anos nem computador tinham, e ainda hoje os processos são cosidos,à mão, com umas agulhas monstras e uma linha que dá para enforcar uma pessoa. Tudo isto é jurássico.
Portanto não me venham falar na Revisão do CPP. Nem das suas consequências.
Há é que ir à raiz do mal (não, não é o filme do Richard Gere...): há poucos juízes, poucos Tribunais e as cadeias estão cheias e as condições da população prisional são uma vergonha.
E a solução é tão fácil que parece o o ovo de Colombo : admitam mais juízes, não façam do CEJ um reduto de elite, façam cursos para os milhares de advogados desempregados para permitirem que possam passar para a Magistratura se assim o desejarem. Mas não deixem de fora os que têm mais de 35 anos ( olhem a igualdade...)ou não se licenciaram na Católica ( olhem a igualdade...)ou não têm cunhas ( olhem a igualdade...).
Mas sobretudo não queimem em praça pública o legislador que fez a revisão do CPP.
É mais do que justo que uma pessoa não tenha que passar 2 ou 3 anos em prisão preventiva. Ou é culpada ou não é!
Dá-me isto uma raiva!
Às vezes, para falar é preciso saber.

10 September 2007

AI QUE RAIVA!



Tenho-me contido, com algum esforço, é certo, e desde que há 129 dias Maddie desapareceu, não fiz um único comentário àcerca do assunto, com excepção para um pequeno escrito que deixei num Blog de que gosto, chamado Fundamentalidades.
Mas hoje decidi que não aguento mais. Sei que não vou adiantar muito, mas pelo menos desabafo, e parece que é essa também uma das funções dos Blogs. Um estudo levado a cabo pela Universidade de Harvard, diz que as pessoas que têm blogs recorrem menos aos psiquiatras...
Portanto, antes que tenha que recorrer a algum por causa deste assunto,aqui fica o meu desabafo. Acho que como mãe, mulher e advogada tenho legitimidade para o fazer. Começo com um murro em cima da mesa: Ai que raiva! É verdade. Já fui assaltada por vários sentimentos desde que este drama aconteceu, mas agora o que estou mesmo é cheia de raiva. Raiva contra as nossas estações de televisão, contra os nossos jornalistas,contra a nossa polícia,contra os anónimos que emitem opiniões só para terem os seus 5 minutos de glória.
Ai que raiva!
Desde que a menina desapareceu que ouvi e li os mais absurdos comentários, como:
- Ah, quando foi do João Pedro, ninguém ligou nenhuma!
- Pois, se não fossem ingleses e a criancinha linda, loira e de olhos azuis, ninguém se importava!
- Desaparecem todos os dias, em todo o Mundo milhares de crianças, e nada disto acontece.
- E agora os pais têm um fundo com montes de dinheiro, podem viver à grande.
- Houve mesmo um jornal que, quando os pais de Maddie mudaram de casa, fizeram um título de capa que dizia "McCann's mudam para moradia de 1 milhão de Euros!"
Bom, muitos mais exemplos podia dar, mas iria transformar este Post num livro, portanto, e só para esclarecer:
1º a moradia está avaliada num milhão de euros, mas eles pagavam 800€ por semana, o que é perfeitamente normal, para uma vivenda no Algarve.Decerto ninguém acha que uns pais podem continuar a morar num apartamento de onde desapareceu uma filha, além do que, vindo parentes do Reino Unido, é óbvio que aquele apartamento seria muito pequeno e estava muito mais exposto do que a casa para onde mudaram.
2º É verdade que o caso de João Pedro não teve a atenção deste, lamentavelmente devo dizer, mas porque o tratamento dado a esse caso não foi o mais correcto, Maddie teria que pagar por isso, e ignorar-se o seu desaparecimento?
3ª E tem ela culpa de ser loira, linda, de ter olhos azuis, de ser inglesa e dos pais serem médicos? Ao contrário da maldade que os comentários encerram, o que devemos perceber é que ninguém está protegido do mal, independente de côr, raça ou riqueza pessoal.
Mas quando as coisas já estavam más, pioraram muito, quando os pais foram constituídos arguidos, na passada 6ª feira.
Aí sim, é que a minha raiva subiu de tom.
Começou com um programa na TVI, da parte da manhã, com uma jornalista que não sei de onde saiu, um senhor chefe de polícia e um reguila, tipo "faca na liga", que fosse qual fosse o comentário que fizessem, riam muito. Rir? Num caso destes? De quê? Talvez das asnices que proferiram. Uma que é muito importante, é que para eles, alguém ser constituído arguido é sinónimo de ser culpado de um crime. Nada mais errado.Vou poupar quem me ler de explicar o que é um arguido, e como ou porquê é constituído, mas asseguro que ser arguido não significa que se cometeu um crime.
E a minha raiva subiu ainda mais de tom durante o fim-de-semana, à medida que ia assistindo aos vários debates que os canais de televisão fizeram. A certa altura decidi só ver os da SIC, com o jornalista que estivesse de serviço, Moita Flores, um advogado,um psicólogo e uma pedopsiquiatra cujos nomes não retive. De todos, só o advogado e a médica comentaram com rigor e cautela tão melindroso assunto.
De qualquer modo, as conclusões que tirei de todas as perguntas, respostas e insinuações que ouvi são as seguintes:
1º Se os pais de Maddie deixaram de ser testemunhas e passaram a arguidos, é porque estão envolvidos na morte da filha.
2º É verdade: embora não haja cadáver, a pequena Maddie deixou de estar desaparecida, para estar morta. Desgraçadamente, até pode ser verdade, mas ninguém sabe, ou melhor, só saberá, quem a matou, e ninguém sabe quem foi.
3º A mãe é culpada, porque ninguém a viu chorar, ao longo de todos estes meses!!!
4º A mãe é culpada, porque na sexta-feira quando foi prestar declarações já não levava o peluche da filha, que sempre a acompanhou. ( Por acaso até é falso. O peluche ia no bolso da mochila). Bizarro, não?
5º A mãe é culpada porque hoje quando voltaram para casa, o casal não ia de mão dada como costumavam andar sempre. E esta?
6º A mãe é culpada porque sempre disse que não voltariam para casa sem que o caso estivesse resolvido, e à primeira dificuldade, fugiram. Como???
7º A mãe é culpada, porque quando deu pela falta de Maddie, foi a correr ter com o marido e disse" Levaram-na. Levaram a Maddie".É, há alturas em que é preciso ter cuidado com as palavras. Sobretudo quando se dá pelo desaparecimento de um filho.
8º Os crimes de que os pais são acusados são homicídio negligente e ocultação de cadáver! Bom, então o caso está resolvido:
Já se sabe quem matou, como matou, só não se sabe onde escondeu o cadáver. Brilhante.
9º Como pode a Polícia Portuguesa deixá-los fugir? Pois, e foi mesmo nas barbas da dita.
Ai que raiva!
Convém que antes de prosseguir, faça aqui uns reparos:
Humildemente confesso que não sei que crime foi cometido: sequestro, homicídio, homicídio negligente, se houve ocultação de cadáver. Mais, não sei nem se há cadáver. Deus permita que não haja.
Confesso também que ninguém me pagou para defender os pais de Maddie, mas preocupa-me saber que qualquer um de nós podia estar no lugar deles e podia ser inocente,já que não sabemos se são culpados, nem de quê, e tenho pavor de bodes expiatórios.
Confesso ainda que já vi muitas mulheres chorarem aos prantos, homens também, e no entanto serem culpados dos crimes mais hediondos.
Que me perdoem os muitos fortes, mas confesso que quando algo de muito mau me acontece, tudo o que quero é fechar-me em casa junto dos meus.
Confesso também que tenho uma enorme admiração por este casal, seja lá o que for que aconteceu, que com uma determinação inquebrantável, usou o mais poderoso meio para tentar encontrar a filha: os media. Se estes conseguem impedir um homem de chegar a Presidente dos Estados Unidos, é ou não o meio mais poderoso de que nos podemos servir?
E por último, que me perdoem porque não há comparação, mas há 6 meses perdi o meu cão( sucumbiu a uma deficiência renal)que me acompanhou nos últimos 13 anos da minha vida e a única forma que encontrei para minorar o meu sofrimento e a sua falta, foi andar com a sua almofadinha comigo, para todo o lado onde vou.

Isto dito, quero acrescentar mais duas ou três coisas:
- Vamos ser realistas:o casal McCann é composto por dois médicos anónimos que vivem numa pequena localidade inglesa.Não são especialistas de renome, conhecidos em todo o Mundo, ricos e poderosos. Vivem numa cidadezinha inglesa de que ninguém antes tinha ouvido falar e não em Manhatten. Não são nem conhecidos, nem ricos nem poderosos, repito. Se conseguiram montar toda esta máquina para tentar encontrar a filha foram, isso sim, inteligentes e determinados. ( Partindo do princípio que nada têm a ver com o desaparecimento. Mas, a isso já lá irei).
- Eles não fugiram, nem foi à 1ª contrariedade.
Sairam da casa onde estavam, apanharam um avião cujo interior estava cheio de jornalistas, foram seguidos por carros e helicópteros até ao aeroporto, e à saída de casa foi a própria polícia que lhes abriu caminho para o seu carro passar. Se isto é fugir...
- 1ª contrariedade? Penso que essa foi quando a filha desapareceu, e foi decerto mais que uma contrariedade. Muito aguentaram eles: 4 meses. Eu ( Deus me guarde de tal provação), não teria aguentado nem metade: teria voltado para o conforto da minha casa, para o carinho da minha família, para a segurança do meu País pedindo ajuda a uma das melhores polícias do Mundo: a inglesa. Mas eles ficaram. Ficaram até ao dia em que algo mudou. Para nós só passou que passaram de testemunhas a arguidos, mas não sabemos porquê. Eles sabem. E sabem, que de vítimas passaram a facínoras. Mas sobretudo sabem que esta viragem não aproveita ao aparecimento da filha, portanto, cumprindo com os seus deveres de arguidos, prestaram TIR, informando a polícia portuguesa da sua morada em Inglaterra, já que não partiram para parte incerta, e usando o seu direito de partir, voltaram a casa.
E será que todas as mentes brilhantes que enchem os debates, os especiais, e mais não sei quê nas televisões, já pensaram como deve ser terrivelmente difícil voltar a casa com 2 filhos, quando se partiu para férias com 3?

Já há tantas perguntas sem resposta neste caso, que bem nos podiam poupar a outra:"porquê este silêncio da polícia?" O que esperavam com ele? Um linchamento em praça pública?
Se têm indícios suficientes para acharem que os pais de Maddie estão na origem do desaparecimento da filha,e se sabem que tipo de crimes cometeram, isso não é mais segredo de justiça. Afinal, onde foram os jornalistas buscar estas informações? Puseram escutas na sala de interrogatórios?
E já agora,expliquem-nos como foi parar o sangue da criança ao carro que os pais alugaram 25 dias depois do desaparecimento da filha.

Enfim, e a finalizar, se de facto se vier a provar que os pais mataram Maddie ou que tiveram algo a ver com o seu desaparecimento, julgo que todos concordarão que eles não têm o mesmo perfil da mãe e do padrasto de Joana. Portanto, se durante todos estes meses fizeram o que fizeram incentivando e suplicando ao Mundo que encontre a filha, é óbvio que não o fizeram por serem dois monstros, mas porque algo aconteceu nas suas cabeças ( e muito pouco sabemos das peculariedades da nossa mente )que os levou a esquecer o que de facto aconteceu. É bom que nos lembremos disso antes de os julgar, porque sobretudo não temos o direito de julgar ninguém, porque não somos melhores que ninguém.

E, já agora, em jeito de P.S. gostaria de lembrar uma coisa que repito desde que a Joana desapareceu, não se tendo nunca encontrado o seu corpo: Como foram a mãe e o padrasto condenados pela sua morte, se o corpo da menina nunca apareceu?
Como advogada, ainda hoje não consegui perceber.
Ai, que raiva!