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7 May 2008

VOANDO 2



Para alguns, viajar é o plano de uma vida. Para outros, é sinónimo de vida sem plano algum. Infelizmente para mim não é, porque não pode ser, nem uma coisa nem outra.
Mas sou aquilo que a minha mãe, a quem já vi perder a cabeça mas nunca perder a compustura, apelidou, usando uma expressão muito prá frentex para me definir, quando se fala de viajar, que eu sou “ O verbo Ir”.
E é verdade.
Em 1 hora sou capaz de fazer uma mala e partir, se a companhia e o destino me agradarem.
Sabem aquela coisa de: Onde vamos almoçar? Que tal Paris? ‘Bora...
Para a semana há uma ponte: Que tal um saltinho ao Brasil? Porque não?
A verdade é que este nosso planeta é suficientemente diversificado para agradar a todos: dois hemisférios, seis continentes, uma quantidade imensa de países - e muitos nem estão no mapa - e cinco oceanos. Ou seja, o que não falta é lugar para se conhecer.
E eu tenho a sorte de já conhecer muitos.
A propósito do recente post que fiz “ Voando”, dei por mim a pensar que acho que já experimentei quase todos os transportes que se possam imaginar:
comboio, barco, teco-teco, monorail na Disney, carruagem em Central Park, camelo no Norte de Africa, coco em Cuba, jeep no deserto, e...
AH, AH, aquilo que é objecto deste post: de balão.
Adoro Africa. Seja o Norte, seja o resto de Africa.
As noites, as praias, o calor, as gentes, enfim, o cheiro.
A emoção de andar de jipe ao nascer do sol, na companhia de animais soltos na natureza, faz –me sempre sentir uma miúda de 12 anos.
Quem acompanha o meu blog sabe que o filme da minha vida é “ Out of Africa”, e depois de o ver, não descansei enquanto não visitei o Quénia.
Não contarei aqui o que foi essa viagem fascinante, porque não é esse o objectivo hoje.
Vou só contar-vos que mais ou menos a meio da estadia, e depois de já ter feito passeios maravilhosos, me perguntaram se queria fazer um safari.
Para caçar? perguntei eu
Claro.
O olhar que deitei ao senhor que me fez a pergunta foi de tal modo fuzilante, que ele deve ter achado melhor propor-me uma coisa bem diferente.
Então e sobrevoar a savana num balão?
Quando? Respondi logo de olhinhos a brilhar.
Nem pensar, respondeu em coro o grupo de amigos com quem estava.
Claro que depois as mulheres do grupo concordaram para não ficar atrás ( sabem como são as mulheres...), e os homens, porque, naturalmente não quiseram ser chamados de mariquinhas ( estão a imaginar, não é?)

No dia anterior deitamo-nos cedo porque tínhamos que nos levantar às… 4:00 da manhã.
Um dos objectivos é ver o nascer do sol, no ar.
Preparativos, viagem até ao local, briefing e tudo a postos para descolarmos ainda lusco-fusco.
No nosso balão íamos 8 pessoas mais uma no cesto.
O enchimento dos balões com ar (frio), a risota da entrada no cesto deitado com uma mulher de 150Kg no camarote mesmo por cima de mim, os queimadores a aquecerem o ar daquele gigante cogumelo de pano.
E lá comecei eu a ouvir a tal vozinha: ainda podes desistir...
Em poucos minutos estavamos na vertical e em pouco mais já no ar. O piloto pede uma salva de palmas para o pessoal assistente que fica em terra e com um silêncio incrível, pontualmente incomodado pelo barulho das labaredas, começamos a ganhar altitude.
Com a herança das viagens que tinha feito por terra guardada ainda bem fresca na memória e no corpo, este movimento sereno, sem saltos, abanões, arranques e travagens, parecia uma massagem, sem o ser!
A aurora despontou, mas o sol ainda não tinha nascido. O piloto ia falando do pouco que se via. Todos queríamos era ver alguns animais lá de cima. O leopardo é o mais ambicionado de todos.
Vimos muitos animais e as zebras correndo são um espectáculo tipo ballet. Apetece virar o balão, andar mais depressa, mas ficamos a saber que neste meio, pouco se controla para além do movimento vertical. De resto o vento é rei e senhor.
Voamos durante cerca de 1h e é impressionante a distância percorrida e a duração das rasantes ao chão, sempre a flutuar como uma pena. As árvores à nossa frente não se desviam, mas o calor das chamas eleva-nos em tempo útil de evitar uma colisão não solicitada.
Sobrevoar Maasai Mara num balão de ar quente é a definição de paz de espírito.
E depois aconteceu uma coisa espantosa:
Quando descemos, numa colina um pouquinho à frente estavam várias mesas, cobertas com toalhas de linho coloridas, repletas de iguarias deliciosas acompanhadas de champagne gelado, e este pequeno-almoço foi servido por um mordomo fardado a rigor.
Isto numa reserva, com os cheiros e sons que já nos eram familiares a rodearem-nos.
De morrer de rir, para quem já tinha feito tantas loucuras, eram os avisos/pedidos do nosso piloto: " Não passem nunca para lá dos jipes, é a nossa linha de segurança."
É que pelos vistos ali, qualquer animal, mesmo o elefante, consegue correr mais que o mais veloz dos humanos.
Como não sei pôr aqui vídeos, não posso pôr o filme que fiz. Mas se clikarem no site que aqui deixo conseguem ter uma ideia. Vejam os vídeos todos. Vale a pena. http://www.masaimara.org/
Este post é dedicado ao recém criado grupo Super Poderosas formado pela Docinho, Lindinha e Florzinha. hehehe

5 April 2008

ÀS VEZES SER PAROLO COMPENSA

Passando há dias por um blog amigo, recordei uma situação muito divertida que me aconteceu há uns anos.
Como já devem ter percebido, sou uma pessoa de convicções e assumo-as.
Como assumo os meus gostos.
Quando ainda não era chic gostar do Roberto Carlos, eu já gostava. E assumia.
O meu marido dava-me conta da cabeça, e azucrinava-me dizendo que mesmo as princesas têm o seu lado parolo.
Eu encolhia os ombros e continuava a ouvir os discos do Rei.
Para castigo dele, quando moramos no Brasil, tinhamos uma casa no Morumbi e o nosso vizinho era nem mais nem menos... o Roberto Carlos. Mas isso agora não vem ao caso.
Abrejando como diz uma amiga minha:
A 1ª vez que o Roberto veio a Portugal cantar, ao Casino do Estoril, eu fiquei em pulgas e comecei a usar de todo o meu charme para convencer o dito cujo a irmos ver o espectáculo.
Claro que ele negou veementemente, e de cada vez que eu insistia ele respondia:
- Nem de borla, quanto mais pagando.
E o dia do 1º espectáculo chegou, e os 3 dias estavam esgotados, e eu sem bilhete.
Na tarde desse dia, a minha mãe que como também já sabem é uma senhora com muitas ideias, telefonou-me e disse-me:
- Sabe que vai haver um espectáculo extra do Roberto Carlos? Pode ser que para esse arranje bilhetes.
- E como é que eu convenço o "chato?"
- Tenho uma ideia, disse-me ela. E contou-me qual era.
À noite, quando o "chato" chegou a casa para jantar, eu disse-lhe:
- E se fossemos jantar fora?
- Onde?
- Sei lá. Talvez a Cascais.
- Hum, está bem, vamos lá.
Fomos falando e quando estavamos quase a chegar ao Estoril, com o ar mais inocente do mundo, digo eu:
- Podíamos ir jantar ao Casino.
- Ao Casino? Endoideceu?
- Não, mas para variar...
- Jantar não, mas se quiser, podemos ir beber um aperitivo.
Comecei a achar que tinha uma hipótese!
Mal entrámos, ele percebeu que havia um espectáculo, e digo eu com um ar angélico:
- Olhe, é hoje o espectáculo do Roberto Carlos. Já que aqui estamos, podíamos comprar bilhetes para o espectáculo extra.
E sem lhe dar tempo para responder, arranquei em direcção à sala, onde já decorria o jantar.
Falei com o chefe de sala que conhecia bem porque ia sempre ver os espectáculos de que gostava, e pedi-lhe para me arranjar 2 lugares bons para a última noite.
Respondeu-me que já não tinha nada bom para esse dia, mas que tinha uma mesa óptima naquele dia, porque houvera uma desistência.
Olhei com ar implorador para o meu marido e pedi: podemos? Please, please.
Percebendo que estava numa situação complicada, usou o último argumento capaz de convencer uma mulher:
- Mas os homens estão de smoking e as senhoras de comprido e nós estamos vestidos normalmente.
Encolhi os ombros com ar displicente, embora não me agradasse muito a situação, e minutos depois estavamos sentados e a começar a jantar.
No palco passava-se qualquer coisa a que não prestei atenção só me apercebendo depois que era um sorteio de várias coisas, sendo o 1º Prémio uma viagem ao Oriente.
O saudoso Fialho Gouveia fazia as honras e lá foram saíndo os prémios, até que chegou o momento do sorteio da viagem
As bolas foram saindo e na penúltima diz o meu marido, resmungando:
- Bem podia sair o 7, sempre não era uma noite perdida...
Nesse momento o Fialho Gouveia anunciou o 7, o meu marido levantou-se com o bilhete na mão e disse: É meu.
As luzes acenderam-se, eu fiz-me o mais pequenina possível e ele lá foi em direcção ao palco, atravessando a sala, enquanto se ouviam:
- Olha quem ele é!
- Todos os malandros têm sorte!
Parecia que todos os nossos amigos tinham combinado e estavam lá.
Lisboa/Frankfurt/Singapura/Bangkok/Hong-Kong e retorno pela Rota Polar.
3 semanas com tudo pago.
Yes!
Desde então, todos na família acham a minha parte parola uma coisa cheia de charme.
E claro que a minha mãe ganhou um maravilhoso colar de pérolas cinzentas que o genro lhe comprou na Tailândia.
cool myspace layouts