8 March 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - A HISTÓRIA



LENDA A lenda do Dia Internacional da Mulher que afirma que o mesmo surgiu na sequência de uma greve, realizada a 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado - e que tem sido veiculada por muitos órgãos de informação - não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bem como mito.

E REALIDADE
Em 1982, duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq, demonstraram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, pura e simplesmente não aconteceu (1), não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de orgãos de comunicação social contam a história como sendo verdadeira («Uma mentira constantemente repetida acaba por se tornar verdade»).
Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres socialistas norte-americanas se reuniu num "party’, numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que estabeleceu criar um dia especial para a mulher e que nesse ano aconteceu a 28 de Fevereiro.

Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido.

A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres de São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados.
Esta manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que, no Calendário Gregoriano (o nosso), é o dia 8 de Março.
Só a partir daqui, se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado uma dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos.
A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento internacional, desprovido, pouco e pouco, da sua origem socialista.
Se procurarmos o ano de 1857, poderemos verificar que o 8 de Março calhou a um domingo, pelo que nunca poderia ter ocorrido uma greve nesse dia de descanso semanal.
Desde 1975, em sinal de apreço pela luta então encetada, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.



7 March 2008

SEM MÉTRICA, SEM RIMA...


Eu queria querer-te,
amar o amor,
construir-nos dulcíssima prisão,
encontrar a mais justa adequação,
tudo métrica e rima
e nunca dor...diz Caetano Veloso.

Isto é o que sempre desejamos: nunca dor!
Só que ela faz parte do pacote. Sentir é tão imenso que ultrapassa a fronteira dos nossos desejos e cria asas.
Asas que ganham vida própria e muitas vezes pairam onde menos esperamos,
onde não queremos,
onde nos podemos magoar.
Mas se evitamos a dor,
também perdemos o prazer, pois não se pode sentir pela metade.
Não há, nestes casos, uma anestesia parcial.
De qualquer forma, sentir é melhor que nada.
A ataraxia é um grande mal que dói pela ausência da dor,
pela ausência da vontade,
e do desejo
e da paixão.
Assim, mesmo sem métrica ou rima
e até com dor,
prefiro continuar a sentir.
Para estar viva.
Para estar.
Para...

MORAL...IMORAL



Morality, like art, means drawing a line someplace.
Oscar Wilde

6 March 2008

NÃO VEJAM ESTE VÍDEO


NÃO É BRINCADEIRA!
A menos que tenham a certeza que são capazes de ver imagens de uma crueldade que supera a inteligência de qualquer ser humano, NÃO VEJAM ESTE VÍDEO.
Há dias, no blog da Macaw, em http://thisplanetsays.blogspot.com/, o último post provocou a discussão de se saber se coisas que ultrapassam a nossa compreensão, nossa -supostamente, seres pensantes, podem ser aceites, em nome de tradições, religião, costumes, etc, etc, etc


Não sou racista nem preconceituosa e pouco fundamentalista.
Aliás, salvo raras excepções, não sou " ista " de nada.


Reconheço no entanto que, embora admire algumas coisas do pensamento oriental, não consigo "engolir " a China e os chineses. (Falarei disso num próximo post)

E não me venham dizer que o povo não tem culpa!

Tivemos Mao, tivemos Tiananmen, tivemos a vergonha de ter filhas mulheres, temos a proibição de ter mais de um filho por família....
Durante anos, e anos, e anos, os bébés do sexo feminino foram vítimas de infanticídios, de abortos provocados pelos pais quando descobriam que o feto era uma menina ou foram abandonadas nas encruzilhadas das ruas quando recém-nascidas.
Alguns pais escondiam-nas e não as declaravam ao Estado, correndo perigo de sanções e prisão, se fossem descobertos.
Na China, a preferência dos pais por filhos do sexo masculino é uma tradição profundamente enraizada, desde a Idade Média.. No filho homem, concentra-se a responsabilidade de manter os pais quando idosos, de lhes possibilitar um enterro solene, de fazer as oferendas sobre os túmulos deles para as necessidades após morte de acordo com a tradição confuciana.
Somente o filho homem herda os bens da família.
A menina, pelo contrário, está destinada a casar-se, independentemente de gostar ou não, de ser amada ou desrespeitada pelo marido. O divórcio ou separação está fora de questão. Uma vez casada, ela está casada para sempre e pertence à família do marido, exactamente como na sociedade feudal.
Deve gerar filhos, de preferência homens para o marido e fazer a sua vontade.
Até há alguns anos atrás, o símbolo da submissão da mulher era a prática de a impedir de desenvolver pés normais, por meio de ligaduras que lhes eram aplicadas desde os primeiros anos de vida. Os pés pequenos eram uma maneira de lhes tolher a liberdade de movimentos, de modo que a mulher ficasse praticamente presa em casa.
Uma mulher que não tivesse pés pequenos nem era aceite como esposa.

A China maoísta (1948 – 1979) tentou libertar a mulher dessas discriminações dando-lhe, teoricamente, os mesmos direitos políticos, económicos e sócio culturais que os homens. Pela actual lei, teoricamente, estão proibidos os matrimônios arranjados, a mulher pode pedir o divórcio ou separar - se, pode herdar e receber um salário em igualdade de trabalho com os homens.
Apesar disso, as desigualdades continuam ainda em todas as fases de sua vida e a mulher continua a ser desconsiderada na organização familiar.


Já tivemos isso tudo e mais todas as violações dos Direitos Humanos que o Mundo conhece e que continuam a existir. (Ainda assim, premiaram a China com a realização dos Jogos Olímpicos).

Mas quase ninguém fala do que fazem aos animais.
Dos Direitos dos Animais ninguém fala.
Alguém tem que falar por eles.


Nunca fui muito adepta das célebres lojas dos 300, que aliás agora, nem a 300 vendem mais nada.
Nem da proliferação das ditas em cada esquina.
Nem do facto, de sabendo que as pessoas lá vão, em busca do " baratinho", não se dêem ao trabalho de aprender uma palavra de português para atender os clientes.
Quando muito, alguns, interrogados sobre se têm um determinado produto, lá respondem " Tu vai. Tu plocula"
Pois é.
Mas eu não vou mais.
Sei que é difícil, hoje em dia, passar um dia que seja, sem de alguma forma usarmos alguma coisa que não tenha sido feita na China.
Mas eu vou tentar.
Eles que fiquem lá com a Maravilhosa Muralha da China.
Mais, de preferência, usem-na para não passarem para o lado de cá.
Pela parte que me toca,
ENCHI!







Desculpem, mas é de lágrimas nos olhos que escrevo este post e com muita, muita raiva no coração.

RIR

E se fossemos rir,
Rir de tudo, tanto,
Que à força de rir
Nos tornássemos pranto,

Pranto colector
Do que em nós sobeja?
No riso, e na dor,
Que o homem se veja.

ALGUÉM, POR FAVOR, PODE DAR-ME PAPEL???

Também me quero rir assim!

Enviado por uma amiga muito querida

4 March 2008

NÃO TENHO MAIS OLHOS DE MENINA

Não tenho mais os olhos de menina.
nem corpo adolescente (...)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi:
dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora:
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor,
com mais paciência e não menos ardor,
a entender-te se precisas,
a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante
e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar:
um mar antigo e confiável cujas marés
— mesmo se fogem —
retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias."
Lya Luft é uma poetisa que trata as palavras com uma delicadeza parecida com a de um cirurgião tocando com pinças num órgão vital. Diz, como eu nunca conseguiria dizer estas coisas doces e aparentemente sábias.
Tornou-se vox populi que a idade e o sofrimento nos amadurecem.
Mas eu não penso assim.
Não sinto assim.
Ganha-se experiência, mas à custa de sofrimento. Porquê?
A felicidade não ensina nada de bom?
O passar do tempo traz-nos muitas perdas. De toda a espécie.
E ganhos! Dizem os mais velhos. E mais sábios. Do que eu.
Hoje, sou mais segura, escuto melhor os outros, sou menos impulsiva.
Mas continuo de feitio apaixonado, irreverente, com um imenso amor para dar e um regaço de amante.
E é este imenso amor que precisa transbordar das margens para que não seque a fonte e possa desaguar num mar imenso, para que não fique amarga, e para que ele não seque.
Por isso, eu quero ser virgem, ser alva, ser intocada e continuar a ter olhos de menina…
E definitivamente, não amadurecer à custa de sofrer…




PINK ELEPHANTS DO EXIST ( what nobody knows is that they depend on their wings to subsist)

2 March 2008

AND THE WINNER IS: LOVE

Não gosto de colocar aqui algo que me tenha chegado via internet.
Afinal todos a temos e a menos que seja um blog só virado para esse tema revela uma grande falta de imaginação.
Copy/ paste todos sabemos fazer...

Por causa disso já deixei de pôr anedotas, histórias, imagens, vídeos que por uma razão ou outra achei interessantes ou engraçados, ou mesmo hilariantes.

Outras vezes, sucumbi à tentação.
E de novo sucumbi.
Para quem teve a sorte de também ter recebido estas imagens, as minhas desculpas.
Ganharam o Prémio das Melhores Fotografias de Natureza da National Geographic.
Escolhi só as que me falam de AMOR.
Aquele sentimento de que O HOMEM anda tão esquecido.
Enjoy!


Queres brincar?


Nasci!




Não são lindos, os meus filhotes?



Pronto, já passooou...



Um beijinho!




Coisa mais fôfa, o nosso bébé


É para fazer o ninho




Um beijinho à esquimó






Estivemos a brincar


Mãe, acorda!

PALAVRINHA HORROROSA QUASE ( FIM )


Tudo que dá
pra pensar
quase que dá
para ouvir,
tudo que dá
para ouvir
quase que
dá para ver,

TUDO QUE DÁ
PARA ver
quase que dá
pra pegar,
tudo o que
dá pra pegar
quase que
dá para ter,
tudo que
dá para ter
quase que dá
para dar.
E quase tudo dá.
Arnaldo Antunes

1 March 2008

PALAVRINHA HORROROSA: TALVEZ II


Da mesma forma que prefiro emoções a paisagens, não gosto do quase, do talvez, do se...
Para mim tudo isto é ficar a meio caminho.
Entre o sim e o não, temos que escolher. E as escolhas não são fáceis, como diz a minha sábia mãe: não existem almoços de graça. Pagamos um preço pelas escolhas que vamos fazendo ao longo da vida.
Em tempos desejei ser um barco à deriva, e que me aparecesse um capitão que pudesse conduzi-lo, seja lá pra onde fosse, desde que eu não tivesse que decidir que rumo tomar. Mas, não há capitães perdidos nos mares das dúvidas e indecisões.
Sim ou não.
Binário.
Digital.
Algorítmico.
Mas não é tão fácil, bem sei, daí o desejo da deriva e de deixar que alguém decida por nós...
De qualquer modo, há que escolher.
Há que se agarrar a vida e na vida, mesmo que seja para cometer erros e voltar atrás e pagar um preço alto por dizer um sim ou um não.
Vitor Hugo escreveu que toda a nossa vida depende de 2 ou 3 sins e dois ou três nãos.
A questão é quando os dizemos!
Por isso o quase não basta. Quase é muito pouco.
Como diz uma música brasileira, é sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar.
Ficar a meio caminho é não caminhar de todo.
Gosto da imagem do mergulho.
Do ousar.
Por isso gosto de Clarice,de Vinícius, de Quintana, de Ary... daqueles que com suas palavras afastaram toda e qualquer possibilidade do talvez...

Pintura de João Carita