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21 March 2010

DIZEM QUE A PRIMAVERA CHEGOU!


Mas o tempo desmente o facto.

O céu está cinzento, está frio e volta e meia chove.
Tal como com o vestuário, em que as mulheres têm que decidir entre vestirem-se de acordo com a estação ou com o tempo que faz, também tive essa dúvida quanto ao layout do blog.
Um blog que ainda por cima está parado.
Mas a minha fazedora de layouts privativa, fez um layout tão doce e tão primaveril que não resisti a mudar. Aquelas meninas à chuva ainda tornavam a ausência de posts mais triste.
Mudámos então!
Não significa isso que vá voltar. Infelizmente não é o caso.
A minha vida pessoal não me ajuda a escrever nada que interesse aos outros.
Mas, como diria o meu querido vizinho Salvo, "Estou troncha, troncha de saudades" de todos os que, de uma maneira mais chegada uns, de uma forma mais expectante outros, reclamam a minha volta.
Não sei quando e SE haverá volta, mas a todos os que não desistiram de mim posso dizer que também não desisti.
Pitanga podes esperar. Salvo, talvez dê para matarmos saudades.
Para todos o meu obrigada, e se a vida permitir " Até já".
A esperança chegou de uma forma inusitada e inesperada.
E porque hoje se comemora o Dia Internacional da Poesia, aqui fica, para todos,

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa

1 January 2009

RECOMEÇO


Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances
Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar.
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde com lucidez,
te reconheças.
Miguel Torga

24 November 2008

BEIJOS


"Ok: A gente quer encontrar alguém bonito, inteligente e espirituoso, alguém que não seja muito exibido nem vaidoso demais, que tenha um papo cativante e esteja parado na nossa. Mas e se beijar mal? Sem chance. Tem que beijar bem, tanto eles quanto elas.
Quando escuto alguém dizendo que Fulano beija bem e Sicrano beija mal, quase volto a acreditar em histórias da carochinha.
Beijo é a sorte de duas bocas entrarem em comunhão.
Pode um Rafael beijar uma Ana e ser uma explosão vulcânica, e o mesmo Rafael beijar uma Cristina e ser um encontro labial de dar sono.
Pessoas não beijam bem ou mal: casais se beijam bem ou mal. Há sempre dois envolvidos. A definição de um beijo bom é que pode ser questionável, mas quem está no meio do entrevero quase sempre reconhece o ósculo sublime.
Beijo bom é beijo decidido, mesmo que a decisão seja levá-lo devagar ao longe.
Beijo bom é beijo molhado, em que os beijadores doam tudo o que há para doar na cavidade bucal, sem assepsia, entrega absoluta.
Beijo bom é beijo sem pressa, que não foi condenado pelos ponteiros do relógio, que se perde em labirintos escuros já que, é bom lembrar, estamos de olhos fechados.
Beijo bom é beijo que você não consegue interromper nem que quisesse.
Beijo bom é beijo que não permite que seu pensamento tome forma e voe para outro lugar.
E, por fim, beijo bom é o beijo que está sendo dado na pessoa por quem você é completamente apaixonada.
Existe beijo ruim? Existe. Beijo sem alma, beijo educado demais, beijo cheio de cuidados, beijo curto, beijo seco.
Mas uma coisa é certa: precisa dois para torná-lo frio ou torná-lo quente.
Todo mundo pode beijar bem, basta nossa boca encontrar com quem."

Martha Medeiros

24 September 2008

A MINHA ALMA



"A minha alma, por dentro, ninguém a vê"


... E as lágrimas que choro, ...
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca


6 August 2008

JOELHO


Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo
E os lençóis desalinhados
como se fossede vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas
Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.
Maria Teresa Horta



2 August 2008

MENINA MULHER


"Posso ser como a lava de um vulcão
que destrói tudo o que encontra pela frente!
Ou o vento da tarde
que de tão suave acaricia.
Represento toda a dualidade existente e inexistente.
E em toda minha existência sou os dois lados de uma mesma moeda...
tão diferentes e ao mesmo tempo tão necessários...
Os meus dois lados completam-se!
O bem e o mal
O sensual e o angelical
Generosa e egoísta
Menina e mulher!
Sou como a lua, tenho várias fases,
várias faces!
Posso ser como uma pequena gota de chuva...
mas essa mesma pequena gota inofensiva,
ao cair,
pode estremecer a terra!
Sou a escuridão em busca de luz...
Sou a vida em busca da morte...
Sou o sul em busca do norte!"

23 July 2008

EU ATÉ NÃO GOSTO DE CALCINHA...


Desde bem pequenina que me lembro da minha mãe me dizer que eu poderia estar toda mal enjorcada, mas nunca com umas cuequinhas sujas, rotas ou rasgadas. O motivo é que eu poderia cair na rua, e pior, em frente de um rapaz.
Agora, oiço as minhas amigas dizerem às filhas para vestirem cuecas, nem que estejam sujas, furadas ou rasgadas, mas que vistam.
Parece portanto que a moda é não cobrir as respectivas pererecas...e que mudam-se os tempos...
Este fait-divers lembrou-me um poema genial que aqui vos deixo:

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma.

O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone.

A peruca virou aplique,
interlace,
megahair,
alongamento.

A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MMA
crise de nervos virou estresse.

A chita virou viscose
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou
anti-séptico bucal.

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza,
depressão
O espaguete virou Miojo pronto.

A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue.

A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3.

É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo.

O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro,
halloween.

O piano agora é teclado,
também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico.

Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike.
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer.

Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e
TVBaby se converteu.

RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada
agora é perdida.

A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças.
Luis Fernando Veríssimo

24 June 2008

CIO


Quero dormir com você
ou pelo menos
Te dar um beijo na boca.
O meu amor não tem pudor,
nem acanhamento
Não tem paciência,
não agüenta mais
A urgência do desejo.
E eu te olho,
te olho,
te olho
Como se dissesse.
Penso,
ele há de perceber,
me encosto um pouco.
Espero um gesto,
um sinal,
uma atitude
Que eu possa interpretar
como uma resposta,
Uma indicação.
Mas você é um homem sério
e continua
Se escondendo atrás dessas teorias
E nem te brilha no olho
uma faísca de tentação.
Ai que aflição
Pensar no que eu faria
Se pudesse.
Desejo que não acontece
Fica parado no peito
Aí vira obsessão.
Bruna Lombardi

13 June 2008

PESSOA


"Criei em mim várias personalidades.
Crio personalidades constantemente.
Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não."

Faz hoje 120 anos que Fernando António Nogueira Pessoa ou Alberto ou Ricardo ou Álvaro, nasceu. Que me importa como ele assinava? O que me importa é que tudo o que escreveu me fica no coração.
E há coisas que me vêm direitas à alma.
Como esta.

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.

Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?

Ou esta:

«Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira.
Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que ouvesse recebido uma fortuna - a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor..
Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!»

21 April 2008

NOITES DE PAIXÃO



em meu colo ........todos os sonhos do mundo
em tuas mãos eternos carinhos........entre os dedos
em minhas coxas ........delírios infindáveis
em tuas costas vive .......um arrepio escondido
em minha barriga o beijo..... ofegante
em teu pescoço a ......mordida apavorante
em minhas coxas a mão que aperta......suculenta
em meus seios a luxúria.....descabida
em tuas pernas ........o desejo ir sempre mais longe
em meus pés as cócegas de .......alegria e prazer
em teus lábios a....... paixão
em meu sorriso a.......vontade
em tua face ...........a beleza das auroras
em teus olhos
o abismo
nú
novamente
despido
da vergonha
do mundo

27 March 2008

DIA DA POESIA


Confesso aminha confusão, pois passando pelos blogs amigos, cada dia encontro um Dia da Poesia.
E de entre Pessoa, Torga, Drummond, Florbela, Eugénio de Andrade, Neruda e tantos, tantos outros que enchem as minhas prateleiras e a minha cabeça, como posso escolher um ?
Mas como para ler poesia qualquer dia é bom, tanto faz ser ontem ou hoje.
E, ao calhas, só porque sou mulher, aqui fica Ary, no seu melhor:


Mulher
A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama
E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração
Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha
Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são
A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade
Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher
Ary dos Santos

20 March 2008

HÁ MAIS COISAS....



"And therefore as a stranger give it welcome.
There are more things in heaven and earth, Horatio,
Than are dreamt of in your philosophy."
William Shakespeare

16 March 2008

Poeminha do contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana

6 March 2008

RIR

E se fossemos rir,
Rir de tudo, tanto,
Que à força de rir
Nos tornássemos pranto,

Pranto colector
Do que em nós sobeja?
No riso, e na dor,
Que o homem se veja.

4 March 2008

NÃO TENHO MAIS OLHOS DE MENINA

Não tenho mais os olhos de menina.
nem corpo adolescente (...)
O que te posso dar é mais que tudo o que perdi:
dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria,
busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora:
esses dourados anos me ensinaram a amar melhor,
com mais paciência e não menos ardor,
a entender-te se precisas,
a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante
e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar:
um mar antigo e confiável cujas marés
— mesmo se fogem —
retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias."
Lya Luft é uma poetisa que trata as palavras com uma delicadeza parecida com a de um cirurgião tocando com pinças num órgão vital. Diz, como eu nunca conseguiria dizer estas coisas doces e aparentemente sábias.
Tornou-se vox populi que a idade e o sofrimento nos amadurecem.
Mas eu não penso assim.
Não sinto assim.
Ganha-se experiência, mas à custa de sofrimento. Porquê?
A felicidade não ensina nada de bom?
O passar do tempo traz-nos muitas perdas. De toda a espécie.
E ganhos! Dizem os mais velhos. E mais sábios. Do que eu.
Hoje, sou mais segura, escuto melhor os outros, sou menos impulsiva.
Mas continuo de feitio apaixonado, irreverente, com um imenso amor para dar e um regaço de amante.
E é este imenso amor que precisa transbordar das margens para que não seque a fonte e possa desaguar num mar imenso, para que não fique amarga, e para que ele não seque.
Por isso, eu quero ser virgem, ser alva, ser intocada e continuar a ter olhos de menina…
E definitivamente, não amadurecer à custa de sofrer…




PINK ELEPHANTS DO EXIST ( what nobody knows is that they depend on their wings to subsist)

29 February 2008

PALAVRINHA HORROROSA: QUASE... I

Ainda pior que a convicção do não,
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata
trazendo tudo que poderia ter sido,
e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me,
às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto,
contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia",
quase que sussurrados.
Sobra covardia e
falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.
Talvez esses
fossem bons motivos
para decidir entre a alegria
e a dor,
sentir o nada,
mas não são.
Se a virtude
estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.
Não é que fé
mova montanhas,
nem que todas as estrelas
estejam ao alcance,
para as coisas
que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência
porém,
preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Prós erros há perdão;
prós fracassos, chance;
prós amores impossíveis,
tempo.
De nada adianta
cercar um coração vazio
ou economizar alma.

Um romance
cujo fim é instantâneo
ou indolor não é romance.
Não deixe
que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino
e acredite em você.

Gaste mais horas
realizando
que sonhando,
fazendo
que planejando,
vivendo
que esperando
porque,
embora quem quase morre
esteja vivo,
quem quase vive
já morreu...
Luís Fernando Veríssimo ...
Pintura de João Carita

25 February 2008

MAIS UM DIA

Sentia uma mão a apertar-lhe a garganta... não conseguia respirar.
Um peso sobre o peito...

Abriu os olhos e pensou ...mais um dia

Rossetti

24 February 2008

SOCORRO


Socorro,
não estou sentindo nada.
Nem medo,
nem calor,
nem fogo.
Não vai dar mais pra chorar,
nem pra rir.
Socorro,
alguma alma,
mesmo que penada
Me entregue suas penas.
Já não sinto amor,
nem dor,
já não sinto nada.
Socorro,
alguém me dê um coração
Que esse já não bate,
nem apanha
Por favor,
uma emoção pequena
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta
Em tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

Socorro,
alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento,
acostamento,
encruzilhada...
Cassia Eller

13 February 2008

SOB O CHUVEIRO...



Sob o chuveiro amar,
sabão e beijos,
ou na banheira amar,
de água vestidos,
amor escorregante,
foge,
prende-se,
torna a fugir,
água nos olhos,
bocas,
dança,
navegação,
mergulho,
chuva,
essa espuma nos ventres,
a brancura
triangular do sexo -- é água,
esperma,
é amor se esvaindo,
ou nos tornamos fontes?
Carlos Drummond de Andrade