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23 December 2009

A ÚLTIMA ÁRVORE DE NATAL

Glitter Graphics


Quando os meus filhos eram pequeninos costumava contar-lhes algumas histórias antigas que já me tinham sido contadas pela minha avó mas esta aprendi-a no Brasil com uma empregada que a cantava ao meu filho mais novo.
É das que mais gosto embora por ser em verso me desse um trabalhão. Mas nunca a esqueci

Um antigo conto de Natal
Eu vi um camião cheio de árvores de Natal
E cada uma tinha uma história para contar.
O motorista colocou-as numa fileira
Esperando que as pessoas as viessem comprar.
Ele pendurou umas luzinhas brilhantes
E uma placa em que se podia ler
"ÁRVORES DE NATAL"
e em vermelho escrevia
"ÁRVORES DE NATAL PARA VENDER"
Serviu-se de chocolate quente
Numa garrafa térmica fumegante,
Assim que começou a nevar
Enquanto uma família estacionava esfuziante,
Uma mãe, um pai e um menino
Pararam o carro e rapidinho
Vieram, caminhando, e começaram a procurar
A perfeita árvore para decorar.
O garotinho ia à frente,
com seu olhar reluzente, a exclamar:
"Elas têm cheiro de Natal, mamã!
Sinto o cheiro de Natal em todo o lugar."
"Vamos comprar uma árvore de quilômetros de altura!
A maior que pudermos encontrar!
Uma árvore que encoste no tecto!
Uma que nem se possa carregar!"
"Uma árvore tão grande
Que até mesmo o Pai Natal, quando olhar,
Se vai admirar:
“Esta é a árvore mais bela
Que já vi neste Natal!”.
Para achar o pinheirinho perfeito
Procuraram com muita prontidão
Aqui e ali, e até mais de uma vez,
O Pai examinou e balançou mais de seis!
"Mamã, mamã, encontrei, encontrei!
O pinheirinho que mais gostei!
Tem um galhinho quebrado
Mas que pode ficar disfarçado.
"Do anjinho da vovó tiraremos o pó
E lá no alto esperando
Ficará nos guardando.
Podemos comprá-la? Por favor, por favor!
Pediu com fervor."
"Que tal tomarmos chocolate quente?"
Perguntou o vendedor indulgente,
Enquanto abria a garrafa para aquela gente.
"Isto sim vai aquecer o ambiente!"
Em três pequenos copos de papel
Ele serviu o chocolate espumante,
Enquanto brindavam, esperançosos,
Por mais um Natal esfuziante.
"Você escolheu certinho", disse ele,
"Este é realmente o melhor dos pinheirinhos".
Mas o garotinho estava aflito,
Pois o preço, para o pai, era muito elevado “Feliz Natal", disse o homem,
Amarrando o pinheirinho com um cordão.
"A árvore é sua com uma condição:
Manter uma promessa de Natal."
"Na noite de Natal,
Quando for deitar e rezar,
Prometa no seu coraçãozinho guardar
O encanto do Dia de Natal!"
"Agora corra para casa!
Pois este vento gelado
Suas bochechas têm queimado.
E peça ao papai para com todo cuidado
Enfeitá-la com os ornamentos comprados.
E que, no fim da empreitada,
Mate-lhe a sede, coitada!"
E assim foi com o vento zunindo
Durante a noite gelada
Tendo o homem dado árvore,
Após árvore,
Após árvore...
Para cada pessoa que apareceu,
Brindou com o chocolate espumante
Nos pequenos copos, tão quentes,
Para manter aconchegante o ambiente.
Quem jurou manter a promessa
De guardar no coração o encanto do Natal,
Saiu na noite contente
Cantando canções alegremente.
E quando tudo acabou
Só uma árvore restou:
Mas ninguém estava lá
Para esta árvore adoptar.
O homem que vendia árvores, então,
Vestiu seu grosso casacão
E partiu para a floresta
Com a última árvore da festa.
Ele deixou o pinheirinho
Perto de um pequeno riachinho,
Para que as criaturas, sem pousada,
Pudessem fazer dela sua morada.
Ele sorria enquanto tirava os flocos de neve
Que na sua barba encontrava.
Foi aí que de trás de um arbusto
Uma rena quase lhe pregou um susto.
Olhou para ela e sorriu.
Fazendo um carinho na grande criatura,
Pensou com brandura:
"Parece que o Natal chegou novamente!."
"Ainda temos muito chão,
E muitas coisas por fazer!
Vamos para casa, amigo, trabalhar
Neste Natal que vai começar.
Ele olhou para o céu,
Ouviu os sinos a tocar,
E, num pestanejar...
O vendedor desapareceu e transformou-se em
Pai Natal!!

2 November 2007

ATIREI O PAU AO GATO, OU NÃO?

Atirei o Pau ao Gato, to
Atirei o Pau ao gato, to
mas o gato, não morreu, eu, eu
Dona Chica, assustou-se, se, se
Com o berro, com o berro
Que o gato deu, miauuu.

Era este o começo de uma das mais conhecidas canções que as crianças cantavam, desde o tempo da minha avó.
Não sei se repararam que os verbos estão no PASSADO.
Pois, foi de propósito. Imaginem que descobri que a letra que as crianças agora cantam, reza assim:
Não atirei o pau ao gato, to
Não atirei o pau ao gato, to
Porqu'a minha mãe ensinou-me, me
Que o gato, to
Que o gato, to
É meu amigo, miauuuuu.

Fiquei tão espantada quando ouvi a filha de uma amiga a cantar isto, que durante uns instantes as ideias ficaram um bocado embaralhadas.
Ainda interroguei a pequenina, mas ela nunca tinha ouvido a minha versão.
Falei então com a minha amiga, e ela explicou-me com um ar muito sério, que a letra tinha sido mudada para não incitar as crianças a fazerem mal aos animais.
Confesso que continuo atarantada com esta mudança, primeiro porque adoro tradições e depois porque preservo como um cão de guarda as memórias da minha infância.
Aliás, preservo todas.
Adoro memórias.
Depois porque "entre les deux mon coeur balance...".
Calculo que não estejam a perceber nada, mas vou passar a explicar:
É claro que qualquer medida tomada no sentido de proteger os animais, que amo, é por mim abençoada.
Aliás tenho-me batido, em cruzada, para que a nossa lei mude, e passe a ser crime com direito a registo no Registo Criminal, e pena privativa de liberdade, qualquer mau trato infligido a um animal.
Mas, isto é assim como dizerem-me que o whisky não é escocês, que o vinho do Porto não vem das uvas do Douro, que o melhor Gin não é o inglês e por aí fora.
Por outro lado, fiz uma pequena viagem na memória, e lembrei-me que depois de levar o meu filho mais velho a ver o Bambi, fiquei com dois problemas entre mãos:
1º Para além de chorar que nem uma Madalena quando viu a mãe do Bambi morrer, durante muitas noites acordava a chorar com medo que eu também fosse morrer.
2º Só muito mais velho consegui que fosse ver filmes de desenhos animados, o que para mim era quase um pecado.
Mas não havia quem o convencesse.
Ainda hoje, quando me insurjo contra a violência dos desenhos animados que passam na Televisão, ele diz-me sempre:
Ó mãe, olhe lá:
Então e a bruxa malvada da Branca de Neve?
E a madrasta da Cinderela?
E o lobo mau do Capuchinho Vermelho que come a avó dela?
E continua por aqui fora sem que eu tenha grandes argumentos para o contrariar.
Estas 2 coisas fizeram com que falasse com vários amigos, e o facto é que se gerou uma grande confusão, com uns a defenderem a nova letra, porque sim senhora, tem que se ensinar as crianças a amarem os animais desde pequeninos, e os outros que acham que a letra se deve manter, e as histórias de encantar se devem continuar a contar às crianças, para elas se irem habituando que há pessoas boas e más, que as más são as que batem nos animais, que há pessoas que são verdeiras Bruxas, que há o Bem e o Mal, e que o Bem vence sempre o Mal.
Agora pergunto eu:
Se não se deve mentir, muito menos a uma criança, como vou eu dizer que o Bem vence sempre o Mal, se infelizmente isso não é verdade?
E sendo assim, atiro o pau ao gato ou não?