10 October 2009

E O NOBEL DA PAZ FOI PARA....OBAMA


Estão-me a ver a ser acordada pelo toque do telefone,quase de madrugada e a seguir pôr-me aos pulos em cima da cama? Pois é, não estão.
Normalmente teria tido vontade de atirar o telefone pela janela, enfiaria a cabeça debaixo da almofada maldizendo a inconveniência.
Ah, mas hoje foi diferente. A chamada era de Nova Iorque:
- Mãe, adivinhe quem ganhou o Nobel da Paz?
Estremunhada, balbuciei:o Richard Gere.
- Não mãe.....risos.... o Obama.
Acordei instantaneamente. Saltei da cama, enquanto do outro lado vinham as explicações dadas pelo Comité.
Depois de desligar, lembrei-me que de facto, quando Nobel instituiu este prémio disse:
- A pessoa que tivesse feito a maior ou melhor acção pela fraternidade entre as nações, pela abolição e redução dos esforços de guerra e pela manutenção e promoção de tratados de paz.
Que me desculpem os meus vizinhos anti-americanos, desconfiados, descrentes. E mesmo que não me desculpem...
Eu sei que Guantanamo já devia ter deixado de existir, mas já muito foi feito.
Eu sei que o embargo a Cuba já devia ter sido abolido, mas já muito mudou e acredito que vá acabar na era Obama.
Quanto ao Iraque, só quem não tenha a noção das coisas poderia achar que ele podia mandar regressar as tropas de um dia para o outro. E é bom não esquecer que não foi ele que invadiu o Iraque.
O Afeganistão é uma questão muito complicada.
Quanto ao Irão, com um Presidente louco que nega o holocausto, fico bem mais descansada se desta vez, a haver armas nucleares que possam atingir Israel ( e quem diz Israel diz os Palestinianos ou qualquer outro país ou povo), os Estados Unidos tudo fizerem para parar aquele homem.
Depois de ler "A Minha Herança" de ver as origens de Obama, a confusão que foi a infância dele e tudo o que já naquela altura pensava, fico com a sensação que ele nasceu fadado para fazer algo de muito grande.
Não vem da aristocracia americana como os Kennedy, não era actor de cinema, não tinha os milhões dos amendoins de Carter e por aí fora.
E chegou lá.
YES HE CAN!

Se eu podia viver sem Obama? Poder, podia, mas não era a mesma coisa!

9 October 2009

DIVÓRCIOS


Já muito se escreveu sobre o destino dos guarda-chuvas esquecidos no cinema e das luvas deixadas no vão das cadeiras dos transportes públicos. É também uma espécie de Triângulo das Bermudas que, estou certa, acolhe aquilo a que chamo de "meias descasadas". Estas meias sem par vagam solitárias durante muito tempo até serem atiradas para o lixo de modo desumano.
Não basta, contudo, constatar o problema - urge também investigar as suas causas. Eu quero crer que a minha máquina de lavar roupa não mastiga meias, uma vez que faria mais sentido que o electrodoméstico devorasse o par e não apenas um dos "cônjuges".
A lógica é elementar: se é apetitosa uma meia com a Betty Boop desenhada junto à barra, por que raios é que a máquina podendo engolir o casal, devoraria apenas um pé?
Tenho defendido este raciocínio ultimamente, embora haja na literatura dos têxteis dos membros inferiores registo de outras hipóteses.
Autores pós-Marklianos argumentam, por exemplo, que a sucção de uma meia obedece a uma lei matemática associada ao raio do tambor da máquina e à velocidade da centrifugação. Eu não entendo nada disso e, portanto, prefiro mudar de assunto e levantar outra questão deveras pertinente: o papel central que as meias desempenham nas sociedades modernas e na reprodução sexual.
Nos Estados Unidos ( e eu própria fazia isso quando os meuss filhos eram pequenos) é muito comum que se peça à visita que retire os sapatos à entrada, para evitar a dispersão de lixo urbano pela casa. O mesmo acontece por ocasião de uma festa, sobretudo quando o apartamento em causa é forrado com alcatifa clara (algo relativamente comum em Nova Iorque). Quer isto dizer que na hora de vestir a roupa para o bailarico, a escolha das meias passa a ser mais importante do que a dos sapatos. Não basta serem novas e limpas - elas, as meias, TÊM de dialogar com as demais peças de roupas, quer na cor quer no padrão. Se forem divertidas, melhor ainda.
Mas atenção: não confundir "divertidas" com "aparvalhadas". Há seres (neuróticos, na minha opinião) que recorrem a modelos que indicam qual é o pé direito e o esquerdo. Ou que usam um par para cada dia da semana, respeitando sempre a relação calendário/meia, como naqueles conjuntos de sete horrorosos panos de cozinha que as nossas tias nos ofereciam no Natal.
O que mais me incomoda nisso tudo é que, aparentemente, as máquinas de lavar roupa NÃO comem (ou fazem desaparecer, dependendo da hipótese que se queira adoptar) elementos dos pares de meias aparvalhadas - reservando a sua gula ou fúria para as meias giras ou chics. Isto parece-me um grave problema pois o bom gosto destes electrodomésticos destrói a vida de vários casais de meias que tinham tudo para ser felizes e em contrapartida, oferece vantagens competitivas às meias aparvalhadas.
Ao que parece, as meias parolas não se divorciam.
Nós, desta forma, tendemos a usar com maior frequência em eventos sociais justamente as meias mais divertidas ou trendy (eu tenho alguns pares, confesso). É que costumam ser estas as únicas com aspecto de "novas" que sobram "casadas" no fundo da gaveta.
O que me preocupa é que este facto pode reduzir drasticamente a chance de cada um de nós impressionar um dos convidados da festa e como consequência, não vir um dia a transmitir os nossos genes para a próxima geração.

8 October 2009

( 7) POSTALINHO DA SI

Como será que a Si adivinhou que fico assim quando estou danada?

7 October 2009

JOGO DE CINTURA


Das duas uma:
ou damos as cartas
ou tudo se embaralha.

6 October 2009

UMA GRACE CHEIA DE GRAÇA


Ela chegou ao meu blog muito pouco tempo depois de o ter começado.
Como sempre faço, fui ao blog dela agradecer a visita e fiquei encantada com os posts.
Na altura ela tinha um blog completamente diferente daquele que tem agora, inclusivé com outro endereço.
Quando cliquei para deixar um comentário abriu-se um caixinha de comentários que me deixou apaixonada. Tinha umas meninas que eu não conhecia e era lindo.Disse-lhe isso mesmo, além de deixar o comentário ao post.
Para além dos posts que eram magníficos ela é brasileira e vivia, na altura, em Maceió, cidade que conheço muito bem e da qual guardo as melhores recordações.
Tudo somado, o blog, os posts e o facto de ela ser brasileira fizeram com que me tornasse cliente.
Passado um tempo, enviou-me um mail dizendo que ia fechar o blog e que, se eu quisesse faria um layout para o meu blog com as tais meninas e a caixinha de comentários.
Como não a conhecia fiquei muito sensibilizada com a atenção e aceitei.
Desde então muita coisa aconteceu: todos os layouts do meu blog são feitos por ela e é sempre um trabalhão porque, sei-o agora, ela é uma perfeccionista.Tudo o que faz tem que ficar perfeito, e mesmo quando eu digo que está óptimo e pode ficar assim, ela sempre inventa um novo até ficar, como ela diz, "com a minha cara".
Com o tempo ficámos amigas. Fiquei a saber que é casada com um sueco e que estava a tratar de tudo para ir viver para a Suécia. E foi mesmo.
Quando lá chegou, embora seja advogada também, percebeu que não poderia exercer lá e como está sempre a andar para a frente, sempre metida num projecto qualquer, resolveu aprender sueco. E se bem o pensou, melhor o fez. Matriculou-se numa escola e hoje já fala e entende sueco. Mas isso não lhe bastava. Como sempre gostou de fotografia, resolveu começar a fazer cursos de fotografia e hoje trabalha como fotógrafa.
Desde que está na Suécia, já veio a Portugal 2 vezes, uma com o marido e outra com a filha.
Da 1ª vez fui buscá-los ao aeroporto, jantaram em minha casa e fiquei absolutamente fascinada com a força, o humor e a inteligência dela. E sobretudo com a energia positiva que ela espalha por onde passa.
Mas nada disto seria muito extraordinário, não fora uma ligação estranha que ela tem com Africa e com os campos de refugiados. Já esteve lá 8 vezes, "adoptou" uma família de lá para quem manda dinheiro na tentativa de melhorar um pouco o seu sofrimento e de os tirar do Campo.
O seu projecto era escrever um livro com muitas fotografias, para espalhar o interesse de todos por aquela gente.
Os contactos com os senhores da ONU para os refugiados nunca deram em nada porque eles queriam fotografias bonitas dos campos. Como se ela pudesse " inventar" fotografias bonitas da tragédia que presenciava sempre que lá ia.
Como não é de desistir ela própria editou o livro já na Suécia, e está a divulgá-lo através do blog e dos amigos dos blogs que passam a palavra.
Há um mês, por mero acaso, proporcionou-se voltar a Moçambique.
De lá, mandou-me um mail, do qual retirei algumas das coisas que me escreveu:

"Voar até Maputo, a Capital de Mocambique é seguro. O negócio é fazer o trajecto de 3 horas, entre Maputo e Nampula, no norte moçambicano e bem perto do Malawí. O aviao é pequeno, já sofri um acidente nele e o tempo fecha. Moçambique é moradia de ciclones e mudancas de tempo que vêm das Comores, Ilhas Maurícias e por aí vai. Mas, eles são comuns entre março e junho.
O que aconteceu DESTA VEZ dentro do aviao foi algo terrivel...O aviao ficou 20 minutos dentro de uma nuvem preta e cinzenta...e balançava de tal forma que as malas caíram todas da bagageira. Parece que meu coracao parou. Se eu sofresse do coracao, teria morrido. Nada me veio à mente...A nao ser as palavras do meu marido, dias antes...
Eu viajei sozinha, com uma mochila nas costas, com a câmera, passaporte, 3 blusas, cartão de crédito e dinheiro em dólares e meticaz (a moeda mocambicana). O ex-director do Campo me disse via Skype que, caso eu quisesse, ele estaria no Campo para me proteger. E eu disse que não tinha medo de refugiados e sim da própria ONU, que dificulta a entrada de quem vai lá fazer as coisas por conta própria.
Cheguei em Moçambique anestesiada, depois do piloto fazer um pouco forçado nos descampados do Norte...
A ruandesa estava me esperando...E junto dela, o marido e as 3 criancas...Conversamos e marcamos para nos encontrar no outro dia no Campo de refugiados. Mas, nunca senti aquilo. Meu corpo ficou todo arrepiado quando entrei no Campo. Campo de refugiados é um lugar com energias muito negativas.O actual diretor do campo se reuniu a uns congoleses que mexem com magia negra e a coisa complicou e muito...Crendices á parte, a Igreja católica vem tentando combater , mas não tem sido fácil...
O que sei é que em 8 dias vivi entre dois continentes, emoções sem fim...
Sei que gostaria de ajudar a todos eles. Mas nao posso. Sei que gosto de estar lá...mas me faz mal demais...Perdi 3 kg. E nunca senti antes a angústia que senti desta vez. Viajar de onibus da Africa do Sul para o Campo de refugiados são 48 horas de uma estrada perigosa para uma mulher que viaja sozinha...
Sinceramente falando...NAO ACONSELHO NINGUÉM A VISITAR CAMPOS DE REFUGIADOS. É UM LUGAR SOMBRIO, TRISTE, INFELIZ E QUE ATÉ AS CRIANCAS VIVEM DE OLHAR PERDIDO NO TEMPO.
Uma VEZ QUE SE ENTRA NUM AMBIENTE desses, parece que tudo de ruim nos acontece. UMA ANGÚSTIA SEM FIM SE APOSSA DA GENTE.
Para vocês terem idéia, ainda nao conheci um funcionário da ONU que dê um sorriso a um refugiado.NENHUM...ELES SÃO ANGUSTIADOS, INFELIZES. INSENSÍVEIS, TRISTES E FRIOS.ENTRAM NO CAMPO DIRIGINDO UMA CAMIONETE, JOGANDO POEIRA NA ESTRADA, NAO OLHAM NA CARA DE NENHUM DELES. Eles sao um NÚMERO.
Falei com a família ruandesa sobre juntar o dinheiro do livro, da ajuda de amigos blogueiros, e de amigos suecos(estes ultimos querem fazer um encontro em novembro para juntos comprarmos uma casa para a familia ruandesa) e dar a eles condições de sairem do Campo. Eles ficaram indecisos. Têm medo de perder a ajuda da ONU. E eu perguntei. QUAL AJUDA, SE VOCêS ESTÃO 3 MESES SEM RECEBER NADA?SEM COMIDA, NADA?
FUI APENAS PARA VÊ-LOS...E VOLTEI DE CORAÇÃO DESPEDAÇADO. MAIS UMA VEZ, PRECISO ME REERGUER DO NADA.

A grande diferença entre a GRACE e qualquer um de nós, é que ela não se limita a escrever sobre o assunto. Ela luta. Ela faz.
Então, pensei que poderia ajudar fazendo este post e pedindo a todos vocês que me lerem que comprem o livro. Só custa 25 Euros, podem pagá-lo via Paypal mas o melhor é entrarem em contacto com ela através deste mail: grace.sweden@gmail.com


Nota: Ela nem me pediu, nem sabe que eu ia escrever este post

5 October 2009

PARABÉNS, MEU FILHO


Se por acaso já olharam para as coisas que tenho na lateral, viram lá o rótulo de uma caixa de Cérelac com 2 bebés.
Para quem não tenha percebido, são os meus dois filhos.
A história é muito engraçada.
Na altura, a mulher do Lauro António era dona de uma das maiores empresas de publicidade do País e tinha esta campanha para lançar. Como éramos amigos, seringou-me o juízo para deixar o mais velho fazer a campanha. Após algumas hesitações lá acedi.
No dia das filmagens ( porque também foi feito um filme para a televisão) lá fui para o estúdio, mas levei também o mais novo porque andava sempre com eles para todo o lado.
A ideia era um menino e uma menina, mas chegaram à conclusão que nenhuma das que tinham ido ao casting era tão gira como o meu mais novo.
Daí que me convenceram a deixar pôr-lhe um casaquinho rosa e um babete ,para fazer de conta que era uma menina. Acho que ainda hoje ele não me perdoou essa.
A campanha era para ser só para Portugal, mas a Nestlé gostou tanto, que um dia até num supermercado da Turquia dei de caras com a lata.
Pois "a menina" faz hoje anos.

4 October 2009

( 20) PORQUE É FIM-DE-SEMANA!

Nada melhor para aliviar o stress das eleições passadas e das que aí vêm.
Ora experimentem e digam lá se não se divertiram.

3 October 2009

( 35) NÃO RESISTI

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2 October 2009

(9) NOVA IORQUE...MEU AMOR



Como sabem não é meu hábito colocar vídeos aqui...mas este é de facto algo de muito particular.
Este pequeno filme foi feito por alguém que não tinha dinheiro mas, em compensação, é rico em sensibilidade.
Foi o filme vencedor do Tropfest de 2008, o maior festival de curtas metragens do mundo.
Este Festival que começou há 17 anos em Sydney, teve no ano passado a sua primeira edição em Nova Iorque. Foi totalmente filmado com um telemóvel.
O seu orçamento foi de 40 dólares (cerca de 30 euros)!
I M P E R D I V E L ! ! !

1 October 2009

PALAVRAS COMO ÀGUA


Vejo as palavras como a realização dos pensamentos,
Vejo os pensamentos como águas
Águas que fluem sempre
Sempre vão e sempre voltam.

As minhas palavras são como a água,
Representação, às vezes, do pensamento expresso,
O líquido, sensível e impegável.
Outras vezes, do pensamento oculto,
Gasoso, improporcionável aos sentidos, invisível.
E outras ainda, o pensamento cristalizado
Sólido, duro e frio.

Nunca uma definição permanente.

Assim nunca direi coisas como se estas fossem verdadeiras, pois tudo apenas é uma sugestão momentânea da realidade.