30 August 2009

PEDIRAM-ME UM SINAL


Em desespero de causa alguém disse:
- Levem-na à praia.
Os deuses no Olimpo reuniram-se: Rá resolveu brilhar em todo o seu esplendor. Neptuno desdobrou-se em ondas de espuma branca próprias para mergulhar de cabeça. Éolo soprou-lhe uma brisa leve para não sentir tanto a temperatura da àgua.
E ela viu o mar que não via há uma ano.
Soltando a mão que a amparava amorosamente, ela caminhou bem devagar até ao sítio onde as ondas lhe beijaram os pés.
Foi andando sempre em frente sem olhar para trás, até que Neptuno resolveu brincar com ela e envolveu-a numa onda que a levou e lhe lavou a alma. Quando se pôs em pé as lágrimas misturavam-se com a àgua que lhe escorria pelo corpo. E correu e mergulhou e nadou e riu como há muito, muito tempo não fazia.
Quando saiu um grupo de brasileiros tocava uma das suas músicas preferidas. E ela dançou como há muito tempo não dançava.
Não sei se foi um recomeço ou um adeus.
Talvez os Deuses saibam.

8 August 2009

THE SHOW MUST GO ON


Inside my heart is breaking
My make-up may be flaking
But my smile still stays on
My soul is painted like the wings of butterflies
Fairy tales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends.

The show must go on

The show must go on, by The Queen

4 August 2009

CHEGAM PALAVRAS....


Chegam palavras chegam recados
Chegam saudades que enternecem
Chegam palavras chegam recados
Chegam amigos que não esquecem
Dentro das cartas com as palavras
Chegam sementes que florescem.
Fernando Tordo " Chegam Palavras"


Para todos os que ainda não me esqueceram e continuam a mandar recados.
Obrigada.

7 July 2009

SILÊNCIO SOFRIDO


Aprendi a língua do silêncio.
Alguns dos meus pensamentos são grandes demais para o mundo, e o que compõe o mundo é pequeno demais para os meus pensamentos.
Mas só um metro e setenta como eu tem dificuldade em guardá-los bem.
Já fiz o teste de rabiscar numa folha de papel e depois deitá-los fora, mas até os mais absurdos e mais insignificantes não merecem ir para o lixo.
Quando tentam escapulir-me, aperto os olhos e cerro os dentes ou então, deito-os a dormir mesmo que não haja sono no meu corpo.
E de repente, eles surgem no sonho, alguns com cenários bonitos e coloridos, outros em forma de pesadelo, trazendo com eles a angústia, a taquicardia e a vontade de cobrir o corpo dos pés à cabeça com um lençol, como se fosse um escudo.
Por isso... aprendi a língua do silêncio.
Apesar de ter a sensação que a qualquer momento irei explodir.

1 July 2009

QUERO


Eu quero um quarto com porta
para o infinito
do lado de fora,
atapetado
de flores e relva,
de crianças e risos
e MAR.
Agora.

30 June 2009

JUST A GAME



Eu não tenho destino

sou um jogo de dados

de uma partida travada

entre a sorte e o acaso

26 June 2009

DOIS NUM DIA SÓ...É DOSE






Ando tão fartinha de doenças, hospitais,UCI'S e mortes e hoje vão-se dois de uma vez só.
E dirão vocês: Agora é que a Velvet endoidou de vez. Então volta para fazer um post sobre estes dois?
Pois volto. Apeteceu-me. Deu-me na gana.Eram meus amigos? Não eram. Conhecia-os de algum lado? Não. Mas fizeram parte de uma época que marcou a minha vida.
E que vida!
E não pude deixar de ficar chocada com a enorme diferença na morte destes dois símbolos de glamour e talento.
Ele era louco? Se calhar era.
Era excêntrico? Sem dúvida.
A vida dele era um mistério para muita gente? Era.
Mas a mim, isso não me interessa nada. Olho para o bilhete do concerto que ele deu em Alvalade ( lembram-se daqueles gloriosos concertos no velhinho estádio do meu Sporting?)Aquilo era uma festa antes mesmo de ter começado. Mas dizia eu, que estou a olhar para o bilhete ( guardo-os todos) e lembro-me daquele dia como se fosse hoje. O homem parecia um extra-terrestre. A música, as canções, a sua forma única de dançar, a saída do palco a voar por cima das nossas cabeças...
Goste-se ou não dele, o homem era um génio.
Ela era uma beleza e tinha talento.
Ela conheceu o sofrimento da doença, a angústia de saber que tinha os dias contados, o horror da degradação física.
Ele teve um ataque de coração fulminante e partiu.
Destinos diferentes para um mesmo fim. Dela, talvez se esqueçam. Dele será impossível.
Ela era só uma mulher. Ele era um génio. E os génios ficam para a história.
E amanhã, se chover, estou com vontade de ir para a rua, pôr a língua de fora e sair aparando os pingos.
um, dois, três, quatro, cinco...


19 June 2009

NO MORE STONES,PLEASE


Amigas, Amigos,Vizinhança

como alguns sabem e outros não, razões de saúde têm-me impedido de escrever o que quer que seja.
Parece que sentiram um bocadinho a minha falta, o que, confesso, me emociona.
Mandariam as regras da mais elementar boa educação que já tivesse vindo dar uma explicação.
Sucede que, exactamente porque gosto muito do meu blogue, nunca mais o abri sequer, porque me faz mal ter a cabeça vazia ou cheia de coisas que não são passíveis de serem temas de posts.
Pelo menos do meu ponto de vista.
Sucede que o Mr. Murphy tem razão e para a judar à festa que já estava animada, o meu querido Pai sofreu um AVC ontem, estando internado com as consequências normais nestes casos.
Obviamente que isso não veio ajudar à minha volta.
Portanto, resolvi vir dar-vos esta explicação porque acho que a merecem.
Todos os que me mandaram mails e me deixaram repetidamente comentários de ânimo, decerto não o fizeram para ficarem bem na fotografia.
A propósito de fotografia, por acaso há lá uns lugares em branco que me surpreenderam, se é que, em boa verdade já não há coisas que me surpreeendam quando envolvem o tal do "ser humano".
Adiante...
Agradeço a todos do fundo do coração, o carinho, mas não me levem a mal, tenho que deixar agradecimentos especiais à Carminda pelas mensagens repetidas e recados no MSN,
à Pitanga que tem sido impecável, quer provocando-me aqui com comentáros divertidos, quer com mails tipo carta dando-me todo o apoio,
ao Ovinho Estrelado pelos comentários e mails sentidos, à Donagata, à Leonor, à Si, à Sunshine pelos mails, à De Dentro para Fora, a minha comentarista única da caixinha das bonecas, e last but not the least, ao Salvo-Conduto.
Ora entra pela porta da frente ora pela detrás.
Ora manda mails sérios ora me manda cartoons e bonecos para me fazer rir, numa rubrica que até tem título "Para um Sorriso".
Obrigada Salvo!
Perdoarão que não mencione os que têm acompanhado ao vivo e em sessões contínuas. Eles sabem quem são e isso basta. São muito poucos, mas muito bons.
Entretando, segui o conselho do tal senhor, juntei as pedras todas e já construi o castelo.
Só não sei onde vou arranjar cola suficiente para colar os cacos todos.
Até já!

PS: Pitanga, é até já porque não passo o ponto. Pelo menos, para já.

16 May 2009

TUDO TEM UM PREÇO



Dizem que tudo na vida tem um preço.
Então, já que tenho que pagar um preço, pago o meu preço e não o dos outros.

14 May 2009

AS CORES DO AMOR


Rosália morava numa rua sem nome. E era assim que diziam quando era necessário dar uma qualquer referência, fosse para o rapaz das pizzas ou o merceeiro que vendia verduras numa bacia equilibrada na cabeça - assim, você passa pela Rua dos Sonhos, depois vira à esquerda, em seguida vira na Rua da Desilusão e depois vira numa rua sem nome.
E a rua passou a ser chamada assim, “Rua Sem Nome”.
A casa de Rosália era uma casa com uma tonalidade meio amarelada, não sei se de um branco envelhecido ou um amarelo “tipo esquecido”.
Tinha telhado de barro com manchas de lodo. A porta da frente tinha uns desenhos abstractos que pareciam ter sido talhados com um enorme carinho.
Havia algumas flores do lado de fora com um certo ar de abandono, um pinheiro estranho do lado direito da casa e uma gaiola com um passarinho de brinquedo.
Os vizinhos de Rosália diziam que desde que o marido saiu de casa ela nunca mais viu o sol nascer sem ser através das persianas. Diziam que ela agora era uma mulher sorumbática e desleixada.
Para ela, os dias eram como se fossem um papel dobrado, uma, duas, três... cinco, sete, dez dobras.
Caminhava de uma forma serena pelas divisões da casa, mas passava a maior parte do tempo enfurnada dentro do quarto, com os cabelos desgrenhados, dando conta dos seus tiques nervosos.
Usava uma lavanda que lhe deram no dia do seu aniversário, aquelas de dois litros que duram uma eternidade. Vestia roupas leves e tinha uma feição tristonha.
Rosália escrevia poesias em folhas de papel pautado e depois de terminar os versos ritmados, amassava o papel e o fazia cinza em labaredas.
Os vizinhos diziam que o marido de Rosália era agressivo, que tinha um ar estranho, mas Rosália amava a forma dura, ou não, com que ele a tratava.
Até que um certo dia, nas caminhadas serenas dentro de casa, Rosália foi remexer as gavetas todas cheias de fotografias antigas e bilhetes rabiscados de sentimentos, cartões de Natal, convites de casamentos, um envelope. Rasgado, manchado e com uma carta escrita num papel amarelado.
Era dele. Escrita por ele, para ela.
No tempo em que o amor era uma janela aberta. Quando ele deixava a caneta escorregar no papel de um jeito tão manso que parecia afago.
No branco, agora amarelado.
Rosália lia, relia e chorava de forma compulsiva.
Não imaginava que um amor digno de talhar porta com desenhos abstractos, se tivesse coberto num rubro sangrado, num todo asco.
Ela chorava, chorava, até que os olhos se fecharam e o peito gritou num palpitar cansado que o amor não é um canto ensaiado, é um pintar da forma que quer, traçar da forma que quer.
O amor é solúvel, é palpável, é maleável e pode mudar seja com o anteceder do tempo ou com o passar do tempo.
E o amor às vezes, transforma-se em desamor ou num grande amor desbotado.
Rosália lia, relia e agora suspirava de uma forma quase epifânica. Como quem arrisca sorrir ao pensar em ir lá fora ver o sol nascer.
Observar de um ângulo que não seja o de dentro, a casa da Rua Sem Nome.
E num piscar de olhos, tentar tingi-la de qualquer cor, desde que não lembre um certo tom amarelado.