22 September 2009

PARECE QUE FOI HÁ TANTO TEMPO!


Há que tempos que não escrevo!... E, mesmo agora, já apaguei sei lá quantas frases começadas. Nunca faço isso. Escrevo sempre de enxurrada, sem censura nenhuma, sem reler.
Estou plena de coisas para dizer. Devo ter deixado passar tempo demais e agora está tudo compactado cá dentro, uma amálgama de sentires todos misturados, já sem características próprias. E como falar dessa massa de cor parda já sem forma nem conteúdo distinto?
Faço uma pausa. Fecho os olhos e cavo um túnel para dentro. Parece que me desfolho. Fica tudo do avesso. Olho para os meus braços e vejo músculos, veias, sangue, carne. Tudo de fora. E eu ligeirinha. A correr por dentro de mim, a escorregar na pele virada para dentro. Suave, quente e lisa.
Diz-me o psicanalista ( coisa fina...) que já pareci uma "morta-viva". Que foi por um triz.
Que disparate! Não sinto nada disso. Desprezo o dramatismo que imprimem ao que me dizem. Sabem lá que não estive a anos-luz de me acabar. E daí?
A vida imortaliza-nos. Em oposição ao esquecimento. Quem nunca viveu não esquece. Acontece que não quero esquecer. Nunca quis. Nunca o fiz. Lembro-me de tudo. Quero que assim seja. Preciso da memória para para lembrar, para me reconciliar. Com o que me magoou, me mudou, me enganou.
E comigo, sobretudo. Apaziguar-me com as recordações dolorosas, integrá-las em mim, tijolos do meu Ser. Produzir a mais sublime alquimia. A transformação do prosaico em divino.
Pronto! Era só isto, afinal. Parece pouco mas está cá tanto. Tenho as vísceras expostas há tempo demais. É bom que reponha a ordem. Foram muitas as ajudas. Colos imensos de cá e espalhados na Europa, pilares no Brasil, em Amsterdão e na Suécia. Também houve faltas e desilusões, mas por isso mesmo se diz que é na adversidade que se conhecem os amigos. Ou, como diz o povo" só faz falta quem cá está".
Sei que a BlueVelvet que volta não é a mesma. Talvez seja mais Blue que Velvet, mas também não pensei voltar e aqui estou.
Se de vez em quando resvalar, conto que desculparão.

20 September 2009

TÔ VOLTANDO!

11 September 2009

(8) NOVA IORQUE,MEU AMOR...IN MEMORIAM



Porque há coisas que simplesmente ultrapassam a nossa compreensão e envergonham toda a Humanidade.
É bom não esquecer!

O OUTRO 11 DE SETEMBRO


Estadio de Chile

Somos cinco mil aquí.
En esta pequeña parte de la ciudad.
Somos cinco mil.
¿Cuántos somos en total
en las ciudades y en todo el país?
Somos aquí diez mil manos
que siembran y hacen andar las fábricas. ¡Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores,
uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.
¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera sin mportarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
¿Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
¿Para esto tus siete días de asombro y trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número que no progresa.
Que lentamente querrá la muerte.
Pero de pronto me golpea la consciencia
y veo esta marea sin latido
y veo el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona lleno de dulzura.
¿Y México, Cuba, y el mundo?
¡Qué griten esta ignominia!
Somos diez mil manos que no producen.
¿Cuántos somos en toda la patria?
La sangre del Compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.
Canto, que mal me sales
cuando tengo que cantar espanto.
Espanto como el que vivo, como el que muero, espanto.
De verme entre tantos y tantos momentos del infinito
en que el silencio y el grito son las metas de este canto.
Lo que nunca vi, lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento....
Victor Jara executado a 15 de Setembro

Também foi a 11 de Setembro.
No Chile.
Para que não seja esquecido.

4 September 2009

2 ANOS DEPOIS...


A 1 de Setembro de 2007 dei início a esta aventura virtual sem fazer a menor ideia da repercussão que isso teria na minha vida.
Nada sabia de blogs, de comentários, de sitemeters e de muitas outras coisas que fui aprendendo com o tempo.
Muito menos sabia que viria a morar num bairro com vizinhas, condomínio e PresidentA.
Que se aplicavam coimas a certos vizinhos que tentam desvirtuar o bom nome do bairro. Que havia uns saquitos azuis que, de vez em quando têm que ser alimentados...
Como os meus alemães têm andado às turras, passou-me completamente que no dia 1 o BlueVelvet fez 2 anos. Aliás, quem me lembrou foi o tal vizinho descarado.
1,169 Posts depois, 37924 visitantes, um monte prémios que valem pelo carinho com que foram oferecidos, o saldo é, naturalmente positivo.
Fiz amizades que saltaram do écran, e outras, que mesmo sendo virtuais não deixam de ser importantes.
Neste mundo globalizado tenho vizinhas no Porto, na Linha, por todo o país, em Amesterdão, na Alemanha, na Suécia e no meu querido Brasil.
Não há festa por aqui, nem bolos nem champagne.
Simplesmente um enorme agradecimento a quem tem acompanhado esta fase menos boa da minha vida e que me tem feito chegar por várias vias, o seu carinho, o seu apoio e o seu humor para me animar. Nesse aspecto, não posso deixar de salientar a Pitanga que me provoca de todas as maneiras que inventa para me fazer sorrir e o SalvoConduto cujas mensagens vêm direitinhas ao meu coração.
Os outros, sabem quem são.
Deixo-vos com a imagem com que o BlueVelvet começou...para mais tarde recordar!

3 September 2009

LEVE


Quem me conhece e julgo que também quem me lê, sabe que não morro de amores por MST.
Quem me conhece sabe porquê.
Mas, às vezes escreve coisas muito acertadas como diria a tia Sofia, que na altura dos meus dez anos ainda não se chamava Sophia.
Enfim, adiante.
Encontrei há dias este escrito dele. O assunto era outro mas retirei esta parte, já que a política cada vez me interessa menos além de me fazer mal à saúde.
Garanto que o facto de estar fora do contexto, não retira em nada o sentido que lhe quis dar.

"Ultimamente tenho sido industriado num conceito novo sobre a vida que é também uma filosofia de vida: ser "leve". Ser "leve" é o contrário de ser "pesado", é, parece, a capacidade de levar as coisas sempre de uma forma ligeira, de não se preocupar demasiadamente com nada nem dar demasiada importância a coisa alguma. Aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, as pessoas "leves" levam tudo na despreocupada: nada deve ser suficientemente grave ou importante para que deixem de rir e de sorrir todo o tempo e em todas as circunstâncias. Trata-se de um conceito moderno e urbano, que a mim me deixa um pouco baralhado, até porque nos últimos anos tenho aprendido a preferir cada vez mais a chuva no campo do que os dias cinzentos na cidade. É verdade que os portugueses sorriem pouco e que sorrir faz bem à saúde e torna as pessoas mais bonitas. Mas lembro-me de a minha mãe dizer que os que vivem eternamente felizes e despreocupados, sempre a rir ou a sorrir, ou são parvos ou são inconscientes. Sim, porque é difícil distinguir onde acabam as virtudes de ser "leve" e começa a estupidez de ser leviano. A fronteira não é clara e há-de ser estreita.

Mas de uma coisa estou certo: só se pode levar as coisas numa "leve" quando se tem condições para tal. Quem vive em quadros de miséria e carência, quem tem da vida urbana uma paisagem de subúrbios desumanizados, quem tem problemas sérios de saúde, quem viu morrer um filho ou alguém muito próximo e amado, quem viu morrer uma após outra todas as ilusões, ou não é "leve" ou anda a Prozac.
Poder ser "leve" é um privilégio, não toca a todos."

Miguel SousaTavares
Janeiro de 2009


Já agora esclareço que este texto não consegue responder a uma pergunta que me persegue há anos: porquê que os estúpidos são mais felizes que os inteligentes? Será por pensarem menos? Por terem menos dúvidas? Por fazerem menos perguntas? Ou por serem mais leves?

30 August 2009

PEDIRAM-ME UM SINAL


Em desespero de causa alguém disse:
- Levem-na à praia.
Os deuses no Olimpo reuniram-se: Rá resolveu brilhar em todo o seu esplendor. Neptuno desdobrou-se em ondas de espuma branca próprias para mergulhar de cabeça. Éolo soprou-lhe uma brisa leve para não sentir tanto a temperatura da àgua.
E ela viu o mar que não via há uma ano.
Soltando a mão que a amparava amorosamente, ela caminhou bem devagar até ao sítio onde as ondas lhe beijaram os pés.
Foi andando sempre em frente sem olhar para trás, até que Neptuno resolveu brincar com ela e envolveu-a numa onda que a levou e lhe lavou a alma. Quando se pôs em pé as lágrimas misturavam-se com a àgua que lhe escorria pelo corpo. E correu e mergulhou e nadou e riu como há muito, muito tempo não fazia.
Quando saiu um grupo de brasileiros tocava uma das suas músicas preferidas. E ela dançou como há muito tempo não dançava.
Não sei se foi um recomeço ou um adeus.
Talvez os Deuses saibam.

8 August 2009

THE SHOW MUST GO ON


Inside my heart is breaking
My make-up may be flaking
But my smile still stays on
My soul is painted like the wings of butterflies
Fairy tales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends.

The show must go on

The show must go on, by The Queen

4 August 2009

CHEGAM PALAVRAS....


Chegam palavras chegam recados
Chegam saudades que enternecem
Chegam palavras chegam recados
Chegam amigos que não esquecem
Dentro das cartas com as palavras
Chegam sementes que florescem.
Fernando Tordo " Chegam Palavras"


Para todos os que ainda não me esqueceram e continuam a mandar recados.
Obrigada.

7 July 2009

SILÊNCIO SOFRIDO


Aprendi a língua do silêncio.
Alguns dos meus pensamentos são grandes demais para o mundo, e o que compõe o mundo é pequeno demais para os meus pensamentos.
Mas só um metro e setenta como eu tem dificuldade em guardá-los bem.
Já fiz o teste de rabiscar numa folha de papel e depois deitá-los fora, mas até os mais absurdos e mais insignificantes não merecem ir para o lixo.
Quando tentam escapulir-me, aperto os olhos e cerro os dentes ou então, deito-os a dormir mesmo que não haja sono no meu corpo.
E de repente, eles surgem no sonho, alguns com cenários bonitos e coloridos, outros em forma de pesadelo, trazendo com eles a angústia, a taquicardia e a vontade de cobrir o corpo dos pés à cabeça com um lençol, como se fosse um escudo.
Por isso... aprendi a língua do silêncio.
Apesar de ter a sensação que a qualquer momento irei explodir.