Há que tempos que não escrevo!... E, mesmo agora, já apaguei sei lá quantas frases começadas. Nunca faço isso. Escrevo sempre de enxurrada, sem censura nenhuma, sem reler.
Estou plena de coisas para dizer. Devo ter deixado passar tempo demais e agora está tudo compactado cá dentro, uma amálgama de sentires todos misturados, já sem características próprias. E como falar dessa massa de cor parda já sem forma nem conteúdo distinto?
Faço uma pausa. Fecho os olhos e cavo um túnel para dentro. Parece que me desfolho. Fica tudo do avesso. Olho para os meus braços e vejo músculos, veias, sangue, carne. Tudo de fora. E eu ligeirinha. A correr por dentro de mim, a escorregar na pele virada para dentro. Suave, quente e lisa.
Diz-me o psicanalista ( coisa fina...) que já pareci uma "morta-viva". Que foi por um triz.
Que disparate! Não sinto nada disso. Desprezo o dramatismo que imprimem ao que me dizem. Sabem lá que não estive a anos-luz de me acabar. E daí?
A vida imortaliza-nos. Em oposição ao esquecimento. Quem nunca viveu não esquece. Acontece que não quero esquecer. Nunca quis. Nunca o fiz. Lembro-me de tudo. Quero que assim seja. Preciso da memória para para lembrar, para me reconciliar. Com o que me magoou, me mudou, me enganou.
E comigo, sobretudo. Apaziguar-me com as recordações dolorosas, integrá-las em mim, tijolos do meu Ser. Produzir a mais sublime alquimia. A transformação do prosaico em divino.
Pronto! Era só isto, afinal. Parece pouco mas está cá tanto. Tenho as vísceras expostas há tempo demais. É bom que reponha a ordem. Foram muitas as ajudas. Colos imensos de cá e espalhados na Europa, pilares no Brasil, em Amsterdão e na Suécia. Também houve faltas e desilusões, mas por isso mesmo se diz que é na adversidade que se conhecem os amigos. Ou, como diz o povo" só faz falta quem cá está".
Sei que a BlueVelvet que volta não é a mesma. Talvez seja mais Blue que Velvet, mas também não pensei voltar e aqui estou.
Se de vez em quando resvalar, conto que desculparão.
22 September 2009
PARECE QUE FOI HÁ TANTO TEMPO!
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Tuesday, September 22, 2009 14 nhận xét
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20 September 2009
TÔ VOLTANDO!
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Sunday, September 20, 2009 9 nhận xét
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11 September 2009
(8) NOVA IORQUE,MEU AMOR...IN MEMORIAM

Porque há coisas que simplesmente ultrapassam a nossa compreensão e envergonham toda a Humanidade.
É bom não esquecer!
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Friday, September 11, 2009 14 nhận xét
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O OUTRO 11 DE SETEMBRO
Somos cinco mil aquí.
En esta pequeña parte de la ciudad.
Somos cinco mil.
¿Cuántos somos en total
en las ciudades y en todo el país?
Somos aquí diez mil manos
que siembran y hacen andar las fábricas. ¡Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores,
uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.
¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera sin mportarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
¿Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
¿Para esto tus siete días de asombro y trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número que no progresa.
Que lentamente querrá la muerte.
Pero de pronto me golpea la consciencia
y veo esta marea sin latido
y veo el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona lleno de dulzura.
¿Y México, Cuba, y el mundo?
¡Qué griten esta ignominia!
Somos diez mil manos que no producen.
¿Cuántos somos en toda la patria?
La sangre del Compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.
Canto, que mal me sales
cuando tengo que cantar espanto.
Espanto como el que vivo, como el que muero, espanto.
De verme entre tantos y tantos momentos del infinito
en que el silencio y el grito son las metas de este canto.
Lo que nunca vi, lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento....
Victor Jara executado a 15 de Setembro
Também foi a 11 de Setembro.
No Chile.
Para que não seja esquecido.
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Friday, September 11, 2009 4 nhận xét
Nhãn: 11 de Setembro , Chile
4 September 2009
2 ANOS DEPOIS...
Nada sabia de blogs, de comentários, de sitemeters e de muitas outras coisas que fui aprendendo com o tempo.
Muito menos sabia que viria a morar num bairro com vizinhas, condomínio e PresidentA.
Que se aplicavam coimas a certos vizinhos que tentam desvirtuar o bom nome do bairro. Que havia uns saquitos azuis que, de vez em quando têm que ser alimentados...
Como os meus alemães têm andado às turras, passou-me completamente que no dia 1 o BlueVelvet fez 2 anos. Aliás, quem me lembrou foi o tal vizinho descarado.
1,169 Posts depois, 37924 visitantes, um monte prémios que valem pelo carinho com que foram oferecidos, o saldo é, naturalmente positivo.
Fiz amizades que saltaram do écran, e outras, que mesmo sendo virtuais não deixam de ser importantes.
Neste mundo globalizado tenho vizinhas no Porto, na Linha, por todo o país, em Amesterdão, na Alemanha, na Suécia e no meu querido Brasil.
Não há festa por aqui, nem bolos nem champagne.
Simplesmente um enorme agradecimento a quem tem acompanhado esta fase menos boa da minha vida e que me tem feito chegar por várias vias, o seu carinho, o seu apoio e o seu humor para me animar. Nesse aspecto, não posso deixar de salientar a Pitanga que me provoca de todas as maneiras que inventa para me fazer sorrir e o SalvoConduto cujas mensagens vêm direitinhas ao meu coração.
Os outros, sabem quem são.
Deixo-vos com a imagem com que o BlueVelvet começou...para mais tarde recordar!
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Friday, September 04, 2009 24 nhận xét
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3 September 2009
LEVE
Quem me conhece sabe porquê.
Mas, às vezes escreve coisas muito acertadas como diria a tia Sofia, que na altura dos meus dez anos ainda não se chamava Sophia.
Enfim, adiante.
Encontrei há dias este escrito dele. O assunto era outro mas retirei esta parte, já que a política cada vez me interessa menos além de me fazer mal à saúde.
Garanto que o facto de estar fora do contexto, não retira em nada o sentido que lhe quis dar.
"Ultimamente tenho sido industriado num conceito novo sobre a vida que é também uma filosofia de vida: ser "leve". Ser "leve" é o contrário de ser "pesado", é, parece, a capacidade de levar as coisas sempre de uma forma ligeira, de não se preocupar demasiadamente com nada nem dar demasiada importância a coisa alguma. Aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, as pessoas "leves" levam tudo na despreocupada: nada deve ser suficientemente grave ou importante para que deixem de rir e de sorrir todo o tempo e em todas as circunstâncias. Trata-se de um conceito moderno e urbano, que a mim me deixa um pouco baralhado, até porque nos últimos anos tenho aprendido a preferir cada vez mais a chuva no campo do que os dias cinzentos na cidade. É verdade que os portugueses sorriem pouco e que sorrir faz bem à saúde e torna as pessoas mais bonitas. Mas lembro-me de a minha mãe dizer que os que vivem eternamente felizes e despreocupados, sempre a rir ou a sorrir, ou são parvos ou são inconscientes. Sim, porque é difícil distinguir onde acabam as virtudes de ser "leve" e começa a estupidez de ser leviano. A fronteira não é clara e há-de ser estreita.
Mas de uma coisa estou certo: só se pode levar as coisas numa "leve" quando se tem condições para tal. Quem vive em quadros de miséria e carência, quem tem da vida urbana uma paisagem de subúrbios desumanizados, quem tem problemas sérios de saúde, quem viu morrer um filho ou alguém muito próximo e amado, quem viu morrer uma após outra todas as ilusões, ou não é "leve" ou anda a Prozac.
Poder ser "leve" é um privilégio, não toca a todos."
Miguel SousaTavares
Janeiro de 2009
Já agora esclareço que este texto não consegue responder a uma pergunta que me persegue há anos: porquê que os estúpidos são mais felizes que os inteligentes? Será por pensarem menos? Por terem menos dúvidas? Por fazerem menos perguntas? Ou por serem mais leves?
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Thursday, September 03, 2009 10 nhận xét
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30 August 2009
PEDIRAM-ME UM SINAL
- Levem-na à praia.
Os deuses no Olimpo reuniram-se: Rá resolveu brilhar em todo o seu esplendor. Neptuno desdobrou-se em ondas de espuma branca próprias para mergulhar de cabeça. Éolo soprou-lhe uma brisa leve para não sentir tanto a temperatura da àgua.
E ela viu o mar que não via há uma ano.
Soltando a mão que a amparava amorosamente, ela caminhou bem devagar até ao sítio onde as ondas lhe beijaram os pés.
Foi andando sempre em frente sem olhar para trás, até que Neptuno resolveu brincar com ela e envolveu-a numa onda que a levou e lhe lavou a alma. Quando se pôs em pé as lágrimas misturavam-se com a àgua que lhe escorria pelo corpo. E correu e mergulhou e nadou e riu como há muito, muito tempo não fazia.
Quando saiu um grupo de brasileiros tocava uma das suas músicas preferidas. E ela dançou como há muito tempo não dançava.
Não sei se foi um recomeço ou um adeus.
Talvez os Deuses saibam.
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Sunday, August 30, 2009 15 nhận xét
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8 August 2009
THE SHOW MUST GO ON
My make-up may be flaking
But my smile still stays on
My soul is painted like the wings of butterflies
Fairy tales of yesterday will grow but never die
I can fly - my friends.
The show must go on
The show must go on, by The Queen
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Saturday, August 08, 2009 23 nhận xét
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4 August 2009
CHEGAM PALAVRAS....
Chegam saudades que enternecem
Chegam palavras chegam recados
Chegam amigos que não esquecem
Dentro das cartas com as palavras
Chegam sementes que florescem.
Fernando Tordo " Chegam Palavras"
Obrigada.
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Tuesday, August 04, 2009 21 nhận xét
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7 July 2009
SILÊNCIO SOFRIDO
Alguns dos meus pensamentos são grandes demais para o mundo, e o que compõe o mundo é pequeno demais para os meus pensamentos.
Mas só um metro e setenta como eu tem dificuldade em guardá-los bem.
Já fiz o teste de rabiscar numa folha de papel e depois deitá-los fora, mas até os mais absurdos e mais insignificantes não merecem ir para o lixo.
Quando tentam escapulir-me, aperto os olhos e cerro os dentes ou então, deito-os a dormir mesmo que não haja sono no meu corpo.
E de repente, eles surgem no sonho, alguns com cenários bonitos e coloridos, outros em forma de pesadelo, trazendo com eles a angústia, a taquicardia e a vontade de cobrir o corpo dos pés à cabeça com um lençol, como se fosse um escudo.
Por isso... aprendi a língua do silêncio.
Apesar de ter a sensação que a qualquer momento irei explodir.
Được đăng bởi BlueVelvet vào lúc Tuesday, July 07, 2009 39 nhận xét
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Acerca de mim
- BlueVelvet
- "CARPE DIEM" Mulher, Mãe, Advogada. Interessada em tudo o que acontece no Mundo. Politicamente incorrecta, SEMPRE. E, como diria Mário Quintana: Aquilo que falam de mim, não me diz respeito!
VELUDINHOS
Bluevelvet"s Favourites
AMIGOS SÃO O MELHOR DO MUNDO
Posso lá imaginar algo mais belo
do que uma formosa mulher
vestida da cor do céu, ao anoitecer,
com o toque delicado do veludo,
deixando seus ombros ebúrneos aparecer
bem como o seu colo que, com pudor, aludo,
iluminada por uns olhos brilhantes de fulgor?
Donagata em 21-02-2009
fábula de veludo
momentos antes de
imaginar um raio de
sol sobre esse corpo
soube o seu nome:
vi as letras
esculpidas
li na noite
uma voz
dediquei-lhe
o silêncio
Fábulas Incompletas
Dezembro 2009







