21 March 2010

DIZEM QUE A PRIMAVERA CHEGOU!


Mas o tempo desmente o facto.

O céu está cinzento, está frio e volta e meia chove.
Tal como com o vestuário, em que as mulheres têm que decidir entre vestirem-se de acordo com a estação ou com o tempo que faz, também tive essa dúvida quanto ao layout do blog.
Um blog que ainda por cima está parado.
Mas a minha fazedora de layouts privativa, fez um layout tão doce e tão primaveril que não resisti a mudar. Aquelas meninas à chuva ainda tornavam a ausência de posts mais triste.
Mudámos então!
Não significa isso que vá voltar. Infelizmente não é o caso.
A minha vida pessoal não me ajuda a escrever nada que interesse aos outros.
Mas, como diria o meu querido vizinho Salvo, "Estou troncha, troncha de saudades" de todos os que, de uma maneira mais chegada uns, de uma forma mais expectante outros, reclamam a minha volta.
Não sei quando e SE haverá volta, mas a todos os que não desistiram de mim posso dizer que também não desisti.
Pitanga podes esperar. Salvo, talvez dê para matarmos saudades.
Para todos o meu obrigada, e se a vida permitir " Até já".
A esperança chegou de uma forma inusitada e inesperada.
E porque hoje se comemora o Dia Internacional da Poesia, aqui fica, para todos,

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa

27 February 2010

( 48) NÃO RESISTI


Ainda que com alguns dias de atraso, NÃO RESISTI, a agradecer a uma vizinha de outro bairro, que no dia dos meus anos organizou uma festa blogsférica, só com vizinhos dela que fizeram o favor de me vir dar os Parabéns.
Nunca vi nada tão bem organizado.
De caminho ainda me ofereceu esta imagem que me aqueceu o coração.
Do meu bairro, nada que se parecesse com os anos anteriores.
Ainda assim, da Alemanha vieram estas lindas flores para me alegrar.
A ambas agradeço de todo o coração terem tornado o meu dia melhor.
A todos, sem excepção, que cá passaram, o meu muito obrigada.
Fica a constatação que " quem não aparece esquece" e que quando mais precisamos dos amigos é quando eles nos faltam.

21 February 2010

ANIVERSÁRIO


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,

com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa (1888-1935)

10 February 2010

E VÂO LÁ 3 ANOS


O tempo não cura tudo.
Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.
Martha Medeiros

8 February 2010

8 ( ESTE COMENTÁRIO DAVA UM POST)


Há solidões intransponíveis, com as quais temos de conviver. E por vezes o silêncio acaba por ser a única ponte entre dois pensamentos...

JUSTINE

4 February 2010

PALAVRAS...


As palavras ajudam-nos na comunicação, mas como podemos ter a certeza que as pessoas nos compreendem verdadeiramente?!
Elas não sentem exactamente o mesmo que nós.
Já Fernando Pessoa dizia: "The abyss from soul to soul cannot be bridged."
Por mais palavras que usemos, muitas das coisas que dizemos nunca são totalmente percebidas.
Porque só o outro sabe o que vai na sua cabeça assim como só eu sei o que vai na minha.
E por isso, quando nos dizem: "Eu percebo o que estás a passar", até são capazes de perceber, mas à maneira deles, nunca sentindo nem nunca percebendo o que tu sentes.

3 February 2010

..........


The Exploding Clock by Salvador Dali

Cansaço.
Um cansaço que não é fisico.
Nem psíquico.
Um cansaço que não existe.
Ou se existe
Só se sente porque está cansado.
Cansada.
Cansada do que sou.
Do que fui
E deixei de ser.
Cansada de um sentimento cansado.
Cansaço.
Daquele que ninguém explica.
Que pouca gente sente.
Um cansaço.
De tudo.
Um cansaço de nada.
Cansaço
Do que não existe.
Se o cansaço.
Existe.

31 January 2010

(28) PORQUE É FIM-DE-SEMANA

MySpace-Comments

Mirtes não se aguentou e contou para a Lurdes:
Viram teu marido entrando num motel.
A Lurdes abriu a boca e arregalou os olhos. Ficou assim, uma estátua de espanto, durante um minuto, um minuto e meio. Depois pediu detalhes.
- Quando? Onde? Com quem?
- Com quem? Com quem?
– Isso eu não sei.
- Mas como? Era alta? Magra? Loira? Puxava de uma perna?
– Não sei, Lu.
- Carlos Alberto me paga. Ah, me paga.
Quando o Carlos Alberto chegou em casa a Lurdes anunciou que iria deixá-lo e contou por quê.
- Mas que história é essa, Lurdes? Você sabe quem era a mulher que estava comigo no motel. Era você!
- Pois é. Maldita hora em que eu aceitei ir. - Discretíssimu's!Toda a cidade ficou sabendo. Ainda bem que não me identificaram.
- Pois então?
– Pois então, que eu tenho que deixar você. Não vê? É o que todas as minhas amigas esperam que eu faça. Não sou mulher de ser enganada pelo marido e não REAGIR.
- Mas você não foi enganada. Quem estava comigo era você!
– Mas elas não sabem disso!
– Eu não acredito, Lurdes! Você vai desmanchar nosso casamento por isso? Por uma convenção?
– Vou!
– Mais tarde, quando Lurdes estava saindo de casa, com as malas, o Carlos Alberto interceptou-a. Estava sombrio:
- Acabo de receber um telefonema – disse. - Era o Dico.
- O que ele queria?
– Fez mil rodeios, mas acabou me contando. Disse que, como meu amigo, tinha que contar.
- O quê?
– Você foi vista saindo do motel Discretíssimus, ontem, com um homem.
- O homem era você!
– Eu sei, mas eu não fui identificado.
- Você não disse que era você?
– O quê? Para que os meus amigos pensem que eu vou a motel com a minha própria mulher?
– E então?
– Desculpe, Lurdes, mas...
– Mas o quê??
- Vou ter que te dar uma surra...

MORAL DA HISTÓRIA:DEVEMOS CUIDAR APENAS DA NOSSA SAÚDE, POIS DA NOSSA VIDA, TODO MUNDO CUIDA...

30 January 2010

(47) NÃO RESISTI



28 January 2010

CIRCO DE SENTIMENTOS ESCRITO A 4 MÃOS


Adorava ter o dom de conseguir transpor para o papel o ritmo do circo que está instalado cá em casa. O meu pai anunciou alto e bom som que tenciona viver até aos 90 anos. Responde a minha mãe:
- Pudera, não faz nada e toda a gente o apaparica. Assim também nós, responde em coro toda a gente.
- Deixem-se lá de conversas, e dêem-me os presentes, diz o meu pai com um ar digníssimo, batendo com a bengala no chão. ( Como não percebeu que aquela coisa dos euros está um bocado em falta por estes lados, tivemos que nos virar para arranjar presentes)
TRIM....TRIM...TRIM...desato a correr, tropeço no Sebastião e agarro nos auscultadores do meu lap top. É o meu filho de Nova Iorque, que quer falar com o avô. Chamo-o, ele lá vem com a sua bengala com o punho de prata no ar ( nunca percebi para quê que ele quer a bengala, porque não se apoia nela, anda com ela no ar!) e eu digo-lhe:
- Vá fale.
- Falo com quem?
- Com o Gonças.
- Não falo nada. Pareço parvo a falar pró ar, sózinho.
Entretanto o Sebastião ladra feito doido, assim que ouve a voz do meu filho. Não sei se é do champagne ou porque também não percebe onde está o Gonças. Nisto, no canto direito do écran, aparece um sinal a dizer que entrou um mail de uns amigos meus a quem chamo " Gatos". Dou um salto, tropeço no fio do microfone que estava enrolado no copo das canetas e lápis, e Zás: trinta canetas e lápis no chão. A Carlota( namorada do Martini man) chora a rir. O Martiniman, ( meu filho mais novo) com aquele ar da fotografia pergunta:
- O q foi? Que excitação é essa? Quem é que ligou? Foi algum admirador da mãe?
Levou logo com os lápis e canetas que eu já tinha apanhado, na cabeça.
-Não parvo, são os gatos.
- Gatos? Que gatos? Vocês agora também têm gatos, perguntam os presentes em coro. A Carlota continua a rir que nem uma perdida. Aqui, desisti. Sentei-me no chão, mandei toda a gente para o salão e resolvi vir escrever este post.
Escrever sôbre a fragilidade do amor, da vida, deste circo. Sinto tanto isso quando olho para o meu pai, tão frágil, tão dependente de mim, quando foi ele que sempre tive como ideia de segurança. Foi sempre ele o meu porto seguro.
Às vezes penso:- Será que já lhe disse bastantes vezes que o amo?É que por acaso chateia-me um bocado que no nosso meio social, as pessoas bem educadas não possam manifestar as suas emoções em público. A minha avó dizia sempre" Uma senhora nunca chora em público.” O caraças q não chora. E a história do beijinho. Só se pode dar um, senão somos saloios. Pior só mesmo um homem usar meias brancas...
A Carlota diz que a 1ª vez que veio cá a casa, estava morta de medo de mim, Vinha no elevador e perguntou, de repente, ao Guigas:
- À sua mãe dá-se 1 beijinho ou 2? Tá parva? 1 claro.
Diz ela: Ó tia, até me tremiam as pernas. Afinal a tia é uma gaja porreira que apetece cobrir de beijos. He...He...He...
Foi aí que me lembrei do Mec.
Escreveu ele, numa noite de muitos copos, como eram dantes, quase sempre as noites dele:

É minha convicção profunda, que temos o enorme dever, para com as pessoas amadas, de tratá-las como se tivessem morrido na véspera e voltado, por milagre, durante só mais um dia. “Obrigada! Obrigada! Obrigada! e ó pá, por amor de Quem te fez, vê lá essa merda, e não me abandones já”. Em suma: tem filhos pequeninos? Pais idosos? Um irmão imperfeito? Um amante querido, a ponto de perder o juízo? Amigos que calharam aparecer-lhe na vida?Pois bem: que se vá lá ter e nunca se desista. Tomem lá disto. Beijocas naquelas bochechas. Exploração sentimental desenfreada. Anda cá senão eu fino-te. Não me vou daqui sem um abraço. Coceguinhas, nas manhãs frias, nos corpos quentinhos, ouvindo risos abafados debaixo dos lençóis, lambidelas nos pescoços perfumados, abraços apertados que protegem e nos protegem. Chega-me esses lábios à boca antes que eu me desavenha de tanto os cobiçar, ó desgraçado do meu coração doente.Hoje. Não deixes para amanhã.Fica hoje com quem amas. Diz-lhe, hoje. Aquece-lhe as mãos e o coração. Para não ficares depois com o olhar parado das missas de corpo presente. Já repararam nos olhares parados dos presentes quando o ausente é já só um corpo que também já não está presente? E a cara pasmada, como quem diz” Como é que isto foi acontecer? “ Porquê agora? “ Porquê ele? “ Porque é assim, ora bolas. Porquê a arrogância de acharmos que a nós não aconteceria? Acontece, porra, acreditem. Não paguem para ver. A nossa obrigação e inteligência é fartarmo-nos das pessoas de quem gostamos, levarmos com elas dia e noite. Só olhar para outra pessoa de quem não se goste imensamente, é, no mínimo, perda de tempo. Temos de lá ir. Temos de lá estar. Temos de levar com elas e eles até já não podermos mais. As pessoas amadas são como o melhor champagne do Mundo: eu nomeio o Taittinger. Não; por acaso até nem são. São incomparáveis. Porque a saudade delas é como uma ressaca de ter bebido de menos - dói mais por não ter por onde doer menos. Pergunta para estúpidos, presente autora incluída: - Haverá coisa mais triste do que sofrer pelo que não se teve, e esteve, tendo podido ter e estado? sabendo que teríamos sido bem-vindos e recebidos e amados? Resposta científica: Após quarenta e tal anos de pesquisa exaustiva, feita nas muitas fases da minha vida, uma palavra apenas obtive: Não!Fartem-se das pessoas que amam. Tornem-se chatos para elas. Pensem na morte - a tal que vamos todos morrer. Minimizem os prejuízos. Apanhem secas delas - e dêem-lhes também as vossas, correspondentes, para que quando morrerem possam quase respirar de alívio.Que andamos nós aqui a fazer? Não é como se houvesse um mundo melhor onde pudéssemos estar.Não há. O único que conhecemos é este, e nós, algumas, já sabemos quem são as pessoas que podemos tornar felizes. As pessoas que nos alegram. E às vezes, muito raramente, aparecem outros, poucos, tão poucos, que cruzam a nossa vida para tornar os intervalos suportáveis. Às vezes calharam aparecer-me na vida. Pode-se ser amigo de alguém que se conhece assim, tão pouco, só de olhar, e tendo uma peneira tão fininha como a minha? Pode, se se tiver o coração aberto e se sentirem ondas quentinhas para cá e para lá.E depois? Depois logo se vê, como diz esta escritora maluca.
Prefiro arrepender-me do q fiz do q não fiz.
Em tudo na vida.

And this concludes the votes of the portuguese jury.