Como diz a Pitanga, eu zangada sou um perigo e ela tem razão.
Poderão pensar: - que coisa, não parecia nos últimos dias. Deve ser desequilibrada!
Engano vosso.
É exactamente para manter o equilíbrio e a sanidade mental que de vez em quando saio da realidade triste, mentirosa e imunda que emporcalha o mundo que nos rodeia e nos emporcalha, se não tivermos muito, muito cuidado.
É só abrir uma pequena brecha, baixar um pouco a guarda e a merda vem à superfície.
Normalmente está misturada com o lodo, onde as mentes pequenas, frustradas e perversas se escondem.
Mas a verdade é que por aqui ainda ninguém me viu rodar a baiana.
Há uma escritora brasileira, julgo que pouco conhecida entre nós, que escreve o que eu gostaria de escrever mas me falta a coragem. Por agora.
É dela este texto que vos deixo.
"Quem faz intrigas sobre a vida alheia quer ter algo de sua autoria, uma obra que se alastre e cresça, que se torne pública e que seja muito comentada. Algo que lhe dê continuidade. É por isso que fofocar é uma tentação. Porque nos dá, por poucos minutos, a sensação de ser portador de uma informação valiosa que está sendo gentilmente dividida com os outros. Na verdade, está-se exercitando uma pequena maldade, não prevista no Código Penal. Fofocas podem provocar lesões emocionais. Por mais inocente ou absurda, sempre deixa um rastro de desconfiança. Onde há fumaça há fogo, acreditam todos, o que transforma toda fofoca numa verdade em potencial. Não há fofoca que compense.
Se for mesmo verdade, é uma bala perdida.
Se for mentira, é um tiro pelas costas."
Martha Medeiros
Assino em baixo e acrescento: não gosto de canários.





