30 November 2007

2 CARTAS DE AMOR

CARTA DE AMOR ENVIADA POR GEORGES SAND A ALFRED DE MUSSET
Cher ami,
Je suis toute émue de vous dire que j'ai
bien compris l'autre jour que vous aviez toujours
une envie folle de me faire
danser. Je garde le souvenir de votre
baiser et je voudrais bien que ce soit
une preuve que je puisse être aimée
par vous. Je suis prête à montrer mon
affection toute désintéressée et sans cal
cul, et si vous voulez me voir ainsi
vous dévoiler, sans artifice, mon âme
toute nue, daignez me faire visite,
nous causerons et en amis franchement
je vous prouverai que je suis la femme
sincère, capable de vous offrir l'affection
la plus profonde, comme la plus étroite
amitié, en un mot : la meilleure épouse
dont vous puissiez rêver. Puisque votre
âme est libre, pensez que l'abandon ou je
vis est bien long, bien dur et souvent bien
insupportable. Mon chagrin est trop
gros. Accourrez bien vite et venez me le
faire oublier. À vous je veux me sou
mettre entièrement.
Votre poupée

Esta carta foi escrita entre 1833 e 1834.
Experimentem ver como teria sido escrita hoje.
Para isso, leiam uma linha sim uma linha não, começando em : Je suis toute émue.

Naturalmente que eu prefiro a primeira. Mas eu sou uma romântica!
E vocês?

29 November 2007


PREXENTINHOS PARA TODOS

LEVEM UM COM DESEJOS DE BOM NATAL

POSSO FAZER UMA PERGUNTA?




POSSO FAZER UMA PERGUNTA?

POSSO MESMO? SÉRIO?

FALTA MUITO PARA SEXTA-FEIRA????

27 November 2007

GEORGE CARLIN - UMA REFLEXÃO SOBRE A IDADE




George Carlin é um dos maiores comediantes americanos, e seguramente aquele que mais admiro, dentro do seu género.
Ganhou um imenso número dos mais importantes prémios para a categoria de comédia:
4 Grammies para discos gravados, o prémio de melhor comediante masculino de televisão em 1997 e o prémio de ComedyLifetime Achievement em Comédia em 2001.
Gravou discos, fez filmes e escreveu livros. Em todo este universo ganhou prémios.
No final dos anos 70 foi campeão de audiências com o seu espectáculo mais famoso " Seven words you can never say on Television", mas foi também aquele que o levou à prisão, acusado de ter violado as leis contra a obscenidade.
O caso foi levado até ao Supremo Tribunal e Carlin ganhou por 5 votos contra 4, tendo sido declarado que o show era indecente mas não obsceno, mas foi proibido nas horas em que a audiência ainda podia ter crianças acordadas.
Naturalmente que os documentos que saíram do Supremo Tribunal tinham a transcrição do show, o que veio validar o pensamento de que" Não se pode definir obscenidade sem se ser obsceno".
Tendo nascido em 1937 e abandonado os palcos em 1972, naturalmente que quase tudo o que vi dele não é do nosso tempo, mas tudo o que critica é extremamente actual.
É uma personalidade tão respeitada que existem dezenas de citações dele na net, em livros ou em espectáculos.
O seu humor era mordaz e até cruel, mas retratava com frieza o Mundo em que vivemos.
Algumas das suas citações:
Há noites em que os lobos estão silenciosos e só a lua uiva.
Não há presente. Apenas há o futuro imediato e o passado recente.
Well, if crime fighters fight crime and fire fighters fight fire, what do freedom fighters fight? They never mention that part to us, do they?

Uma das coisas que escreveu e de que mais gosto são reflexões sobre a idade.
Escrevo em Inglês porque não há hipótese de traduzir, sob pena do texto perder o sentido, tal como a última citação que transcrevi.
Perderia toda a graça se traduzisse os verbos com que ele joga magistralmente.
Mas não me preocupa esse facto, porque sei que todos os meus visitantes perceberão.
Enjoy!

UMA REFLEXÃO SOBRE A IDADE

Do you realize that the only time in our lives when we like to get old is when we're kids? If you're less than 10 years old, you're so excited about aging that you think in fractions.
'How old are you?' 'I'm four and a half!' You're never thirty-six and a half. You're four and a half, going on five! That's the key.

You get into your teens, now they can't hold you back. You jump to the next number, or even a few ahead. 'How old are you?' 'I'm gonna be 16!' You could be 13, but hey, you're gonna be 16! And then the greatest day of your life . . you become 21. Even the words sound like a ceremony . YOU BECOME 21. YESSSS!!!

But then you turn 30. Oooohh, what happened there? Makes you sound like bad milk! He TURNED; we had to throw him out. There's no fun now, you're Just a sour-dumpling. What's wrong? What's changed?

You BECOME 21, you TURN 30, then you're PUSHING 40. Whoa! Put on the brakes, it's all slipping away. Before you know it, you REACH 50 and your dreams are gone.

But wait!!! You MAKE it to 60. You didn't think you would!

So you BECOME 21, TURN 30, PUSH 40, REACH 50 and MAKE it to 60.

You've built up so much speed that you HIT 70! After that it's a day-by-day thing; you HIT Wednesday!
You get into your 80's and every day is a complete cycle:
you HIT lunch;
you TURN 4:30;
you REACH bedtime.
And it doesn't end there. Into the 90s, you start going backwards; 'I Was JUST 92.'

Then a strange thing happens. If you make it over 100, you become a little kid again. 'I'm 100 and a half!'

May you all make it to a healthy 100 and a half!!

PARA QUÊ COMPLICAR



Há dias em que os sentimentos me calam, ficam afogados na ponta do lápis, a inspiração não vem, e o talento, se o há, foi, para onde, não sei.
Assim, copiei outras palavras, maiores, que por mim falam.


PARA QUÊ COMPLICAR?

Não precisas de presentes
Nem rimas,
nem flores,
nem nada.
Basta trazeres o que sentes,
E chegares de madrugada.

Perde as mãos pelo meu corpo,
Faz-me calar com um beijo,
Como se eu fosse o teu porto,
E tu meu mar de desejo.

Deixa falar a paixão,
Não faças juras de amor,
É só carinho e tesão,
Suor, gemidos, calor.

Enrosca-te no meu seio
Os corações a bater.
Sem confusão,
sem rodeio
Mais simples não pode ser.


Carlos Drummond de Andrade

25 November 2007

SEE WHAT I MEAN?



24 November 2007

O AMOR FECHOU A LOJA!



O Amor fechou a loja!
Quero fazer o elogio do Amor.
Já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito.
Porque faz sentido.
Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo" e “ dão um tempo”.
O amor passou a ser passível de ser combinado.
Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade,ficam"praticamente" apaixonadas.
Eu quero o amor de antigamente. O amor cego, o amor estúpido, o amor doente, o amor da minha vida, estou farta de conversas, farta de compreensões, farta de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telémoveiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem,tudo numa boa", tomadores de bicas, cumpridores de compromissos, bananóides, borra-botas, assassinos do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona?
Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha.
Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso"dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea de “sopas e descanso”.
Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
Eu quero um homem que corra para mim, no Rossio, na Praça de São Marcos, na Ponte Vecchio, numa praia, com um ramo de rosas na mão, me pegue pela cintura e dê voltas comigo no ar, que me beije como se a 2ª Guerra Mundial tivesse acabado, que faça amor comigo, independente de ser dia ou de ser noite, do sítio, da hora.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de sorte.
O nosso amor é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor.
A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino.
O amor puro É.
Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não dá para perceber.
O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desembrulhar-se.
A desatar a correr atrás do que não conhece, do que não apanha, do que não compreende.
O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal.
Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar o amor mais bonito da vida.
Então, a vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém.
Por muito longe que..., por muito difícil..., por muito desesperadamente...
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder.
Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também.
Entrelaçada em Miguel Esteves Cardoso

23 November 2007

JANTAR DE NATAL


A Filoxera e eu lembramo-nos de fazer um jantar de Natal para que todos nós possamos conhecer-nos.
Achamos que o Natal é uma época bonita para saírmos do mundo virtual da net.
Além do jantar teríamos O AMIGO OCULTO, com um presentinho cujo valor teria como limite 10€.
Que acham da ideia?
Ficamos à espera de saber quem quer vir, para depois de sabermos quantos somos podermos pensar no restaurante e no dia.

22 November 2007

THANKSGIVING DAY



Celebra-se hoje, nos Estados Unidos, O Thanksgiving Day!
O Thanksgiving é nos Estados Unidos uma festa quase mais importante que o Natal.
Originalmente começou por ser o dia em que toda a comunidade americana dava Graças a Deus por todas as Graças concedidas ao povo americano.
O Presidente George Washington foi o 1º Presidente a instituir o Thanksgiving a nível nacional, agradecendo o fim da Guerra Civil e a liberdade religiosa e também a Divina Providência que protegia toda a Nação.
A tradição de dar graças continua hoje sob várias formas.
Existe a parte religiosa com Missas que são as mais concorridas de todo o ano, mas a parte mais importante é a reunião das famílias, ao jantar.
Antes do início do jantar, o anfitrião diz uma oração em que agradece todas as bênções que Deus concedeu nesse ano, ao País e àquela família em especial.
A festa do Thanksgiving é o feriado mais concorrido de todos.
Celebra-se na quarta quinta – feira de Novembro, na sexta faz-se “Ponte” e prolonga-se até domingo.
Dado que os membros das família estão espalhados por todo o País é o feriado em que todos viajam para se reuniram, pelo que os aviões, comboios e estradas estão esgotados e congestionados.
O jantar compõe-se, obrigatoriamente de peru assado recheado, puré de batata doce ( divino ), vários recheios vendidos à parte e molho de cranberries.
As sobremesas são diversas e deliciosas, sobretudo à base de tartes de abóbora e “peacon” ( uma espécie de nozes grandes ).
Também obrigatórias são as Paradas, ou Desfiles, das quais a mais famosa é A Macy’s Thanksgiving Day Parade que pára Nova Iorque.
Nos últimos 5 anos, este é o primeiro que não passo lá, mas em contrapartida o primeiro que lá passei foi uma verdadeira loucura e curtição.
Comecei por me levantar às 7 da manhã para não perder a Macy’s Parade, que literalmente pára Manhatten.
É uma coisa fantástica que acorda em nós todos os instintos e recordações infantis.
Imaginem carros enormes com gigantescos bonecos insufláveis, todos figuras da Disney ou outros desenhos animados.
Começa na 77th Street Central Park West e desce a Braodway até Columbus Circle, vira na 34th Street, passando em frente da Macy’s Herald Square. Termina na 7ª Avenida.
A Parade é sempre acompanhada por 10 das melhores Bandas Americanas, entre elas Baker High School, Alabama; Highland High School, Arizona; Riverview High School, Florida; Lassiter High School, Louisiana; Mayfield High School, New Mexico; Corning Painted Post West High School, New York; Warren G. Harding High School, Ohio; Dobyns-Bennett High School, Tennessee and Waukesha North High School, Wisconsin.
O mais divertido foi depois comprar o jantar, começando pelo peru, que trazia uma indicação na embalagem que dizia:- Criado sem stress, o que levou o meu filho a comentar sarcasticamente:- Pode ter sido criado sem stress, mas morreu na mesma, coitado!
E depois queria eu cozinhasse o pobre do bicho à maneira portuguesa, o que recusei, claro.
Mesmo assim, comi só os acompanhamentos e sobremesas, e confesso que senti um dó imenso pelos milhares de perús que foram “papados” nesse dia, por toda a América.
Como costumo dizer, é impossível descrever a Parade, ou passar-vos o sabor e cheiro das comidas, mas deixo-vos as imagens.
Enjoy.

21 November 2007

BUNDA MOLE... NÉ?

Belinha acordou às seis, arranjou as crianças, levou-as ao colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático no Artur, o marido, e de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Deu um pulo ao supermercado, zangou-se com a empregada por causa de uma mancha no seu vestido de seda, saiu como sempre apressada.
Apanhou uma multa por estar a conduzir com o telemóvel no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
Num congestionamento monstro, batucava ansiedade no volante e pensava QUANDO teria tempo de arranjar as >unhas e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha...
Ao chegar ao escritório, foi quase atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa para o cargo que ela, Belinha, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdómen definido contaria pontos, mas depressa esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio da Clarinha, a filha mais nova, dizendo que ela estava com dores de ouvidos e febre.
Tentou em vão falar com o marido e, como não conseguiu, resolveu ela mesma ir até o colégio, depois de uma reunião com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado e com quem teria que lidar nos próximos meses...
Saiu esbaforida e pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor.
Já em casa, descobriu que tinha deixado no escritório, a pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte!
Telefonou para o marido com a esperança que ele pudesse ir buscar os malditos papéis na empresa, mas a bosta continuava sem rede...
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um estafeta lhe trouxesse a porra da pasta.
Tomou uma merda dum banho, deu a droga do jantar às crianças, fez a porcaria dos deveres com os 'dispersos' e deitou os monstrinhos.
Artur chegou fulo duma reunião, reclamando de tudo.
Jantaram em silêncio.
Na cama ela leu metade do relatório e começou a cabecear de sono.
Artur acordou-a com tesão, a fim de jogo.
Como aqueles momentos estavam cada vez mais raros no casamento deles, ela resolveu fazer um último esforço de reportagem e alinhar.
Deram uma meio rápida, meio mais ou menos, e...quando estava quase a pegar no sono de novo, sentiu uma apalpadinha no seu rabo com o seguinte comentário:
- Tá ficar mole, Belinha... deixa-te de preguiça e começa a cuidar-te...
Belinha olhou para o abajur de metal e imaginou-se a martelar a cabeça de Artur até ver os miolos espalhados na almofada!
Depois viu-se a pular sobre o tórax dele até lhe partir todas as costelas!
Com um alicate das unhas arrancou um a um todos os dentes e depois deu-lhe um pontapé tão brutal nos ditos, que voaram espermatozóides para todos os lados!
MAS... usou a técnica que aprendeu num livro de auto-ajuda: como controlar as emoções negativas.
Respirou três vezes profundamente, mentalizou a cor azul e ponderou.
Não ia valer a pena, não estamos nos EUA, não conseguiria uma advogada feminista caríssima que fizesse a sua defesa alegando que assassinou o marido cega de tensão pré-menstrual...
Resolveu agir com sabedoria.
No dia seguinte: não levou as crianças ao colégio, não deu um pulo ao supermercado rápido, nem brigou com a empregada.
Foi para um ginásio e 'malhou' duas horas.
De lá foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de acaju e dar um corte escadeado e colocou unhas de gel pintadas de vermelho.
Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele e do projecto dele...
E aguardou os resultados da sua conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se registava num SPA, ouviu uma mensagem do marido desesperado a tentar localiza-lá pelo telemóvel e descobrir por que ela tinha desaparecido.
Pacientemente... não atendeu.
E, como vingança é um prato que se serve frio, mandou um lacónico sms:
- O rabo ainda está mole. Volto quando estiver duro. Um beijo da
preguiçosa...


Extraído do livro: Este sexo é feminino de Patrícia Travassos.

20 November 2007

MÃE SOLTEIRA

Para não me sentir tão conspurcada com o post anterior, resolvi deixar uma imagem de inocência e pureza que só a Natureza nos pode dar.
UF!!!!!!!!

O OLHO DO CÚ







Ultimamente fiz 2 posts sobre Arte.
Um sobre a Paula Rego, outro sobre Christos.
Talvez por isso, recordei-me de uma exposição que houve o ano passado em Serralves, subsidiada pelo Estado, com dinheiro dos contribuintes, ( naturalmente...), dinheiro esse que saiu do bolo do orçamento destinado à cultura.
Provavelmente muitos de vós ouviram falar dela, mas como na altura não tinha este blog, não tive outro remédio senão vociferar com as cadeiras cá de casa, com as paredes, com os meu amigos, enfim, não me calei.
Agora, ainda que com um ano de atraso, posso desforrar-me, e por uma vez exercer o meu direito à indignção.
Também por uma vez irei utilizar frases que não me são muito habituais, mas, como diz o outro: enough is enough!
Assim, pergunto eu, que como já sabem sou muito perguntadeira:
O que estariam a fazer os modelos, no momento das fotografias?
E se agora começassemos a tirar fotografias às axilas das nórdicas? Será que ganhavamos dinheiro?
Será que venderam algum quadro?
Será que limparam os quadros com papel higiénico?

Não acham que é caso para dizer que mais valia terem metido o subsídio no...?
Isto, para mim, é surreal.
Ai que raiva! Grrrrrrrrrr
Ah, e por favor não me venham dizer que gostos não se discutem. Discutem, sim senhora, mais ainda se for com o meu dinheiro.


PS: O título do post era o da exposição. Não fui eu que inventei.
PS: Desculpem qualquer coisinha...

19 November 2007

Uma Graxinha

video

18 November 2007

CRISTO DESCEU À TERRA

Há dois anos, em Fevereiro, fazia eu ski em Vermont, quando o instrutor que me acompanha sempre ( já agora se ficar perdida nas neves, não fico sózinha :) ), me pergunta: Are you going to see Christos?
O diálogo que se seguiu é anedótico:
Eu: CHRIST?
Ele: Yes.
Eu: CRIST?
Ele: Yes, in New York.
Eu: Christ in New York?!!!!
Ele: Yes.
Eu: Christ is coming to New York?
Ele: Yes, this week.
Eu: Oh, Christ is coming to New York, this week. Do you know the hour?
Ele: I think this week end, and stays all week.
Eu: I see. So Christ is coming to New York this week, and begins his visit during the week end.
A esta altura, estávamos ambos parados no meio de uma pista lindíssima, com abetos carregados de neve, praticamente sózinhos.
Fui acometida de um súbito ataque de pânico e pensei:- Bonito, o homem amalucou, e eu aqui sózinha com ele. E agora faço o quê?
A primeira coisa que pensei foi que o melhor era sairmos dali.
Disse-lhe que estava cansada, que queria parar, blá blá, blá
O que queria era estar rodeada de gente quando resolvesse tirar a limpo a história de Jesus vir a Nova Iorque passar a semana seguinte.
Poupo-vos ao resto do diálogo quando chegámos cá abaixo, mas descobri que era um bocadinho ignorante.
Até sabia que o homem existia ( o homem, não o Senhor, se é que me entendem ), mas não liguei uma coisa à outra.
Hristo Yavashev é um artista búlgaro, casado com uma senhora que desempenha o papel de relações públicas, embora eles apresentem o seu trabalho como sendo de ambos.
O intuito deles é, segundo as suas próprias palavras, tornar o Mundo um lugar mais bonito., transformando locais que todos conhecemos, em coisas diferentes.
Embrulham monumentos, ilhas ou pontes, como fizeram com o Reichstag em Berlim, a Pont Neuf em Paris, 178 àrvores em Basileia e rodearam 11 ilhas em Biscayne Bay com um material cor de rosa que as transformou num espectáculo lindíssimo.
Em 1990, imaginaram uma exposição simultânea, no Japão e na Califórnia com chapéus de chuva, uns amarelos outros azuis.
A exposição chamou-se " Umbrellas", foi inaugurada em 1991 com 1340 chapéus azuis em Ibaraki e 1760 amarelos no sul da Califórnia.
Há 2 anos, inauguraram " THE GATES" no Central Park, em Nova Iorque.
Para ser mais fácil de pronunciar, o seu nome transformou-o em CHRISTOS.
Era este Cristo que vinha a Nova Iorque e não Jesus Cristo.
O instrutor não tinha amalucado e eu era uma sortuda porque pude ver a exposição.
É impossível descrever como eles transformaram Central Park.
E a ideia parece o ovo de Colombo.
Tudo se resumia a um gigantesco rectângulo em ferro, montado na vertical, com um enorme pano laranja esvoaçando no meio do que se pode considerar uma porta ou cancela ( gate ).
Só que eram 7503 Gates serpenteando por todo o Central Park.
O espectáculo era deslumbrante.
A história deste casal é fascinante, começando pela forma como se conheceram.
A obra de Christos foi evoluíndo, uma vez que no início ele transformava as coisas defintivamente, porque fazia colagens gigantescas o que, naturalmente não agradava.
Agora, todo o seu trabalho é mais soft, e o que mais admiro nele são 2 coisas que o diferenciam de todos os outros artistas:
1ª As suas obras são efémeras. Duram o tempo da exposição. Quando ela acaba, acabam com ela. Ficam as fotografias e a recordação dos privilegiados que as viram.
2ª Não faz isto com qualquer intuito lucrativo e as próprias exposições são pagas por ele, com o dinheiro ganho na venda dos souvenirs de cada exposição.
Deixo-vos algumas fotografias que tirei e outras das outras exposições.
Se puderem, descubram CHRISTOS. Vale a pena

17 November 2007

CARTOONS PARA PENSAR

A cada dia que passa tenho a certeza absoluta que nunca poderia ter um Blog temático.
Primeiro porque fervilham demasiadas ideias na minha cabecinha.
Depois porque sei que não teria inspiração para escrever sempre sobre o mesmo tema e corria o risco de me começar a repetir.
Por isso, posso pôr neste meu espaço o que escolho, tentando não ser monótona.
Um amigo fez-me chegar por mail estes Cartoons.
Pelo significado que cada um tem, pelo que retratam do Mundo em que vivemos, resolvi dar-lhes uma voltinha e partilhá-los com vocês.
Espero que gostem.


15 November 2007

NÃO ME LIXES, PÁ!!!

Rebuscando nos meus guardados, encontrei esta pérola, no suplemento Ípsilon, do Público.
João Bonifácio entrevista Camané, a propósito de um espectáculo que o fadista resolveu fazer, interpretando canções de Jacques Brel, Aznavour e Sinatra, entre outros.
De Brel, Camané interpretou "Ne Me Quittes Pas".
Recordo parte da letra dessa magnífica canção:


"Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main/L'ombre de ton chien"

Comenta João Bonifácio: "É das canções de amor mais desesperadas que já alguém escreveu: «Deixa-me ser o ombro do teu cão…»

Camané acrescenta: «Ele queria ser o ombro do cão dela
porque queria estar ao pé dela, não queria que ela o deixasse.
E nessa fase da canção existe o desespero:
nem que seja uma mosca à tua volta, o ombro do teu cão, qualquer coisa, mas que eu possa estar ao pé de ti».

O ombro do teu cão?!

Quer dizer: nem o jornalista Bonifácio nem o fadista Camané sabem que "ombre" significa sombra.

Desse modo, os versos «deixa-me ser a sombra da tua sombra/ a sombra da tua mão/ a sombra do teu cão», transformaram-se em «deixa-me ser o ombro do teu ombro/ o ombro da tua mão, o ombro do teu cão»

O ombro do teu cão?!
O jornalista Bonifácio não percebe patavina de francês, não consultou o dicionário e
pior: O fadista Camané, interpreta uma canção sem se preocupar muito com o que está a cantar; para ele, tanto lhe faz estar a cantar um poema soberbo, como um chorrilho de asneiras.
Para ele, é tudo chinês (ou francês, tanto dá…)

Já agora, por que não traduzir
"Ne Me Quittes Pas" por "Não Me lixes, Pá!"?

Enquanto isso, muitos dos que escrevem estes Blogs, estão desempregados ou para lá caminham. Pode uma coisa destas?

Para me refazer de tamanho despautério resolvi ouvir a versão original,
gravada em 1959, numa “performance”emocionada do grande poeta.
Aqui fica.
Enjoy!

13 November 2007

GOSTO. NÃO GOSTO


Gosto de pressão. Não gosto que me apressem.
Gosto de viajar. Não gosto de voltar. Gosto de quartos de hotel. Não gosto de fazer as malas.
Gosto de voar. Não gosto de correr. Gosto de asa delta. Não gosto de parapente. Gosto de neve. Não gosto de chuva. Gosto de praia. Não gosto de vento. Gosto de calor. Não gosto do Inverno.
Gosto de música. Gosto dos Queen, do Freddy Mercury, dos Queen, de ...Não gosto dos Sex Pistols. Gosto de Luis Represas, dos Trovante, de Luis Represas,de... Gosto de Jorge Palma. Não gosto de Abrunhosa.
Gosto da noite. Não gosto de dormir. Gosto de amar. Não gosto de perder tempo. Gosto de Out Of Africa. Não gosto de 7 Pecados Mortais. Gosto de Paulo Coelho. Não gosto de Clara Pinto Correia.
Gosto de cinema. Não gosto de pipocas.
Gosto de bonecos. Não gosto de peluches.
Gosto do Winnie.
Gosto do Natal. Não gosto de 4ª feira de cinzas.
Gosto de viver no fio da navalha. Não gosto de limitações.
Gosto de idiotas. Não gosto da estupidez. Gosto de rir. Não gosto de rir dos outros. Gosto de branco. Não gosto de preto. Gosto de framboesas. Não gosto de acidez.
Gosto de andar sem sapatos. Não gosto de algas. Gosto de grupos. Não gosto de melgas. Gosto de concertos. Não gosto de multidões.
Gosto de imprevistos. Não gosto de monotonia. Gosto de conduzir. Não gosto de polícias. Gosto de carros potentes, de motas potentes, de motas de àgua.
Gosto de ser. Não gosto de estar.
Gosto de relógios. Não gosto do passar do tempo.
Gosto de desafios. Não gosto de perder.
Gosto de humor. Não gosto do Mr. Bean.
Gosto do Bairro Alto. Não gosto de me perder. Gosto de comer. Não gosto de dietas. Gosto de Ski, de Yoga, de Tai Chi, de Feng Shui,de Acunpunctura, de massagens, do mar das Caraíbas, do Mar Morto, do Mar Vermelho, de dançar, de Ballet, de Justiça, de nadar sem roupa, de perfume, de Kaipiroska, de champagne a qualquer hora, do Sporting, do cheiro da terra molhada, da areia da praia de manhã, de Nova Iorque, do Rio de Janeiro, de Florença, de Dubrovnik, de Santorini, de Veneza.
Gosto de quem gosta dos outros, de quem é solidário, de cães, crianças, idosos, das côres de Van Gogh, do Andy Warhol, do Keith Haring, do Beetle, do pôr-do-sol, de motos, de caviar, de mim!...
Não gosto de aranhas,de lagartixas,de iguanas,de animais rastejantes, de vidro fosco, de caça, de carne, do cheiro de fritos, de humidade, de unhas compridas, de pés feios, de panos do pó, de whisky.
Não gosto da mentira, de hipócritas, de cínicos, de touros de morte, de cerveja, de bezouros.
Não gosto dos relógios do Herman, do cabelo do Herman, do Roll Royce do Herman, dos meninos do Herman. Não gosto do Cláudio Ramos. Não gosto da Maya. Gosto da Bárbara Guimarães, do Gato Fedorento.
Gosto do meus amigos.
Não gosto de guerras. Não gosto do Bush. Gosto de Diana. Não gosto de Carlos.
Não gosto de restaurantes luz branca. Gosto de lugares cozy.
Gosto de Africa. Não gosto de caçadas.
Gosto de determinação. Não gosto de invejosos.
Não gosto de empregados mal empregues, do carro na reserva, de vizinhos sem salsa.

Gostava de não ter que não gostar de alguém!

Gosto que gostem de mim.

12 November 2007

PORQUE HOJE É SEGUNDA-FEIRA


'CAUSE YOU ONLY DIE ONCE

11 November 2007

HOJE FIZ UMA AMIGA


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...é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa
no mundo não há.

...com um brilhozinho nos olhos
guardei um amigo
que é coisa que vale milhões.

Ás vezes, quando menos se espera, a vida ainda nos faz boas surpresas.
Infelizmente, hoje em dia, desconfio muito do ser humano.
Mas hoje aconteceu-me uma coisa que me deixou feliz, demais da conta.
Como diz a canção, hoje fiz uma amiga, "e coisa mais preciosa no Mundo não há".Uma amiga que surgiu do nada, que se abalou da sua casa e veio ter comigo para nos conhecermos.
E trouxe-me a sua mão e um abraço forte e sincero, como há anos que não tinha.
Há muito tempo que ninguém me abraçava assim de forma tão verdadeira e genuína.
Afinal ainda há pessoas que são GENTE.
E deu-me a sua amizade sem pedir nada em troca.
Vai ter a minha para sempre.
Incondicionalmente.
Bem hajas, grande e bonita mulher.
As duas, ainda havemos de vencer.

A LENDA DE S. MARTINHO




Como já aqui disse gosto muito de histórias de encantar porque me encantam, mas gosto ainda mais de lendas.
As histórias de que gosto começam por " Era uma vez..."
As lendas por " Reza a lenda que..."
Pois então:
Reza a lenda que um valente soldado romano, ia a cavalo atravessando os Alpes, num dia de muito frio e chuva intensa.
Eis que lhe sai ao caminho um pedinte andrajoso, quase nú e lhe pede uma esmola.
Não tendo mais nada para lhe dar, Martinho,( era o nome do soldado ), cortou com a sua espada a capa vermelha do seu uniforme, e ofereceu-a ao mendigo para que ele se protegesse da intempérie.
Nesse momento, o mau tempo parou, as nuvens desapareceram e o sol brilhou. Deus quis assim recompensar o seu gesto.
Desde então, todos os anos em Novembro, no dia de S. Martinho temos o conhecido " Verão de São Martinho".
Lindo não acham?
Na minha infância e adolescência sempre vibrei com o Verão de S. Martinho.
Na quinta da minha avó, perto de Óbidos fazia-se tudo como manda a tradição: tínhamos àgua pé da casa, castanhas assadas na fogueira e o que eu mais gostava: saltar a dita.
Com muita pena, hoje em dia, como a tradição, definitivamente já não é o que era, as fogueiras desapareceram, ( imaginem eu a fazer uma fogueira no meio da minha rua, em plena Lisboa! ), a àgua pé é uma coisa amarga que se vende nos supermecados e não aquela que se fazia depois das vindimas e as castanhas assam-se no forno.
Portanto, o meu Magusto resume-se a castanhas cozidas com muita erva doce e manteiguinha e às recordações da infância.

De qualquer modo, ainda me lembro de alguns provérbios que ouvi nessa altura:
- No dia de S. Martinho vai-se à adega e prova-se o vinho.
- No dia de S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho.
- No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

E uma adivinha que costumávamos cantar:

Tenho camisa e casaco

Sem remendo nem buraco;

Estoiro como um foguete

se alguém no lume me mete.

Se alguém tiver um Magusto à antiga, sou candidata.
Bom S. Martinho.

10 November 2007

O MEU PAI


Imagem do livro de Andrew Clements " Because your Daddy loves you"
Hoje é o dia do aniversário do meu pai.
84 anos de uma vida que se tivesse que ser reduzida a uma só palavra, essa seria Amor.
Só transmitiu Amor a todos os que os rodeiam, e aos que ama.
A minha mãe, com quem vive há cinquenta e já não sei quantos anos, mas para quem ainda hoje olha com adoração.
A mim, sua filha única. Sendo a minha mãe uma mulher extraordinária e especial, é também uma mulher severa. Desde sempre e ainda hoje, o meu pai foi sempre o meu maior e único aliado que ainda hoje, ainda que embrulhado num corpinho frágil que parece poder voar com uma rabanada de vento mais forte, me dá os abraços mais fortes e sentidos e os beijos mais doces. Pudera ele ainda ser forte para me poder defender da vida que me abana todos os dias, e oferecer-me o seu ombro para me apoiar.
Era, como se dizia no seu tempo, um belo homem, com voz de locutor.
Aliás foi pela voz que a minha mãe se apaixonou, quando por um acaso de linhas trocadas, uma chamada dele foi parar ao seu telefone.
Mas isso são outras histórias.
Tinha uma mota potente e com a minha mãe à garupa muito passearam por este país.
Durante anos o seu hobby foi a pesca, e quando voltava com a cesta carregada de robalos, corvinas e linguados era uma festa.
Quando em 69 a terra se revoltou e gritando das suas entranhas se ouviu um rugido assustador, enquanto muita gente fugia para a rua, o meu pai correu para o meu quarto, arrancou-me da caminha onde dormia e foi só depois de me ter bem presa nos seus braços, equilibrando-se como podia, que saiu para a rua.
Excelente aluna que sempre fui, um período não fui para o quadro de honra.
Já se sabia que vinha aí grande tempestade.
Como foi sempre ele o encarregado de ver as minhas notas, levou-me para o seu escritório para me levar para casa e assim eu poder escapar à zanga da minha mãe.
Mas também foi ele que teve a alegria de ver que no exame de aptidão à Faculdade tinha tido 19 a Latim e 18 a Filosofia, tendo por isso dispensado.
Quando decidi que queria interromper o curso para ser assistente de bordo, foi ele que enfrentou a minha mãe e me apoiou na perseguição do sonho.
Quando, anos depois me licenciei foi o seu abraço o maior.
E coisa engraçada, a maior parte dos pais e das mães, quando falam dos filhos com os respectivos cônjuges dizem quase sempre: " a tua filha " " o teu filho ". Ele disse sempre, e ainda hoje diz " a nossa filha "
Eu e os netos guardaremos sempre dele imagens que só lhe pertencem a ele.
Cozinheiro de mão cheia, as suas lulas recheadas, os seus grelhados e as filhós do Natal, serão um segredo que levará, porque ninguém as faz como ele.
Foi meu chauffeur particular durante anos, em todos os sítios por onde passei e ele me ia pôr e buscar, para me livrar do perigo dos transpotes públicos: na natação, na Alliance Française, no Conservatório Nacional.
Quando o primeiro neto nasceu, levantou-o nos braços, todo nú, para ver se " o instrumento" era perfeito. Claro que apanhou com uma xixizadela.
E recomeçou com os netos, o percurso do amor: levando-os a passear no Jardim da Estrela ou na Mata de Benfica todos os fins de semana sem falhar um, ele que os ensinou a andar de bicicleta, ele que remendava os pneus quando se rompiam, ele que os levava à praia, que os ensinou a jogar ping-pong. Para eles sempre foi, e ainda hoje é o VÚ.
Há dez anos penosamente doente, nunca se queixa, e tudo o que quer é ver a família reunida.
Nunca se esquece de agradecer a Deus, quando tem a Família à volta da mesa de Natal repleta de iguarias.
Agarrado à vida, ainda hoje o dia dos anos é uma festa.
E afirma com toda a certeza, que não morre, porque todas noites reza a Nossa Senhora.
O meu pai é simplesmente o MEU PAI.
E eu o amo.

9 November 2007

UMA HISTÓRIA SÓ PARA MIM


Quando era pequenina gostava muito de histórias. Daquelas com meninos e casinhas de chocolate, príncipes, palácios encantados, fruta encantada, bichos encantados. Gostava de tudo o que fosse encantado porque depois se transformava, se é que me entendem.
E fadas. Boas e más. Acho até que gostava mais das más, porque depois eram castigadas.
Enfim, os meus gostos eram um bocado discutíveis!
A minha infância foi povoada de belos contos e no Natal o pedido mais escutado pelos familiares era: "Quero uma varinha de condão"
Uma das que mais gostava era " A Raposa das 7 Côres " , e quando a minha mãe ou avó se enganavam, eu, muito atenta e indignada: " Não, não foi assim "
Muitos anos se passaram e chegou o dia de contar essa história aos meus filhos.
Olhavam-me com olhos maravilhados e ouvidos atentos.
Comecei então a minha querida história:
Era uma vez uma floresta, ( não, não vos contar toda, porque como são adultos que me lêem não iam perceber...)...e depois a raposa, como lhe cairam em cima as latas de tinta ficou toda pintada. Então, servindo-se do seu novo e estranho aspecto, começou a tiranizar, a perseguir e atacar os outros animais da floresta, que até então viviam tão felizes.
Até que um dia, atravessando uma ponte, caiu ao rio, e as tintas desapareceram voltando o seu primitivo aspecto.
Quando ia continuar a história, a vózinha do mais pequeno dos meus ouvintes fez-se ouvir: - Ó mmã, de que marca seria a tinta?
- Que esperto, disse logo a minha mãe, que ia a passar.
Parei e fiquei a olhá-los. Esperteza? Não. Inocência e sonho poluídos pela publicidade martelada por televisões de 50 canais.
Pobres crianças!
Com 5 anos, já não dizem, com os olhos brilhantes e dando pulinhos de excitação, como eu fazia, e quem sabe, vocês também, ( vá lá, confessem )- E depois, depois?
Então, sem responder, disse para mim mesma: - E depois?
E acabei de contar a história só para mim.

8 November 2007

A 25ª HORA

É tarde. Tarde na noite, quando me deu para escrever isto.
Há quem goste de trabalhar de dia, quando o sol brilha e a vida corre o seu curso, dito normal.
Eu prefiro a noite. Para tudo. A noite, em casa, quando todos dormem, quando a casa é só minha, quando os meus passos, os meus gestos, os meus pensamentos são palpáveis. Reais. Quando, de repente me apercebo da sombra da minha mão pousada na folha em que escrevo, enquanto oiço o bater do relógio do tempo.
É então que gosto de ler, estudar, sair para dançar, amar, pensar. É então que todas as interrogações chegam até mim. E a angústia de não ter resposta para elas. É então que tenho a certeza de poder apertar com os braços a verdade de ter uma alma.
É tão banal o dia ter 24 horas. 24 horas para dormir, comer, trabalhar, dormir, comer, trabalhar, e simplesmente... vegetar.
Trabalhar a fazer o que não se gosta.
Sair cedo. Cedo na manhã branca de gelo, fria de calor humano.
Comer. O que há. Quando há.
Viver sem saber porquê. Para quê. Até quando.
Tenho para mim, e vou contar baixinho, um segredo encontrado na magia-alquimia do tempo:
O meu dia tem 25 horas.
A 25ª hora do meu dia é:
Viver quando o dia acaba, na casa silenciosa, brilhante e pulsando com o que aconteceu durante o dia. Sentir-me nela, parede, livro, música, sonho. Ter a noite toda para sonhar os meus sonhos, essa é a minha 25ª hora. Sentir-me a realizá-los, como se estivesse a subir montanhas brancas, puras, frias, como virgens em noites de núpcias...
É como aquela hora, em que num convés de um navio que sulca a imensidão do mar iluminado por uma lua cheia, estendo a mão, e posso tocar uma estrela.
É aquela hora mágica em que me sinto viva e pergunto:” Como será amanhã?” E oiço a brasileira Simone ao longe. E é tão bom que me sacode, me bate, me ri. É a hora transcendente em que sinto que tudo é possível, que tenho a certeza que sou uma mulher-bicho-irracional-raciocinando.
A 25ª hora do meu dia, acontece quando não durmo a noite toda, ( é um desperdício dormir). Pois é. E então, naquelas contradições em que sou mestra, mal o sol raia, saio e vou até à praia. Está deserta, húmida, ainda nenhuma marca desfez a superfície perfeita da areia. Vou olhando para as marcas que vou deixando, atrás de mim. Parece um mundo de sobreviventes.
A 25ª hora do meu dia, acontece quando deitada, nua, espero que venhas, me desembrulhes, me desmanches com loucura, com os cabelos espalhados numa almofada onde as palavras ditas ao ouvidinho ficam guardadas para sempre.
Quando desces sobre mim, olhando-me nos olhos e com as mãos e as pernas me prendes, e me levas para onde ninguém esteve antes de nós.
Nunca tive a capacidade, uma capacidade que vejo espelhada em outras pessoas, para não considerar acabada qualquer coisa que acontece. Uma capacidade que pressupõe a certeza de que nunca nada é a sério, que tudo pode ser o que é, e ao mesmo tempo ser o oposto. Um sentido do infinito, do ilimitado, que eu, infelizmente não possuo. Para mim, tudo é terrivelmente limitado e finito, a começar pela vida.
Por isso as 24 horas do dia não me chegam.
Por isso lhes juntei mais uma.
A 25ª.


Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata (Carlos Drummond de Andrade)

6 November 2007

VÍNCULO OU AMOR?

Ao que nos une, ao que nos liga uns aos outros, ao sentimento que nos faz permanecer juntos e atentos, ainda que a distância de vez em quando se interponha, costumamos chamar amor.
Pessoalmente acho palavra a menos para designar a complexidade de sentimentos que somos capazes de experimentar nessa tarefa árdua, constante, sempre inacabada e sempre em transformação de eleger pessoas significativas e com as quais nos preocupamos, em quem pomos tantas expectativas e com as quais organizamos uma topografia particular a que chamamos o nosso mundo.
Para lá da enorme abstracção da Humanidade como um todo a que pertencemos, que nos diz respeito e com a qual é suposto sofrermos e inquietarmo-nos, conseguimos ser absolutamente prosaicos e sentir sentimentos verdadeiros em relação a meia dúzia de criaturas que julgamos conhecer bem, que interagem connosco quotidianamente e que ocupam espaço, tempo e memória dentro de nós. Tirando esses poucos, que de facto são as grandes referências e suportes afectivos e materiais da nossa forma de viver e que, por isso mesmo, são capazes de nos fazer muito bem ou muito mal, os outros todos que nos rodeiam com diferentes graus de proximidade são apenas figurantes que compõem a acção, dão brilho e movimento ao fundo em que evoluímos no filme que é a nossa vida.
A ideia corrente que nos faz crer que, porque viajamos, porque andamos de um lado para o outro e nos deslocamos com rapidez no mundo, entrando em contacto com muitas gentes e falando em muitas línguas, alargámos o nosso leque de relações profundas é em si mesma falaciosa.
Parece que o conhecimento e a interacção social, a popularidade traduzida em muitos cumprimentos e em muitos nomes e caras que se conseguem recordar, não são medida de vinculação, porque falta o amor.
Calcorreando meio mundo, transportamos em nós uma família: a nossa; um bairro: o nosso; uma história: a nossa.
É a esses poucos que voltamos em todas as circunstâncias, é a esses que queremos agradar, são deles as opiniões que contam.
Também é verdade que é para esses que amamos que mais sentimentos ambivalentes reservamos. Culpamo-los do que podemos: desamor, falta de compreensão e apoio, orgulho e teimosia, desinteresse dos nossos projectos e dos nossos sonhos. São esses os que mais vezes detestamos, porque traíram expectativas, não estiveram lá quando foram precisos ou simplesmente são demasiado diferentes do que achamos que necessitaríamos. É com eles que nos zangamos, forte e feio, é a eles que chamamos nomes, é com eles que deixamos de falar como vingança para a dor que conseguiram provocar. São eles que responsabilizamos por tudo o que nos diz respeito porque, de alguma forma são nossos.
O que nos une, o que nos liga, o que nos faz sentir que pertencemos é demasiado déficit para se encaixar bem na palavra que usamos: amor.
Mas é também de amor que se fala quando se pretende explicar o que nos vincula aos outros e ao mundo.
Como dizia o apóstolo S. Paulo: "Ainda que eu seja capaz de falar a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, as minhas palavras são como o badalar de um sino ou o barulho de um chocalho.
Ainda que eu tenha o dom da profecia, a compreensão de todos os mistérios e toda a sabedoria; ainda que eu tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, não sou ninguém.
Ainda que eu dê aos pobres todos os meus bens, ainda que ofereça o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, isso de nada me serve."

5 November 2007

DESILUSÕES

A desilusão é um sentimento injusto que nos assalta inadvertidamente, se instala sem pedir licença e se vai embora do mesmo modo que qualquer luto e à custa de mais uma perda de inocência.
Por mais velhos, experientes ou sábios que sejamos, por mais raciocínios inteligentes e discursos elaborados que consigamos produzir sobre a desnecessidade de ilusões, o facto é que resistem em nós ingenuidades, ainda que bem disfarçadas, que não só possibilitam surpresas mas também, e sobretudo, amargos de boca que bem se escusavam.
O estatuto da ilusão na linguagem comum esclarece dúvidas sobre eventuais benefícios: erro de percepção que consiste em tomar um objectivo por outro; erro proveniente de uma falsa aparência; fraude; logro.
Nada de bom.
Sendo assim, está na cara que não é suposto deixarmo-nos iludir e que se por inabilidade, falta de traquejo, inexperiência ou ignorância, tal nos acontece, devemos ficar contentes no momento em que tudo se esclarece e a ilusão acaba. Devemos ou deveríamos, ficar felizes ou pelo menos satisfeitos quando a desilusão chega e o famigerado manto diáfano da fantasia enfim desaparece.
Devíamos, pois claro.
Mas, como se sabe, não ficamos. Quando a desilusão chega, às vezes, é também o momento de perceber que a ilusão existia, que aquilo em que acreditámos muito ou algum tempo, aqueles que tomámos por certos e seguros de uma certa maneira, eram bem diferentes e evoluíam num mundo de ilusão só nosso.
Descobrimos que não só nos enganámos, como em alguns casos, descobrimos que não conhecíamos pessoas que de alguma forma faziam parte das nossas vidas, que amigos falharam a única prova definitiva, que amantes afinal não amavam, que beijos que beijámos não queriam dizer nada, que olhos que brilharam não eram para nós, enfim, que o mundo que julgávamos arrumado de uma certa maneira, afinal não estava.
Cansados de saber que o erro é nosso, isso não significa, que não inquietem, não nos desesperem, não nos deixem permanentemente com a sensação que o mundo logo a seguir vai desabar, e ficamos quietos, paralizados, infelizes, a lamber as feridas.
O que é o pior de tudo é que para descobrirmos um culpado ou um responsável, temos de pôr a cabeça no cepo, temos de afirmar o mea - culpa como se isso fosse razoável, como se isso fosse possível.
O tristíssimo da desilusão é ficarmos com a mágoa das memórias que deviam permanecer, a esfumarem-se, a baralharem – se, a confundirem-se em nós e na nossa incredulidade sobre o termos estado invisíveis, incógnitos e inconscientes, num mundo de ilusão, para lá do outro lado do espelho.

4 November 2007

WHAT IF?


Debatia-me eu com a dúvida de qual dos 5 Posts que tenho na cabeça ia hoje escrever, eis que me entra um comentário no Post anterior de um certo Mustafá, escrito, suponho que em Turco. É verdade que sou poliglota, mas de turco não sei dizer nadica de nada.
Confesso que até fiquei assustada. Sei lá eu! Até pode ser um terrorista... Afinal o senhor deixa-me um comentário em turco àcerca de um poema bem difícil. Fui espreitar como é o Blog dele, e, lá está ele, de bigodinho e com tudo escrito em turco.
Não estou ainda muito descansada com isto, embora a Net faça do longe perto, mas hão-de convir que não é muito normal.
Em todo o caso, tentando afastar o receiozito, e porque hoje é domingo, dia bom para ler e recordar, resolvi partilhar convosco a história da minha primeira viagem à...onde? Adivinharam. À Turquia.
Adoro viajar e conheço boa parte do Mundo, sendo que a Turquia é um País que sempre me fascinou.
Logo a seguir ao 25 de Abril, fui passar férias no Verão com o, então, homem da minha vida.
Fomos de Lisboa para Paris com a Air France, em 1ª classe, e em Paris apanhámos um avião da Turkish Airlines.
Logo que me sentei achei o assento um pouco duro, mas pensei: estou é mal habituada.
Quando percebi que não iam servir nada aos passageiros, pedi um copo de àgua a uma das Assistentes de Bordo. Lembro-me que era linda e muito simpática.
Trouxe-me tudo o que tinha: café, sumo, miniaturas de bebidas alcoólicas e até lenços de papel. De àgua, nem sombra.
É que falei todas as línguas que sei, mas ela só falava turco!
Fiquei um pouco apreensiva, porque como sei que a língua aprovada no mundo da aviação é o inglês, pensei cá para comigo: será que o Comandante também só fala turco? Então como percebe ele as ordens que vêm de terra?
Passadas umas horas, percebi que o avião ia aterrar, e a aterragem foi a pique para o chão, de tal forma que pensei que ia ficar surda para o resto da vida.
Fizeram o discurso habitual de chegada, mas em turco, donde que não sabíamos se estavamos em Istambul ou não. Resolvemos ir espreitar na porta do avião, mas o nome do Aeroporto, claro que também estava escrito em turco.
Resolvi perguntar ao Comandante, que como temia não falava inglês. Mas percebia qualquer coisa, daí que fiquei a saber que ainda não tinhamos chegado ao nosso destino.
Quando chegámos, depois de outra aterragem suicida, saímos do avião para ser recebidos por militares armados até aos dentes, que quando abrandavamos um pouco o passo a atravessar a pista, ( qual autocarros, quais mangas ), nos empurravam delicadamente com a ponta da baioneta das metralhadoras.
Soube depois que o País estava em Estado de Emergência, porque no dia anterior, um grupo de rebeldes Curdos tinha entrado no Aeroporto de Ankara e tinha morto tudo o que mexia com granadas e bombas, e acabado com os sobreviventes a tiro de metralhadora.
Achei que não tinha sido grande ideia estar ali naquele momento, mas também não podia vir-me embora no mesmo dia.
Apanhamos um táxi a cair de podre para ir para o hotel, com um motorista que falava pelos cotovelos, em turco, e que abria a porta e punha o pé de fora cada vez que queria travar.
A minha sorte, tenho que ser justa, é que o meu companheiro, muito mais velho e com 3 anos de guerra colonial, só se ria e dizia que estava tudo bem.
Quando chegámos ao hotel, que dava pelo nome de Óasis, o que fazia prever que fosse óptimo, fiquei pasmada.
É difícil descrever o hall, mas direi que para ir para o quarto se tinha que subir
as escadas porque não havia elevador, e as mesmas estavam cuidadosamente tapadas com uma passadeira de plástico.
O quarto tinha 2 divãs cobertos com chita florida, o roupeiro era uma corda esticada de um lado ao outro da parede, e na casa de banho, quando abri a torneira para lavar as mãos levei com um esguicho num olho.
Aí, sentei-me na cama chorando que nem uma Madalena e afirmei tão firmemente quanto os soluços me permitiam:- Quero ir-me embora daqui.
O Francisco olhou para mim e ainda tentou dizer:- Amanhã vamos, mas o meu foi tão sonoro, que desistiu.
Apanhámos outro táxi, cujo motorista por milagre percebia inglês, e ao pedido:
Para o melhor hotel de Istanbul, respondeu sorrindo e abanando a cabeça: Evet Hilton.
Só percebi Hilton mas achei que estávamos no bom caminho.
E estávamos.
O Hotel, rodeado de jardins maravilhosos, era todo em mármore e o que luzia era ouro.
O quarto, que mais parecia uma suite, tinha tapetes persas por todo o lado, e uma enorme varanda sobre o Bósforo.
É indiscritível a beleza daquele mar, a cor e o silêncio. E a sensação de estar na Europa a ver a Ásia e vice-versa é estranha mas gostosa.
Daquilo que vi, só uma semana de Posts daria para descrever: só em Istambul, a cada esquina há uma mesquita, ou um museu ou algo que temos absolutamente que ver. O palácio Topkapi, a Igreja de Santa Sofia, agora museu, o estreito de Bósforo, a ilha dos Príncipes, a Torre Gálata e quem pensa que sabe o que é a Mesquita Azul, desengane-se. Só vista ao vivo.
Mas não há só Istambul. Há Pamukkale, Efeso, Capadócia, Kusadasi.
Há a comida que é deliciosa. As sopas e os molhos têm na base iogurte, o que lhes dá um paladar e textura deliciosos, têm imensos pratos vegetarianos, e desde as sopas às sobremesas tudo é pantagruélico. Lembro-me especialmente de uma sobremesa que comia todos os dias, que ainda hoje me faz àgua na boca: “baklava” é o seu nome. É uma espécie de mil folhas, com uma massa folhada muito fininha, mas redondo e enorme, recheado de doce de ovos e avelãs.
As praias de àgua quente, o povo de uma simpatia extrema, enfim, tudo mas mesmo tudo na Turquia é inesquecível.
Mas, a história não acaba aqui. Era preciso voltar, fazendo o mesmo percurso, mas ao contrário.
Quando chegámos ao aeroporto havia tanta gente que pensei que houvesse uma greve ou algo parecido.
Procurei com os olhos o quadro dos voos com os horários e, espanto dos espantos: era um quadro preto, de escola, onde, DEPOIS do avião sair alguém escrevia a giz branco, o horário de saída.
Munidos dos passaportes e bilhetes ficámos na imensa fila, quando, ainda bem longe de nós, a funcionária gritou do balcão que o avião já estava cheio.
Achei que não tinha percebido bem embora ela falasse inglês, e fui até ao balcão para falar com ela. Pois não foi boa ideia: senti logo nas costas uma picadela. Era a pontinha da tal baioneta.
Como acho que eles nem perguntam primeiro e atiram logo, deixei o meu companheiro a tomar conta da bagagem sentadinho numa cadeira, e fui tratar da nossa vida.
Fui à Air France, expliquei a situação e pedi-lhe para aceitar os nossos bilhetes. Ela até aceitaria se tivesse lugares no avião, mas o mesmo estava cheio. Explicou-me então, coisa que eu desconhecia, que os turcos têm ( ou tinham ) milhares de emigrantes que naquela altura do ano voltavam para Paris, Londres e para a Alemanha.
Só daí a uma semana a Air France tinha lugares nos seus aviões e Turkish Airlines não queria saber de bilhetes confirmados. Os passageiros embarcavam por ordem de chegada.
Encostei-me ao balcão, suando frio, e juro que não era do calor.
Resta acrescentar que o dinheiro já era muito pouco ( naquela altura só se podia sair de Portugal com 20 contos por passageiro, e os cartões de crédito só eram válidos internamente. Mesmo com mais umas notinhas escondidas :) o dinheirto estava a acabar.
Pedi então à funcionária da Air France que, pelo walkie-talk, pedisse ao Comandante que me levasse no cockpit. Ela pediu, mas ele disse que não.
Fiquei ali encostada, perdida, chorando desesperada e pensando que mal chegasse a Lisboa ( se chegasse )começava a aprender turco.
De repente, no meio das lágrimas, vi aproximar-se um homem alto, loiro, lindo na sua farda azul escura cheia de galões.
Fez-se luz no meu espírito: era o Comandante.
Fungando, agarrei-o pela manga do casaco e disse-lhe:
POURQUOI NE VOULEZ VOUS PAS ME PRENDRE?
Ele olhou-me de alto a baixo e respondeu:
MAIS BIEN SÛR QUE JE VOUS PRENDS, MADEMOISELLE.
E agarrando-me na mão, levou-me para o gabinete da Air France, ofereceu-me um lenço de linho a cheirar a Eau Sauvage para limpar as lágrimas, e pediu-me que lhe explicasse a situação.
O que fiz.
Então ele chamou a funcionária e disse-lhe: MADEMOISELLE VOYAGE À PARIS, ET FAITES LE CHECK - IN EN 1ÈRE CLASSE.
Só quando, já no balcão com o maravilhoso Comandante ao meu lado, me preparava para entregar os passaportes e os bilhetes, me lembrei do Francisco. Ia-me dando uma coisa. Diria mesmo mais, uma coisinha má.
Por instantes, ENTRE LES DEUX, senti-me tentada a voar para Paris com o meu Comandante.
Mas, o raio da educação que a minha mãezinha me deu falou mais alto, e murmurei:
- NOUS SOMMES DEUX.
O Comandante olhou para mim, tirou-me os passaportes da mão, abriu-os, olhou demoradamente para a fotografia do Francisco, e disse à funcionária:
- JE PRENDS LES DEUX EN 1ÉRE CLASSE.
Deu-me um beijo e murmurou: C'EST DOMMAGE!
Aiiiiiiiii
Fui a correr buscar o contra peso ( hehe), fizemos uma viagem fantástica para Paris e antes de desembarcarmos o Comandante veio despedir-se, trocámos moradas e telefones, e ainda hoje trocamos cartões de Boas-Festas.
Quanto a mim, ainda hoje guardo o lenço de linho com cheiro a Eau Sauvage e pergunto-me: What if???

3 November 2007

SEXTA-FEIRA À NOITE


Sexta-feira à noite
Os homens acariciam o clitóris das esposas
Com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
Contam dinheiro, papéis, documentos
E folheiam nas revistas
A vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
Os homens penetram suas esposas
Com tédio e pénis.
O mesmo tédio com que todos os dias
Enfiam o carro na garagem
O dedo no nariz
E metem a mão no bolso
Para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
Os homens ressonam de borco
Enquanto as mulheres no escuro
Encaram seu destino
E sonham com o príncipe encantado.

Marina Colasanti

UMA FRASE, UM LIVRO

A a.filoxera teve a gentileza de me incluir num desafio que lhe fizeram:

1) Pegar num livro que tenhas à mão ... não vale procurar
2) Abri-lo na página 161,
3) Procurar a 5ª frase completa.
4) Postá-la no blog.
5) Passar o desafio a 5 bloggers
6) É proibido ir buscar o melhor livro e postar a frase que acharmos mais interessante.
7) Divulgar o nome e o autor do Livro.

Sucede que nos 3 livros que estou a ler, a frase em questão não fazia qualquer sentido fora do seu contexto. Portanto, para não subverter completamente " o jogo " escolhendo um livro que tivesse uma frase bonita, resolvi seguir à risca as directrizes, mas não pondo a 5ª mas sim a 8ª
- Nada melhor para amenizar um luto que uma mudança de cenário.
De facto, sendo o luto uma fase extremamente dolorosa, se for vivido no mesmo ambiente que nos lembra a dor torna-se muito mais difícil de suportar. Assim, mudando o cenário, o luto acompanha-nos mas não está presente nos objectos, nas fotografias, nas refeições, enfim no quotidiano da perda.
A Alma Trocada de Rosa Lobato Faria

Quanto aos bloggers a quem passo o desafio são:

Fundamentalidades 2
Infinito Pessoal
Sol da meia-noite
Bichodeconta
Jasmim
Barbara Cecília

Um abraço para todos

2 November 2007

ATIREI O PAU AO GATO, OU NÃO?

Atirei o Pau ao Gato, to
Atirei o Pau ao gato, to
mas o gato, não morreu, eu, eu
Dona Chica, assustou-se, se, se
Com o berro, com o berro
Que o gato deu, miauuu.

Era este o começo de uma das mais conhecidas canções que as crianças cantavam, desde o tempo da minha avó.
Não sei se repararam que os verbos estão no PASSADO.
Pois, foi de propósito. Imaginem que descobri que a letra que as crianças agora cantam, reza assim:
Não atirei o pau ao gato, to
Não atirei o pau ao gato, to
Porqu'a minha mãe ensinou-me, me
Que o gato, to
Que o gato, to
É meu amigo, miauuuuu.

Fiquei tão espantada quando ouvi a filha de uma amiga a cantar isto, que durante uns instantes as ideias ficaram um bocado embaralhadas.
Ainda interroguei a pequenina, mas ela nunca tinha ouvido a minha versão.
Falei então com a minha amiga, e ela explicou-me com um ar muito sério, que a letra tinha sido mudada para não incitar as crianças a fazerem mal aos animais.
Confesso que continuo atarantada com esta mudança, primeiro porque adoro tradições e depois porque preservo como um cão de guarda as memórias da minha infância.
Aliás, preservo todas.
Adoro memórias.
Depois porque "entre les deux mon coeur balance...".
Calculo que não estejam a perceber nada, mas vou passar a explicar:
É claro que qualquer medida tomada no sentido de proteger os animais, que amo, é por mim abençoada.
Aliás tenho-me batido, em cruzada, para que a nossa lei mude, e passe a ser crime com direito a registo no Registo Criminal, e pena privativa de liberdade, qualquer mau trato infligido a um animal.
Mas, isto é assim como dizerem-me que o whisky não é escocês, que o vinho do Porto não vem das uvas do Douro, que o melhor Gin não é o inglês e por aí fora.
Por outro lado, fiz uma pequena viagem na memória, e lembrei-me que depois de levar o meu filho mais velho a ver o Bambi, fiquei com dois problemas entre mãos:
1º Para além de chorar que nem uma Madalena quando viu a mãe do Bambi morrer, durante muitas noites acordava a chorar com medo que eu também fosse morrer.
2º Só muito mais velho consegui que fosse ver filmes de desenhos animados, o que para mim era quase um pecado.
Mas não havia quem o convencesse.
Ainda hoje, quando me insurjo contra a violência dos desenhos animados que passam na Televisão, ele diz-me sempre:
Ó mãe, olhe lá:
Então e a bruxa malvada da Branca de Neve?
E a madrasta da Cinderela?
E o lobo mau do Capuchinho Vermelho que come a avó dela?
E continua por aqui fora sem que eu tenha grandes argumentos para o contrariar.
Estas 2 coisas fizeram com que falasse com vários amigos, e o facto é que se gerou uma grande confusão, com uns a defenderem a nova letra, porque sim senhora, tem que se ensinar as crianças a amarem os animais desde pequeninos, e os outros que acham que a letra se deve manter, e as histórias de encantar se devem continuar a contar às crianças, para elas se irem habituando que há pessoas boas e más, que as más são as que batem nos animais, que há pessoas que são verdeiras Bruxas, que há o Bem e o Mal, e que o Bem vence sempre o Mal.
Agora pergunto eu:
Se não se deve mentir, muito menos a uma criança, como vou eu dizer que o Bem vence sempre o Mal, se infelizmente isso não é verdade?
E sendo assim, atiro o pau ao gato ou não?