21 March 2011

MAIS POESIA DO QUE PRIMAVERA


O Inverno, na minha vida se prolonga.
A Poesia está sempre no meu coração.
Por isso,


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio " Cântigo Negro"

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6 March 2011

(32) PORQUE É FIM DE SEMANA


Deve mesmo por ter sido sábado de carnaval que uma "suposta" canção de intervenção com mascarados e tudo ganhou o famigerado Festival da Canção. Mais uma para nos envergonhar além fronteiras.
Por isso e porque sim, apeteceu-me escarrapachar aqui as canções que um amigo, um poeta, um Homem escreveu para os antigos Festivais: José Carlos Ary dos Santos.
A par com Cavalo à Solta aqui fica a letra de Canção de Madrugar.
Para mim, as duas melhores de sempre.

De linho te vesti
de nardos te enfeitei
amor que nunca vi
mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite
- sinais de bem despertar -
sei dos teus braços abertos a todos
que morrem devagar.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo pode acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Irei beber em ti
o vinho que pisei
o fel do que sofri
e dei.

Dei do meu corpo um chicote de força.
Rasei meus olhos com água.
Dei do meu sangue uma espada de raiva
e uma lança de mágoa.

Dei do meu sonho uma corda de insónias
cravei meus braços com setas
descobri rosas alarguei cidades
e construí poetas.

E nunca te encontrei
na estrada do que fiz
amor que nunca logrei
mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia
teu corpo há-de acender
uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer.

Então:
nem choros nem medos nem uivos
nem gritos nem pedras nem facas
nem fomes nem secas nem feras
nem ferros nem farpas nem farsas
nem forcas nem cardos nem dardos
nem guerras

Enjoy!

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5 March 2011

( 53) NÃO RESISTI





Notinha:Clikar nas imagens para aumentar


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21 February 2011

PARABÉNS PARA MIM

Quando eu era pequenina e alguém fazia anos, enviavam-se cartas ou postais que começavam com " Salvé o dia..."

A minha mãe teve um trabalhão para me explicar o que queria dizer o "Salvé".
Normalmente depois seguia um ramo de flores ou uma linda caixa de chocolates.
Com o passar do tempo apareceram os postais alusivo à data, com bonecos e até, alguns, com o número de anos que a pessoa faz.
Depois veio a net e passaram a enviar-se os parabéns por mail. Não eu, que até no Natal mantenho a tradição dos Cartões de Boas-Festas.
Agora, a coisa é muito mais sofisticada: dão-se os parabéns pelo Facebook.
Não estou naturalmente, a criticar os " amigos " virtuais dos blogs ou do Facebook. Bem pelo contrário. Fico até bastante sensibilizada com essa gentil atitude de quem não me conhece de lado nenhum.
Alguns há que foram mais rápidos do que eu, como a Ematejoca, que mesmo antes de eu publicar este post, na dúvida, me deu os parabéns no post anterior, o que significa que teve o cuidado de anotar a data do meu aniversário e não se esqueceu de me enviar os seus votos de um dia feliz.
Estou a referir-me aos amigos, àqueles que têm a minha morada, o meu telefone, os meus contactos e ainda assim me dão os Parabéns via Facebook.
Já é tudo tão impesoal, tão virtual, tão frio que me pergunto se para o ano me enviarão um ET que ao esticar o dedo, sairá dele, faiscando a palavra " Parabéns".
Antes que isso aconteça, "Parabéns" para mim, porque apesar de já ser virtual ainda não me tornei invisível.

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19 February 2011

AS JURAS QUE QUEBREI


Quando numa sociedade, perante um determinado facto, a maioria pensa e age de uma forma igual, isso é a normalidade. Quem não o faz é anormal, quiçá louco.
Descobri que sou louca e à loucura me tenho remetido, num silêncio quebrado de quando em vez por uns laivos de lucidez.
Nessas alturas juro a mim mesma que da próxima vez farei como os outros. Mas às vezes não aguento.E quebro-as. Ás juras.
Agora, de uma só vez quebro quatro. Quem por acaso aqui passar, provavelmente nem terá paciência para ler um post grande.Tampis, ça m'est égal!

1ª Jura Quebrada - Não falar das últimas eleições.
Não falarei de todos os fait divers que as acompanharam mas há algumas perguntas que me martelam na cabeça e para as quais gostaria de encontrar resposta:
- Mesmo aqueles que não gostam de Cavaco Silva nunca duvidaram da sua honestidade e lisura. Como é que ele não desconfiou que durante a campanha o assunto das suas casas no Algarve viria à baila? Como é que ele não adivinhou que o caso da venda das suas acções e do empréstimo do genro seriam dissecados até à exaustão?
Por fim, porque não esclarece de vez as questões e remete para o site da Presidência da República?

Como é que Manuel Alegre, profissão político, não percebeu que era melhor apresentar-se como independente do que ter o apoio desapoiado do PS?
Como é que não percebeu que a podridão fétida do Partido se lhe colaria?
E assim, sem honra nem glória acabou a sua carreira política. Restam-lhe as trovas...

2ª Jura Quebrada - O Homicídio no Intercontinental.
A vítima não era pessoa da minha simpatia. Não a conhecia e nem tenho nada contra as suas orientações sexuais. Mas,
- se me horroriza a forma como os animais comestíveis são mortos, à paulada ( os coelhos), sangrando ( os porcos), com choques eléctricos os animais de maior porte,
- se sou contra as touradas,
- se pertenço a Associações de Defesa dos Animais
- se evito tanto quanto posso comer carne
- se em noites de temporal o meu coração se aperta pensando nos cães abandonados que vivem na rua, quando olho para o meu, quentinho, dormindo em cima do fofo édredon da minha cama,
Não posso concordar que NENHUM ser humano seja morto daquela forma. Seja qual for a razão, muito menos, por motivos sexuais.
Ouvi a notícia num telejornal. Li-a num jornal. Não corri para as bancas de revistas para comprar todas e babar sobre os pormenores sórdidos. Mas isso sou eu que sou louca, já que a maioria o fez.
Quando perguntavam aos meus filhos o que queriam ser quando fossem grandes, um queria ser palhaço, o outro Presidente da República. Nem um nem outro conseguiram. Felizmente.
O homicida queria ser Famoso. Não queria ser um escritor Famoso. Não queria ser um actor Famoso. Não queria ser um médico Famoso. Não, só queria ser Famoso.
Ora, a Fama tem sempre o seu preço. Ás vezes muito caro. Agora já é. Famoso!
As pessoas normais da sua cidade querem que não seja punido. As pessoas normais fizeram um grupo no Facebook com centenas de assinaturas para que nem seja julgado.
Mas eu que sou louca, sou tenho três perguntas:
- O homicida, enquanto pernoitava em casa da vítima, enquanto usufruia das viagens e presentes facultadas pela vítima, enquanto gozava o Réveillon numa das cidades mais caras do mundo, num dos hotéis mais luxuosos do mundo, nunca percebeu que estava a pagar o preço disso tudo? Ou que teria que o pagar? Que não há almoços grátis? Não queria mais? Que tal bater a porta do quarto do hotel, sair e voltar para Portugal?
- Curioso que ainda ninguém se preocupou com o sofrimento da mãe do homicida. O que irá naquela alma? Porque mãe é mãe. Seja de quem for. Como conseguirá ela equilibrar-se entre o amor imenso e único pelo filho e o repúdio e horror pelo que ele fez?
Mas, claro, isto sou eu e a minha loucura a pensarem as duas. Neste caso têm mesmo que ser as duas.

3ª Jura Quebrada - A Idosa encontrada morta 9 anos depois de morrer
Em tempos idos, no Japão, os velhos ( eu nunca uso esta palavra mas sim idosos), eram levados para a mais alta montanha perto da sua cidade natal, para morrer. Algo assim como se fazia aos leprosos. Mas isso era antigamente!
Seria? Será?
Uma sociedade que não cuida dos seus idosos é uma sociedade doente e por muito que me custe reconhecer, um caso destes nunca aconteceria na sociedade judaica ou por exemplo na India. Por lá, a palavra dos mais velhos é respeitada porque consideram que são mais sabedores. Por lá, as famílias vivem em comunidade. As mais das vezes os filhos quando casam ficam a viver com os pais.
Mas nós somos muito mais civilizados. Nós não temos idosos, temos velhos. Imprestáveis. Um empecilho. Doentes. Alguns quase surdos ou cegos. Enfim, uma chatice. Melhor mesmo abandoná-los à porta dos hospitais e não voltar para os ir buscar. Ou depositá-los como lixo em lares que de LAR, só têm a palavra.
Não falarei da atitude da GNR. Nem das autoridades. Nem da família. Não quero conspurcar o meu blog.
Mas tenho uma perguntinha, decerto fruto da minha loucura: - Os jovens de hoje pensam que não vão ser, um dia, velhos?
E agora vou recolher-me à minha loucura, num mundo onde

A terra gira ao contrário
e os rios nascem no mar!

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7 January 2011

EMOÇÕES


As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

É sabido que não sou muito patriota. Pelo menos não deste Portugal que hoje existe. Dum outro, longínquo, quando demos mundos ao Mundo é outra história. Embora por razões mal explicadas até para mim, vibre quando oiço o nosso hino cantado a plenos pulmões, mesmo a parte em que marchamos contra os canhões. Manias!
Depois, há aquelas coisas muito portuguesas, como o queijo da Serra,o vinho do Porto ou um Alvarinho branco para não falar num Quinta do Carmo tinto.
E há o Fado. Ah sim, o Fado!Fui iniciada nas lides fadistas quando tinha 16 anos pelo meu primeiro namorado e grande amor. Cantava-o maravilhosamente. E durante os vários anos em que namoramos, assisti a noites inesquecíveis de "Fadistices" onde ouvi e aprendi os clássicos. Ele e vários amigos reuniam-se para cantar Fado e mesmo quando a vida nos afastou, nunca o esqueci nem deixei de gostar de fado. Se possível passei a gostar mais porque fui aprendendo e descobrindo.

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

Tive esta noite o privilégio de estar presente numa dessas "Fadistices", onde o fado é cantado por amadores, que como o nome indica são pessoas que amam...cantar fado.E ouvi-o a ele, de novo. Passados perto de 30 anos. Continua com a mesma voz e a emoção foi igual.

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente...

Fado "Chuva" da Mariza

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2 January 2011

(11) NOVA IORQUE, MEU AMOR


Quando nos vimos pela primeira vez foi amor à primeira vista.
Ah, se fosse um homem!
Tinha tudo para me fazer apaixonar. De uma beleza especial, era sensual,fazia-me rir, emocionava-me, surpreendia-me, tirava-me o fôlego.
Turista, fiz o périplo de todos os locais obrigatórios: da Estátua da Liberdade ao Empire, de Times Square ao World Trade Center.
No restaurante do último piso de uma das Torres tinha a cidade a meus pés.
Ah, se fosse um homem!
Nos museus aprendia, nos teatros divertia-me. A cultura anda pelas ruas na mistura de raças e línguas que se cruzam.
Depois, quase residente, comecei a vê-la com outros olhos. Nela cabem duas pequenas cidades ( Little Italy e China Town, onde se vende o peixe mais fresco de Nova Iorque).
Comecei a distinguir as Avenidas das Ruas e a saber qual faz esquina com qual.
E Central Park!! No Verão ou no Inverno veste-se de forma completamente diferente. Ora verde e quente ora branca e gelada. Nada de monotonias.
Ah, se fosse um homem!
E mesmo quando se percorre o País, de S.Francisco a New Orleans, de Washington a Las Vegas, nenhuma se compara com outra e nenhuma é igual a Nova Iorque. Como descer o Mississipi num barco movido a gigantes rodas não se pode comparar ao Hudson onde aterram aviões. Como as montanhas de Vermont não têm nada a ver com as de Lake Tahoe.
Como as águas frias das praias de leste não se comparam com as quentes da Califórnia.
Mas depois, volto a Nova Iorque como volto a casa.
Como voltaria para os braços do homem amado.
E foi ela que me deu o mais precioso presente de Natal que recebi este ano.
De uma forma linda,branca, silenciosa, a cidade vestiu-se de branco, a rigor, para as Festas. E foi esse rigor que impediu o avião do meu filho de partir oferecendo-me mais dois dias com ele.
Ah, se fosse um homem, eu dir-lhe-ia: Nova Iorque, meu amor!

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31 December 2010

FELIZ ANO NOVO



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22 December 2010

FELIZ NATAL!

Hot Comments



Para todos os que me têm acompanhado ao longo destes três anos e sobretudo aqueles que nas longas ausências deste ano nunca desistiram de mim, os meus desejos sinceros de um Santo e Feliz Natal.

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12 December 2010

( 32) PORQUE É FIM DE SEMANA




INACREDITÁVEL!

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11 December 2010

( 52) NÃO RESISTI

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9 December 2010

CARTA AO PAI NATAL


Querido Pai Natal,
escrevo-lhe porque sei que gosta de animais e preciso de lhe pedir umas coisinhas.
Portei-me bem este ano. O meu dono repreendeu-me muito poucas vezes. Umas porque pulei para a cama dele mas não percebo porquê, porque é tão grande que cabemos todos e outras porque diz que puxo a trela quando vamos à rua. Mas é que ele não percebe que o parque está cheio de odores e se fossemos ao ritmo dele perdia todos. ( Sou um incompreendido).
Outras vezes ralha comigo porque não lhe obedeço à primeira, mas não é por mal, é porque estou entretido com outras coisas.
Manias dele!
Agora vamos aos pedidos:
Gosto de bolas.Grandes, médias, pequenas. De todos os tamanhos.Podes trazer uma de acordo com o meu tamanho? e já agora uma maiorzinha para brincar com os meus amigos.
Também gosto muito de brinquedos de roer e daqueles que fazem barulho. Mas estes, como costumam durar pouco é melhor trazeres muitos.
Também queria guloseimas, barras de limpar os dentes e aqueles biscoitos fantásticos a saber a bacon.
Já agora, para não incomodar tanto o meu dono, como gosto de estar quentinho, podias trazer também uma caminha.
E agora vamos aos pedidos mais importantes. Deixei-os para o fim por isso mesmo. Para lhes dares mais atenção.
Este ano faz com que os animais de companhia não sejam mais uma vez brinquedos natalícios, uma prenda desejada que meses depois é abandonada na rua como um brinquedo estragado.
Não te esqueças também dos cães abandonados, leva-os para um abrigo este Inverno, dá-lhes comida e um dono para cada um deles.
Espero que continuem a haver humanos que continuem a querer-nos pelo que somos, sem se importarem se somos grandes ou pequenos, bonitos ou nem por isso, porque nos vêem não com os seus olhos mas com os do coração.
Essa será a minha maior prenda.
Para o meu dono não vale a pena trazeres nada porque ele já tem todo o carinho que eu lhe dou.
Obrigada,

Sebastião

Nota 1: Já que estamos em tempo de solidariedade, resolvi dar voz a quem não a tem.
Nota 2: Esta carta foi copiada de uma publicada na revista Cães e Companhia e é agora publicada com modificações.

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7 December 2010

OS PERIGOS DA TEIA




Como sabe quem me lê não é muito meu costume comentar acontecimentos neste blog, a menos que sejam coisas que considero de alguma forma importantes.
Este é o caso.

Chegou-me por mail a notícia de que Oprah Winfrey num dos seus programas mais recentes, entrevistou Tommy Hilfiger, o estilista da roupa que tem o seu nome.
No programa, Oprah ter-lhe-ia perguntado se era verdade que ele tinha feito o seguinte comentário:

'Se eu tivesse sabido que os negros americanos, os judeus, os latinos, Espanhóis, Venezuelanos, cubanos, os Argentinos, Chilenos, mexicanos, Bolivianos, Peruanos e os asiáticos comprariam a minha roupa, não a tinha desenhado tão boa. Gostava que esse tipo de gente não comprasse a minha roupa, pois esta é feita para gente branca, de classe alta... e preferia doar aos porcos...'

Ante a pergunta de Winfrey de se ele tinha feito tão crua afirmação, Hilfiger respondeu com um simples e sucinto
SIM.
Também admitiu o seu ódio pelos judeus e sua admiração por Hitler.
Imediatamente, Oprah lhe exigiu que abandonasse seu show.

Perante tão inusitada e espantosa notícia dei-me ao trabalho de ir ao youtube ver se por acaso lá estava a dita entrevista. Não estava. Mas estava esta que vos deixo, em que após este mail ter sido posto a circular Oprah convidou o costureiro e onde ele desmente tudo e ela afirma que desde que tem o show, JAMAIS tinha convidado Tommy antes, portanto não poderia tê-lo posto fora do estúdio.

Por aqui se vêem os malefícios da net, da Rede ou como eu lhe chamo, da Teia.
Ai de quem caia nela. Ai de quem ao cair nela fique à mercê das intrigas, dos falsos amigos, das pessoas que emprenham pelos ouvidos ( detesto esta frase. Nem sei como a escrevi, mas não conheço outra melhor) dos mails que passam em corrente entre todos os contactos de cada um, dos invejosos, dos fundamentalistas, enfim, das pessoas que usam uma máscara para esconderem quem de facto são.
Citando o tristemente célebre Goebbels: Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade!
Citando o povo: A verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima...
Infelizmente nem tem todos podem ir ao programa da Oprah contar a sua verdade!

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5 December 2010

( 31 ) PORQUE É FIM DE SEMANA

'Fumo maconha, mas não trago, quem traz é um amigo meu'
-Marcelo Anthony.

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'O que te engorda não é o que você come entre o Natal e o Ano Novo, mas o que você come entre o Ano Novo e o Natal'
Solange Couto.


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'Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?'
- Dorival Caymi.

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Para seu marido não acordar com a macaca...Depile-se!
- Cláudia Ohana.

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'Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros' -
Roberto Justus.

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'Cabelo ruim é igual a bandido... Ou tá preso ou tá armado' - Ronaldinho

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'Não me considere o chefe, considere-me apenas um colega de trabalho que sempre tem razão' -
Galvão Bueno.

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'Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados para não usar aliança' - Zeca Pagodinho.

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'Mulher gorda é que nem Ferrari.... Quando sobe na balança vai de zero a cem em um segundo' - Reginaldo Leme.

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Os psiquiatras dizem que 3 em 4 pessoas têm problemas psíquicos.
Fique de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, o retardado é você'

- Antônio Palocci.

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'Casamento começa em motel e termina em pensão'
- Romário.

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'Seja legal com seus filhos. São eles que vão escolher seu asilo'
- Itamar Franco.

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'Passar a mulher pra trás é fácil. O difícil é passar adiante'

- Eduardo Suplicy.

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'O Brasil está igual a carro velho: para subir não tem força, para descer não tem freio'
- Dilma Roussef.


Notinha: recebido por mail


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4 December 2010

(51) NÃO RESISTI

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1 December 2010

SOLIDARIEDADE SUCKS!



Eis que chegou Dezembro e com ele o Natal e logo, logo, o Fim do Ano.
Desde que me conheço por gente este é o meu mês preferido por tudo o que o Natal encerra. Já o Fim do Ano provoca em mim uma angústia pela incógnita que encerra que faz com que nunca tenha gostado dele, excepto quando vivia no Brasil.
Com o Natal chega também algo de que não gosto. Já começaram e outras se lhe seguirão, nascendo quais cogumelos venenosos: as campanhas de solidariedade.
Quando estudamos Economia ensinam-nos que o preço dos bens é directamente proporcional à sua escassez.
Ora aqui está um exemplo de que esse princípio não é pacífico.
Treme a terra no Chile e morrem centenas de pessoas. Um Tsunami invade a Indonésia e mata milhares de pessoas.
E nós, no nosso conforto, comentamos com os nossos amigos:
- Que horror! Já viste a desgraça que se abateu sobre aquela pobre gente? As famílias inteiras que desapareceram? As crianças que ficaram sem ninguém?
E somos muitos a fazer isto. Somos milhares pelo mundo fora.
É a solidariedade de borla. Muita solidariedade a preço zero.
O tal princípio económico balança.
Chuvas torrenciais abatem-se sobre a Madeira, que é tão linda, tem tantas flores e até tem um Presidente chamado Jardim de quem ninguém gosta mas que nessa altura até isso é esquecido. E abrem-se linhas de crédito nos bancos e organizam-se espectáculos de televisão com muitas caras conhecidas das revistas que de tão rosa que são até enjoam, para atender chamadas de valor acrescentado, em que uma parte reverte a favor dos carenciados.
E nós, pegamos no telefone, se tivermos sorte ainda nos atende o Ricardo Pereira ou a Bibá Pitta e lá fazemos a tal chamadinha que nos cala a consciência de bons cidadãos. Somos muitos mas já somos menos.
É a solidariedade barata.
O tal princípio económico balança um pouco mais.
Mas eis que temos uma doença cuja cura depende de um tratamento ou cirurgia caríssimos. Que ficamos desempregados e as prestações da casa ficam por pagar. A ordem de despejo não se faz esperar e a rua, o frio, o relento é o que nos espera.
Vamos então bater à porta de um daqueles amigos que sempre nos disse:
- Eh pá, já sabes, se precisares de alguma coisa é só dizeres. Qualquer coisa que precises, conta comigo. Os amigos são para isso mesmo.
E nós, crentes, lá vamos bater a uma dessas portas. Mas...
- Oh que chatice, vens mesmo em má altura. Se tivesse sido o mês passado. Mas agora a minha sogra partiu uma perna, as aulas dos miúdos começaram e gastámos imenso nos livros. E ainda por cima já começámos a pagar o as prestações do cruzeiro do fim de ano. É que viéste mesmo em má altura.
É a solidariedade cara. E rara.
Porque era preciso estender a mão, envolver-se com a dor do outro, quiçá talvez mudar a nossa vida para ajudar o amigo.
O tal princípio económico ergue a cabeça orgulhoso. Afinal estava certo. Mais do que certo, porque para certos bens nem há preço.
Esta solidariedadezinha de Natal enjoa-me. Podem as pessoas passar fome o ano inteiro mas no Natal não pode faltar a postinha de bacalhau. E o resto do ano? Assobiamos para o lado? Os sem abrigo passam frio e dormem envoltos em cartões 365 noites do ano, mas na noite de Natal, ah, na noite de Natal há-de haver um albergue, uma Misericórdia, um serviço da Câmara que lhes dê guarida.
Houve alguém que me disse há uns tempos que se blinda para ouvir os desabafos das tragédias dos amigos, para não sofrer.
Pois eu não sou assim.
Eu ajudo, eu oiço, eu envolvo-me, eu estendo a mão, eu sofro com a dor dos outros.
E não é só no Natal.
People sucks!
The world sucks!

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24 October 2010

( 30 ) PORQUE É FIM-DE-SEMANA

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23 October 2010

(50) NÃO RESISTI


Recados e Imagens - Engraçadas - Orkut



Só cá falta o Ronaldo e a sua pochette Vuitton!

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22 October 2010

A QUINTA MALDITA



Por várias vezes e por razões que não estas que hoje aqui invoco, me tenho arrependido de não ter sido socióloga em vez de advogada.
Há imensos comportamentos do ser humano, sobretudo quando em grupo, ( já Fernão Lopes se lhe referiu) que me confundem e que gostava de entender.
Um deles é, por exemplo, porquê que antes de ser do Sporting tenho que ser anti-Benfica.
O outro, por analogia com o anterior porquê que pelo facto de não fazermos determinada coisa atacamos e marginalizamos quem a faz.
Vem esta introdução a propósito dos comentários violentos de pessoas que até são cultas e civilizadas sobre a quinta e as pessoas que nela jogam.
Não, não estou a falar da Quinta das Celebridades ou dos Segredos porque, como já sabia que eram programas que não me interessavam, nunca vi.
Estou a referir-me à famosa e muito querida ou muito mal quista Farmville.
Não percebo que mal vem ao mundo por milhões de pessoas se entreterem ludicamente, na verdadeira acepção da palavra, a plantar legumes ou alimentar animais. Não existe nada de reprovável no jogo, nem pornográfico, nem moralmente censurável, enfim, nada que seja socialmente inaceitável.
Por outro lado, é uma actividade que em pessoas bem formadas, até desenvolve os sentimentos de solidariedade e entre-ajuda, já que muitas das coisas que lá se fazem se tornam quase impossíveis de realizar sem a participação dos vizinhos.
Mas muito mais do que isso, o que me revolta e me deixa encanitada ( já sabem que quando me encanito é porque a coisa está brava) é que a maioria das pessoas que goza com quem joga ou se junta em grupinhos com o título " Eu não jogo Farmville" não faz a mais pequena ideia de quem são as pessoas que o fazem.
Dou de barato que 10% possam ser dondocas desocupadas que não têm nada para fazer embora isso continue a ser problema delas.
Os restantes 90% estão divididos entre:

- Homens e mulheres trabalhadores que à noite, para descontrair, jogam Farmville

- Reformados que para matarem a solidão dos dias, jogam Farmville, como podiam jogar às cartas num banco de jardim

- Desempregados que para não enlouquecerem a pensar como vão pagar as contas da luz ou da àgua ou mesmo a renda da casa, enganam o tempo plantando umas flores ou alimentando umas vacas

- Pessoas com doenças gravíssimas, desde depressões a cancros, ou a viverem outros dramas pessoais, que ao jogarem interagem com aquele que para elas, naquele momento, é o mundo exterior.

Só para que conste há psiquiatras que aconselham o jogo a alguns dos seus pacientes.
Nenhum de nós tem o direito de marginalizar seja quem for por fazer algo que a nós não nos interessa, menos ainda se nem conhece o jogo, muito menos ainda se desconhece ( e eu conheço alguns) os dramas que se escondem por trás dos "donos" de algumas quintas.
Metam na cabeça que há pessoas neste País cujo único momento de paz é enquanto está a jogar Farmville.
Desçam da vossa arrogância de pseudo-intelectuais e respeitem o sofrimento dos outros, mesmo que esse sofrimento, às vezes, se esconda por trás de um jogo de computador.
As máscaras e os palhaços pobres, existem!
Enjoy!




PS: Em tempo - eu jogo Farmville e até já vou no nível 80. E daí? Desci muito na vossa consideração?

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19 October 2010

UM BLOG DE 1ª


Tenho pensado muitas vezes que adorava ter um blog tão bom, mas tão bom, daqueles mesmo de 1ª, que saem nos sites da net, que dão programas de rádio e que têm 50 comentários em cada post e eu, ficar sentada de camarote, muito inchada, lambendo os lábios, qual gato guloso e pensando:
- Meu Deus como eu sou boa!
Ah, já me esquecia de mais uma característica: não comentar ninguém!
É que pasmo com a quantidade de blogs com estas características todas.
Oh, esqueci-me de outra: um belo dia resolver fechá-lo e deixar um abraço especial para uma meia dúzia de blogs, dos bons, dos tais e deixar de fora, por esquecimento, aqueles que sempre me acompanharam e mimaram.
É que também há destes.
Mas depois, penso de novo e percebo que perderia os belos textos que os outros escrevem,não aprenderia um monte de coisas que tenho aprendido na blogosfera e last but not the least não "conheceria" certas pessoas admiráveis que por aqui andam.
E sobretudo,descubro que essa não sou eu.
Não seria nem Blue nem Velvet.
Seria uma sarapilheira àspera, sem cor definida e que mais tarde ou mais cedo cairia do tal trono.
Sempre caem.

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18 October 2010

DE REPENTE


De repente, na enorme mesa onde toda a família se reunia, o meu pai na cabeceira, estava seguido de mim, dos meus filhos e da minha neta.
Poucas pessoas têm a sorte de poder reunir 4 gerações de uma família e eu, se quisesse escrever um livro sobre a minha vida tinha ali um protagonista para cada capítulo.
De repente, apercebi-me que ambos os topos, o meu pai com 85 anos e a minha neta com 2 meses tinham adormecido.
Encontraram-se ambos no mesmo plano das almas boas e inocentes.
Se por um lado há uma vida que começa, no reverso há uma cujo fim inexoravelmente se aproxima.
E eu, não sei lidar nem com uma coisa nem com a outra.
E não quero que me digam, de repente:
É a vida!

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5 October 2010

UM 5 DE OUTUBRO DIFERENTE

Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Vinícius de Morais



Mas se não os temos como sabê-lo? Pois é. Eu paguei para ver. E tive dois. Podia ter tido mais mas, infelizmente, a vida não quis. Um faz hoje anos e desde o seu nascimento, confesso, nunca mais pensei no que está subjacente ao facto de ser feriado o dia do seu aniversário. Ah, eu sei. Esta afirmção vai ser muito mal vista pelos poucos vizinhos que restam num bairro que já não encontrei na minha volta.
Mas, afinal se tanta coisa mudou em cinco meses de ausência, a começar por mim, passo a fazer jus àquilo que digo no meu perfil: politicamente incorrecta, sempre.
Assim sendo, o que me interessa hoje é comemorar mais um ano de vida do meu filho e desejar que muitos, muitos outros se lhe sigam com toda a felicidade que seja possível alcançar neste mundo conturbado.

Quando tentáste pôr-te em pé pela 1ª vez as minhas mãos estavam lá para te segurar.
Ainda estão!


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29 September 2010

SOMETHING STUPID LIKE...I LOVE YOU


A Clínica é fora de Lisboa e eu só lá tinha estado uma vez. Na véspera, dia das burocracias, das preparações e do internamento.Ele foi a conduzir e eu tenho o malvado defeito de quando não sou eu a conduzir não reparar nos caminhos.
Assisti a todos os preparativos e fiquei até ao último minuto. Antes de sair perguntei ao enfermeiro a que horas teria que lá estar na manhã seguinte para ainda o ver antes de entrar para a sala de operações.
- O máximo até às 8.
Nessa noite mal dormi. Às 6 da manhã já estava a pé e às 7 no carro. Sabia que era na Parede mas não fazia a menor ideia de como chegar à Clínica. Pus a mente em piloto automático e a coisa até não correu mal até entrar na auto estrada e me enfiar numa fila que parecia nunca mais ter fim.
Os minutos iam passando e a minha aflição crescendo.
Por milagre, só pode ter sido, de repente dei de caras com uma tabuleta que indicava a Clínica e pouco depois estava no parque de estacionamento.
Faltavam 3 minutos para as 8 da manhã.
Tinha um jardim enorme para atravessar, uma escadaria imensa para subir e não sei quantos corredores para percorrer até chegar à cama dele. Olhei para os sapatos e amaldiçoei a triste ideia de calçar uns com 8 centímetros de salto. Só havia uma hipótese e foi o que fiz: descalcei-os.
Com o ar mais digno que consegui arranjar desatei a correr, muito bem vestida mas descalça e de sapatos na mão.
Quando cheguei à porta do quarto mal respirava e o meu coração parou quando vi a maca onde ele estava deitado a ser empurrada para o elevador.
Felizmente que o enfermeiro era um amor e quando me viu parou e segurou a porta, empurrando a maca para trás.
Encostei a cabeça no peito dele e murmurei: Vai correr tudo bem. Amo-te, meu amor.
Numa voz já entaramelada pelos sedativos ele murmurou uma frase. Agarrei-lhe na mão e só a larguei quando a maca entrou toda no elevador e as portas se fecharam.
Sentei-me na cadeira mais próxima de sapatos na mão, tentando recobrar o fôlego e fazer com que as pernas parassem de tremer.
Foi então que uma enfermeira se aproximou de mim e me disse:
- Não se preocupe. Vai ver que vai correr tudo bem. O seu marido está em boas mãos. Vê-se mesmo que estão casados há pouco tempo.
Sorri sem dizer nada.
Encostei a cabeça na parede que estava atrás, fechei os olhos numa prece silenciosa enquanto ouvia de novo a frase que ele me tinha murmurado:
- Sabia que não ia falhar, mãe. Também a amo muito.

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27 September 2010

TENTANDO ESCREVER


Sei agora coisas que não sabia há 5 meses. Significa que aprendi e isso é bom? Nem tanto. Não, quando o que se aprende não nos dá novos pensamentos ou novos mundos.
Nessa altura, escrever era algo tão natural para mim como comer, dormir, pensar ou ver. Quando olhava para alguém ou para algo, subconscientemente um post começava a tomar forma na minha cabeça.
Uma mulher com uma mancha na saia era muito mais que isso. Sobretudo a mancha. O que seria? Como teria ali aparecido? Porque continuaria ali? Agora isso não acontece. A mancha é uma mancha. Só isso.
A criança que chorava, chorava porquê? Porque tinha fome? Medo? Porque estava abandonada? E daí a história começava.
Agora, é só uma criança que chora.
Independente do dom ou do talento, como lhe queiram chamar, escrever é também um exercício. E como exercício que é necessita de ser exercitado ( perdoem a redundância). Como quando se faz ginástica e se pára, quando se recomeça, os músculos doem.
Com o escrever é bem pior.
Sobretudo quando as letras não se desenham para juntas se tornarem palavras que em conjunto darão um texto.
É o que dói não são os músculos: é a alma.

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19 September 2010

(29) PORQUE É FIM-DE-SEMANA





O QUE É SER ADVOGADO...!!!!

Trabalha em horários estranhos...
(igualzinho às putas!)
Pagam-lhe pra fazer o cliente feliz.
(igualzinho às putas!)
O trabalho vai sempre além do expediente!?!
(igualzinho às putas!)
É mais produtivo à noite...
(igualzinho às putas!)
É pago para realizar as idéias mais absurdas do cliente.
(igualzinho às putas!)
Os amigos distanciam-se e só anda com outros iguais!?!
(igualzinho às putas!)
Quando vai ao encontro do cliente, tem de estar sempre apresentável...
(igualzinho às putas!)
Mas, quando volta, parece saído do inferno???
(igualzinho às putas!)
O cliente quer sempre pagar pouco, mas exige que faça maravilhas!
(igualzinho às putas!)
Quando lhe perguntam em que trabalha, tem dificuldade em explicar...
(igualzinho às putas!)
Se as coisas dão para o lado errado, a culpa é sempre dele!
(igualzinho às putas!)
Todos os dias ao acordar diz:
NÃO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA A FAZER ISTO!!!!!!!
(igualzinho às putas!)

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18 September 2010

(49) NÃO RESISTI


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16 September 2010

PÉ- ANTE- PÉ


Como uma pequena bailarina de Petipa em Giselle, entro pé ante pé, espreitando por entre as árvores até que encontro uma casa azul onde morei quase três anos. Fez este mês mesmo.
Era uma vivência diária, mais nocturna do que diurna,havia até um bairro e vizinhos. Vizinhos também os havia que não pertenciam ao bairro mas que me aqueciam o coração com a sua ternura.
Quase 6 meses depois, de ausência, tenho muitas dúvidas e também adquiri algumas certezas. Dumas e doutras falarei outro dia.
Agora sei que tenho esta casa que é minha, embora com os panos de veludo a precisarem de ser mudados. O tempo e a falta de calor humano comeram-lhes a cor.
Não sei se há bairro, se há vizinhos, se tenho alguma coisa para escrever, não sei nem se vou voltar.
Mas sei de um saber de experiência feito, que quando Nietzsche escreveu que aquilo que não nos mata nos torna mais fortes, estava completamente enganado.
Ah não, não me matou, mas deixou-me frágil como o mais frágil cristal. Não sei se voltarei a rir, a sonhar, a fazer planos, a acreditar nos outros. Muita, muita coisa mudou em mim, mas seguramente não estou mais forte.
Só continuo a ser muito Velvet e isso acho que não mudará nunca.

Pitanga, mulher, podes parar de chamar por mim, podes sair da soleira da porta.
- Vá. Dá licença para dar ar à casa e entra. És sempre bem vinda.

Sunshine, Happy Even When It Rains, obrigada por todos os beijinhos que aqui deixavas todas as semanas com " as saudades de te ler".

Salvo, recebi as flores todas, as mensagens, as palavras, mesmo as que ficaram nas entrelinhas. A tua esperança, se ainda não morreu, estava certa.
Estou aqui.
Diferente, mas
Estou aqui.
Sofrida,
desiludida, mas
estou aqui.
Pelo menos essa batalha,
venci.


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21 March 2010

DIZEM QUE A PRIMAVERA CHEGOU!


Mas o tempo desmente o facto.

O céu está cinzento, está frio e volta e meia chove.
Tal como com o vestuário, em que as mulheres têm que decidir entre vestirem-se de acordo com a estação ou com o tempo que faz, também tive essa dúvida quanto ao layout do blog.
Um blog que ainda por cima está parado.
Mas a minha fazedora de layouts privativa, fez um layout tão doce e tão primaveril que não resisti a mudar. Aquelas meninas à chuva ainda tornavam a ausência de posts mais triste.
Mudámos então!
Não significa isso que vá voltar. Infelizmente não é o caso.
A minha vida pessoal não me ajuda a escrever nada que interesse aos outros.
Mas, como diria o meu querido vizinho Salvo, "Estou troncha, troncha de saudades" de todos os que, de uma maneira mais chegada uns, de uma forma mais expectante outros, reclamam a minha volta.
Não sei quando e SE haverá volta, mas a todos os que não desistiram de mim posso dizer que também não desisti.
Pitanga podes esperar. Salvo, talvez dê para matarmos saudades.
Para todos o meu obrigada, e se a vida permitir " Até já".
A esperança chegou de uma forma inusitada e inesperada.
E porque hoje se comemora o Dia Internacional da Poesia, aqui fica, para todos,

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa

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27 February 2010

( 48) NÃO RESISTI


Ainda que com alguns dias de atraso, NÃO RESISTI, a agradecer a uma vizinha de outro bairro, que no dia dos meus anos organizou uma festa blogsférica, só com vizinhos dela que fizeram o favor de me vir dar os Parabéns.
Nunca vi nada tão bem organizado.
De caminho ainda me ofereceu esta imagem que me aqueceu o coração.
Do meu bairro, nada que se parecesse com os anos anteriores.
Ainda assim, da Alemanha vieram estas lindas flores para me alegrar.
A ambas agradeço de todo o coração terem tornado o meu dia melhor.
A todos, sem excepção, que cá passaram, o meu muito obrigada.
Fica a constatação que " quem não aparece esquece" e que quando mais precisamos dos amigos é quando eles nos faltam.

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21 February 2010

ANIVERSÁRIO


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,

com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa (1888-1935)

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