24 October 2010

( 30 ) PORQUE É FIM-DE-SEMANA

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23 October 2010

(50) NÃO RESISTI

Só cá falta o Ronaldo e a sua pochette Vuitton!

22 October 2010

A QUINTA MALDITA



Por várias vezes e por razões que não estas que hoje aqui invoco, me tenho arrependido de não ter sido socióloga em vez de advogada.
Há imensos comportamentos do ser humano, sobretudo quando em grupo, ( já Fernão Lopes se lhe referiu) que me confundem e que gostava de entender.
Um deles é, por exemplo, porquê que antes de ser do Sporting tenho que ser anti-Benfica.
O outro, por analogia com o anterior porquê que pelo facto de não fazermos determinada coisa atacamos e marginalizamos quem a faz.
Vem esta introdução a propósito dos comentários violentos de pessoas que até são cultas e civilizadas sobre a quinta e as pessoas que nela jogam.
Não, não estou a falar da Quinta das Celebridades ou dos Segredos porque, como já sabia que eram programas que não me interessavam, nunca vi.
Estou a referir-me à famosa e muito querida ou muito mal quista Farmville.
Não percebo que mal vem ao mundo por milhões de pessoas se entreterem ludicamente, na verdadeira acepção da palavra, a plantar legumes ou alimentar animais. Não existe nada de reprovável no jogo, nem pornográfico, nem moralmente censurável, enfim, nada que seja socialmente inaceitável.
Por outro lado, é uma actividade que em pessoas bem formadas, até desenvolve os sentimentos de solidariedade e entre-ajuda, já que muitas das coisas que lá se fazem se tornam quase impossíveis de realizar sem a participação dos vizinhos.
Mas muito mais do que isso, o que me revolta e me deixa encanitada ( já sabem que quando me encanito é porque a coisa está brava) é que a maioria das pessoas que goza com quem joga ou se junta em grupinhos com o título " Eu não jogo Farmville" não faz a mais pequena ideia de quem são as pessoas que o fazem.
Dou de barato que 10% possam ser dondocas desocupadas que não têm nada para fazer embora isso continue a ser problema delas.
Os restantes 90% estão divididos entre:

- Homens e mulheres trabalhadores que à noite, para descontrair, jogam Farmville

- Reformados que para matarem a solidão dos dias, jogam Farmville, como podiam jogar às cartas num banco de jardim

- Desempregados que para não enlouquecerem a pensar como vão pagar as contas da luz ou da àgua ou mesmo a renda da casa, enganam o tempo plantando umas flores ou alimentando umas vacas

- Pessoas com doenças gravíssimas, desde depressões a cancros, ou a viverem outros dramas pessoais, que ao jogarem interagem com aquele que para elas, naquele momento, é o mundo exterior.

Só para que conste há psiquiatras que aconselham o jogo a alguns dos seus pacientes.
Nenhum de nós tem o direito de marginalizar seja quem for por fazer algo que a nós não nos interessa, menos ainda se nem conhece o jogo, muito menos ainda se desconhece ( e eu conheço alguns) os dramas que se escondem por trás dos "donos" de algumas quintas.
Metam na cabeça que há pessoas neste País cujo único momento de paz é enquanto está a jogar Farmville.
Desçam da vossa arrogância de pseudo-intelectuais e respeitem o sofrimento dos outros, mesmo que esse sofrimento, às vezes, se esconda por trás de um jogo de computador.
As máscaras e os palhaços pobres, existem!
Enjoy!




PS: Em tempo - eu jogo Farmville e até já vou no nível 80. E daí? Desci muito na vossa consideração?

19 October 2010

UM BLOG DE 1ª


Tenho pensado muitas vezes que adorava ter um blog tão bom, mas tão bom, daqueles mesmo de 1ª, que saem nos sites da net, que dão programas de rádio e que têm 50 comentários em cada post e eu, ficar sentada de camarote, muito inchada, lambendo os lábios, qual gato guloso e pensando:
- Meu Deus como eu sou boa!
Ah, já me esquecia de mais uma característica: não comentar ninguém!
É que pasmo com a quantidade de blogs com estas características todas.
Oh, esqueci-me de outra: um belo dia resolver fechá-lo e deixar um abraço especial para uma meia dúzia de blogs, dos bons, dos tais e deixar de fora, por esquecimento, aqueles que sempre me acompanharam e mimaram.
É que também há destes.
Mas depois, penso de novo e percebo que perderia os belos textos que os outros escrevem,não aprenderia um monte de coisas que tenho aprendido na blogosfera e last but not the least não "conheceria" certas pessoas admiráveis que por aqui andam.
E sobretudo,descubro que essa não sou eu.
Não seria nem Blue nem Velvet.
Seria uma sarapilheira àspera, sem cor definida e que mais tarde ou mais cedo cairia do tal trono.
Sempre caem.

18 October 2010

DE REPENTE


De repente, na enorme mesa onde toda a família se reunia, o meu pai na cabeceira, estava seguido de mim, dos meus filhos e da minha neta.
Poucas pessoas têm a sorte de poder reunir 4 gerações de uma família e eu, se quisesse escrever um livro sobre a minha vida tinha ali um protagonista para cada capítulo.
De repente, apercebi-me que ambos os topos, o meu pai com 85 anos e a minha neta com 2 meses tinham adormecido.
Encontraram-se ambos no mesmo plano das almas boas e inocentes.
Se por um lado há uma vida que começa, no reverso há uma cujo fim inexoravelmente se aproxima.
E eu, não sei lidar nem com uma coisa nem com a outra.
E não quero que me digam, de repente:
É a vida!

5 October 2010

UM 5 DE OUTUBRO DIFERENTE

Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Vinícius de Morais



Mas se não os temos como sabê-lo? Pois é. Eu paguei para ver. E tive dois. Podia ter tido mais mas, infelizmente, a vida não quis. Um faz hoje anos e desde o seu nascimento, confesso, nunca mais pensei no que está subjacente ao facto de ser feriado o dia do seu aniversário. Ah, eu sei. Esta afirmção vai ser muito mal vista pelos poucos vizinhos que restam num bairro que já não encontrei na minha volta.
Mas, afinal se tanta coisa mudou em cinco meses de ausência, a começar por mim, passo a fazer jus àquilo que digo no meu perfil: politicamente incorrecta, sempre.
Assim sendo, o que me interessa hoje é comemorar mais um ano de vida do meu filho e desejar que muitos, muitos outros se lhe sigam com toda a felicidade que seja possível alcançar neste mundo conturbado.

Quando tentáste pôr-te em pé pela 1ª vez as minhas mãos estavam lá para te segurar.
Ainda estão!