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11 September 2009

(8) NOVA IORQUE,MEU AMOR...IN MEMORIAM



Porque há coisas que simplesmente ultrapassam a nossa compreensão e envergonham toda a Humanidade.
É bom não esquecer!

O OUTRO 11 DE SETEMBRO


Estadio de Chile

Somos cinco mil aquí.
En esta pequeña parte de la ciudad.
Somos cinco mil.
¿Cuántos somos en total
en las ciudades y en todo el país?
Somos aquí diez mil manos
que siembran y hacen andar las fábricas. ¡Cuánta humanidad
con hambre, frío, pánico, dolor,
presión moral, terror y locura!
Seis de los nuestros se perdieron
en el espacio de las estrellas.
Un muerto, un golpeado como jamás creí
se podría golpear a un ser humano.
Los otros cuatro quisieron quitarse todos los temores,
uno saltando al vacío,
otro golpeándose la cabeza contra el muro,
pero todos con la mirada fija de la muerte.
¡Qué espanto causa el rostro del fascismo!
Llevan a cabo sus planes con precisión artera sin mportarles nada.
La sangre para ellos son medallas.
La matanza es acto de heroísmo.
¿Es éste el mundo que creaste, Dios mío?
¿Para esto tus siete días de asombro y trabajo?
En estas cuatro murallas sólo existe un número que no progresa.
Que lentamente querrá la muerte.
Pero de pronto me golpea la consciencia
y veo esta marea sin latido
y veo el pulso de las máquinas
y los militares mostrando su rostro de matrona lleno de dulzura.
¿Y México, Cuba, y el mundo?
¡Qué griten esta ignominia!
Somos diez mil manos que no producen.
¿Cuántos somos en toda la patria?
La sangre del Compañero Presidente
golpea más fuerte que bombas y metrallas.
Así golpeará nuestro puño nuevamente.
Canto, que mal me sales
cuando tengo que cantar espanto.
Espanto como el que vivo, como el que muero, espanto.
De verme entre tantos y tantos momentos del infinito
en que el silencio y el grito son las metas de este canto.
Lo que nunca vi, lo que he sentido y lo que siento
hará brotar el momento....
Victor Jara executado a 15 de Setembro

Também foi a 11 de Setembro.
No Chile.
Para que não seja esquecido.

11 September 2008

7 ANOS DEPOIS - PARA QUE NUNCA SEJA ESQUECIDO




Estava sentada no Ayer, o meu cabeleireiro de toda a vida, com a cabeça no lavatório já meia lavada, quando a menina que me atendia interrompeu o trabalho e me deixou sentada na cadeira.

Achei estranho e mais estranho achei quando ela me chamou com voz alterada:
- Ó sôtora, venha cá. Já viu? Estão a atacar a América.
Pensei para comigo: - coitada, não sabe o que diz. Atacar a América! Como se fosse possível.
Mas levantei-me, com os cabelos todos molhados e dirigi-me à sala onde estava a televisão a tempo de ver um avião entrar por uma da torres do World Trade Center.
Pensei:- Meu Deus, que tragédia. Como pode um acidente destes acontecer?
Mas não era um acidente. Fiquei ali especada, com a àgua a escorrer-me pelas costas, a ver o fumo, as pessoas todas brancas a fugir, quais fantasmas sobreviventes de um mundo que acabara de desaparecer, sem saber o que pensar, sem perceber o que se estava a passar, sem sequer me lembrar que tinha lá um filho.
Só quando o meu telemóvel tocou e ouvi uma voz soluçante que dizia:- Mom, estão a atacar Nova Iorque , mas eu estou bem - é que percebi que algo para além da minha compreensão estava a acontecer.
De facto, os nova-iorquinos e quem lá estava pensou que a cidade estava a ser atacada.
Lembro-me que as lágrimas começaram a rolar-me pela cara abaixo e não pararam mais.
Comecei a ver pessoas a atirarem-se das torres, depois a desmoronarem-se, e a cada minuto repetiam as imagens dos aviões a entrar pelos edifícios dentro.
Não é filme, repetia eu. Não é filme.
Não era, mas por mais que reveja aquelas imagens, parece-me sempre que é a 1ª vez que as estou a ver.
Obriguei o meu filho a apanhar o 1º avião para Portugal e quando o vi são e salvo, agradeci a Deus. Mas percebi que ele tinha um olhar de incredulidade que nunca lhe tinha visto.
Não me interessam para nada as teorias que desde aí se montaram e desmontaram para encontrar os verdadeiros culpados daquele horror.
Aquele foi um acto que envergonha toda a Humanidade.
O Mundo, como o conhecíamos, nunca mais foi igual depois do nine eleven.