6 October 2009

UMA GRACE CHEIA DE GRAÇA


Ela chegou ao meu blog muito pouco tempo depois de o ter começado.
Como sempre faço, fui ao blog dela agradecer a visita e fiquei encantada com os posts.
Na altura ela tinha um blog completamente diferente daquele que tem agora, inclusivé com outro endereço.
Quando cliquei para deixar um comentário abriu-se um caixinha de comentários que me deixou apaixonada. Tinha umas meninas que eu não conhecia e era lindo.Disse-lhe isso mesmo, além de deixar o comentário ao post.
Para além dos posts que eram magníficos ela é brasileira e vivia, na altura, em Maceió, cidade que conheço muito bem e da qual guardo as melhores recordações.
Tudo somado, o blog, os posts e o facto de ela ser brasileira fizeram com que me tornasse cliente.
Passado um tempo, enviou-me um mail dizendo que ia fechar o blog e que, se eu quisesse faria um layout para o meu blog com as tais meninas e a caixinha de comentários.
Como não a conhecia fiquei muito sensibilizada com a atenção e aceitei.
Desde então muita coisa aconteceu: todos os layouts do meu blog são feitos por ela e é sempre um trabalhão porque, sei-o agora, ela é uma perfeccionista.Tudo o que faz tem que ficar perfeito, e mesmo quando eu digo que está óptimo e pode ficar assim, ela sempre inventa um novo até ficar, como ela diz, "com a minha cara".
Com o tempo ficámos amigas. Fiquei a saber que é casada com um sueco e que estava a tratar de tudo para ir viver para a Suécia. E foi mesmo.
Quando lá chegou, embora seja advogada também, percebeu que não poderia exercer lá e como está sempre a andar para a frente, sempre metida num projecto qualquer, resolveu aprender sueco. E se bem o pensou, melhor o fez. Matriculou-se numa escola e hoje já fala e entende sueco. Mas isso não lhe bastava. Como sempre gostou de fotografia, resolveu começar a fazer cursos de fotografia e hoje trabalha como fotógrafa.
Desde que está na Suécia, já veio a Portugal 2 vezes, uma com o marido e outra com a filha.
Da 1ª vez fui buscá-los ao aeroporto, jantaram em minha casa e fiquei absolutamente fascinada com a força, o humor e a inteligência dela. E sobretudo com a energia positiva que ela espalha por onde passa.
Mas nada disto seria muito extraordinário, não fora uma ligação estranha que ela tem com Africa e com os campos de refugiados. Já esteve lá 8 vezes, "adoptou" uma família de lá para quem manda dinheiro na tentativa de melhorar um pouco o seu sofrimento e de os tirar do Campo.
O seu projecto era escrever um livro com muitas fotografias, para espalhar o interesse de todos por aquela gente.
Os contactos com os senhores da ONU para os refugiados nunca deram em nada porque eles queriam fotografias bonitas dos campos. Como se ela pudesse " inventar" fotografias bonitas da tragédia que presenciava sempre que lá ia.
Como não é de desistir ela própria editou o livro já na Suécia, e está a divulgá-lo através do blog e dos amigos dos blogs que passam a palavra.
Há um mês, por mero acaso, proporcionou-se voltar a Moçambique.
De lá, mandou-me um mail, do qual retirei algumas das coisas que me escreveu:

"Voar até Maputo, a Capital de Mocambique é seguro. O negócio é fazer o trajecto de 3 horas, entre Maputo e Nampula, no norte moçambicano e bem perto do Malawí. O aviao é pequeno, já sofri um acidente nele e o tempo fecha. Moçambique é moradia de ciclones e mudancas de tempo que vêm das Comores, Ilhas Maurícias e por aí vai. Mas, eles são comuns entre março e junho.
O que aconteceu DESTA VEZ dentro do aviao foi algo terrivel...O aviao ficou 20 minutos dentro de uma nuvem preta e cinzenta...e balançava de tal forma que as malas caíram todas da bagageira. Parece que meu coracao parou. Se eu sofresse do coracao, teria morrido. Nada me veio à mente...A nao ser as palavras do meu marido, dias antes...
Eu viajei sozinha, com uma mochila nas costas, com a câmera, passaporte, 3 blusas, cartão de crédito e dinheiro em dólares e meticaz (a moeda mocambicana). O ex-director do Campo me disse via Skype que, caso eu quisesse, ele estaria no Campo para me proteger. E eu disse que não tinha medo de refugiados e sim da própria ONU, que dificulta a entrada de quem vai lá fazer as coisas por conta própria.
Cheguei em Moçambique anestesiada, depois do piloto fazer um pouco forçado nos descampados do Norte...
A ruandesa estava me esperando...E junto dela, o marido e as 3 criancas...Conversamos e marcamos para nos encontrar no outro dia no Campo de refugiados. Mas, nunca senti aquilo. Meu corpo ficou todo arrepiado quando entrei no Campo. Campo de refugiados é um lugar com energias muito negativas.O actual diretor do campo se reuniu a uns congoleses que mexem com magia negra e a coisa complicou e muito...Crendices á parte, a Igreja católica vem tentando combater , mas não tem sido fácil...
O que sei é que em 8 dias vivi entre dois continentes, emoções sem fim...
Sei que gostaria de ajudar a todos eles. Mas nao posso. Sei que gosto de estar lá...mas me faz mal demais...Perdi 3 kg. E nunca senti antes a angústia que senti desta vez. Viajar de onibus da Africa do Sul para o Campo de refugiados são 48 horas de uma estrada perigosa para uma mulher que viaja sozinha...
Sinceramente falando...NAO ACONSELHO NINGUÉM A VISITAR CAMPOS DE REFUGIADOS. É UM LUGAR SOMBRIO, TRISTE, INFELIZ E QUE ATÉ AS CRIANCAS VIVEM DE OLHAR PERDIDO NO TEMPO.
Uma VEZ QUE SE ENTRA NUM AMBIENTE desses, parece que tudo de ruim nos acontece. UMA ANGÚSTIA SEM FIM SE APOSSA DA GENTE.
Para vocês terem idéia, ainda nao conheci um funcionário da ONU que dê um sorriso a um refugiado.NENHUM...ELES SÃO ANGUSTIADOS, INFELIZES. INSENSÍVEIS, TRISTES E FRIOS.ENTRAM NO CAMPO DIRIGINDO UMA CAMIONETE, JOGANDO POEIRA NA ESTRADA, NAO OLHAM NA CARA DE NENHUM DELES. Eles sao um NÚMERO.
Falei com a família ruandesa sobre juntar o dinheiro do livro, da ajuda de amigos blogueiros, e de amigos suecos(estes ultimos querem fazer um encontro em novembro para juntos comprarmos uma casa para a familia ruandesa) e dar a eles condições de sairem do Campo. Eles ficaram indecisos. Têm medo de perder a ajuda da ONU. E eu perguntei. QUAL AJUDA, SE VOCêS ESTÃO 3 MESES SEM RECEBER NADA?SEM COMIDA, NADA?
FUI APENAS PARA VÊ-LOS...E VOLTEI DE CORAÇÃO DESPEDAÇADO. MAIS UMA VEZ, PRECISO ME REERGUER DO NADA.

A grande diferença entre a GRACE e qualquer um de nós, é que ela não se limita a escrever sobre o assunto. Ela luta. Ela faz.
Então, pensei que poderia ajudar fazendo este post e pedindo a todos vocês que me lerem que comprem o livro. Só custa 25 Euros, podem pagá-lo via Paypal mas o melhor é entrarem em contacto com ela através deste mail: grace.sweden@gmail.com


Nota: Ela nem me pediu, nem sabe que eu ia escrever este post

9 nhận xét :

Maria said...

Há várias formas de lutar, porque várias são as lutas.
Aplaudo o post. E vou à procura do meu nº do Paypal.

Beijo

salvoconduto said...

Mimha boa amiga edita o último link (aqui) que deverá reportar apenas grace.sweden@gmail.com. O link da página esta correcto.

Toda a área percorrida por ela em Moçambique também eu percorri, só que os campos não eram então considerados de refugiados mas de concentração, daqueles que ao longo da História já todos ouvimos falar.

Abreijos.

Patti said...

Penso que já uma vez tinhas falada aqui da Grace e deste tema.
De louvar o papel de certas pessoas na nossa sociedade, tão carente e sofredora em tantas partes do mundo.

pedro oliveira said...

Estas pessoas merecem todo o nosso reconhecimento.
bj e boa semana

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Gostei muito de ler o post e sem dúvida que gostarei de ler o livro. Também não gosto de campos de refugiados, mas terei tido mais sorte do que a sua amiga, porque encontrei gente simpática e prestável, que me ajudou no meu trabalho.

BlueVelvet said...

Salvo,
obrigada. Não percebo porquê mas não consigo pôr o mail como estava a pôr.
Fica assim.
Abreijinhos

Si said...

Há pessoas que conseguem ser maiores do que as próprias causas.
Bem hajam!

Grace Olsson said...

Ana, obrigada de coracao.Amiga..Tudo que faco, faco com paixao...
LOVE U.

Filoxera said...

Boa, esta tua ideia de divulgar a obra da Grace.
Vou entrar em contacto com ela por e-mail.
Um beijo.