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7 April 2008

AS EMOÇÕES E SUA FAMÍLIA


Enviado por uma amiga brasileira chegou-me às mãos um livro muito interessante que aconselho.
Chama-se A NOSSA VIDA EMOCIONAL, e a sinopse diz o seguinte:
Considerando a existência de graus de parentesco entre as emoções, são distinguidas nesta obra as oito principais famílias, cada uma regida pela sua emoção-mãe – a alegria, o amor, a ira, o medo, a repulsa, a surpresa, a tristeza e a vergonha – formas de vida constituintes da nossa condição humana. Sobre cada uma das emoções-mãe é feita uma associação a uma narrativa tradicional e a uma obra cinematográfica, sendo também apresentada uma perspectiva científica baseada em estudos de conceituados investigadores. Um livro com carácter essencialmente prático que visa dar ao leitor algumas estratégias de gestão para que possa viver de forma mais consciente as suas emoções.»
Mas o que torna o livro interessante é o facto de os autores dividirem as EMOÇÕES MÃE e ligarem-lhes o esto da família.
Ora vejam:
A ALEGRIA
Família: Felicidade, Alívio, Contentamento, Orgulho, Prazer Sexual, Entusiasmo, Excitação.
AMOR
Família: Amizade, Confiança, Aceitação, Bondade, Adoração

IRA
Família: Cólera, Fúria, Raiva
MEDO
Família: Ansiedade, Nervosismo, Preocupação, Desconfiança
Repulsa
Família: Aversão, Desprezo, Troça, Nojo

Surpresa
Família: Admiração, Espanto, Choque
Tristeza
Família: Dor, Desalento, Solidão, Melancolia
Vergonha
Família: Culpa, Embaraço, Desgosto, ArrependimentoAutores: A nossa vida Emocional de Luís Miguel Neto e Ivete Azevedo


20 February 2008

EMOÇÕES


Comecei a ler com 3 anos. A minha querida avó (um dia ainda vos falo dela) ensinou-me a ler juntando letrinha a letrinha.
Eu tive 2 avós (como toda a gente…), mas tive uma boa e uma má. Nada que me perturbe. Esqueci a má e lembro a boa todos os dias.
Definitivamente, um dia ainda vos falo da minha avó.
O facto é que desde que descobri o prazer da leitura, nunca mais o abandonei. E desenvolvi o vício de sublinhar tudo o que me chama a atenção num livro. Tenho até lápis próprios para isso.
Uma dessas frases é de Madame de Bovary: eu prefiro emoções a paisagens.
Nunca mais a esqueci.
Esta e outras que se tornam-se tão íntimas que até poderiam ter sido escrita por nós. Sempre preferi as emoções às paisagens, o que não é, definitivamente, uma boa ideia. Basta ver como acabou a Bovary…Mas as paisagens estão lá, a espera do nosso embevecimento e da admiração por algo que nos ultrapassa. Como os quadros de Van Gogh. Penso nos seus malmequeres. Aquele tipo de paisagem, encanta -me: há algo de profundo e misterioso. Parado. Quieto. Nada acontece, há um compasso de espera ou a certeza de que algo por ali passou e não sabemos o que foi. Não conseguimos penetrar naquelas imensas flores que nos olham nos olhos e que nos dizem tudo ou nada. Paisagens assim, apesar disso, interessam-me porque estão recobertas de emoções, ou pelo menos, eu sinto-as.
Já Clarice Lispector (sempre ela …) dizia que quem tem medo da vida que recubra cada fibra do seu corpo com uma película protectora...
Podemos até fazê-lo, mas não se vive.
E é isso que acontece, hoje em dia.
Cada dia se vive menos. Cada dia mais as pessoas buscam paisagens e fogem das emoções.
Têm medo dos nervos à flor da pele, têm medo da flor da pele, da flor e da pele
E de tudo que se pareça, minimamente, com entrega, com sentimentos e profundas carícias. Com tudo que seja toque, o mais profundo dos toques, que atravessa a pele e chega onde deve chegar: dentro de nós.
Que nos arrepia e nos estremece.
Porto seguro e também tempestuoso. Mas porto, onde devem chegar e partir pessoas. Não apenas um ancoradouro onde nos deixamos ficar a admirar o sol que se põe.
Nada contra a paisagem. Mas, apesar de não ser boa ideia, continuo a preferir as emoções.