26 March 2009

QUERO SER UMA CIGARRA


A palavra de ordem deveria ser essa: calma. Para ser franca, tenho várias palavras de ordem na cabeça, porém encabeçando a lista fica eleita "calma".
É o que me tenho dito e me dizem: cada coisa a seu tempo. Mas o mundo empurra-nos.. Empurra? Não. Lança-nos como uns projécteis. Vocês e eu estamos inseridos num turbilhão frenético de emoções, sensações, acções, consumo, ideias. Tudo num fluxo violento e descontrolado.
Como diria Lenine: até quando o corpo pede um pouco mais de calma...
Temos que aprender a ouvir o nosso corpo e a nossa mente, porque chegará um momento em que ambos dirão:-Pare ou morra! (O "morra" serve para dar mais ênfase, mas não está ausente de todo o seu significado literal)
Não é este o ritmo que quero.
Quero o ritmo das nuvens mergulhadas no azul de um vasto céu, lentas e rodopiantes sem pretensões ou destino certo.
O ritmo das ondas do mar que vêm beijar a areia, recolhe-se o mar numa respiração profunda, beija-a outra vez, novo fôlego, paciente, namorando a praia ao longo do tempo que não existe.
O ritmo do coração adormecido no sono dos bébés amados ao colo de suas mães.
Há momentos em que a vida pede que sejamos mais cigarras e menos formigas. Momentos para sentir a respiração leve e solta, e o bater de um coração manso.

Nota: Porque um pai esqueceu seu filho

12 nhận xét :

f@ said...

Que o mar é imenso e o céu chio de nuvens ... mesmo ausentes...
...e as ondas sempre a enfeitiçar o areal... depois o beijo sempre novo e lavado com sabor a sal... doce no abraço ...
sempre renovado o namoro ...sempre a surpreender as dunas...
descaramento das ondas sempre a trocar de namorada...

beijinhos

salvoconduto said...

E porque não sê-lo de quando em vez?

Porque não merecer essa calma? Mas calma lá, sem esquecer o filho!

Abreijos sossegados.

ematejoca said...

"Quero o ritmo das nuvens mergulhadas no azul de um vasto céu, lentas e rodopiantes sem pretensões ou destino certo.
O ritmo das ondas do mar que vêm beijar a areia, recolhe-se o mar numa respiração profunda, beija-a outra vez, novo fôlego, paciente, namorando a praia ao longo do tempo que não existe."
É pura e simplesmente POESIA estes teus desabafos, Veludinho!

Em todos os momentos da minha vida, penso que, fui mais cigarra do que formiga.


PS: Também li no jornal do pai que esqueceu o filho. Arrepiante!

Antonio saramago said...

Como uma Cigarra? Morrias cedo, as Cigarras morrem a cantar!!!

Si said...

Não há explicações plausíveis para justificar o que a 'nota' lembra.
Não há palavras que acalmem um coração de quem perde um filho.
Somos felizes, portanto.
Cigarras que devem cantar a sua sorte de, perto ou longe, termos esse bater de coração manso, que também bate por nós.
Beijinhos

Gata2000 said...

Tenho pensado muito no que dizes nos ultimos dias, porque embora me canse a andar de um lado para o outro o facto é que tenho uma vida calma, não tanto quanto as nuvens e o mar mas ainda assim calma, e o que eu tenho corrido para a mudar, por vontade! não sei se no fim, vou ficar contente com as alterações, mas ainda assim busco-a!

mjf said...

Olá!
Eu acho que sou uma formiguinha...
Mas com vontade de me tornar em cigarra :=)
Mas há vicios ( como o trabalho) que são dificeis de deixar ;=(
E tudo tem um preço...

Beijocas

Pitanga Doce said...

Deve haver uma colônia de cigarras a andar por este mundo. Junta-te a elas e se quiseres tenho aqui o violão que o rapaz não levou (ainda) pra Bahia.

Quanto a nota de rodapé, isto está a se tornar comum, coisa que tempos atrás seria impensável acontecer.

beijos Blue

preto [e] branco said...

A calma deseja-se, faz falta e alegra-nos a mente. Mas, como é possível ter acesso a ela? Todos os dias somos mergulhados em turbilhões de "maus sentidos" e desculpas dos "viciados" na desordem.
A calma nunca poderá despertar, principalmente, em quem nutre de sentimentos.

"nota: muito menos, poderá ser pedida por quem é capaz de esquecer um filho". Neste caso, não a mereçe.

bj...nhos

Gata2000 said...

E já agora, deixa-me acrescentar, que há filhos que não merecem os pais que têm, mas...há tanto pai que não merece os filhos!

Filoxera said...

Linda a imagem, bonito o texto.
Quanto ao pai que deixou o bebé, que mundo é este? Ele foi trabalhar, não foi às "meninas". Onde andaria aquela cabeça, que problemas têm as pessoas para se esquecerem do seu bem mais precioso?
Certamente, viverá para sempre com o maior desgosto, o maior remorso...
Beijinhos amigos.

BlueVelvet said...

Como devem ter percebido, não há neste texto qualquer crítica ao tal pai.Já lhe basta saber como irá conviver e viver com a sua imensa perda.
A intenção é chamar a atenção para o mundo louco em que vivemos, que leva a que um pai se esqueça que tinha o filho no carro.
Obrigada a todos que passaram por aqui.