19 September 2010

(29) PORQUE É FIM-DE-SEMANA





O QUE É SER ADVOGADO...!!!!

Trabalha em horários estranhos...
(igualzinho às putas!)
Pagam-lhe pra fazer o cliente feliz.
(igualzinho às putas!)
O trabalho vai sempre além do expediente!?!
(igualzinho às putas!)
É mais produtivo à noite...
(igualzinho às putas!)
É pago para realizar as idéias mais absurdas do cliente.
(igualzinho às putas!)
Os amigos distanciam-se e só anda com outros iguais!?!
(igualzinho às putas!)
Quando vai ao encontro do cliente, tem de estar sempre apresentável...
(igualzinho às putas!)
Mas, quando volta, parece saído do inferno???
(igualzinho às putas!)
O cliente quer sempre pagar pouco, mas exige que faça maravilhas!
(igualzinho às putas!)
Quando lhe perguntam em que trabalha, tem dificuldade em explicar...
(igualzinho às putas!)
Se as coisas dão para o lado errado, a culpa é sempre dele!
(igualzinho às putas!)
Todos os dias ao acordar diz:
NÃO VOU PASSAR O RESTO DA VIDA A FAZER ISTO!!!!!!!
(igualzinho às putas!)

18 September 2010

(49) NÃO RESISTI


16 September 2010

PÉ- ANTE- PÉ


Como uma pequena bailarina de Petipa em Giselle, entro pé ante pé, espreitando por entre as árvores até que encontro uma casa azul onde morei quase três anos. Fez este mês mesmo.
Era uma vivência diária, mais nocturna do que diurna,havia até um bairro e vizinhos. Vizinhos também os havia que não pertenciam ao bairro mas que me aqueciam o coração com a sua ternura.
Quase 6 meses depois de ausência, , tenho muitas dúvidas e também adquiri algumas certezas. Dumas e doutras falarei outro dia.
Agora sei que tenho esta casa que é minha, embora com os panos de veludo a precisarem de ser mudados. O tempo e a falta de calor humano comeram-lhes a cor.
Não sei se há bairro, se há vizinhos, se tenho alguma coisa para escrever, não sei nem se vou voltar.
Mas sei de um saber de experiência feito, que quando Nietzsche escreveu que aquilo que não nos mata nos torna mais fortes, estava completamente enganado.
Ah não, não me matou, mas deixou-me frágil como o mais frágil cristal. Não sei se voltarei a rir, a sonhar, a fazer planos, a acreditar nos outros. Muita, muita coisa mudou em mim, mas seguramente não estou mais forte.
Só continuo a ser muito Velvet e isso acho que não mudará nunca.

Pitanga, mulher, podes parar de chamar por mim, podes sair da soleira da porta.
- Vá. Dá licença para dar ar à casa e entra. És sempre bem vinda.

Sunshine, Happy Even When It Rains, obrigada por todos os beijinhos que aqui deixavas todas as semanas com " as saudades de te ler".

Salvo, recebi as flores todas, as mensagens, as palavras, mesmo as que ficaram nas entrelinhas. A tua esperança, se ainda não morreu, estava certa.
Estou aqui.
Diferente, mas
Estou aqui.
Sofrida,
desiludida, mas
estou aqui.
Pelo menos essa batalha,
venci.


21 March 2010

DIZEM QUE A PRIMAVERA CHEGOU!


Mas o tempo desmente o facto.

O céu está cinzento, está frio e volta e meia chove.
Tal como com o vestuário, em que as mulheres têm que decidir entre vestirem-se de acordo com a estação ou com o tempo que faz, também tive essa dúvida quanto ao layout do blog.
Um blog que ainda por cima está parado.
Mas a minha fazedora de layouts privativa, fez um layout tão doce e tão primaveril que não resisti a mudar. Aquelas meninas à chuva ainda tornavam a ausência de posts mais triste.
Mudámos então!
Não significa isso que vá voltar. Infelizmente não é o caso.
A minha vida pessoal não me ajuda a escrever nada que interesse aos outros.
Mas, como diria o meu querido vizinho Salvo, "Estou troncha, troncha de saudades" de todos os que, de uma maneira mais chegada uns, de uma forma mais expectante outros, reclamam a minha volta.
Não sei quando e SE haverá volta, mas a todos os que não desistiram de mim posso dizer que também não desisti.
Pitanga podes esperar. Salvo, talvez dê para matarmos saudades.
Para todos o meu obrigada, e se a vida permitir " Até já".
A esperança chegou de uma forma inusitada e inesperada.
E porque hoje se comemora o Dia Internacional da Poesia, aqui fica, para todos,

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa

27 February 2010

( 48) NÃO RESISTI


Ainda que com alguns dias de atraso, NÃO RESISTI, a agradecer a uma vizinha de outro bairro, que no dia dos meus anos organizou uma festa blogsférica, só com vizinhos dela que fizeram o favor de me vir dar os Parabéns.
Nunca vi nada tão bem organizado.
De caminho ainda me ofereceu esta imagem que me aqueceu o coração.
Do meu bairro, nada que se parecesse com os anos anteriores.
Ainda assim, da Alemanha vieram estas lindas flores para me alegrar.
A ambas agradeço de todo o coração terem tornado o meu dia melhor.
A todos, sem excepção, que cá passaram, o meu muito obrigada.
Fica a constatação que " quem não aparece esquece" e que quando mais precisamos dos amigos é quando eles nos faltam.

21 February 2010

ANIVERSÁRIO


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,

E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,

De ser inteligente para entre a família,

E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.

Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.

Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,

O que fui de coração e parentesco.

O que fui de serões de meia-província,

O que fui de amarem-me e eu ser menino,

O que fui --- ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...

A que distância!...

(Nem o acho...)

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...

A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça,

com mais copos,

O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado---,

As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!

Não penses! Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos.

Duro.

Somam-se-me dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa (1888-1935)

10 February 2010

E VÂO LÁ 3 ANOS


O tempo não cura tudo.
Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.
Martha Medeiros

8 February 2010

8 ( ESTE COMENTÁRIO DAVA UM POST)


Há solidões intransponíveis, com as quais temos de conviver. E por vezes o silêncio acaba por ser a única ponte entre dois pensamentos...

JUSTINE

4 February 2010

PALAVRAS...


As palavras ajudam-nos na comunicação, mas como podemos ter a certeza que as pessoas nos compreendem verdadeiramente?!
Elas não sentem exactamente o mesmo que nós.
Já Fernando Pessoa dizia: "The abyss from soul to soul cannot be bridged."
Por mais palavras que usemos, muitas das coisas que dizemos nunca são totalmente percebidas.
Porque só o outro sabe o que vai na sua cabeça assim como só eu sei o que vai na minha.
E por isso, quando nos dizem: "Eu percebo o que estás a passar", até são capazes de perceber, mas à maneira deles, nunca sentindo nem nunca percebendo o que tu sentes.

3 February 2010

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The Exploding Clock by Salvador Dali

Cansaço.
Um cansaço que não é fisico.
Nem psíquico.
Um cansaço que não existe.
Ou se existe
Só se sente porque está cansado.
Cansada.
Cansada do que sou.
Do que fui
E deixei de ser.
Cansada de um sentimento cansado.
Cansaço.
Daquele que ninguém explica.
Que pouca gente sente.
Um cansaço.
De tudo.
Um cansaço de nada.
Cansaço
Do que não existe.
Se o cansaço.
Existe.