26 January 2009


Gosto de lojas, de mercados e de feiras.
Daqueles que gosto trato por diminuitivos: feirinha, mercadinho, lojinhas. Porque não gosto de todos.
Gosto de mercados onde se vendem legumes frescos, cenouras com rama, ervilhas e favas tenrinhas mal chega a época delas, peixeiras que nos conhecem e perguntam:
-Então o que vais ser hoje, freguesa?- floristas que ainda têm as flores aos molhos e que trago para casa de braçado, sem papéis que lhes tiram o cheiro e laços que tentam, em vão, roubar-lhes a beleza.
Gosto de feiras de artesanato, mas não daquelas muito arrumadinhas onde misturam com a loiça de barro cassettes pirata.
Não, gosto da feira da Luz que me recorda a minha infância, a de S.Pedro, a feirinha dos hippies na Praça Nossa Senhora da Paz no Rio de Janeiro, a maravilhosa feirinha de rendas de bilros e linhos e de pequeninas figuras de barro cozido que representam o bumba-meu boi, Lampião e Maria Bonita e que fica em Salvador numa prisão do tempo dos portugueses. Pois é, cada antiga cela, hoje é uma lojinha.
E as que ficam no emaranhado de ruas das medinas de Marrocos, da Tunísia ou mesmo da Turquia? Ah, essas, essas têm o mistério, as cores, os cheiros.
Mas há os alfarrabistas, os antiquários e há umas lojinhas que apareceram por cá há uns anos, mas que em Londres e Nova Iorque existem há muito, muito tempo: as lojinhas de trocas.
Em todas estas o que mais me fascina é tentar adivinhar a história que cada livro ou objecto carrega com ele. De quem foi, como veio ali parar, qual a razão para estar ali.
Das de trocas, gosto particularmente daquelas que não envolvem dinheiro, mas essas ainda não encontrei por cá.
Nem mesmo lá longe, não encontro a que procuro.
É que é fácil deixar um casaco de que me cansei e trazer um vestido vintage, azul, que vá bem com os meus cabelos. Ou até trocar um casaco de raposa que me lembra um passado que já não existe por um fôfo cardigan de caxemira que me aqueça no inverno frio.
Mas onde encontro uma lojinha onde possa trocar a minha vida?

29 nhận xét :

Maria said...

Não há lojas nem lojinhas para trocar de vida. Nós é que temos de mudar a nossa vida, se e sempre que quisermos, Bluevelvet.

Já agora, confundiste o Recife com Salvador: essa prisão de que falas, em que cada cela é agora uma lojinha, não é em Salvador, mas sim no Recife...

Beijo azul

Miepeee said...

Tambem gosto de feiras e mercados. Achei curioso mencionares a feira da Luz, ate aos 23 anos vivi na Estrada da Luz mesmo em frente ao colegio militar,naqueles predios altos e irritava-me solenemente o mes de Setembro em que comecava a feira da Luz, era gente por todo o lado, deixavam tudo sujo e por fim ja faziam tambem dentro do jardim, assassinando tudo o que era flores e relva. Sempre disse que deveriam fazer a feira noutro sitio, a cidade cresceu muito, o transito e cada vez mais e nao se justifica realizarem uma feira no meio da cidade onde as condicoes de seguranca e de higiene nao existem.


Para que queres tu uma lojinha para mudar a tua vida? Nem sempre temos o que mais desejamos mas no fundo esta tambem nas nossas maos fazermos algo para mudar o rumo da nossa existencia. Penso que bem melhor do que encontrar uma loja e encontrar varias, onde possamos recolher um pouco daquilo que nos faz feliz e nos da prazer.

Desculpa o testamento, entusiasmei-me :)
Beijinho

Patti said...

Acho que não há uma que troque vidas.
Podes é fazer novos alinhavos, pequenos restauros, sacudir o pó que não interessa para nada e acrescentar novos enfeites.

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Este post começou por me trazer belas recordações, como o velho mercado de Portobello ( que hoje não vale nada...)ou o mercado do Bolhão que um autarca Rui(m) destruiu por iliteracia cultural. Depois lembrei-me de uma reportagem que fiz quando apareceram as primeiras lojas de trocas em Portugal e, sem saber muito bem como, dei comigo a cantar em surdina o Carlos Paião ( Trocas e Baldrocas...)
A últim frase trouxe-me recordações tristes, porque me lembrei do António Variações.
Eu não gostaria de trocar de vida, confesso. Tive altos e baixos, períodos de muita alegria e outros muito tristes; períodos de grande desafogo financeiro e outros em que tive de apertar o cinto; momentos de grandes esperanças e outros de profundo desânimo em que o mundo parecia desabar sobre mim. Quando tudo parecia ruir à minha volta, consegui levantar-me Hoje, olho para trás e constato que foi com esses episódios, com essas alternâncias que construí o meu percurso e fiz a minha história de vida. Boa? Má? No final farei o balanço definitivo, mas uma coisa tenho a certeza: esta é a minha história e não a troco por outra. Caso contrário, a história que construí ao longo da vida não seria minha. Não queria viver uma vida emprestada...
Beijinhos e boa semana

pedro oliveira said...

Sempre que viajamos fazemos questão de passar nas feiras que existem e nos mercados, é que nesses locais ficamos a conhecer melhor o que estamos a visitar e principalmente as pessoas.

PO
vilaforte

tulipa said...

Se encontres essa loja avisa-me t queria fazer umas trocas...
um abraço
tulipa

Gata2000 said...

Tenho andado a procurar o mesmo e também ainda não encontrei.

Segunda impressão said...

É impressionante como quase todas essas feirinhas realmente nos causam a impressão de que há muitas histórias por trás...
Acho que essa lojinha que queremos para mudar a nossa vida está dentro da gente.
Muito bacana seu blog!
Bye-bye:D

Antonio saramago said...

Eu também gósto de kuase tudo do ke falas
Todos os quinze dias tenho a feira á minha porta, só ke ontem não puz lá os pés, não se podia andar lá com lama.
mas adoro ver aquelas bancas bem compostas de coisinhas verdejantes.

1/4 de Fada said...

Quando houver uma loja assim, vai ser um engarrafamento daqui até ao fim do mundo... com encomendas por medida e sei lá mais o quê. E qual lojinha, vai ter de ser uma "megastore"! Se encontrares, guarda o segredo bem guardado :)

Patti said...

Só um recadinho apra o Senhor do Rochedo. O mercado de Portobello vale sim senhora! Está bem vivo e recomenda-se! Ainda há dois anos lá estive, naqueles magníficos sábados de manhã a passear por Nothing Hill.

Não vi foi o Hugh Grant, mas isso é outra história...

BlueVelvet said...

Maria,
tens toda a razão. É no Recife sim. A idade não perdoa:)
Beijinhos

BlueVelvet said...

Miepeee,
que engraçado teres vivido em frente do Largo da Luz. E deves ter razão sim. Quando vamos à Feira não nos lembramos de quem mora perto. Mas em compensação tinhas cheiro a farturas o dia todo:)
Bjs

BlueVelvet said...

Patti,
falou a decoradora...de vidas:)
Será? Acho que tenho que te contratar.
Bjs

Si said...

Porquê trocar a vida, se não há vidas perfeitas, não há pessoas perfeitas, não há felicidades perfeitas??
E se as houvesse, como saberíamos que eram perfeitas sem ter com que comparar?
Ora, Velvet, trocar o quê, se não há bom sem mau, não há melhor sem pior, não há sorte sem azar? E como escolher outra vida melhor, se o pior que ela tiver for pior do que o pior da que temos?
Não troque a sua vida por nenhuma, porque do melhor e do pior que ela já teve e terá, saiu a mulher que hoje é, rica de experiências e afectos só seus, tão intimamente seus que ninguém terá o direito de os viver por si.
Beijinhos azuis

BlueVelvet said...

Carlos,
não queria uma vida emprestada.
Queria a minha, de volta.
Veludinhos azuis

BlueVelvet said...

Pedro,
é verdade. Também não perco essas feirinhas quando viajo.
Beijinhos

BlueVelvet said...

Túlipa,
combinado:)
beijinhos

BlueVelvet said...

Gata 2000,
mas nem tu que andas por cima dos telhados???
Beijinhos

BlueVelvet said...

Segunda Impressão,
bem vinda.
Obrigada pelas suas palavras.
Volte sempre.
Veludinhos azuis

BlueVelvet said...

António,
é um dos privilégios de morar no campo:)
Veludinhos azuis

BlueVelvet said...

1/4 de Fadas,
lol. Megastore? Ai, ai, assim perdia a graça.
Se encontrar dou a morada só aos amigos, combinado?
Beijokas

BlueVelvet said...

Patti,
o Hugh andava a passear em Hyde Park com a Julia...

Maria Clarinda said...

Também gosto destas tuas, feirinhas, mercadinhos, antiquários etc....mas como tu gostaria de encontrar a tal lojinha onde pudessemos trocar a n/vida.
Avisa-me quando encontrares?
Jinhos mil

Filoxera said...

Temos de ser nós a trocá-la, não se faz nas lojas, amiga...
Já respondi ao teu desafio dos pecados capitais.
Beijos.

BC said...

Vim deixar-te um beijinho e dizer que ainda estou vida, li á pressa ,depois venho com mais calma.
Beijinho
Isabel

Carminda Pinho said...

Pera aí um cadinho, keu já passo outra vez, mas com tempo.

Beijos de veludo.:)

Gata2000 said...

E tenho 9 vidas, já imaginaste o karma?!LOL

FM said...

Não troques de vida, faz-lhe umas "obras"...
Beijos com Carinho.