28 December 2007

CORAGEM - PARTE 1

Este não era o meu post de hoje.
É com muita pena e profundamente chocada que decidi mudá-lo.
É triste, mas não há época natalícia que nos valha no Mundo de loucos em que vivemos.
Benazir Bhutto foi assassinada quando fazia campanha para as próximas eleições, no Paquistão.
Tinha voltado ao seu País em Outubro, depois de 8 anos de exílio forçado no Dubai.
Voltou por amor à Pátria e à democracia.
Sabia o perigo que corria, mas isso não a intimidou.
E a sua vida podia ter sido bem diferente, não fosse ter-se disposto a lutar pelos seus ideais.
Benazir Bhutto nasceu em Karachi a 21 de Junho de 1953. Completados os primeiros anos de educação académica, foi para os Estados Unidos, onde estudou, entre 1969 e 1977 em Harvard. Acabou o bacharelato cum laude e viajou depois para o Reino Unido, onde, em Oxford, entre 1973 e 1979 estudou Filosofia, História e Ciência Política, Direito Internacional e Diplomacia.
Em Dezembro de 1987, casou com Asif Ali Zardari, de quem tinha 3 filhos.
Tal como a família Ghandi na Índia, os Bhuttos pertencem a uma das dinastias políticas mais famosas do Mundo.
Benazir seguiu as pisadas de seu pai, Zulfikar Ali Bhutto que foi Primeiro Ministro do Paquistão no início dos anos 70.
Em 1997 Ali Bhutto foi preso e dois anos depois executado.
Benazir foi presa e cumpriu 5 anos de pena de prisão numa solitária.
Em 1988 foi a 1ª mulher a ser eleita democraticamente num país islâmico e o seu Governo foi um dos poucos, nos 30 anos que se seguiram à independência do Paquistão a não ser dominado pelos militares.
Foi 2 vezes 1º Ministro, uma entre 1988 e 1990, e a outra entre 93 e 96.
Em 1986, já tinha fundado o Partido Popular do Paquistão, com sede em Londres.
Em 1999 teve que abandonar o Paquistão e viveu no exílio, no Dubai até Outubro deste ano, altura em que entendeu que devia voltar ao seu País que ela considerava “ estar em perigo”.
Benazir Bhutto era a última herança que seu pai tinha deixado ao Paquistão.
Os seus dois irmãos morreram também ao serviço do País: Murtaza foi assassinado em 1996, no Paquistão e Shahnawaz em 85 na Riviera francesa.
Esta pequena cronologia não são mais do que dados coligidos, números frios que nada nos dizem de como era esta mulher, culta, rica, linda, que bem podia ter levado uma vida bem diferente, e não morrer com 54 anos, às mãos de um louco suicida.
Hão-de ser muitas as qualidades deste tipo de gente: altruísmo, patriotismo, idealismo, determinação, e sobretudo, uma coisa, que pelo vistos “ runned in the family” : CORAGEM.
Perante isso, me inclino.

4 nhận xét :

Olá!! said...

Também fiquei chocada com a noticia, Blue Velvet, não só pela pessoa em si, mas, também, por ser previsivel o que lhe iria acontecer e essa corajosa nunca se ter resguardado o suficiente. Pessoas como estas são de louvar...inclino-me contigo
Beijo

a.filoxera said...

Perdeu-se uma lutadora. Uma mulher inteligente, determinada e bonita, por dentro e por fora.
Obrigada pelos Abba!
Um beijo grande, amiga.

Sol da meia noite said...

Olha, aqui pelos lados onde nasci e fui criada, costuma-se dizer que "só morrem os bons".
Entendes-me, não entendes? Situações destas chocam mesmo. Levam a retrocessos que não podiam acontecer...

*

Oliver Pickwick said...

Uma notícia triste, Velevet. Gostava muito da Benazir, era um grande líder. Fizeste bem em homenageá-lo.
Beijos!