21 May 2008

10 ANOS É MUITO TEMPO



Mas parece que foi ontem.
Faz hoje 10 anos que foi inaugurada em Lisboa a Expo 98.
Que levantou celeuma, debates televisivos, artigos em jornais, enfim, o costume nesta terra, onde sempre que se projecta algo de novo, há quem esteja contra, quem esteja a favor e aqueles que são do contra, ou seja, estão sempre contra tudo.
Conheço todos os argumentos dos detractores e o que se passou depois.
Mas hoje não quero lembrar isso.
Da Expo se pode dizer que ou se amou ou se odiou. E mais fantástico para mim, houve pessoas a quem a Expo passou ao lado.
Eu amei. Literalmente falando.

À Expo 98 estão ligadas as melhores recordações de momentos por mim passados em Portugal e um dos piores da minha vida.
Muitos meses antes já tinha comprado o livre trânsito que me permitia entrar todos os dias a qualquer hora.
Fui à pré inauguração e no dia seguinte fui sujeita a uma intervenção cirúrgica.
Dez dias depois fui à inauguração e saí de lá de ambulância.
Mas isso não só não interessa nada, como não ensombrou tudo o que de bom lá vivi.
Aliás, a Expo foi exactamente a 1ª terapia para a grave doença que tive nessa altura.
Passei lá os dias. Todos os dias. O dia todo.
E algumas fantásticas e inesquecíveis noites.
Jantei nos 5 restaurantes flutuantes e em todos os restaurantes temáticos.
Visitei todos os Pavilhões. Cantei, dancei, pintei a manta!
Na praça Sony assisti aos mais fantásticos shows de Maria Bethânia, Lou Reed, Garbage, BB King, Joaquín Cortez, Marisa Monte, Gabriel o Pensador, Gilberto Gil, Gal Costa, Dulce Pontes, Savage Garden, Morcheeba, Xutos e Pontapés, GNR, Delfins, Maria João e Mário Laginha, Luis Represas e tantos, tantos outros.
Tudo regado a àgua do Luso. Pois, na altura não podia beber uma gota de alcool.
Mas não teve importância nenhuma.
Durante o dia ia sempre com um dos meus filhos e muitas vezes com a minha mãe que ainda era mais maluca que eu.
Á noite armavam-se grupos imensos, sendo o ponto de encontro a Praça Sony.
Abençoados telélés. Sem eles havia sido bonito!
E depois era partir á descoberta do restaurante e acabar no Bugix, dançando em cima das mesas.
Ainda hoje não sei como começou essa moda, mas muito dansei em cima daquelas mesas.
E os fins de tarde no Peter's a beber gin tónicos ( eu àguinha ) e a comer as melhores tostas mistas do mundo.
Uma noite, era a noite do espectáculo do Ney Mattogross e a oraganização cometeu o enorme erro de não o pôr na Praça Sony. Acho que a nível de organização é único que me lembro.
Havia umas poucas centenas de lugares sentados no palco que ficava dentro de àgua, barreiras metálicas à volta e milhares de pessoas para o ouvirem. Eu estava mesmo encostada à barreira com o meu filho mais prá frentex. O desagrado era geral e ia subindo de tom.
Quando o Ney começou a cantar e mal o ouvíamos o sururu foi geral.
Aí o meu filho disse-me:
- Mãe, isto vai dar para o torto, porque esta gente vai começar a empurrar e nós mesmo à frente, vamos levar com todos em cima e passam por cima de nós, portanto o melhor é irmos embora.
Olhei para ele como se ele tivesse dito um palavrão dos fortes.
Estava-se mesmo a ver que eu me ia embora.
- Ok, disse ele. Então, vamos antecipar-nos à situação.
- Como?
- Passe a palavra aos que estão ao seu lado e diga para eles irem passando. Começamos a contar até 3, e aos 3, derrubamos as barreiras e começamos a correr até ao palco.
- Ok!
E parecia uma onda orquestrada.
E começamos:
UMMMMMMMM
DOISSSSSSSSSSSSS
TRÊSSSSSSSSSSSSSSSS,
E eu dei por mim, a levantar o pé e com toda a minha força e a empurrar a barreira, e de mão dada com o meu filho a correr tanto quanto podia antes que alguém me derrubasse.
Parei exactamente ao lado do Ney que pensou que o iam atacar.
Quando se percebeu que estava rodeado de gente que só o queria ouvir cantar, fez um dos melhores espectáculos que já vi dele. Sim, porque sempre que ele vem cá eu não perco.
E nunca deixo de me surpreender quando me perguntam o que arranjava para fazer indo todos os dias para lá.
Como se faltasse que fazer:
Pavilhões de Países eram 146, fora o de Macau, da Coca-Cola, da Swatch e o da Água.
Os olharapos, olharapas e olhapins, criaturas de fantasia, umas com um olho, outros com três, meio-animais, meio-humanos.
Das suas entranhas nasciam músicas, bailarinos, cantores ou malabaristas. 72 criaturas fantásticas.
A Peregrinação um desfile diário, realizado ao pôr do Sol por 11 grandes máquinas de peregrinar acompanhadas por 24 irmãos mais pequenos, os peregrinomóveis.
O Acqua Matrix um espectáculo fabuloso à meia-noite na Doca dos Olivais. Um trabalho multimédia associando imagens sonoras e visuais.
E o fogo de artifício!
Eu passo-me com fogo de artifício e antes de ver o da Expo achava que só no Brasil os havia fazendo jus ao seu nome.
Pois o da noite de abertura, do 10 de Junho e da noite de encerramento foram tão bons ou melhores que os de Copacabana em noite de Fim-de-Ano.
E as filas intermináveis, dirão vocês. Isto se leram até aqui, claro.
Pois é. Tudo o que é mau tem um lado bom, não é o que dizem?
No caso, devido à minha doença, eu tinha um salvo conduto ( não, não era como deficiente, era com prioridade), que me colocava nas entradas dos pavilhões para deficientes, grávidas, etc.
Pois é. O único pavilhão que não vi, foi o da Argentina porque a fila dos prioritários era maior que a da entrada normal...
O que me diverti, não está escrito. Foram banhos de música, de culturas diferentes, de aventuras, de recordações que ficaram e que 10 anos depois continuam intactas, por muita àgua que tenha corrido debaixo das pontes.
E correu.


15 nhận xét :

pinguim said...

Por acaso já tinho recordado hoje esta data: parece que foi ontem.
Não vivi a Expo como tu, mas achei uma coisa espantosa, que veio abrir imensas portas de toda a ordem e que mostrou ao mundo que, quando queremos, somos mesmo bons.
Belas recordações aqui deixaste; obrigado pela partilha.
Beijinhos.

Carminda Pinho said...

Blue,
1o anos é muito tempo mas, parece que foi ontem...
De todos esses espectáculos, só estive no da Bethânia.:)

Beijos

Oliver Pickwick said...

Velvet, embora não combine com a sua leveza, mas tens uma memória de elefante. Lembrar de tantos detalhes.
Um beijo!

Oliver Pickwick said...

Ótima canção, Velvet! Aprecio o seu fino gosto musical ;)
Um beijo!

conhecimento said...

Confusões para mim, estão fora de questão, chegaram as de quanmdo tinha a mania de ir ao Futebol.

Patti said...

s a menina Blue, não foi à expo 98. A menina foi a própria da Expo 98!

Isso é que foi!

Eu também lá fui e gostei de cada momento, menos das filas.
E ontem quando via as notícias a dizer que já tinham passado 10 anos...como o tempo passa tão rápido.
Mas desde que seja bem vivido. Por mim tudo bem.
Bjs ***

Cris de Bourbon said...

Oi, oi, oi! Passando pra dar sinal de vida. Estive viajando, e assim que der uma folgada volto pra visitar sua casa e saber tudo dos últimos dias.

beijoooo

Coragem said...

Já 10 anos? É com estas coisas que me vou sentindo velhota eheheh.

Mas por aquilo que escreves viveste muito bem a expo/98.

Aliás como pareces viver tudo, certo?

Beijinho

Luís Galego said...

Concordo com o Oliver Pickwick...A memória mora aqui e o detalhe é o protagonista. Nesta viagem tambem me reconheci em alguns papeis, mas mais secundários. Quando finalmente sair "As memórias de blue" então ai ainda vamos ficar mais deliciados.

Um beijo pelos 10 anos, outro pela memória...

1/4 de Fada said...

Olá!
Tens um desafio lá no Quarto, no caso de aceitares.
Beijinhos.

1/4 de Fada said...

Que história tão bonita que tu contaste. Não vais acreditar, mas eu não fui à Expo. Toda a gente que conheço foi e voltou a ir, os meus filhos foram, então com 7 anos, toda agente foi. Eu estava com uma depressão enorme, daquelas com maiúsculas, nem saía de casa. Passou. Não penso no assunto senão para passar o testemunho quando é preciso.
Beijinhos.

Filoxera said...

Acompanhei este projecto desde o início. Por acaso, refir-me à Expo no meu post de hoje.
Beijos.

jasmimdomeuquintal said...

Amanhã é dia d elimpeza d aarrábida. vou dormir, ams não quis deixar de te vir deixar um bom feriado.
Bjocas

Pitanga Doce said...

Estive no Parque das Nações em 2003.Foi um dos passeios mais lindos que já fiz. Tenho filmado esta dança das águas que tens aqui nos slides.

DEZ ANOS? SÃO UMA VIDA!

beijos Blue e tens comentários no post abaixo

kakauzinha said...

Linda veludo azulinho,

Eu também fui à pré-inauguração, depois voltei mais vezes e no final. Amei!

Adoro o novo espaço e fiz grandes passeios à beira Tejo, o meu amado rio da minha amadíssima Lisboa, tenho saudades! Também adorei a tua descrição, foi tipo filme, um must!

Beijinhos azuis e votos de um óptimo feriado(*):)