19 January 2010

DÔR MENTE



Às vezes fico com o coração apertadinho.
Tão apertadinho que me falta o ar,
Que me sinto dormente.
É um desconforto,
Um frio
Que me gela o corpo.
Que me gela a alma.
Ou o que resta dela.
Ás vezes, acho que fiquei para trás
Agarrada a qualquer lembrança
Que não me pertence.
Pelo menos agora
Já não.
E é quando me sinto assim...
Quando o meu coração não detém
As lágrimas que pelo rosto correm
Que sinto a falta.
A falta de alguém.
Porque preciso indiscutivelmente
De alguém.
Que sem julgar me oiça.
Que sem me repreender me espere.
Que sem desesperar me chame.
Que sem me olhar me toque.
Que sem vontade me ame.
Que sem fé acredite.
Hoje só preciso disto.
E já é muito.

19 comments:

Si 19 January 2010 10:40  

Talvez seja muito, ou talvez não.
Ou talvez esteja ao alcance apenas de uma frase.
É que acima de tudo, precisamos de nós mesmos e nem sempre somos os nossos maiores amigos.
Beijinhos

m.a.r.o. 19 January 2010 13:39  

Existe sempre alguém... bem mais atento, bem mais perto... bem mais dentro de nós.

Muitas vezes olhamos para a frente, tentando alcançar o que não temos, olhamos muitas vezes para trás à procura de um passado que nos devolva algum alento...

Raramente olhamos para o lado... mas é ao nosso lado, bem pertinho, que muitas vezes estão as pessoas, estão as coisas, que nem são muito nem são pouco...
são importantes apenas... são apenas as nossas pessoas, são apenas as nossas coisas!
E são tão muito! Já são tanto...

FM 19 January 2010 13:49  

Intenso, no mínimo.
Beijos com Essências.

Antonio saramago 19 January 2010 17:00  

Ora vamos lá saber...
Tens uma dor na mente ou andas sómente dormente?
Ai!!!Vamos lá a soltar essa endiabrice que há no teu corpo e cola-te a quem merecer....

josé luís 19 January 2010 17:01  

miss veludo,

este seu poema (que creio ser sobre a ausência) levou-me a tentar encontrar uma explicação - dado que eu sofro daquela mania de pensar que "na poesia há receita para qualquer maleita";
aqui vai:

Explicação da Ausência

Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.

Daniel Faria

fabulinhas.

BlueVelvet 19 January 2010 19:05  

José Luis,
é sobre a ausência ou sôbre a saudade, sei lá.
Mas se diz que na poesia "há receita para qualquer maleita" acho que vou ter que começar a tomar mais desse remédio.
Obrigada pelo poema.
Veludinhos

Luis 19 January 2010 22:03  

Olá Minha Boa Amiga,
Adorei o poema! Falar de uma "ausência" é sempre algo difícil e triste. Mas acontece a cada um de nós ter momentos desses e que aqui foram tão bem retratados!
Quando a venho visitar saio sempre mais rico!
Um beijinho amigo,
Luís

Patti 19 January 2010 23:52  

Às vezes ou então muitas vezes. Todas as vezes precisamos sempre de alguém. Mesmo quando não sabemos, quando não damos conta de tal.

ematejoca 20 January 2010 00:41  

Fiquei excitada como uma criança ao ver os cartazes de óperas do Rafal Olbinski.
Nem calculas a alegria que me deste, minha querida Blue, ao enviares estes fantásticos cartazes. Muitíssimo obrigada.
As imagens do polaco Rafal Olbinski fazem-me lembrar as imagens do belga René Magritte.

Para já guarda o meu @ actual, logo que tenha um outro mando-to.
Este gmx é exquisito, sem dúvida, mas eu posso enganar-me na palavra-chave, que não há problema.

Mil beijinhos de Düsseldorf... e BOA NOITE!

pedro oliveira 20 January 2010 09:38  

Todos nós precisamos indiscutivelmente de alguém.
bjs

ematejoca 20 January 2010 20:08  

"Algumas pessoas procuram os padres; outras a poesia; eu os meus amigos." [ Virginia Woolf ]

Eu procuro a poesia e os amigos, sendo alguns deles virtuais!

Mar Arável 20 January 2010 20:43  

As sombras não riscam no chão

os melhores caminhos

É preciso conquistar

outros silêncios

rasgar "até que a voz nos doa"

Pitanga Doce 20 January 2010 21:12  

"Que sem vontade me ame." ???

Não Blue. Tem que ser por inteiro. Espera, que vem. Tu mereces. Olha pro lado. Quem sabe...

Pekenina 20 January 2010 21:59  

Beijinho de boa sorte nessa tua dormência...
E a foto está soberba...

Beijinho...

Xanda 20 January 2010 22:19  

Passei só p/ te enviar um bjnhs, mas deparei-me com o poema: "vamos lá arrebitar blue, ok?"
Bjnhs kida

BlueVelvet 20 January 2010 22:25  

Pitanga,
não sabes que os poetas às vezes exageram?
Como se eu fosse poeta. Era bom, era...
Beijinhos

BlueVelvet 20 January 2010 22:26  

Xanda,
que bom ver-te por aqui.
Faz muito tempo, não é?
Volta depressa.
Beijinhos

Fernanda 20 January 2010 23:06  

Amiga BlueVelvet,

Mas que bonito poema!
Embora ele revele sentimentos menos positivos, é Lindo!

Sempre que queiras falar e te sintas só, podes falar-me. Vou-te mandar o meu Skype e o MSM.
Eu estarei contigo e riremos, verás.

Beijinhos
Sempre Jovens

Filoxera 22 January 2010 23:28  

Que sem vontade te ame???

:-)

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