11 October 2007

CAROLINA DOS FELLATIOS

No final do ano passado deu-se um fenómeno curioso:fosse nas bancas dos jornais, nos quiosques, nas papelarias do bairro ou na secção do El Corte Inglês que mais clientes tem e que menos vende ( a das revistas, claro, porque o povo lê tudo ali mesmo, e não compra nada), qualquer revista séria, cor-de-rosa, jornais a pingar sangue ou os que vêm todos arrumadinhos num saco, todos traziam uma loira na capa, chamada Carolina.
Fiquei toda baralhada. Que diabo, a única Carolina que conheço é a do Mónaco, e ela nunca foi loira! Estaria a escapar-me qualquer coisa? Teria ela decidido divorciar-se do marido? Sim, porque eu sei que deve ser óptimo ser Princesa de Hannover, mas viver na angústia de nunca saber quando, ao marido, lhe vai apetecer usar uma qualquer parede como casa-de-banho, deve ser cansativo. Pra não falar nas pielas que apanha nas ocasiões menos próprias, como fez no casamento da futura Rainha de Espanha. Eu bem vi, como a pobre da Carolina tentava explicar à Letizia que o piqueno estava com uma enxaqueca terrível.
Portanto não era a do Mónaco. Mas devia ser importante, porque era capa, sem excepção, de tudo o que era revista e jornal. Havia mesmo alguns que lhe chamavam “ Personalidade do Ano” ou “ A Mulher que mais abalou 2006”.
Com a absoluta certeza de que algo me tinha passado ao lado, o que é grave, tratei de comprar uma de cada. Chegada a casa, fechei-me no escritório e li tudo. Descobri então que:
A dita Carolina tinha trabalhado numa casa de alterne. ( Tomei nota, mentalmente, para me informar exactamente o que faz uma funcionária de uma casa de alterne).
Tinha conhecido lá um senhor, chamado Jorge Nuno Pinto da Costa, ( Esse eu sei quem é, porque como boa Sportinguista que sou, não gosto dele nem um bocadinho, e também não acho que seja um Senhor, mas pronto), e apaixonaram-se. Até aqui tudo bem.
Parece que ao fim duns anos, o Senhor, que deve gostar de “reprises”, deixou-a por uma antiga namorada, que por acaso é uma jornalista muito conhecida, mas que eu pensei que como está sempre muito cansada já se tinha deixado destas coisas.
A Carolina não gostou, ( o que eu percebo muito bem, porque se fosse eu também não gostava), e resolveu escrever um livro, tipo romance policial, com tudo o que faz um livro vender: amor, escândalos, estaladas para lá e para cá, contratações de jagunços para bater nuns tipos de quem o Senhor não gostava, enfim, uma verdadeira novela mexicana.
Como se isto não bastasse, um cineasta português muito repeitado, resolveu fazer um filme baseado na vida da dita senhora, que ainda por cima, teve direito a assistir às filmagens, para ver se tudo era filmado a seu gosto.
E, cereja em cima do bolo, a dita Carolina fez umas fotografias para uma revista muito do gosto dos senhores.(Ficam aqui algumas, para que os homens finalmente percebam como uma boa maquilhadora, uma cabeleira postiça e um bom fotógrafo transformam uma "trabalhadora" de uma casa de alterne, numa top model.)
Estas as conclusões que tirei:
Há loiras nas casas de alterne que pensam.
As casas de alterne são frequentadas por Senhores.
A Carolininha ganhou em todas as frentes, ou seja:
Tornou-se uma figura do nosso jet-set. HIHIHI
Encheu-se de grana com o dinheiro dos livros vendidos, com os direitos do filme, com as fotografias da revista,e last but not the least, ainda tem direito ao estatuto de arrependida, o que lhe dá imensos privilégios.
É que foi preciso uma loira de uma casa de alterne ficar despeitada ( como diziam as revistas do mais sério que há no País), pôr a boca no trombone, e dizer alto e bom som aquilo que todos sabem, mas que os orgãos de investigação policial desta terra não conseguiram ( ou não quiseram?) descobrir.
Será desta que a Maria José Morgado consegue levar o seu trabalho até ao fim e chamar os bois pelos nomes, doa a quem doer?
É que se assim fôr, só me resta pedir a todas as loiras das casas de alterne deste pobre País que se unam e contem tudo o que sabem dos Senhores que conhecem.
Se uma fez este estrago, todas juntas, é coisa para incendiarem Portugal, e como o Sr. Ministro dos fogos já demonstrou que nem os de verão consegue apagar, o mais certo é o País arder todo. E pode ser, que da terra queimada, nasça um País novo!!!
Enquanto isso há centenas de mulheres cheias de valor desempregadas e a passar necessidades.
Depois venham dizer que as loiras são burras....





Nota:A inspiração para escrever este post vem a propósito da confusão gerada pela intromissão do Produtor do filme na sua montagem, sem dar satisfações ao Realizador ou aos actores.

4 nhận xét :

Jasmim said...

Adorei!!!
Obrigada

Sol da meia noite said...

Pois parece que já disseste tudo... tudo não passa dum negócio, não sei se de milhares, se de milhões... O tempo o dirá.
Gostei imenso da tua escrita irónica.
Beijinhos!

Alexandre said...

O teu post está divinal!!! Bem escrito e muito bem documentado!!!

Também conheço um senhor poderoso que foi buscar a nova mulher a uma casa de alterne. Casaram, tiveram filhos, ele deixou de ser tão poderoso assim e a mulher foi vista nos Alcóolicos Anónimos!!! Não posso revelar as fontes!!! Mas o que nasce torto... será que os senhores poderosos não conseguem arranjar mulheres noutros lados?

Muitos beijinhos!

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Está excelente, Blue!Bem podia dar-lhe continuação com a história do acidente de automóvel, o papel dos seguranças e os julgamentos a que a D. Carolina, escritora pomovida pela Leonor Pinhão, vai ser sujeita em Novembro. É acusada, pelo juiz, de ter metido à justiça, inceniado um escritório contratado um caanga para dar um taria no Dr. Póvoas.
Razão para perguntar: mas afinal o que anda a fazer a D. Maria José Morgado?
Beijinhos