13 October 2007

A CULTURA DO SLOW DOWN




Dada a minha forma Zen de estar na vida, de não comer animaizinhos, de admirar e estudar as milenares medicinas alternativas, de adorar yôga e também, naturalmente de defender valores tão fundamentais na sociedade como a Família, o respeito pelos mais velhos, vencer na vida sem atropelar ninguém, e até não ser o meu Vencer aquele que se entende na actual sociedade de consumo, chamou-me a atenção este artigo que li na Time, mais ainda porque refere um Movimento que já conhecia e cujo site recomendo vivamente:www.slowfood.com)

A CULTURA DO SLOW-DOWN
Há já 18 anos que ingressei na Volvo, empresa sueca bem conhecida.
Trabalhar com eles é uma convivência deveras interessante. Qualquer projecto aqui demora dois anos a concretizar-se, mesmo que a ideia seja brilhante e simples. É uma regra.
Os processos globalizados causam-nos a nós (portugueses, brasileiros, argentinos, colombianos, peruanos, venezuelanos, mexicanos, australianos, asiáticos, etc.) uma ansiedade generalizada na busca de resultados imediatos.
Consequentemente, o nosso sentido de urgência não surte efeito dentro dos prazos lentos dos suecos.
Os suecos debatem, debatem, realizam "n" reuniões, ponderações, etc.
E trabalham com um esquema bem mais “slowdown". O melhor é constatar que, no fim, isto acaba por dar sempre resultados no tempo deles (suecos) já que conjugando a necessidade amadurecida com a tecnologia apropriada, é muito pouco o que se perde aqui na Suécia.

Resumindo:

1. A Suécia é do tamanho do estado de São Paulo (Brasil).

2. A Suécia tem apenas dois milhões de habitantes.

3. A sua maior cidade, Estocolmo, tem apenas 500.000 habitantes (compare-se com Paris, Londres, Berlim, Madrid, mesmo Lisboa…; ou cidades balneares como Mar del Plata, Argentina, onde vivem permanentemente 1 milhão de pessoas, ou ainda a cidade de Rosário, Argentina, com três milhões).

4. Empresas de capital sueco: Volvo, Skandia, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare , etc. Nada mal, Nein? Para se ter uma ideia da sua importância basta mencionar que a Volvo fabrica os motores de propulsão para os foguetes da NASA.

Os suecos podem estar enganados, mas são eles que me pagam o salário. Devo referir que não conheço nenhum outro povo com uma cultura colectiva superior à dos suecos.

Vou contar-vos uma pequena história, para ficarem com uma ideia:
A primeira vez que fui para a Suécia, em 1990, um dos meus colegas suecos apanhava-me no hotel todas as manhãs. Estavamos em Setembro, já com algum frio e neve.
Chegavamos cedo à Volvo e ele estacionava o carro longe da porta de entrada (são 2000 empregados que vão de carro para a empresa). No primeiro dia não fiz qualquer comentário, nem tão-pouco no segundo ou no terceiro. Num dos dias seguintes, já com um pouco mais de confiança, uma manhã perguntei-lhe:
- Vocês têm aqui lugar fixo para estacionar? Chegamos sempre cedo e com o parque quase vazio estacionas o carro mesmo no seu extremo…
E ele respondeu-me com simplicidade:
- É que como chegamos cedo temos tempo para andar, e quem chega mais tarde, já vai entrar atrasado, portanto é melhor para ele encontrar um lugar mais perto da porta. Não te parece?
Imaginem a minha cara!
Esta atitude foi a bastante para que eu revisse todos os meus conceitos anteriores.

Foi por ter lido este artigo que me lembrei do Movimento de que falei no início:
Actualmente, há um grande movimento na Europa chamado "Slow Food". A “Slow Food International Association”, cujo símbolo é um caracol, tem a sua sede em Itália.
O que o movimento Slow Food preconiza é que se deve comer e beber com calma, dar tempo para saborear os alimentos, desfrutar da sua preparação, em família, com amigos, sem pressa e com qualidade.
A ideia é contraposição ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida.
Verdadeiramente surpreendente, é que este movimento de Slow Food está a servir de base para um movimento mais amplo chamado “Slow Europe” como salientou a revista Business Week numa das suas últimas edições europeias.
Na base de tudo isto está o questionamento da "pressa" e da "loucura" geradas pela globalização, pelo desejo de "ter em quantidade" (nível de vida) em contraponto ao "ter em qualidade", “Qualidade de vida" ou “Qualidade do ser".
Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, ainda que trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que os seus colegas americanos e ingleses. E os alemães, que em muitas empresas já implantaram a semana de 28,8 horas de trabalho, viram a sua produtividade aumentar uns apreciáveis 20%.
A denominada "slow attitude" está a chamar a atenção dos próprios americanos, escravos do "fast" (rápido) e do "do it now!" (faça já!).
Portanto, esta "atitude sem pressa" não significa fazer menos nem ter menor produtividade.
Significa sim, trabalhar e fazer as coisas com "mais qualidade" e "mais produtividade", com maior perfeição, com atenção aos detalhes e com menos stress.
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do prazer dum belo ócio e da vida em pequenas comunidades.
Do "aqui" presente e concreto, em contraposição ao "mundial" indefinido e anónimo.
Significa retomar os valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do quotidiano, da simplicidade de viver e conviver, e até da religião e da fé.
SIGNIFICA UM AMBIENTE DE TRABALHO MENOS COERCIVO, MAIS ALEGRE, MAIS LEVE, E PORTANTO MAIS PRODUTIVO, ONDE OS SERES HUMANOS REALIZAM, COM PRAZER, O QUE MELHOR SABEM FAZER

Acho importante e saudável reflectir sobre tudo isto. Será que os antigos provérbios: “Devagar se vai ao longe" e “A pressa é inimiga da perfeição” merecem novamente a nossa atenção nestes tempos de loucura desenfreada?
Não seria útil e desejável que as empresas da nossa comunidade, cidade, Estado ou país, começassem já a pensar em desenvolver programas sérios de “qualidade sem pressa" até para aumentarem a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços sem necessariamente se perder “qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher" há uma cena inesquecível na qual o cego (interpretado por Al Pacino) convida uma jovem para dançar e ela responde: "Não posso, o meu noivo deve estar a chegar". Ao que o cego responde: “Num momento, vive-se uma vida", e leva-a a dançar um tango. É o melhor momento do filme, esta cena que dura apenas dois ou três minutos.Muitos vivem a correr atrás do tempo, mas só o alcançam quando morrem, quer seja de enfarte ou num acidente na auto-estrada por correrem para chegar a tempo.
Ou outros que, tão ansiosos para viverem o futuro, esquecem-se de viver o presente, que é o único tempo que realmente existe.O tempo é o mesmo para todos, ninguém tem nem mais nem menos de 24 horas por dia.
A diferença está no que cada um faz do seu tempo.
Temos de saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon, “A vida é aquilo que acontece enquanto planeamos o futuro

Parabéns e bjinhos se leu este Post até ao fim.
Decerto haverá muitos que leram só metade para "não perder tempo" tão valioso neste mundo globalizado.

4 nhận xét :

david santos said...

É como dizes: não há tempo neste mundo globalizado.
Mas, ao contrário, devia haver. Pelo menos para plamearmos o futuro.
Parabéns. Eu li tudo.

Alexandre said...

Eu sempre disse que gostava de ter nascido sueco... ou dinamarquês! Gosto deste Sol mas cada vez estou mais desgostoso com o atropelamento que as pessoas fazem umas às outras.

E acho que me adaptava bem à Suécia, pois gosto de uma vida calminha, tudo organizadinho - já que eu sou desorganizado - e depois as suecas são muito bonitas e desinibidas!

Na Suécia - e na Noruega - os ministros andam de metro, e não precisam daqueles batalhões de polícia e segurança a desimpedirem o caminho e a ofenderem quem vai à sua frente e não consegue desviar-se a tempo!

Quem quer ir comigo para a Suécia, ponha o dedo no ar!!! Se eu estivesse nos 30 ia para um país desses, de certeza! Ou até acho que já ficaria por Espanha ou França...

Muitos beijinhos!!!

Sol da meia noite said...

Pois eu penso que o segredo está em fazermos cada coisa no seu tempo, sem atropelos.
Porque muitas vezes, quando corremos para não perder tempo, estamos a desaproveitá-lo completamente. Nem conseguimos perceber o que estamos a perder e não recuperamos tempo nenhum.
É aquela história do carro que nos ultrapassa a alta velocidade, pondo em risco a vida de tanta gente... em consequência desse acto, o vermelho acende e nós nas nossas calmas, já estamos atrás dele...
Dá que pensar...

Beijinhos!

anna collongues said...

para mim não tem nada a ver com "globalização" mas sim com burrice das pessoas.

beijinhos

ps : ves que fizeste sozinha lol