7 October 2007

SERENDIPITY



Serendipity, é uma das minhas palavras preferidas. Se acontece, por alguma razão acordar e lembrar-me dela, fico o dia inteiro a repeti–la. Gosto do som, da dificuldade em dizê-la, do significado que tem, e da sua origem.
Provém de um conto de fadas persa, e significa acidentes felizes, felizes acasos, e foi descoberta pela 1ª vez em 1754.
Desde então, tem tradução em todas as línguas, ( em português diz-se Serendipicidade), e um tradutor inglês considera-a das palavras mais difíceis, não de traduzir, mas de lhe encontrar um sentido em determinado contexto.
Tem sido empregue em quase todos os campos:
Na Química, quando Alfred Nobel misturou acidentalmente o collodium ( algodão do injector) com a nitriglicerina e descobriu a Gelignite.
Na Farmacologia,Alexandre Fleming falhou as culturas do desinfectante das bactérias antes de ir para férias, e quando voltou encontrou-as contaminadas com o “Penicillium molda”, que matou as bactérias, e que não era mais do que a Penicilina.
Na Medicina quando o Dr. Georgius Papanikolau, ao estudar as bactérias do útero feminino, descobriu o teste que leva hoje em dia o seu nome, e que permite descobrir células cancerígenas no útero das mulheres.
Foi assim que Isaac Newton, ao ver cair uma maçã de uma árvore, descobriu a teoria da gravidade.
Cristóvão Colombo descobriu a América, quando de facto procurava a Índia.
E há milhares de exemplos, que me escusarei de citar, para não ser demasiado maçadora.
O facto é que, as maiores descobertas, em qualquer campo que pensemos, se deveram a felizes acasos: Serendipity.
Apesar de não acreditar no destino, pelo que nos tiraria de livre arbítrio, não consigo impedir-me ( romântica incorrigível que sou), de achar que é maravilhoso pensar que tudo na vida, faz parte de um plano magistral, destinado a, um dia, uma noite, da forma mais estranha, nos pôr à frente a nossa alma gémea.
Mas, se não acredito no destino, acredito em acasos. Algo que acontece sem esperarmos. Cabe-nos segui-los, ou não.
A vida não é uma série de acidentes sem sentido, ou coincidências que muitos notáveis defendem que não existem, mas uma colecção de acontecimentos que culminam num requintado, soberbo, e sublime plano.
Não tomo café, e por isso nunca frequentei cafés.
A única vez, há muitos anos, que um amigo me levou a um café, onde nem entrei, tendo ficado no carro à espera dele, conheci o homem mais importante da minha vida.
O meu pai teve um amigo que sobreviveu a três desastres de avião, e morreu de ataque de coração, em casa, com 70 anos.
Serendipity é festa. É alegria.
Uma canção muito antiga e muito bonita de Joan Baez foi repescada para a banda sonora do filme “ Forrest Gamp”. Lembro-me que ela fazia muitas interrogações:
Quantos cadáveres tem um homem que ver para perceber que já houve mortos a mais?
Quantas estradas tem alguém que percorrer para ser considerado um adulto?
Quantas vezes tem um homem que olhar para cima para ver o céu?
Quantos anos tem uma pessoa que viver para poder ser livre?
A solução para todas as questões era sempre a mesma : - A resposta está escrita no vento.
É nisso que acredito. Que as respostas aos sinais que nos aparecem ao longo da vida estão escritas no vento. Só há que saber ouvi-las.
Em Nova Iorque, no alegre bairro de Little Italy, existe uma das mais famosas pastelarias do Mundo, por ter aquele que é considerado o melhor chocolate quente do Universo.Chama-se Serendipity, e é lá que se comemoram os Acasos Felizes.
Nela me sento de quando em vez, esperando por ti, meu menino doce, meu homem louco, esperança que me amparou à beira da capitulação, meu amor maior, Serendipity da minha vida.
Escuta os sinais do vento.

5 nhận xét :

Jasmim said...

Que texto mais bonito.Sabe suma coisa alegraste o meu dia. posso dizer que hoje foste a minha Serendipity; passarei a usar a palavra mais amiúde. Depois o teu blog tem o título de um dos meus filmes preferido; a música nem comento.
Parabéns e obrigada

cõllybry said...

Dificil palavras mas belissimo texto...

Bom resto de domingo...

Doce beijo

Sol da meia noite said...

Estou fascinada com o modo como escreves e com o conteúdo do texto!...
Acasos felizes... e eu que não acreditava em acasos!
Acho que vou reavaliar situações da minha vida, com base neste teu texto...
Obrigada pela tua partilha.

*

Luís Galego said...

Serendipity, tambêm gosto do som....curioso, tanto mais quando pensamos muito numa palavra ela começa a ter várias latitudes....até as mais simples.

Alexandre said...

Nesse caso, nunca tive muitos Serendipities mas tive alguns muito bons! E ainda tenho! Aliás, busco-os mesmo sem saber bem o que são! E até acho que vou encontrando alguns...

A vida tem-me presenteado com Serendipities, talvez mais mesmo do que eu julgo merecer!!!

Um Serenpidity para você de mim!!!!