2 December 2008

O ADVENTO, A TRADIÇÃO, A MUDANÇA


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Este é aquilo que se poderá chamar de um post politicamente incorrecto.
Seja! Mas nem por isso vou deixar de o escrever.
Como sabem, salvo raríssimas excepções em que omito aquilo que penso e me calo, quando falo ( ou escrevo) é para dizer o que penso.
E confesso que me cansa ouvir sempre as mesmas queixas contra o Natal: que é uma fantochada, que é consumismo desenfreado, que são comezainas animalescas.
Mas , entre outras, há uma coisa que me confunde:
Se o Natal é uma festa religiosa que comemora o nascimento de Cristo, porquê que os não Católicos celebram o Natal?
E mesmo as comidas de Natal têm uma explicação, também religiosa.
Embora, infelizmente, muitas pessoas não se lembrem, antes do Natal vem o Advento.
E mesmo quando compram os calendários do Advento com chocolates para dar às suas crianças, não se lembram do que é o Advento.
E, para os esquecidos, que se lembram dos presentes mas esquecem que esses presentes têm a sua origem nos que os Reis Magos ofereceram ao Menino Jesus aqui fica um pequeno lembrete, mas também uma reviravolta que se pode dar às tradições.
O Advento (do latim Adventus: "chegada" ), é o tempo do Ano litúrgico, que antecede o Natal. É um tempo de preparação e alegria, durante o qual os católicos, esperando o Nascimento de Jesus Cristo, vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a Paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.
O Advento começa no Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até à véspera de Natal, contando quatro domingos.

Símbolos do Advento

COROA DE ADVENTO

O símbolo do Advento que mais usamos é a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. É enfeitada com uma fita vermelha, que significa o amor pelo Filho de Deus que vai nascer. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá. Em cada domingo é acesa uma vela.

Origem: A Coroa de Advento tem a sua origem numa tradição pagã europeia. No Inverno, acendiam-se algumas velas que representavam o “fogo do deus sol” com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partiam de seus próprios costumes para lhes anunciar a Fé. Assim, a coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos:

A Forma Circular
O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma ideia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.

Os ramos verdes
Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida.

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As quatro velas

As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No inicio, vemos a coroa sem luz e sem brilho. Recorda a experiência de escuridão do pecado. À medida que se vai aproximando o Natal, vamos nas semanas do Advento, acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada do Senhor Jesus.
A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva.
A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida.
A terceira lembra a alegria do rei David que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna.
A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

Nesta época rebuscamos na nossa memória como eram os Natais de antigamente, mas incoscientemente também tentamos ( escondidos atrás da certeza de que é a Festa da Família) recriar o ambiente das refeições de antigamente, em que toda a família se reunia à mesa para comer as refeições, em que se contava como tinha sido o nosso dia, mas NÃO se discutia, NÃO se via televisão, esse rectângulo falante que mata qualquer conversa, não comia um a cada hora indo buscar o prato ao micro-ondas porque esta ainda não existia.
Assim que, na noite de Natal a família reúne-se e segue a tradição do antigamente.
Mas segundo me tenho apercebido, em muitas casas baralha-se tudo.
Terá sido sempre assim nas famílias dessas casas?
Eu explico:
A maioria das famílias portuguesas come bacalhau cozido com couves ( ou polvo ) e de sobremesa a imensa variedade de doces natalícios que temos.
Mas essa não era a Tradição.
Não é por acaso que o que vai para a mesa na Noite de Natal, é um peixe seco, que antigamente era barato e bom, e agora é caro e, às vezes, não tão bom assim.
E os doces não se comiam como sobremesa: comiam-se à Ceia, depois de vir da Missa do Galo.
Isto porque, exactamente, o Advento também devia ser um tempo de jejum, sendo que o jantar de Natal era a transição para a Festa.
Era preciso jejuar-se para poder comungar na Missa do Galo e agora já ninguém o faz.
Era, no fundo, o último sacrifício que se fazia antes da Ceia de Natal.
A Ceia era a festa da abundância contra a frugalidade, o prazer de comer bem depois da abstinência.
Hoje é uma espécie de sessões contínuas em que, normalmente, nem no intervalo se vai à Missa do Galo.
Então, se já não se cumpre nada, para quê comer bacalhau?
Se é para inovar, coma-se uma tarte de salmão, um lombo de porco assado com molho de ameixas, um lombo Wellington ou mesmo um ganso recheado com frutos secos e molho de tangerinas frescas.
Faça-se a Festa, coma-se bem, reúna-se a família, troquem-se presentes, e Esqueça-se que é NATAL.
Ah, e só mais uma coisinha: Não me venham com a história de que Natal é quando o Homem quiser.

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19 nhận xét :

Pekenina said...

Esqueçamos o consumismo...
Há prendas que têm mais significado quando expressas por palavras ou actos, do que quando entregues em material físico, palpável.
Digo eu...
Beijo,
Pekenina*

a.filoxera said...

Amiga, estás a escrever a grande velocidade.
Passei para te deixar um beijo e te dizer que respondi aos comentários do meu último post.
Quando puder, voltarei com tempo para me alongar na leitura da tua extensa prosa
Um xi!

salvoconduto said...

Eu quero lá saber do advento, eu quero é ter a minha velhinha ao pé de mim e dos meus e muitas prendas para ela e vá lá,uma ou outra para mim, já agora. E se virem um senhor de barba branca por aí na véspera do Natal, por favor endiquem-lhe o caminho para a minha chaminé. Se não conseguir descer por ela abaixo que bata à porta.

Abreijo

vovó said...

e não é que faço também a mesma pergunta?
não sou católica, mas sou cristã. o Natal para mim, não é, nem nunvca foi, o fausto das prendas. é sim, uma época muito especial e muito vivida cá "dentro" e por"dentro".
já a minha Mãe fazia a coroa do advento (tradição que continuo) e cada domingo se acendia uma vela... que saudades do cheiro a abeto da ilha!...
eu vivo o Natal! consumismo? não sei o que isso é, porque não o praticamos por aqui. até os postias que envio, são feitos por mim :)! ...

parece-me que já atino a vir ao teu poiso deixar qualquer coisinha... finalmente ontem, pedi socorro :)))! também, já não era sem tempo... :)...
beijocassss
vovó Maria

mjf said...

Olá!
Parabéns...enfeitaste a tua casa nesta época natalicia, para nos receber ;=) obrigada está linda...
Em ralação´ao Natal e sua tradição...acho que cada um a vai adaptando ás suas crenças e necessicidades...esquecendo as origens ;0(

Beijocas

pedro oliveira said...

Não,Não,o Natal é mesmo só dia 25 de Dezembro!
Bom advento, já não ouvia esta expressão há muito tempo.

Filoxera said...

Então, temos reposição??
Estou nourtro ritmo, a partir de hoje, mastentarei manter as visitas +/- em dia.
Beijos.

Justine said...

Uma correcta e completa informação sobre a época, mas cá para mim é a altura certa de partir para férias para um país quente e de preferência islâmico, ou budista, ou hindu...

Tretoso Mor said...

Veludinho,

O teu Blog ficou... LINDO!.....

Concordo com tudo. Curiosamente este fim de semana na missa dos escuteiros, o prior acendeu também a coroa do advento, explicando aos miúdos o seu significado.

Tretices azulinhas para ti, em forma de círculo.

http://tretas-da-vida.blogs.sapo.pt/

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Excelente post, Blue! Confesso que desconhecia alguma da informação que aqui nos dá. Penso que a maioria das pessoas serão tão desconhecedoras como eu., por isso apenas pergunto: acredita que pensam nisso quando celebram o Natl? Pelo teor da parte final do seu post, penso que não.
Deixe-me só acrescentra que subscrevo o comentário da Pekenina
Beijinhos

1/4 de Fada said...

Durante grande parte da minha vida, o Natal foi uma festa para mim: reunia-se a família toda, muitas vezes amigos também e eu adorava. Nunca liguei ao aspecto religioso, mas como tu dizes, as origens do Natal são anteriores ao cristianismo, podem ser encontradas nos rituais pagãos do solstício de inverno de muitas culturas e o que se celebra hoje é, na grande mairia das vezes, a festa do consumismo misturada com toda uma panóplia de costumes importados do mundo inteiro.
Hohe, por uma série de coincidências infelizes, deixei de ligar ao Natal e só o festejo por causa dos meus pais. Os meus filhos sabem-no bem e não têm outro remédio senão respeitarem esta minha atitude. Talvez com o tempo mude, eles tentam e os meus amigos também, quem sabe?

Patti said...

Houve tempo em que liguei ao aspecto religioso da festa do Natal.
Deixei de o fazer, quando obviamente deixei de ser, quase totalmente crente.
No entanto os valores cristãos são sempre aplicados na minha vida, seja Natal, Carnaval ou férias do ski, porque são valores universais e não os acho apanágios de nenhuma religião.
Todo o ano o faço, só não sinto necessidade de o apregoar.

Quanto às tradições que nos falaste, gostei muito de as tornar a lembrar. Sei-as todas e ainda outras, que dependem das várias regiões do nosso país que são riquíssimas e muitíssimo mais antigas do que muitos possam pensar.

BC said...

Sou católica e concordo com tudo o que dizes.
Parabéns pela excelente publicação.
Concordo com o que dizes a 100%.
Queria fazer uma alusão ao teu novo visual, está muito bonito, por vezes precisamos mudar.

Ah! já me esquecia, tens lá um desafio no sletras
Beijo natalício
Isabel

João Videira Santos said...

Não se é ou foi blue velvet, sei que gosto de vir aqui e viver cada palavra.

Beijo

Si said...

Sobretudo, viva-se o Natal como forma ainda mais intensa de sentir o privilégio de ter a família unida, com ou sem presentes, com mais ou menos para pôr em cima da mesa, com coroas, sem elas ou apenas com um desenho de um pinheiro feito por uma criança.
E enquanto estivermos vivos para o ver, para o festejar ou mesmo só para o odiar, é e será sempre um bom sinal.

Carminda Pinho said...

Olha querida Blue,
eu sou daquelas pessoas para quem o Natal, perdeu toda a magia.
Para mim, não fossem os meus filhos, que ainda o "exigem", seria um dia como outro qualquer.
Talvez o desencantamento dos últimos anos, sei lá...mas algo mudou em mim.
Não quero com isto dizer, que não deseje que todos os familiares e amigos o passem o melhor que puderem.:)

Beijinhos

ematejoca said...

Uma correcta e completa informação sobre a época natalícia, que adoro.

Festejo esta época à minha maneira, claro muito alema, sem me importar com as críticas dos que querem mudar o mundo!!!

Saudacoes de um Düsseldorf a cheirar a biscoitos do Natal!

Leonor said...

Parabéns pelo post Blue. de facto, muito se faz, mas muitas vezes com pouco sentido. (e é pena)

Para mim o Natal sempre foi uma época especial, para a qual me preparo a mim, à casa, o sítio onde trabalho... mas não só por fora, com decorações (que tb gosto bastante) , mas com o coração.

veludinhos

Sorrisos em Alta said...

Eu tenho muito receio do natal. Como sou disléxico, acabo sempre por fazer presentes, esquecer a festa, reunir bem e comer a família....