6 February 2009

I COULDN'T CARE LESS


As escolhas dos livros que compro obedecem normalmente a três critérios:
O autor: há autores cujos livros compro sempre, independente das críticas, do sucesso ou de qualquer opinião de terceiros.
As opiniões dos amigos: há amigos ou pessoas em cujo critério de qualidade confio cegamente. Se me aconselham um livro, compro-o. Às vezes até pode acontecer que depois de lido não corresponda às expectativas ou que não faça muito o meu género, mas nem por isso deixo de o considerar um bom livro.
E há depois aqueles que me dão imenso prazer comprar: são aqueles cuja crítica é muito boa, os best-sellers da Barnes and Noble ( ai, Nova Iorqque, meu amor) ou, mais excitante ainda, aqueles cuja capa me chama.
Um dos últimos livros que comprei reunia várias destas características: era um best-seller da referida livraria, as críticas eram excelentes e fiquei apaixonada pela capa.
Tinha Wallis Simpson e o seu princípe, Salazar, um avião da 2ª Guerra Mundial e um par beijando-se apaixonadamente.

"Uma obra-prima de espionagem, comparável ao melhor de John le Carré ou Robert Ludlum"

"Julho 1940. Rodeado de nazis e mulheres fatais um espião inicia uma guerra para acabar com todas as guerras".

A minha imaginação começou a voar. E com razão. O livro é apaixonante. Lê-se de um fôlego, sem se conseguir parar.
A discrição de Lisboa antiga é perfeita. As personagens de Wallis Simpson e do Duque de Windsor são surpreeendentes. Embora já conhecesse as suas simpatias pelo regime de Hitler nem sonhava com o que no livro é descrito. A Família Espírito Santo já naquela altura dava cartas.
E que cartas.
Enfim, um livro que aconselho vivamente a quem goste do género.

Mas não foi só o facto de ter gostado do livro que me fez escrever este texto. Quis aproveitar que o tinha à mão, para responder ao Desafio da Su

1- Agarrar o livro mais próximo.
2- Abrir na página 161.
3- Procurar a quinta frase completa.
4- Colocar a frase no blog.
5- Não escolher a melhor frase, nem o melhor livro! Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6- Passar o desafio a 5 cinco pessoas.

Era de facto o mais à mão e chama-se "Encontro em Lisboa". Só que a página 161 não tem 5 linhas. Só tem 4!
Como já respondi a este desafio 2 vezes resolvi subverter as regras, já que há ainda outra razão para ter escolhido este.

Eis que estou absorvida na sua leitura, e de repente uma das personagens salta da página e diz-me:
- Nada me podia importar menos.
- Como? respondi eu atónita.
- I couldn't care less.
Ah, claro. Eis porque sempre que posso, leio os livros nas versões originais.

NADA ME PODERIA IMPORTAR MENOS????
Ora nem mais.

Ó Si, aquele chá que tínhamos combinado não vai dar. O Porto é muito longe.
Ó Velvet, nada me poderia importar menos.
Ó Vekiki, a receita que me déste do bolo de laranja, não me saiu bem.
Ó Velvet nada me poderia importar menos.
Ó Salvo, lamento informá-lo que vou fechar o meu blog.
Ó Velvet nada me poderia importar menos.

E poderia continuar com muito mais exemplos. De facto, nada me poderia importar menos é a frase que nós usamos mais para estas circunstâncias.
Tanta boa bente desempregada e saiem-nos tradutores destes.
E isto sim, importa-me muito.

E porque este Desafio já anda na net há muito tempo, não sei quem já o fez. Portanto não o passo a ninguém, mas como diz a afilhada mais famosa do bairro:
Siga a rusga!

12 nhận xét :

salvoconduto said...

Agora me dou conta, há quanto tempo não leio um livro de espionagem ou um policial?...

Quanto ao resto nem era bom pensar!

Abreijos.

Vekiki said...

Oh...saíu-te mal o bolo?
Hum...acho que vou ter de o fazer e convidar-te para o comeres cá em casa, com chuva e tudo :)
Querida!

pedro oliveira said...

Pois, tu nem as pensas,eheheheh.
Neste bairro não há insolvências!

Ora temos futebol freeport e fantochdas.
os 3 f's que nos perseguem eternamente.

p.s.peço-te que divulgues,se possivel, este evento no blogue e pelos teus contactos:
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/88110.html

Patti said...

E pior do que as más traduções, são ainda os erros de construção sintáctica e os ortográficos. Cá para mim, ninguém revê os livros.

Não conheço esse de que falas.

Si said...

Se fosse só nos livros... e os erros de ORTOGRAFIA que se descobrem nas legendas da TV? Nada me importa MAIS do que ver 'acabá-mos', em vez de 'acabámos', 'trazer-mos', em vez de 'trazermos', 'há hora certa' em vez de 'à hora certa', 'à poucos dias', em vez de 'há poucos dias', e por aí fora...
Assim se vai escrevendo em 'bom português', fruto das sucessivas baldas que se dão no ensino de hoje...

(Olha a honra!!
Uau, sou a afilhada mais famosa do Bairro??? Upa, upa!)

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Também gostei do livro, mas partilho da sua opinião. Há livros que são tão mal traduzidos que até dá raiva.
Participei num prolongado e animado debate sobre essa questão aqui há uns anos na Faculdade de Letras.
Também há uns anos, num Dia do Livro ( 22 de Abril, se não estou em erro...) escrevi um artigo a insurgir-me contra os atentados aos direitos dos consumidores que se podem encontrar em muitos livros. Lancei uma proposta de sublevação contra as editoras, mas não teve muito eco.

Gata2000 said...

Imaginas o que poderia acontecer se os filmes fossem dobrados como acontece em Espanha, por exemplo?!

Justine said...

É capaz de ser uma boa sugestão - já achei interessante "Enquanto Salazar dormia" de Domingos Amaral, que é sobre o mesmo tema, em Lisboa,na mesma época, e é escrito em portugês, evitando essa epidemia que são os maus tradutores...
Obrigada pela ideia

f@ said...

Olá....
nem sei o que te diga, não tens jeito para os doces vai com salgados...
hummm o bolo de laranja e a torta ficam sempre deliciosos... e o bolinho de xicolate... lololol

beijinhos das nuvens

Donagata said...

Ora aqui está uma boa dica para comprar este livro. Ainda o não li e já por várias vezes me despertou a curiosidade.
Agora é que é!

Beijos e bom fim de semana.

Pitanga Doce said...

Não li o ivro, não conheço o tradutor, nem comi o bolo de laranja que solou. O que me chamou atenção foi o pezinho levantado na hora do beijo, na capa do livro.

beijos bem traduzidos

1/4 de Fada said...

Não li! E despertaste-me a curiosidade. Acho que vai juntar-se à lista dos próximos a comprar, mal traduzido e tudo.