13 February 2009

PAGO BEM

E, então, toma-me de assalto aquela imagem budista de que a vida é como um rio, que quando passa não mais se repete, pois nunca nada fica no mesmo lugar. Depois da enxurrada, já se sabe, as coisas não voltam à harmonia da sua quietude anterior, por mais que se aprestem os trabalhos de reconstrução e chegue o voluntariado da ajuda internacional, assentando arraiais e montando tendas pelas planícies fora.
Quem espreitava feliz, da entrada acolhedora da sua palafita e vê agora as estacas (antes sulcadas no fundo lacustre, ricamente adornadas com anos de coisas felizes) algures à deriva contra o molhe de betão, é muito difícil encarar os destroços, mesmo que apenas através das palavras escritas e das fotografias desmaiadas, guardadas em arquivo.
Preciso por isso de uma empilhadora dentro de mim, daquelas com várias pás que cheguem alternadamente aos recantos mais difíceis da minha geomorfologia magoada.
Pago bem e à hora.

11 nhận xét :

salvoconduto said...

Se pensamento ajudasse, muito estaria feito, infelizmente não chega.

Abreijos.

Pitanga Doce said...

Em vez de uma empilhadeira, porque não um banho de pétalas de rosas brancas? Faz um limpeza profuuunda. Vai por mim. Mas têm que ser brancas, ouviste?

Aliás vou tratar disto amanhã pra mim.

boa noite e dorme de ladinho que tu podes.

Maria said...

Às vezes não me importava de te perceber um pouco melhor.
Talvez seja do adiantado da hora...
:)))

Beijo azul

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Então, nem o sol dá uma ajuda?
Conchinhas

Antonio saramago said...

Desculpa minha LINDA!!!Mas o tempo foge-me, bom fim de semana.

1/4 de Fada said...

São imagens de inquietação, mas agradam-me muito, porque são belas e de grande profundidade. Volto a dizer que gosto mesmo destes teus textos.

f@ said...

Olá,

Sim... como um rio... de forte corrente... ás vezes como enxurrada...
mas as coisas voltam a harmonizar-se, de forma diferente mas bela da mesma forma.... precisamos é saber aceitar a mudança... e encontrar a nova beleza na harmonia que fica nas pedras que restam e na vegetação lavadas e seguras...

é lugar comum dizer que depois da tempestade a bonança... mas quantas assustadoramente belas e sonoras trevoadas nos trazem se seguida o brilho do sol...
e sem pagamento ainda com o presente de termos uma nova visão sempre...

pensa nisso...

Beijinhos das nuvens

ematejoca said...

Só faltam seis dias...
Recebi mais dois prémios. Prémios de amizade, que queria oferecer ao Veludinho azul. Caso os aceites, vai buscá-los.

Boa-noite e bom fim-de-semana!

C NARCISO said...

Bom dia BlueVElvet.
Para grandes males, grandes curas. Sugiro, para essa "tarefa", a contratação de uma grande empresa: MOTA/ENGIL; OPCA; SOARES DA COSTA.
Caso não resulte, ainda poderá socorrer-se de empresas estrangeiras, nomeadamente aquelas que exploram as grandes minas a céu aberto; aí, usam as maiores máquinas do mundo, tais como as Caterpillar.
Se nada disto resultar, procure bem dentro de si que encontrará, num cantinho, uma enorme fonte de força. Acredite. (no que lhe digo e em si.)

Filoxera said...

Compreendo-te...
Beijos.

Leonor said...

Andar.

Andar costuma fazer milagres para mim. mesmo que a corrente esteja forte, e as margens pouco convidativas.

mas há sempre um porto de abrigo.