14 October 2008

( 5 ) TOU DANADA


Ninguém me perguntou nada. Os senhores que estão no Parlamento não me representam de forma nenhuma. Os referendos neste País, ou se fazem e não têm poder vinculativo ou não se fazem porque " o povo é imaturo" ( palavras do Presidente da República).
Portanto, só me resta desabafar no meu bloguezito, que aliás, entre outra razões também foi criado para isso.

João, 27 anos, engenheiro, toma café com o pai na sala, depois do jantar.
- Ó pai, o quê que acha desta história do casamento entre homossexuais?
- Acho mal.
-Acha? Mas sempre o ouvi dizer cá em casa, e à mãe também, que não têm qualquer preconceito contra os homosexuais...
- E não tenho. Só acho que não podem casar.
- Mas então não percebo, pai.
- É fácil. Acho que devem ter os mesmos direitos, tipo na saúde, no emprego, enfim, na rotina diária em sociedade, mas casar não.
- Mas porquê?
- Ora, porquê. Porque não é normal.
João calou-se. Não estava à espera que a conversa com o pai, quando lhe confessasse que era homossexual e que tinha há um ano uma relação com um homem com quem queria ir viver, fosse fácil, mas também não esperava aquela reacção.
Sempre conhecera a forma de pensar " aberta" dos pais.



Não interessa saber qual o desfecho desta conversa que é pura ficção. Mas, estou certa que em situações semelhantes, 99% dos pais teriam a mesma reacção do pai de João.
É que isto de " não ter preconceitos contra" tem muito que se lhe diga.
Eu por exemplo, não tenho preconceitos contra os homossexuais mas não tenho paciência para paradas gays ou desmunecados tipo Castelo Branco.
Não gosto de exibicionismos, sejam eles de que tipo ou sexo forem. Não gosto e estou no meu direito.
Entendo que os homossexuais devem ter a maioria dos direitos que os outros cidadãos têm, quer seja a nível de emprego, saúde, heranças dos seus parceiros ou assistência na doença, entre outros.
Mas, a prática reiterada de um acto torna-o num costume mas não numa coisa normal, ou seja, o normal é um homem gostar de uma mulher e vice-versa, embora aceite quem não se enquadra neste grupo.
Tenho amigos, por mero acaso homens, homossexuais, que são pessoas excelentes, criativas, bem-formadas, úteis à sociedade e felizes. Respeito-os como tal e não aceito que num casal homossexual, se um dos parceiros estiver doente o companheiro não o possa visitar no hospital ou não possa herdar os bens que compraram em comum.
Daí a ficar feliz se um filho meu fosse homossexual vai uma grande distância. Sei, de fonte limpa e segura que o aceitaria, que não deixaria de gostar dele nem o marginalizaria, mas isso só por uma razão: por ser mãe dele e consequentemente querer que ele fosse feliz.
O facto é que misturar sentimentos com leis não dá bom resultado, portanto, embora ninguém me tenha perguntado, eu sou contra o casamento entre homossexuais.
Mas sou-o por razões que posso explicar:
Como católica não reconheço o casamento civil. Para mim tanto faz que as pessoas vivam juntas como sejam casadas só pelo civil. O casamento civil, digam o que disserem não é nada mais do que um contrato e como contrato que é, tem claúsulas a serem cumpridas e caso não o sejam pode ser dissolvido, que é só uma palavra diferente, para juridicamente dizer resolvido.
Por definição, e uma definição é isso mesmo, define uma coisa, o casamento é um contrato feito entre duas pessoas de sexo oposto, logo, os do mesmo sexo não cabem nessa definição.
Tão simples como isto.
Faça-se uma lei que lhes dê os mesmos direitos, mas não lhe chamem casamento. Porque "uma coisa é uma coisa" e " outra coisa é outra coisa ", como se diz no Brasil.
E por falar no Brasil onde quase todos os Códigos foram decalcados dos portugueses, embora todos tenham ido mais longe, já existe uma figura jurídica chamada " contrato de união estável" que é aplicada a pessoas que estando a divorciar-se querem legalizar a sua união com outra pessoa, e não o podendo fazer por ainda não estarem divorciados, assinam esse contrato e todos os direitos de ambos ficam protegidos.
Para mim, todo este circo feito à volta do assunto é uma perda de tempo. Há várias formas de o resolver sem ser com o dito casamento. Se é que estamos a falar de direitos e não de agendas político-eleitorais.
Que fique bem claro que não sou contra as uniões dos homossexuais. Não concordo é com o casamento, tal como está previsto, para os casais heterossexuais.
Pelas razões já expostas e pelo direito à adopção.
Eu sei que há muitas crianças para serem adoptadas e lamento-o. Sei que provavelmente seriam mais felizes se adoptadas por um casal homossexual do que continuando nos orfantos e quejandos.
Mas então, a lei da adopção é que tem que ser mudada para agilizar os processos, porque há centenas de casais hetero à espera durante anos de uma crinça para adoptar. E não é por só quererem bébés, loiros e de olhos azuis.
E não me venham dizer que há crianças criadas pela mãe e pela avó. Duas mulheres. E nem por isso ficam traumatizadas. ( Ouvi este argumento numa entrevista na RTP1 a uma lésbica). Pois, mas a avó e a mãe não têm os mesmos laços que os casais homossexuais.
Por maior simpatia que tenha pelos mesmos, aprendi há muitos anos um princípio económico que diz que " não se podem comparar coisas que não são comparáveis".
É o caso aqui.
E o curioso é que os próprios homossexuais clamam pelo " Direito à Diferença " e aí estou de acordo com eles.
Dêem-lhes esse direito, porque eles não são mais nem menos que os hetero. Mas também não são iguais.
São diferentes.

47 nhận xét :

Patti said...

Estou cansada e vou-em deitar.
Mas amanhã, Bluezinha Velvetzinha do meu coração, este estaminé vai ferver, vai abanar mulher!!!!

E eu vou fazer por isso.

Ai que vou discordar tanto de ti ...
Hahahahahahah, ahahahahd, ahahahahah.
Bjs. :):):)

BlueVelvet said...

hahahahaha
Eu sei Pattizinha do meu coração.
Tu achas que eu não sabia que isto ia abanar o estaminé? Humpf
Desde que não caia, vai abanar, avermelhar e eu vou pirilampar
lalalalala
Dorme bem

f@ said...

Podes chamar aliança... é + bonito...
con trato con tacto ... mas legalizar é mesmo ur gente...

Tb é mto triste O POVO SER IMATURO ... O SR PRESIDENTE DEVIA ESTAR GAGO...
esta post dá mto tecido para mangas ...
Beijinhos das nuvens

Pitanga Doce said...

Ontem foi a Parada Gay aqui no Rio. Aquilo é que estraga tudo. Vira tudo uma grande comédia e ninguém é levado a sério. Aquilo não é ser homossexual. É uma viadagem sem fim. Um monte de Priscilas, A Rainha do Deserto.

boa noite menina

Carminda Pinho said...

Blue,
Concordo que que cada pessoa tenha direito a explicar o seu ponto de vista. Não concordo com aqueles(as) que o querem impor aos outros.
Isto do casamento ou não casamento entre pessoas do mesmo sexo, faz-me lembrar a discussão da lei do aborto. Ninguém queria (os a favor) obrigar alguem a abortar, mas apenas a poderem fazê-lo dentro da legalidadee, para isso foi necessário alterar a lei.
Com a lei do casamento (chumbada, à custa da hipocrisia da bancada do PS)seria mais ou menos a mesma coisa. Quem quisesse casava, isto é: assinava contracto e pronto, legalizava a situação.
O que é o casamento para além de um contracto entre duas pessoas?
As cerimónias religiosas já são outra coisa e isso, amiga, a cada religião, a sua tradição.

Ficou claro que não concordo contigo, não?! :)

Beijos

Antonio saramago said...

100% de acordo contigo, temos de respeitar as idiologias de cada um é verdade, mas não quer dizer que as tenha-mos de aceitar.
Se um caso dessses nos bater á porta, claro que não vamos desprezar e muito menos condenar, porque é sangue nosso, só temos que apoiar e lidar com a situação normalmente, mas o certo é que e penso eu que nos sentiria-mos constrangidos perante terceiros, mas isso ainda seria o menos porque não se tem que dar satisfações a nimguem da vida de cadaum.
És católica e ainda bem, segues as idiologias correctas.
Vamos esperar para ver no que tudo isto ainda vai dar.
Ainda anteontem á noite, fui tomar café e junto a uma montra estavam duas rapariguitas todas enroladinhas aos beijinhos, ás caricias, passei e mal olhei e nada comentei , pois a vida é delas e nada me prejudicaram, o certo é que quando assisto a actos destes parece que fico um pouco abananado, muito mais desconcertado fico quando vejo os mesmos actos mas no sexo masculino, aí até calafrios me dão.
Mas enfim... se é assim a felicidade deles e delas!!!

Patti said...

Ora bem, a ideia da diferença é que dá conta de mim, sabes porquê?

Porque sou mulher e sei que a história de séculos e séculos me massacrou, me diminuiu, me secundou, me explorou, me renegou, me desconsiderou, me gozou, me matou e me desprezou, porque também achava que eu era Diferente.

Era Diferente porque era mulher, era burra, não pensava, não sabia como agir sem apoio do macho, porque tinha enganado o banana do Adão com uma simples maçã, porque gerava filhos através do pecado, porque era o único ser vivo no planeta que tinha um órgão minúsculo, chamado clítoris que me dava prazer e que por isso ainda há quem mo tire com violência.

Não pude votar, não pude sair à rua sem companhia, não pude sair do país sem autorização do meu marido ou pai, o macho dominante que vivia comigo podia abrir o meu próprio correio sem em pedir autorização.

Tudo porque era Diferente, porque era mulher. Porque nasci com vagina e não com pénis. Porque na cama ficava por baixo. Porque na hora do parto ficava de pernas abertas e mostrava os pudores.

A homossexualidade é tão antiga como a pré-história, é uma tendência do homem desde que ele existe, basta olhar para o reino animal. Só não é uma tendência de maiorias. E isso torna-a Diferente?

Mas será que quando se pensa em casamento só se pensa em sexo?

O casamento é muito mais que isso, aliás atrevo-me mesmo a dizer que será tudo menos isso. Para ter sexo não se precisa de estar casado.

País medieval, que tem a mania de legislar assuntos da alma humana!

Paula Crespo said...

Concordo contigo e concordo com a Pitanga. Viva o direito à diferença, mas, se eu fosse homossexual, não gostaria que me incluíssem no folclore. Quem quer respeito dá-se ao respeito. E, se há diferença, assumam-se como tal. Que os outros farão por a respeitar e admitir.
Bjs

Si said...

É, de facto, um assunto muito complexo, e que, sem querermos, mistura, mesmo, sentimentos institivos ou religiosos com leis.
E penso, que no princípio de tudo estará aquilo que pensamos sobre a homossexualidade, de uma forma verdadeira e crua.
São doentes?
São diferentes?
São iguais?
São ameaças à sociedade tal como a conhecemos?
Não sei porque é que há pessoas homossexuais e outras não. Simplesmente acontece, é um facto, a que cada um dará a sua própria explicação, porque científicamente, ainda nada foi provado.
E com esta capacidade de raciocínio que Deus nos deu, podemos concluir, portanto, que, até prova em contrário, são exactamente iguais aos heterosexuais.
Partindo deste princípio, só podemos aplicar as regras sociais, mas até essas variam, consoante a época, a história e uma série de outros factores arbitrários que as condicionam (na Grécia antiga, por exemplo, a homossexualidade era um facto assumidamente aceite)
O que me leva a concluir que aquilo que é normal hoje, não o seria há uns anos, ou não o será no futuro, pelo que o seu conceito estará longe de ser rígido.
Finalmente, e juntando apenas estes dois silogismos, porque muitos mais haveria, mas já tenho um blog e devia já ter mais juízo na ocupação de espaço alheio, se os homossexuais não são diferentes e o ser normal está longe de ser um conceito pelo qual nos possamos reger, porque não deixá-los firmar esse contrato, que tanto pode ser chamado de "casar" como de "pirilampar" [ : ) ], desde que lhes dê os direitos a que acham ter direito?
E vai ser por causa de uma palavra que nos vamos chatear????

Eremit@ said...

é desta que te teremos de volta ao Jogo das 12 Palavras? Tens até dia 25...
Olha, passa no Eremitério. No post de hoje, 14 de Out. há algo para ti.
Fraterno abraço.

Carlos Barbosa de Oliveira said...

E agora, experimente substituir homosssexual por preto na convesa do João com o pai. De certeza que afirma não ser racista, mas ver o filho casado com uma preta, ainda lhe faz alguma impressão, não é?
A verdade é que não nos assumimos. Dizemos, pensamos ( e até acrditamos) que somos uma coisa e, na hora da verdade, acabamos por nos revelar de outra forma, que deixa as pessoas surpreendidas.
Compreendo perfeitamente que os homossexuais queiram ter direito a casar-se ( é dispensável, em minha opinião o folclore, mas isso é outra história...)Chamemos-lhe o que quisrmos, mas o casamento civil é um mero contrato, porque razão se há-de coarctar esse direito aos homossexuais?
Quanto à adopção, confesso que estou dividido. Como será aceite socialmente na escola, para não ir masi longe, uma criança com dois pais? Que tipo de traumas não irá sofrer?
Os meus avós maternos divorciaram-se quando a minha mãe tinha 12 anos o que na altura era caso raro. Ela ainda hoje fala da forma como era apontada a dedo no colégio e como isso a marcu paar toda a vida.
Os tempos são dierentes? Claro qu sim, mas as quetões levantadas pela adopção por homossexuais também.
E por aqui me fico
Conchinhas e beijinhos

João Videira Santos said...

A coisa por aqui está animada...

Escrevi animada?

Queria dizer...animadissima!

Estão aqui pontos de vista interessantes.

Interessantes?

Interessantissimos!

Vou ficar por aqui.

Fico, mas esperando que os senhores-que-decidem-por-nós, acabem duma vez por todas com este folclore.

Folclore só e apenas na expressão musical do povo.

(volto amanhã para ver se o blog ainda está de pé...rsrsrsrsrs)

odnanref said...

Olá,

Podia subscrever o teu texto; enfim, teria de mudar de Mãe para Pai.

Mas, não deixo de reflectir que se diz um "casal de homossexuais", e casamento vem de casal.
Diz-se casal porque apesar do mesmo sexo estão um com o outro como de sexo diferente.

Por outro lado, o casamento, como dizes e ensina o Direito, é um contrato.
Por seu lado a Igreja fala em Santo Sacramento do Matrimónio.
Julgo que a palavra tem origem em "mater", o que lhe dá a carga específica de ter como um dos fins a procriação.
"O Matrimónio é a união conjugal de um homem e uma mulher, entre pessoas legítimas para formarem uma comunidade indivisa de vida." Ora, a comunidade de vida conjugal tem como um dos fins a fecundidade por meio da prole.

Então temos uma questão de palavras? Casamento para quem queira viver como casal; regras específicas para uma comunidade conjugal?

Não sei, deixo-te estas questões que me coloco.

Totalmente sem sentido, parece-me, foi o que ocorreu em Espanha: Deixou de haver cônjuge homem e cônjuge mulher para ser cônjuge A e cônjuge B.
Claro que os homossexuais nunca poderão ser cônjuges, e naturalmente, ter filhos conjuntamente.

Finalmente, os homossexuais não são nem anormais nem especiais; sempre houve; só que a sua característica nunca se torna prevalente, porque não se multiplicam; assim, pelas leis da selecção natural são sempre menos que os heterossexuais.

Portanto, ainda bem que têm todos os direitos ... que podem ter. E ter filho, obviamente, é um direito que lhes está vedado, pela sua própria natureza.
Assim, ser contra a adopção por casais homossexuais, não mostra qualquer descriminação.
Aliás, a lei também não permite a adopção por solteiros, divorciados ou viúvos.
Em causa está o interesse da criança, e nada melhor para esta, entre pessoas sãs e capazes, do que cônjuges (e não casais?)

Grato pela atenção dispensada.

Somar Odnanref

Oliver Pickwick said...

Como bisneto de coronel das Terras do Sem Fim, em Ilhéus, geneticamente, não aceito estes avanços.
Uma advogada que não reconhece o casamento civil? Velvet, os reis de Espanha, Fernando e Isabel, há muito já se foram. Graças a Deus! ;)
Por falar em preconceito, os melhores espanhóis são aqueles que já se foram. Iac, iac, iac!
Um beijo!

Sorrisos em Alta said...

Não devias estar para aí a espingardar sem saber!!!

É que, SIM, a avó e a mãe da minha amiga têm os mesmos laços!
E não vejo mal nenhum em que só por serem do mesmo sexo, duas pessoas não possam partilhar roupa.

Ah, não era isso, pois não?
Ok, mas o post é sobre a tua opinião, não sobre a minha, por isso fica mesmo assim....

;op

Beijinhos

RENARD said...

Blue Velvet:

Não vou comentar o teu post mas ficas a saber que não estou de acordo contigo.
Vou antes responder ao comentário que me deixaste.
Sabes, tenho um Amigo que uma vez me disse que o nosso sofrimento é incomensurável. É verdade sabes... Aos olhos dos outros, aquilo que poderemos estar a pensar ou sentir são só especulações. Contudo, sei que para os que estão de fora e sentem a impotência de verem alguém que estimam a passar um mau bocado é tão ou mais doloroso do que sermos nós a passar pela provações.
Já estive dos dois lados da barricada e prefiro mil vezes ser eu que levo o apertão. Mesmo que me sinta perdida... Já vi e senti demasiadas vezes a impotência perante o sofrimento daqueles que amo. Que me apertem, sufoquem, deitem ao chão. Mas não toquem nos que amo!
Por isso sei como te sentes perante o meu apertão. Assim como os meus pais e restantes amigos. Preocupa-me mais o não poder fazer-vos sentir melhor do que aquilo que o futuro me reserva...
E pronto, era só isso...

A big tight Hug my friend

João Videira Santos said...

Estava à espera que o "estaminé" desabasse e afinal...

Há aqui abordagens ao assunto muuuuuito interessantes...

Vou voltar mais tarde.

Depois dum texto azul aveludado quem sabe não surge um texto vermelhão...

salvoconduto said...

Não vou repetir o que a Patti já aqui disse e que subscrevo, acrescento no entanto o seguinte, uma vez que a questão foi levantada: quer queiramos ou não o casamento civil ou religioso são ambos contratos, feitos apenas perante testemunho ou entidades diferentes, num compromete-se no outro jura-se, tout court.

O problema só adquire esta dimensão porque nos esgotamos a discuti-lo, foi assim com a lei do aborto.

Abreijo

1/4 de Fada said...

Pelos motivos que tu conheces, ontem não foi um bom dia, por isso só hoje é que apareço. Como tu, vejo o casamento como um contrato, tanto o religioso como o civil, para mim não há diferença. Mas vou mais adiante, pela parte que me toca, tanto faz existir um contrato escrito como não, para mim ele passa a existir implícito na relação assumida entre duas pessoas. Entre duas pessoas, seja qual for o sexo a que pertencem. Portanto, o casamento entre homossexuais tanto se me dá como se me deu. Tanto faz. Ninguém tem nada a ver com isso, ou seja deixem-nos casar ou descasar à vontade, se eles bem o quiserem e acharem necessário ao bem estar da sua relação. Porque não?
Quanto à questão da adopção, já tenho uma opinião diferente. Claro que sei que há imensas crianças em instituições que estariam imensamente acarinhadas e bem tratadas por casais de homossexuais, não tenho qualquer dúvida sobre isso, mas não consigo deixar de ponderar o meio social em que a criança está inserida e todos os problemas que lhe irão obrigatoriamente surgir a partir do momento da adopção. É um problema demasiado multifacetado para que consiga opinar da mesma maneira que em relação ao anterior. E, finalmente, também sei que estou numa posição confortável para falar porque nenhum dos meus filhos revela tendências homossexuais, mas estou firmemente convencida de que teriam todo o meu apoio numa opção nesse sentido, porque o que quero é a felicidade deles e não considero a homossexualidade um crime. Tal como os apoiaria incondicionalmente numa relação com uma pessoa de raça diferente, do que já não estou livre de modo nenhum.

Leonor said...

bom, quanto à maturidade ou não do povo, nem comento...

mas o tema ainda é daqueles que faz correr muita tinta e nuuuunca é pacífico. naturalmente a mera exibição nada me diz, mas francamente não perceno o timing nem desta iniciativa nem da imensa discussão, folclore e rejeição que teve.
E sim, é-me absolutamente indiferente que seja permitido o casamente civil (um contrato) aos homosexuais, mesmo sendo eu uma pessoa católica. não vai ser isso que vai fazer a diferença, creio eu. aliás, vinha hoje no público, se não estou em erro que em Espanha, desde que lhes é permitido o casamento que há um nº ridiculamente baixo de casamentos homosexuais.
O nº de casamentos tem diminuido, mesmo em heterosexuais, é um facto...
a questão, quanto a mim é ter os direitos assegurados, mas enfim...

BlueVelvet said...

Fa,
também acho.
Legalizar é urgente.
Casar não:))
Beijinhos

BlueVelvet said...

Pitanga,
pois, para vadiagem também não tenho paciência.
Beijinhos

BlueVelvet said...

Carminda,
ficou claríssimo, amiga.
Beijinhos

BlueVelvet said...

António,
pois também concordo que têm o direito de ser felizes e acho que isso ficou explícito no meu post.
Beijinhos

BlueVelvet said...

Patti,
esperava um outro tipo de comentário, que talvez até pudesse entender.
Mas conotares esta diferença com os Direitos das mulheres, parece-me um pouco rebuscado.
Desculpa.
Embora tudo isso tenha existido e o nosso DNA tenha memória, nem tu nem eu passámos por isso.
E comparar é estar de novo a comparar coisas que não são comparáveis.
Quanto ao facto de as mulheres ficarem por baixo no acto sexual, minha amiga, ainda hoje acontece com alguns casais e também na Antiguidade isso não acontecia. Basta visitares Atenas ou Roma ou andares mesmo mais para trás para encontrares desenhos do mais Kama sútrico possível.
Não é pelos direitos que hoje são reconhecidos às mulheres que deixaram de existir homens que se referem à ter relações como" servir-se da mulher".
Quanto aos partos de perna aberta, isso era obrigatório para as rainhas para se ter a certeza que a crinça nascida era mesmo o futuro e legítimo rei.
Tens razão, do meu ponto de vista, em duas coisas:
o casamento não é sexo nem o sexo salva um casamento.
E legislar sobre assuntos da alma humana está, de facto, errado.

BlueVelvet said...

Paula Crespo,
concordo ipsis verbis contigo.

BlueVelvet said...

Si,
que lhes dêm os direitos que seja justo à luz da sociedade em que vivemos.
E de facto,porquê tanta guerra àcerca de uma palavra?
Por isso digo no meu post: se é de direitos que estamos a falar.
É que às vezes, tenho a sensação que é de birras.
Ps: Nem pense que por ter um blog prescindo dos seus belíssimos comentários:)

BlueVelvet said...

Eremita,
já lá fui e deixei a resposta.
Muito obrigada

BlueVelvet said...

Carlos,
mas eu também concordo com o contrato.

BlueVelvet said...

João Videira Santos,
não seja mauzinho.
Então quer ver o BlueVelvet cair?

BlueVelvet said...

Odnanref,
obrigada pela visita.
Concordo com tudo o que diz.
É aliás, uma adenda ao meu post.
Volte sempre

BlueVelvet said...

Oliver,
sempre o seu humor inteligente de sempre.
Beijinhos, iac, iac, iac

BlueVelvet said...

Sorrisos,
tu és demais.
E os laços, são azuis ou cor-de-rosa?
Beijinhos

BlueVelvet said...

Renard,
anotada a tua opinião.
Quanto ao resto, falamos noutro sítio.
A big tight Hug sweet Renard

BlueVelvet said...

João Videira Santos,
como vê não caiu. Isto é tudo gente civilizada.
Fico à espera do texto avermelhadão.
Beijinhos

BlueVelvet said...

Salvo-conduto,
tens razão no que toca à discussão.
Digo eu.
Beijinhos

BlueVelvet said...

1/4 de Fadas,
se lerem bem o meu post, verão que não estou tão longe da tua opinião como isso.
Beijinhos, amiga

BlueVelvet said...

Leonor,
para mim também a questão é que tenham os direitos assegurados.
Os que o podem ser.
Beijinhos

Delfim peixoto said...

COncordo, dicordatamente

Patti said...

Blue as imagens que utilizei, como fazer sexo por baixo, não têm a conotação física. São força de expressão para vincar uma ideia de inferioridade, assim como outras a que te referiste.

Não é rebuscado. É exactamente como penso. É segregação, preconceito e tratamento de diferença. Isso para mim não existe, a diferença.
Diferentes são os animais.

Dizes bem, que nem eu nem tu passamos por isso. E depois? Isso torna tudo melhor?
Para mim é exactamente a mesma coisa.

Não tens nada de me pedir desculpa. Cada um pensa, como entende.

Storinha said...

Olá velvet! Não pensei que alguém se lembrasse...afinal enganei-me
Obrigado pela tua mensagem no meu cantinho...
Beijinho

Jotabê said...

A questão da homossexualidade deixa-me sempre um trauma de entendimento, se assim se poderá chamar. Já vi escrito para aí nos comentários, que um casamento não é só sexo, concordo, masa verdade é que também tem sexo. E é aqui que entra o meu trauma, o tal do entendimento, tenho uma curiosidade grande, vá lá mais ou menos razoável, em saber como é que um casal homossexual resolve o “assunto”, no caso masculino por exemplo, com o acto com “dois sentidos”, tu desculpa-me mas a coisa fica estranha à brava, eu que estou “formatado” com software ‘hetero’, imaginar esta “esgrima”, olha, dá-me logo vontade de lhes chamar “diferentes”
Curiosamente para o lado feminino até nem me causa muita repulsa.

Também está no imaginário de qualquer gajo (pelo menos na adolescência) a relação sexual com duas mulheres em simultâneo, onde o contacto entre elas se revela natural, até afrodisíaco, coisa de gajo.

Ainda em relação ao “diferente” é bom não esquecer que Allan e Barbara Pease, apresentaram resultados científicos, no campo da genética e da concepção humana, para explicar e acima de tudo, tentar que se compreendesse, em especial os próprios homossexuais, esta “tendência” para a homossexualidade. Uma questão essencialmente hormonal. No fundo, estão duas pessoas (independentemente do sexo) do mesmo sexo, a “aproveitar-se” uma da outra, pelo facto de ambas terem precisamente o sexo, pelo qual ambas se sentem atraídas, e igualmente pelo facto de ambas terem a necessidade que é do sexo oposto. (e não, não é pela personalidade, ou pelo carisma, ou porque faz rir, ou pelo que quiserem arranjar como desculpa, é mesmo pela figura masculina ou feminina que aquela pessoa representa para elas)

tramada esta igualdade da diferença da natureza humana, não achas?
Bem, isto foi só um aparte, o tema é mesmo o casamento. Concordo contigo, arranjem um instrumento jurídico para lhes conferir direitos e deveres de ambos perante a sociedade, e vice-versa, casamento é outra coisa. Já agora em relação ao casamento, só para te dizer que casamento pelo civil toda a gente que casa tem de o fazer, casamento pela igreja, realmente só quem efectivamente quer. Não há casamento religioso exclusivo.
Também abomino paradas gay, e bichices ‘andrógenas’, ainda mais ridículo acho aquelas simulações matrimoniais, onde um dos gajos leva um vestidinho de noiva, ou uma das fulanas uma gravata e um chapéu de coco.
Também acho, eu que sou fan do Frederico Carvalho e igualmente com uma certa tendência conspirativa, que esta reivindicação de direitos arrasta consigo, mesmo que camuflada de uma benemérita ajuda na adopção de crianças institucionalizadas, uma compensação por uma maternidade frustrada, quer a perdida, quer a inatingível. O Carlos ficou-se pela interrogativa neste campo. Eu vou mais longe, não tenho qualquer dúvida que uma criança, filha adoptiva de pais homossexuais, iria sofrer bastante na escola, na rua onde brincava, no clube onde treinava, porventura criar traumas que, se fosse hipoteticamente quantificável, não sei qual seria maior, o de ser o filho das “bichas”, ou viver uma infância institucionalizada.
Homossexuais que considerem que adoptarem um filho seria uma forma de começar a mudar mentalidades, acho que estão a ser muito, mas muito egoístas e desfasados da realidade, estaríamos sem dúvida na presença de mártires de um movimento de conceito muito para o duvidoso. E o amor, ou a falta dele não explica tudo.

Jotabê said...

chiça, esqueci-me da beijoca, acrescenta tu à mão com esta :| e esta :) à mistura

BlueVelvet said...

Storinha,
não costumo esquecer-me destas coisas.
Obrigada pela visita.
Beijinhos

BlueVelvet said...

Jotabê,
que bom ver-te por aqui, e ainda por cima com um comentário tão longo.
Espero que seja sinal que já está tudo bem com a tua córnea nova.
Concordo com tudo que disséste e vou lá pôr a tua assinatura:)
Beijinhos

pedro oliveira said...

Minha cara,

quantos de nós dizemos que não somos racistas e depois se lá parece o preto ou preta,pode-me a contecer as duas situações.., como reagimos?
Em relação aos homosexuais, muito sinceramente, quero lá saber, que sejam felizes, mas não me entrem pela casa a dentro com aqueles desfiles parvos e ordinários, é que assim não vão lá de certeza.Quanto á adoptação, sinceramente, aí travo com o ABS, ter dois pais ou 2 mães...

PO
vilaforte

Sorrisos em Alta said...

Sou daltónico, não sou a pessoa ideal para me pronunciar sobre isso...
;o)

Beijinho