17 January 2008

AS CRÓNICAS DO INDY


Uma amiga brasileira, sabendo da minha ligação com o País irmão e da minha paixão pela leitura, fez-me a surpresa de me enviar pelo Natal, um livro que compila 100 crónicas dos mais famosos e melhores cronistas brasileiros.
Joaquim Ferreira dos Santos, um homem de texto promoroso e também cronista semanal num grande jornal, decidiu seleccionar as cem melhores crónicas brasileiras de todos os tempos.
O resultado desse ambicioso projecto é um livro delicioso de se ler.
Pode perceber-se que a pesquisa foi extensa, e aparentemente não deixou nenhum grande nome de fora.
Alguns, confesso a minha ignorância, eu nem sonhava que também tinham sido cronistas, como Carlos Drummond de Andrade, Lygia Fagundes Telles, ( a primeira -dama da literatura brasileira), Clarice Lispector, Vinicius e até Nelson Rodrigues, que sempre dando um golinho na sua bebida preferida, ia retratando o ridículo e as idiossincrasias da classe média.
A história começa com João do Rio imaginando como era o Rio de Janeiro em 1920.
Quase na mesma época, Olavo Bilac, que além de poeta foi cronista, preocupava-se em escrever sobre a perseguição que a polícia fazia a cartomantes e leitores de tarot.
Do século XIX até hoje, houve uma evolução do género que é apenas brasileiro. Não existe em mais literatura nenhuma da forma que é feito no Brasil.
Cada leitor tem o seu cronista preferido e sabe exactamente em que dia e em que revista o seu autor predilecto escreve.
Ler a sua crónica tornou-se um vício. O leitor identifica-se com a forma de ser do " seu " cronista, com as suas manias, o seu modo de dizer as coisas, os seus personagens.
Os cronistas definem a crónica como " literatura de pressão". É o espaço do jornal que tem que ser preenchido, e cada semana tem que ter uma boa ideia.
Não vale escrever sobre "não ter assunto".
É uma vergonha!
Uma espécie de recurso para quem não tem café no bule.
Mas, do meu ponto de vista, a crónica não é uma forma menor de escrita.
Dá àgua na boca só de ver os nomes que vêm no livro, e é difícil parar porque quando acaba um texto, vêmo-nos dentro de outro, mergulhamos no próximo e esquecemos o que está à nossa volta.
Portanto, Indy querido, começa a pensar em escrever e publicar as tuas crónicas.
Lá, como cá, há leitores para bons cronistas.
São boas demais para só serem lidas por privilegiados.
Como eu.

4 nhận xét :

Oliver Pickwick said...

Eu tenho este livro, Velvet. Com algumas exceções, as melhores cabeças entre os escritores brasileiros estão presentes.
Beijos!

Maria said...

Não conheço este livro mas acredito ser excelente pela qualidade que reconheço nos escritores que me são familiares.
Também hoje recebi um presente que veio do lado de lá, um livro do Mário Quintana.....

Beijinhos....

Um Momento said...

Não li...
Mas volto para ler;)
(*)

Olá!! said...

Lá terei que me meter em despesas....
Beijo Blue