18 July 2008

AFINAL HAVIA OUTRA...MULHER!


Quem me costuma ler está a pensar:
-A BlueVelvet gosta da Mónica Sintra?
Pois é. A menina que me desculpe, mas não gosto dela. Ou melhor, do que ela canta e do que ela simboliza.
De facto o título do meu post não tem nada a ver com a Mónica mas sim com a Ingrid Betancourt.
Desde a libertação da senhora, com a qual muito me congratulei ( babyvelvet 3/07), que uma coisa me andava a incomodar: a posição do Partido Comunista.
Como nunca acreditei que os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço, e sei que não são pessoas diferentes de nós, ou seja, não têm as orelhas em bico como o Dr. Spock, nem escondem mais segredos inconfessáveis que qualquer outro grupo partidário ( política é política), começou por me fazer confusão o facto de o Grupo Parlamentar não ter votado na Assembleia o voto de congratulação pela libertação de Ingrid Betancourt. Mais confusão me fez quando passando por alguns blogs que sei estarem ligados ao Partido Comunista via uma espécie de alegria envenenanda.
Até parecia que não estavam contentes com a libertação da refém.
Como sempre gostei dos pontos nos iis e dos traços nos tts, tratei de ir investigar.
E descobri que:
O Grupo Parlamentar do PCP apresentou no passado dia 4 um voto de congratulação na Assembleia da República sobre «Ingrid Betancourt em liberdade».
Nele se diziam, entre outras coisas que:

«Após seis anos de cativeiro na selva, é motivo de justa satisfação o regresso à liberdade de Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial colombiana.»
E após uma série de considerandos, terminava:
«1. Congratula-se pelo regresso à liberdade de Ingrid Betancourt.
2. Exprime o seu desejo de que a liberdade de Ingrid Betancourt possa contribuir para um caminho de paz para a Colômbia.
3. Apela às partes envolvidas para que encetem negociações no sentido da libertação de todos os prisioneiros.
4. Valoriza todos os esforços orientados para alcançar uma solução política negociada.
5. Apela às partes para que se empenhem na busca de uma solução política negociada do conflito, que dura há mais de quatro décadas.
6. Manifesta-se pelo respeito da soberania do povo colombiano na definição dos destinos do seu país.»
Portanto, o Partido Comunista apresentou sózinho um voto de congratulação, mas tal não foi referido pelos meios de comunicação social. Ou, se foi, não o foi com o mesmo destaque que deram ao facto de não ter votado o outro.

Agora pergunto eu:
Porquê? A quem incomodam aquelas palavras? Só pode ter sido por uma de duas razões: ou anticomunismo primário ou censura.
Qualquer das coisas não me agrada e uma delas, a censura, preocupa-me muitíssimo.
Descobri também que a alegria que faltava nos tais blogs, se devia à preocupação com todos os outros reféns e com uma outra mulher também de apelido Betancour( escrito assim, por ser hispânica), de seu primeiro nome Sónia, que desde 22 de Abril vivia horas, dias, semanas e meses de angústia e de dor com a sua pequena filha Chiara Rivera.
É que, desde aquela data, não sabiam do paradeiro, estado ou situação de Guillermo Rivera Fúquene, seu marido e pai, comunista e membro do Polo Democrático Alternativo que governa o munícipio de Bogotá, e ainda e sobretudo Presidente do Sindicato dos funcionários da autarquia da capital do país.
Tinha sido visto pela última vez no já referido dia 22 de Abril, às 6.30 da manhã, numa rua do bairro «El Tunal» onde tinha ido levar a filha à escola, em Bogotá, onde residia. Uma testemunha e câmaras de video instaladas no local atestam que foi abordado por um grupo de agentes policiais e foi forçado a entrar num carro da Polícia Metropolitana.
Apesar de todas as iniciativas da família e dos seus companheiros e dos apelos de organizações sindicais internacionais, quatro meses depois do seu desaparecimento, as autoridades dependentes do Presidente Álvaro Uribe não tinham prestado nenhum esclarecimento cabal sobre este drama
Apareceu agora, assassinado e abandonado na rua.

Como não gosto nem de 2 pesos e 2 medidas nem de histórias mal contadas, aqui fica reposta a verdade quanto ao voto de congratulação do PCP, e aqui apresento as minhas condolências a Sónia Betancour.

13 nhận xét :

xico man said...

Esta é história verdadeira !Xiça!!!

Antonio saramago said...

Tens dúvidas de que estamos a retroceder para á decada de 70?
Não sabemos é da MIssa nem metade.

Filoxera said...

Fizeste bem, é um post muito pertinente.
Beijos.

Carlos Barbosa de Oliveira said...

Parabéns,Blue! Excelente este seu post sobre um tema que muitos querem esconder. A verdade deve ser uma busca incessante de qualquer jornalista( como eu) ou advogado ( como a Blue), mas nos dias de hoje essa é uma questão constantemente varrida para debaixo do tapete, porque não interessa dizer toda a verdade, principalmente quando põe em causa alguns interesses. Creio que na advocacia se passa mais ou menos a mesma coisa ( não é de hoje, quando andei pela faculdade de Direito já sentia isso).
Realço também o seu trabalho de pesquisa e a sua isenção. Um bom exemplo para muitos jornalistas que se habituaram a ver apenas com o olho que mais lhes convém.
Conchinhas

titofarpas said...

Muito bom post...
Há sempre dois pesos e duas medidas...
Bom fim de semana.
Beijos

Maria said...

As várias posições do PCP incomodam muita gente, por isso não são relatadas na comunicação social. Não por apenas uma de duas, mas pelas duas razões que apontas: anticomunismo primário e censura (e eu acrescento auto-censura, o que ainda é pior).
Basta ver o alarde criado à volta da libertação (ainda bem que foi) da Ingrid Betancourt e o silêncio absoluto sobre este crime hedidondo.
Era Comunista, era Sindicalista, era um Homem que lutava pelo seu Povo e pelo seu País.

Obrigada por este post, Blue Velvet. Estamos sempre a aprender, não é?

Um beijo azul (com mt calor...)

samuel said...

Blue

Parabéns pelo belíssimo post!
Vou já acrescentar o "Blue Velvet" a lista de blogues que falaram (e neste caso, muito bem) sobre este assunto.

Abraço

f@ said...

Pois é assim ... em todos os aspectos ... em todos os partidos... há sempre diversos partidos partidos em diversos bocados ...pena que nem vale a pena juntar os bocados para unir... cacos e cacos... e a injustiça quer-se feita de vidro ainda transparente e brilhante...
a justiça é possivel com verdade e uma coisa que já não abunda mto valores morais e liberdade...
desculpa as mas condições do comentário com o sol nos olhos e no ecrã deturpo tudo... mas ando nas nuvens e é assim mesmo... beijinhos e abraço das nuvens

Jose Martins said...

Ui,ui não escrevas sobre a bombeira Mónica Cintra... A cantar está cada vez mais esganiçada! Mais vale falares da Ana Malhoa... Aquela toda machona, tatuada e de luva preta numa das mãos... Ui,ui hoje até a vi no "Portugal Total" com o João Baião "a dar ao rabo" no lugar qualquer de Portugal... A Mónica além de esganiçada está um "pincel" do caraças... Passei pelo teu blogue por acidente... Mas tá tranquilita: "Sou filho de gente casada"
Abraço

Carminda Pinho said...

Tirar a Liberdade seja a quem fôr é sempre um acto de cobaria e não só, para quem a tira.
Tirar a vida é igualmente um acto hediondo e de repulsa.
Sejam quais forem os ideais políticos de cada um, não podemos nunca ficar indiferentes.

Beijo

Justine said...

Admiro a tua honestidade intelectual, e a tua coragem (porque nos dias que correm, é preciso tê-la), por teres escrito este magnífico post.
Um abraço, amiga:))

Sunshine said...

Será que foi só um acto de censura? Ou terá também sido um acto de vedetismo político?
Por estas e por outras o modo como se faz política enoja-me.
bjinhos

Donagata said...

Gosto da sua postura no blogue. Não aceita dois pesos e duas medidas e vai à luta para esclarecer as dúvidas.
Excelente post. verdadeiramente elucidativo do momento que se vive.